Objetivo
Manter e aprimorar uma cooperativa de liofilização de frutas orgânicas da floresta amazônica, que visa disponibilizar fontes sustentáveis e ecológicas de renda para populações indígenas e ribeirinhas locais , através do extrativismo de frutos da floresta, agregando um imenso valor final ao alimento devido à tecnologia de liofilização e contornando os desafios logísticos de comunidades isoladas.
Problema Solucionado
O grande desafio é devido ao fato do município de Jordão-AC ser um dos municípios mais isolados do Brasil, sem acesso rodoviário e de acesso fluvial de extrema dificuldade de trânsito pelas alterações climáticas atuais e baixo volume de águas. Isto promove um município com inestimável riqueza natural, um dos mais preservados em termos de reservas florestais e indígenas do país, porém com IMENSAS DIFICULDADES para beneficiamento, agregar valor e principalmente LOGÍSTICA DE ESCOAMENTO DE SUA PRODUÇÃO.
Tal tecnologia reduz o volume dos alimentos, permite uma conservaçao por mais de 2 anos sem necessidade de nennhum tipo de conservante adicional ou refrigeramento, facilitando transporte fluvial prolongado e exportação para outros países.
O acesso a frutas em grande quantidade é facilitado visto a preservação local da floresta e imensa disponibilidade para extrativismo.
Desta forma tem-se um produto de relativo baixo volume, alto rendimento, altíssimo valor agregado (1kg polpa de açaí fresco: 20 a 40 reais ; 1kg polpa açaí liofilizado: 800 a 1000 reais) e grande procura no mercado internacional.
Descrição
Metodologia e Procedimentos da Implantação do Processo de Liofilização
O Instituto Flor da Floresta, fundado em 2021 no município de Jordão (AC), atua com populações indígenas, ribeirinhas, mulheres e jovens, promovendo saúde, soberania alimentar e geração de renda sustentável por meio da bioeconomia. Nasceu a partir de demandas reais da comunidade e já mobilizou milhões de reais em projetos sociais, capacitações, assistência em emergências climáticas e fortalecimento cultural.
**Histórico e construção participativa**
A implantação do processo de liofilização iniciou-se com diagnósticos participativos, assembleias indígenas e escutas comunitárias que identificaram o desperdício de toneladas de frutas nativas que apodreciam por falta de oportunidades de beneficiamento. O Instituto desenvolveu uma metodologia baseada nos princípios da economia da floresta em pé, valorização dos saberes tradicionais e inclusão social.
**Etapas da metodologia implantada**
1. **Mobilização e diagnóstico participativo:** Lideranças comunitárias, mulheres e jovens mapearam as espécies prioritárias e os períodos de coleta de acordo com o calendário ecológico tradicional.
2. **Capacitação contínua:** Foram realizadas oficinas práticas sobre manejo sustentável, boas práticas de beneficiamento e gestão comunitária.
3. **Implantação da infraestrutura comunitária:** Instalação de laboratório com equipamentos de despolpa, desidratação e liofilização conforme padrões da vigilância sanitária, garantindo soberania local sobre a produção.
4. **Governança compartilhada:** A comunidade participa das decisões estratégicas, definição de preços, metas de produção e distribuição dos resultados.
5. **Cadeia produtiva inclusiva:** O Instituto compra a matéria-prima diretamente dos extrativistas a preço justo, garantindo renda imediata e estímulo à conservação da floresta.
**Participação da comunidade**
O processo é integralmente comunitário: indígenas e ribeirinhos coletam os frutos, mulheres atuam no beneficiamento, jovens são capacitados tecnicamente e participam da gestão logística e comercial. As decisões são tomadas em assembleias, com transparência financeira e protagonismo social. O modelo fortalece a autonomia, a permanência no território e a transmissão de conhecimentos ancestrais.
**Interação entre organização e comunidade**
O Instituto mantém presença permanente no território com equipes multidisciplinares de saúde, educação ambiental e bioeconomia. A interação ocorre por meio de visitas técnicas, mutirões, vivências formativas e acompanhamento individual das famílias. A comunidade reconhece o Instituto como parceiro de confiança e agente de proteção da floresta, articulando políticas públicas, setor privado e saberes tradicionais.
