Objetivo
Estimular a presença de pessoas no território e ampliar a realização de ações que chamem a atenção para sua realidade diária, para a percepção da arte urbana e cultura local como agentes de transformação. O MARM atua na melhoria das práticas de sensibilização em um dos locais mais vulneráveis da cidade e estimula a conscientização dos moradores sobre seus direitos de acesso à cultura e à cidade.
Problema Solucionado
A comunidade Euzébio Beltrão de Queiroz, uma das 1ª favelas caxienses, popularmente conhecida como “Zona do Cemitério” e oficializada como bairro em 1963, sempre foi relacionada à sua trajetória de índices de violência, drogadição e vulnerabilidade social. Desde 2022, o VIELAS Espaço cultural realiza ações comunitárias de acesso à cultura, cidadania, informação e desenvolvimento humano e social para os moradores, vetores de transformações sociais. Seus projetos culturais, que usam as artes visuais como ferramenta, estimulam a presença de pessoas na comunidade, promovem ações focadas na cultura local e proporcionam a valorização e ressignificação do território, por meio da parceria com os moradores. O MARM, reconhecido pelo Ibram como museu de território, incentiva a participação social e fortalece os vínculos comunitários, ampliando os repertórios estéticos e políticos sobre o território. O Graffitour, vencedor do Prêmio Rodrigo M. F. de Andrade 2025, do Iphan, consolida-se como prática de educação patrimonial, gera pertencimento territorial e desenvolvimento local, utilizando a arte para a construção de memórias, produção de alternativas de vida e expressão para a comunidade.
Descrição
O MARM é um importante elemento na transformação da paisagem urbana da comunidade onde está localizado, que expõe obras de arte em seus ambientes comuns para contar a história local e proporciona aos visitantes uma experiência única: entender a favela como um organismo vivo, em constante evolução e considerar a interação humana com os elementos naturais e artificiais que compõem essa paisagem. Seu percurso foi formado à medida em que os moradores aderiram aos projetos culturais intermediados pelo VIELAS Espaço cultural, o que contribuiu positivamente para a melhoria de sua qualidade de vida e daqueles que transitam pela comunidade. As decisões sobre a implantação de murais nos muros, fachadas ou paredes, são tomadas de forma integrada, considerando o envolvimento e aprovação dos moradores, as características físicas do território e a forma como esses elementos relacionam-se entre si, criando uma identidade única. O MARM contribui para a preservação de lugares e elementos históricos, identitários e culturais, para a reconstituição ou revitalização de espaços comuns e para a promoção da cultura periférica e do turismo comunitário, ampliando as possibilidades de interação entre os moradores e a cidade. A abordagem transformadora do Graffitour converte o MARM em agente de mudança e enquadra o território em uma era onde as instituições culturais, no caso o VIELAS, tem a liberdade de experimentar diferentes manifestações culturais, combinando diferentes estilos artísticos urbanos para se tornar mais atraente ao público. As visitas mediadas (Graffitour) percorrem espaços identitários da comunidade e abordam sua trajetória (constituição e delimitação geográfica, história local, tradições, modo de vida e manifestações culturais), utilizando os murais como referenciais, pois alguns retratam os próprios moradores, com uma linguagem clara e adaptada a diferentes públicos: crianças, jovens, adultos e idosos. Promove rodas de conversa após a mediação e atividades que permitam aos visitantes conhecerem a realidade diária de forma ativa, funcionando como um laboratório de aprendizagem, com atividades que se integrem aos currículos. Para melhorar a comunicação com o público, utiliza as redes sociais e tem uma versão online, difundindo suas atividades e a importância do patrimônio cultural para a identidade e desenvolvimento da comunidade. Busca a capacitação de seus agentes para atuarem como mediadores culturais, promovendo a valorização e a apropriação do patrimônio por diferentes grupos sociais, o intercâmbio de experiências e a criação de projetos conjuntos que ampliem seu alcance. Além de estimular a economia e a presença de pessoas na comunidade, auxilia na promoção de ações focadas na arte visual e cultura local, proporcionando a valorização e ressignificação da “Zona do Cemitério”, fazendo com que a “VILA” tenha mais “VIDA”. O público alvo da iniciativa são os interessados pela vertente cultural da arte urbana e do turismo de favela, convidados para uma imersão neste cotidiano, ressignificando os conceitos de “território periférico”. Os moradores acessam a atividade, participando no desenvolvimentos das obras de arte, pois convivem com os artistas e interagem com os visitantes, desenvolvendo relações étnico-raciais, com faixas etárias distintas (criancas, adolescentes, jovens, adultos e idosos) e professores e turmas de alunos da Rede Municipal de Ensino; mestres, acadêmicos e profissionais das áreas de Humanidades (Sociologia, Psicologia, Comunicação Social, História, Artes Visuais, Pedagogia, Serviço Social), Engenharias, Arquitetura e Urbanismo. Entre 2022 e 2025, aproximadamente 900 pessoas participaram do Graffitour. Para a melhoria de seus serviços, busca a capacitação de seus agentes para atuarem como mediadores culturais, capazes de estabelecer um diálogo entre o patrimônio e o público, promovendo a valorização e a apropriação de saberes por diferentes grupos sociais. Estabelece parcerias com outros espaços de memórias e instituições culturais, promovendo o intercâmbio de experiências e a criação de projetos conjuntos que ampliem o alcance da educação patrimonial.
