Objetivo
Promover a participação e o controle social em saúde e meio ambiente por meio do protagonismo juvenil em ações de mapeamento colaborativo para a identificação de riscos, vulnerabilidades e potencialidades do território, fortalecendo a prevenção, o cuidado ambiental e a promoção da saúde, e contribuindo para práticas sustentáveis e melhoria das condições de vida.
Objetivos específicos
Engajar jovens em processos de participação e controle social nas questões de saúde e meio ambiente do território.
Capacitar a juventude para utilizar o mapeamento colaborativo como instrumento de diagnóstico comunitário.
Identificar e registrar riscos, vulnerabilidades, problemas ambientais e situações relacionadas à saúde.
Mapear potencialidades, recursos comunitários e elementos positivos do território.
Subsidiar ações de prevenção, promoção da saúde e cuidado ambiental baseadas em dados locais.
Fortalecer práticas sustentáveis e iniciativas comunitárias de melhoria das condições de vida.
Problema Solucionado
A tecnologia social Mais Lugar surgiu diante da dificuldade de comunidades participarem da identificação e comunicação de problemas relacionados à saúde, ao ambiente e às condições de vida o que limita a atuação do poder público e fragiliza processos de participação e controle social. Além disso, a juventude, embora conectada às tecnologias digitais, raramente é integrada como protagonista na leitura do território e na produção de evidências para apoiar decisões coletivas. O resultado é um distanciamento entre as demandas reais da comunidade e as ações governamentais. A Mais Lugar responde a esse cenário ao mobilizar jovens e moradores para mapear colaborativamente desafios e potencialidades, fortalecendo o engajamento comunitário, a vigilância participativa. A tecnologia pode ser implantada em territórios vulneráveis, áreas com risco ambiental, bairros periféricos ou regiões com baixa disponibilidade de informações, contribuindo para prevenção de agravos, melhoria ambiental e fortalecimento da participação social.
Descrição
A tecnologia social Mais Lugar foi criada para fortalecer a participação e o controle social em saúde e meio ambiente, mobilizando especialmente a juventude na identificação de problemas e potencialidades do território por meio do mapeamento colaborativo. Seu desenvolvimento tem origem em projetos de extensão e pesquisa iniciados em 2018 pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, posteriormente, pela Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), reunindo equipes de saúde coletiva, geotecnologias, engenharia de software, educação e design. Desde então, a plataforma vem sendo aplicada em comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas, no Brasil e no exterior, com foco na produção de dados georreferenciados de interesse comunitário.
O histórico institucional que sustenta a tecnologia envolve ações continuadas de formação de jovens, agentes comunitários de saúde e lideranças locais em território, educação ambiental, vigilância participativa e uso de ferramentas digitais. A iniciativa consolidou práticas de ciência cidadã e leitura crítica do território em Salvador (BA), Barra (BA), Ibotirama (BA), na Província de Tete (Moçambique) e em Medellín (Colômbia), fortalecendo vínculos comunitários e ampliando a capacidade local de monitorar condições ambientais e de saúde.
A metodologia da Mais Lugar organiza-se em ciclos. O primeiro consiste na aproximação comunitária, com escuta ativa, conversas com jovens, escolas, coletivos, equipes de saúde e associações. Em seguida, são definidos, de forma participativa, os indicadores que farão parte do mapeamento (riscos ambientais, vetores, resíduos, espaços degradados, serviços públicos, áreas verdes, equipamentos comunitários, práticas culturais). Esses indicadores são convertidos em formulários personalizados integrados ao sistema Vicon SAGA, permitindo coleta e armazenamento de dados georreferenciados.
A etapa seguinte envolve formação técnica e cidadã da juventude, abordando saúde e ambiente, território, direitos sociais, participação e controle social, além do uso do aplicativo. Essa etapa estimula o protagonismo juvenil ao reconhecer os jovens como sujeitos capazes de produzir conhecimento territorial. Posteriormente, ocorre o mapeamento colaborativo em campo, com registros fotográficos, auditivos e espaciais. A gamificação — com níveis, medalhas e desafios — estimula o engajamento e fortalece o envolvimento contínuo dos participantes.
Após a coleta, são realizadas oficinas de análise dos dados, nas quais os jovens e moradores constroem mapas temáticos, identificam padrões, discutem problemas e reconhecem potencialidades locais. A tecnologia possibilita visualizar informações que normalmente não aparecem em sistemas oficiais, contribuindo para a tomada de decisão comunitária e para o diálogo com o poder público. O ciclo se encerra com devolutivas comunitárias em escolas, coletivos, conselhos de saúde e espaços públicos, incentivando o controle social e a formulação de ações locais.
A participação comunitária ocorre em todas as fases: definição das prioridades, coleta dos dados, validação dos achados e discussão das soluções. Moradores e jovens orientam o processo, fortalecendo a autonomia local e a construção coletiva de conhecimento. A interação entre a organização e a comunidade é horizontal, com as instituições acadêmicas oferecendo suporte técnico e metodológico, enquanto a comunidade define rumos, temas e necessidades.