**Indicadores e evidências de impacto**
* Produção anual prevista: 7,5 toneladas de frutas beneficiadas, evitando desperdício e agregando valor ao extrativismo.
* Geração de renda direta para a comunidade: R$ 75 mil ao ano pagos a extrativistas indígenas e ribeirinhos.
* Renda líquida do projeto destinada a ações sociais e educativas: entre R$ 64 mil e R$ 74 mil anuais.
* Mais de 300 pessoas capacitadas em bioeconomia e manejo sustentável.
* Fortalecimento da autonomia feminina e juvenil: mais de 60% dos beneficiários diretos são mulheres e jovens.
* Reconhecimento nacional: trabalho documentado pela Fiocruz e premiado pelo Conselho Nacional das Secretarias de Saúde por seu impacto socioambiental.
Recursos Necessários
- 4 ar condicionados
- 1 notebook
- 1 projetor
- 1 biodigestor
- 1 moinho de pedra Melanger
- 1 descascador de amêndoas de cacau
- 1 desidratador de alimentos
- 1 liofilizador de alimentos
- panelas em inox
- bowls em inox
- cadeiras de plástico
- mesas de plástico
- lâmpadas
- sacos para mudas
- mangueira para irrigação
- sombrite
- baldes de plástico
Resultados Alcançados
A implantação da tecnologia de liofilização e beneficiamento de alimentos agroecológicos pelo Instituto Flor da Floresta beneficia anualmente cerca de 840 pessoas, entre indígenas, ribeirinhos, mulheres e jovens das comunidades do Jordão (AC). O projeto envolve 120 famílias extrativistas fornecedoras de frutas nativas, 60 pessoas capacitadas diretamente no laboratório de liofilização e 300 participantes em oficinas de educação alimentar, bioeconomia e saúde tradicional.
Resultados Quantitativos (2023-2025)
Atualmente, são beneficiadas 1 tonelada de frutas por ano, agregando valor e evitando desperdícios. O projeto gera R$ 10 mil em renda direta anual aos extrativistas e uma renda líquida comunitária entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, reinvestida em ações sociais e ambientais. 65% dos beneficiários são mulheres e jovens, fortalecendo o protagonismo de grupos prioritários. Entre 2023 e 2025, foram realizadas mais de 15 oficinas, com média de cinco por ano, estimulando a criação de **novos polos locais de produção e conhecimento**. Também foram implantados **viveiros comunitários** com mudas de cacau, açaí, abacaxi, buriti e plantas medicinais, além da expansão produtiva para **óleos essenciais e meliponicultura**, com ampla participação indígena.
Resultados Qualitativos:
O projeto fortalece a autoestima e autonomia das mulheres, que relatam “orgulho e independência financeira sem sair da floresta”. Contribui para a retenção da juventude nos territórios, oferecendo alternativas sustentáveis e valorizando os frutos nativos como riqueza ancestral, e não como mero recurso econômico. Há melhora na segurança alimentar, acesso a superalimentos e integração cultural entre povos indígenas e ribeirinhos, combatendo o racismo estrutural e fortalecendo a convivência baseada no respeito aos saberes tradicionais. A iniciativa também reforça a identidade coletiva e os laços comunitários, unindo arte, ciência e tradição em um novo modelo de bioeconomia amazônica.
Metodologia
O acompanhamento é contínuo e participativo, garantindo transparência e governança local. São realizados registros mensais de produção e renda, avaliações socioambientais com controle de origem dos frutos e rodas de escuta comunitária com indicadores qualitativos. Os resultados são divulgados em uma plataforma de transparência do Instituto, assegurando a mensuração de impacto social e ambiental.
Público atendido
Adolescentes
Afrodescendentes
Agricultores Familiares
Alunos do Ensino Médio
Famílias de Baixa Renda
Lideranças Comunitárias
Organização Não Governamental
Povos Indígenas
Povos Tradicionais
Trabalhadores Rurais
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