Objetivo
O Programa Carbono Neutro Idesam (PCN) tem como objetivo implantar Sistemas Agroflorestais (SAFs) em áreas degradadas e improdutivas na RDS do Uatumã, apoiando a produção de mudas e promovendo uma produção agrícola e florestal mais sustentável e de baixo carbono. Além disso, o programa busca gerar renda para as populações tradicionais que vivem na região, ao mesmo tempo em que compensa as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) de parceiros e do próprio Idesam. Essa abordagem combina conservação ambiental, desenvolvimento social e responsabilidade climática de uma forma muito positiva.
Problema Solucionado
A agricultura representa a principal atividade produtiva e rentável das comunidades da RDS do Uatumã, tendo importância na subsistência e alimentação das famílias. A fabricação de farinha ainda é o carro-chefe da economia da RDS.
O sistema convencional é baseado na derrubada da floresta, queima, produção e abandono da área (após o completo esgotamento do solo). As áreas abandonadas tornam-se improdutivas por anos e demoram a se regenerar, sendo normalmente dominadas por espécies vegetais que atrasam a regeneração da floresta. Além disso, a dependência de um único produto (a farinha) para gerar renda torna essas famílias vulneráveis perante o cenário econômico, aumentando a pressão sobre a floresta através de atividades predatórias.
O Programa Carbono Neutro proporciona a diversificação da produção para a geração de renda e a recuperação de áreas improdutivas, influenciando diretamente na regulação do clima, na medida em que as árvores plantadas captam carbono da atmosfera e regulam as chuvas da região.
Outro ponto importante é consolidar políticas de desenvolvimento as populações tradicionais que residem em Unidades de Conservação para que possam protagonizar a conservação ambiental.
Descrição
O Programa Carbono Neutro Idesam oferece uma calculadora de pegada de carbono em seu site (https://idesam.org/calculadora/), permitindo que qualquer pessoa possa calcular suas emissões de carbono de forma simples. Com essa ferramenta, é possível descobrir quantas árvores seriam necessárias para compensar as emissões de GEE calculadas, promovendo uma ação voluntária e espontânea. Ao apoiar o plantio de árvores, as pessoas podem se conectar de maneira direta e simbólica à floresta amazônica, contribuindo para a conservação e o desenvolvimento sustentável da RDS Uatumã.
O PCN também estabelece parcerias com empresas e organizações que pretendem promover compensações constantes e anuais, como é o caso da Future Brand, G5 Partners, Aganju, entre outras. Em concordância com os princípios de transparência do Idesam, por meio do ID do Parceiro, é possível manter o controle de cada árvore plantada para garantir que irão se desenvolver com o tempo. Para esse controle temos uma plataforma com Mapa de Plantio (https://idesam.org/mapa-de-plantio/) disponível no site do Idesam. Sabe se em qual comunidade a árvore foi plantada e qual família parceira foi envolvida na agrofloresta. Todos os parceiros da modalidade de parceria Compensação recebem um selo Carbono Neutro, onde cada selo gerado corresponde a um tipo de neutralização, seja emissões anuais, um evento específico para empresa, viagens etc. Os parceiros podem associar sua imagem como Carbono Neutro divulgando suas ações e compromissos ambientais, por meio de redes sociais, sites institucionais, relatórios de sustentabilidade ou materiais de comunicação, onde podem destacar sua participação no programa, o uso da calculadora de emissões e o apoio aos plantios de árvores na RDS do Uatumã. Ao demonstrar seu compromisso com a preservação ambiental e as mudanças climáticas, pessoas e instituições não só reforçam sua responsabilidade, mas também servem de exemplo para os outros. Isso cria um efeito multiplicador, incentivando mais pessoas a adotarem práticas sustentáveis e contribuírem para um futuro mais consciente e equilibrado para o nosso planeta.
Para empresas e eventos é necessário realizar o inventário de Gases de Efeito Estufa – GEE. O PCN utiliza o método GHG Protocol, ferramenta de cálculo para estimativas de emissões de gases do efeito estufa (GEE), adaptado ao contexto brasileiro pelo Programa Brasileiro GHG Protocol da FGVces. Por meio do inventário é possível saber as tCO2 emitidas, o equivalente em árvores a serem plantadas para neutralizar essas emissões e o valor total do investimento.
Recursos Necessários
O PCN promoveu a construção de 3 viveiros florestais na RDSU para a produção de mudas, que são utilizadas no plantio anual do PCN, além disso capacitou agentes agroflorestais locais em técnicas de escalada em árvores para a coleta de sementes, e agroecologia para os plantios, para que haja a geração de renda em diferentes fases dessa cadeia na reserva, da formação de mudas ao plantio, e posterior na venda de produtos oriundos dos SAFs.
Além de ser uma importante ferramenta para a recuperação de áreas improdutivas, os sistemas agroflorestais (SAFs) utilizados pelo PCN, possui um importante papel na regulação do clima na medida em que as árvores plantadas captam o carbono da atmosfera mitigando os efeitos das mudanças climáticas, e regulam boa parte da produção de chuvas. Os SAFs se apresentam como uma importante estratégia para a geração de renda, à medida que valorizam o conhecimento tradicional utilizando espécies nativas de valor nutricional, econômico e social para os ribeirinhos, como o cará, a mandioca e o açaí para alimentação e comercialização, e o pau rosa e a andiroba para a produção de óleos utilizados em cosméticos, além de espécies de uso madeireiro como é o caso do Ipê e o Cumaru. É de extrema importância utilizar modelos de sistemas produtivos que estejam alinhados a conservação para que se diminua a pressão sobre a floresta nas Unidades de Conservação, e possam gerar bem estar, desenvolvimento e qualidade de vida aos moradores locais e ao clima como um todo. Importante salientar também que as Unidades de Conservação são uma importante estratégia para barrar o avanço no desmatamento em áreas estratégicas.
Resultados Alcançados
O PCN existe desde 2010 e desde então, promoveu o plantio de 58 mil árvores em 111 Sistemas Agroflorestais, compensando 17 mil toneladas de carbono de mais de 300 parceiros, recuperando 80 ha de áreas degradadas na RDS do Uatumã. As árvores são produzidas pelos ribeirinhos e plantadas consorciadas com espécies agrícolas pelos próprios comunitários, sob acompanhamento técnico e orientações de base agroecológica promovidos pelo IDESAM.
Nessa dinâmica, todo o recurso para mudas e para o plantio é destinado aos comunitários e gira dentro da RDSU. O Idesam também mantém três agentes agroflorestais, representantes e moradores dos três polos de comunidades para atuar dentro da reserva, diretamente com as famílias envolvidas. O PCN possibilita nesse intuito, um acompanhamento técnico de outras atividades produtivas que estão sendo desenvolvidas dento da reserva, além de propagar técnicas agroecológicas aos envolvidos num olhar sistêmico da unidade familiar e da reserva como um todo.
Paralelo ao trabalho de formação de mudas, plantio e manejo dos sistemas implantados, o IDESAM procura desenvolver cadeias de produtos oriundos dos SAFs implantados, estimulando a participação de jovens e mulheres como empreendedores locais.
Público atendido
Agricultores
Agricultores Familiares
Famílias de Baixa Renda
Lideranças Comunitárias
Jovens
Mulheres
População em Geral
Povos Tradicionais
Pequenos Produtores Rurais
Trabalhadores Rurais
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