Há evidências concretas do impacto da tecnologia. Em Salvador, três comunidades realizaram mais de 2.500 registros sobre riscos ambientais, vetores, infraestrutura e espaços comunitários, gerando relatórios utilizados em escolas, conselhos locais e mobilizações por melhorias. Em Moçambique, 38 agentes comunitários de saúde foram capacitados e mapearam áreas com baixa cobertura vacinal contra poliomielite, fortalecendo ações da vigilância epidemiológica. Na Colômbia, jovens de Medellín utilizaram a plataforma para mapear riscos ambientais, pontos de lixo, áreas de convivência e espaços de uso comunitário, subsidiando propostas de educação ambiental e projetos juvenis.
No oeste da Bahia, escolas e coletivos juvenis aplicaram a tecnologia para mapear resíduos, espaços de convivência, condições ambientais e serviços públicos, apoiando projetos educativos, ações de limpeza e iniciativas de mobilização comunitária. Observou-se aumento do engajamento juvenil, ampliação da consciência territorial e maior participação em conselhos e debates públicos.
Assim, a Mais Lugar se consolida como uma tecnologia social acessível, replicável e de baixo custo, que integra saúde, meio ambiente, território e juventude em um processo contínuo de participação e controle social. Sua sistematização demonstra que comunidades podem produzir dados qualificados e utilizá-los para transformar seus territórios, fortalecer políticas públicas e melhorar sua qualidade de vida.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da tecnologia social Mais Lugar requer recursos humanos, materiais e infraestrutura simples, acessíveis e de baixo custo, suficientes para realizar formações, mapeamento colaborativo e análise participativa dos dados.
1. Recursos humanos essenciais
• 1 facilitador(a) comunitário(a) responsável pelas oficinas;
• 1 articulador(a) local (escola, associação ou equipe de saúde);
• Participação de jovens, estudantes e agentes comunitários como equipe de apoio.
2. Equipamentos e materiais digitais
• Smartphones ou tablets (5 a 15 unidades por grupo; também pode usar aparelhos dos participantes);
• Acesso à internet móvel ou Wi-Fi;
• 1 computador ou notebook para visualização dos mapas e análise dos registros.
3. Materiais pedagógicos e de campo
• Projetor, TV ou caixa de som para oficinas;
• Cadernos, canetas, pranchetas, papel, cartazes e mapas impressos;
• Insumos básicos para atividades comunitárias e devolutivas.
4. Infraestrutura física mínima
• Sala de aula, auditório ou espaço comunitário;
• Áreas externas para roteiros de mapeamento.
5. Infraestrutura tecnológica da plataforma
• Acesso ao aplicativo Mais Lugar;
• Acesso ao sistema Vicon SAGA para gestão dos formulários;
• Painel web para análise colaborativa dos dados.
Esses recursos permitem realizar todas as etapas da metodologia: preparação, oficinas, mapeamento colaborativo, análise participativa e devolutivas à comunidade.
Resultados Alcançados
A implantação da tecnologia social Mais Lugar resultou na ampliação da participação comunitária, no fortalecimento do protagonismo juvenil e na produção de dados territoriais relevantes para ações de saúde e meio ambiente. Ao todo, mais de 1.200 pessoas foram atendidas diretamente (jovens, estudantes, agentes comunitários de saúde, lideranças e moradores) e mais de 5.000 beneficiados indiretamente por devolutivas, oficinas, formações e atividades educativas.
Em Salvador (BA), três comunidades registraram mais de 2.500 pontos georreferenciados, envolvendo riscos ambientais, vetores, resíduos, espaços degradados e equipamentos públicos. Os jovens relataram maior compreensão do território, melhora da autoestima e sentimento de pertencimento, enquanto escolas e coletivos utilizaram os dados para debates, atividades pedagógicas e reivindicações em conselhos locais.
No oeste da Bahia, escolas e coletivos juvenis geraram cerca de 1.100 registros, apoiando ações como mutirões de limpeza, monitoramento de áreas verdes, atividades de educação ambiental e discussão de melhorias em assembleias escolares e comunitárias. Observou-se maior engajamento dos estudantes nas decisões do território e na mobilização por condições ambientais mais seguras.
Em Tete (Moçambique), 38 profissionais e agentes comunitários foram capacitados e mapearam mais de 600 pontos relacionados à baixa cobertura vacinal contra poliomielite e fatores ambientais associados. Esses dados subsidiaram relatórios da vigilância epidemiológica provincial e orientaram estratégias de busca ativa.
Na Colômbia, jovens de Medellín registraram cerca de 400 pontos envolvendo riscos ambientais, resíduos, espaços públicos e áreas de convivência, fortalecendo projetos escolares e atividades de educação ambiental. Os resultados qualitativos demonstram: aumento do protagonismo juvenil; maior percepção sobre saúde e ambiente; fortalecimento da participação e controle social; ampliação do diálogo com escolas, gestores e conselhos; identificação mais rápida de problemas locais; uso dos dados em planejamento participativo.
O acompanhamento é realizado via plataforma (estatísticas, mapas, registros), reuniões periódicas, formulários avaliativos, devolutivas públicas e oficinas de análise, garantindo monitoramento contínuo e transparente dos impactos. A tecnologia tem se mostrado eficaz para apoiar prevenção, cuidado ambiental, ações de saúde e mobilização comunitária, fortalecendo a autonomia e transformação territorial.
Público atendido
- Alunos do Ensino Médio
- Alunos do Ensino Fundamental
- Adolescentes
- Adulto
- Afrodescendentes
- Jovens
- Professores do Ensino Médio
- Professores do Ensino Superior
- Profissionais da Saúde
- Professores do Ensino Fundamental
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