Recursos Necessários
A implantação do MARM teve origem na organização coletiva e no protagonismo dos moradores. Seus recursos estão ligados à concepção dos murais (contratação de profissionais e artistas, aquisição de materiais de pintura e de construção, para adequação dos locais a serem transformados), à qualificação da estrutura de acolhimento e à valorização da cultura local. O percurso foi constituído em vias de acesso principais e também propicia a circulação em becos e vielas da comunidade, de forma segura para os visitantes. Canais de comunicação online (redes sociais, catálogo e email) foram importantes para a promoção do turismo, segurança e materiais informativos. Valorizar a identidade cultural e a história da favela como o principal atrativo, sem focar na exploração da pobreza ou na criação de um "zoológico social", ampliou o alcance da iniciativa, dentro e fora do território, sempre priorizando o bem-estar dos moradores e a sustentabilidade a longo prazo. Destacam-se a necessidade da presença de projetos culturais e sociais de base comunitária, evitando a apropriação cultural, e a forte cooperação dos moradores. Capacitação dos agentes para atuarem como mediadores culturais, capazes de estabelecerem diálogos e promoverem a valorização e a apropriação do patrimônio por diferentes grupos sociais. Estabelecer parcerias com outros espaços de memória e culturais, promovendo o intercâmbios e a criação de projetos conjuntos que ampliem o alcance da educação patrimonial.
Resultados Alcançados
Em 2022-2025, cerca de 900 pessoas visitaram o MARM e o percurso do Graffitour no bairro Euzébio Beltrão de Queiroz. A constância das atividades depende da integração com instituições de ensino (escolas da Rede Municipal de Ensino, Universidade de Caxias do Sul, entre outros), durante os períodos letivos, e da procura dos interessados pelo turismo de favela. Por não possuir um quadro de funcionários constituído, o apoio do voluntariado foi importante para que as ações permaneçam acontecendo: artistas, coletivos e OSCs locais, instituições públicas de preservação histórica, que contribuíram e fortaleceram o desenvolvimento social da comunidade, tais como: Projeto Favelar, Coletivo Meio, Terra Coletiva, Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, SESC Caxias do Sul, Museu da Cultura Hip Hop do RS, Conselho da Comunidade Negra de Caxias do Sul, SENAC Caxias do Sul, entre outros. Realizou, ainda, ações em parceria com o Clube de Mães, o Serviço de Fortalecimento de Vínculos para Crianças e Jovens e a Associação de Moradores existentes no bairro. Seu desenvolvimento foi ampliado no ano de 2025, por meio dos projetos “ZDC das Artes: imPACTO, revitalizAÇÃO e MEMÓRIA”, aprovado por Fundo Social e que iniciou a transformação em etapas de becos do território, e “Tem arte na FAVELA”, aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura Municipal e que desenvolveu intervenções artísticas e culturais na comunidade, inventariou todas as obras existentes, promoveu acessibilidade e oficializou a criação do “Museu de Arte Regina Rodrigues Machado” junto ao Ibram. Os resultados alcançados são compilados por meio de um processo de avaliação de impacto social, que combina métodos quantitativos (pessoas beneficiadas) e qualitativos (melhoria na qualidade de vida percebida, aumento da participação comunitária, fortalecimento do senso de pertencimento, mudança de comportamento), envolvendo a comunidade em geral, os moradores impactados diretamente e os profissionais envolvidos - equipe técnica e artistas visuais. A mensuração ocorre após a implementação dos projetos ou atividade, por meio do preenchimento de formulários digitais, para garantir a coleta de dados de referência em relação a seus legados, diálogo com diferentes grupos (jovens, líderes comunitários, idosos) para obter insights não capturados por números, além da observância a como a tecnologia está sendo utilizada e quais mudanças estão ocorrendo no dia a dia.
Público atendido
Alunos do Ensino Fundamental
Alunos do Ensino Médio
Alunos do Ensino Superior
Turistas
Professores do Ensino Superior
Professores do Ensino Médio
Professores do Ensino Fundamental
População em Geral
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