Objetivo
Consolidar um modelo comunitário, autossustentável e reaplicável de gestão de resíduos sólidos na Amazônia, através da integração de educação ambiental, tecnologia apropriada, economia circular e mobilização comunitária, visando conectar o conhecimento técnico à experiência local para desenvolver soluções adaptadas à realidade de comunidades isoladas.
Problema Solucionado
O Movimento Saúde Ambiental foi criado a partir da grave problemática do descarte inadequado de resíduos sólidos na Vila Céu do Mapiá, ocasionada principalmente pela ausência de serviço público de coleta de lixo, pelo isolamento geográfico da comunidade e pela falta de infraestrutura básica. Os resíduos domésticos e comerciais passaram a ser depositados em rios, quintais, trilhas e áreas de floresta, ou eliminados por meio da queima, resultando na contaminação da água e do solo, na degradação ambiental e no aumento significativo dos riscos à saúde da população. A implementação dessa Tecnologia Social (TS) mostra-se adequada em comunidades ribeirinhas, rurais, tradicionais ou isoladas, que não dispõem de sistemas coleta de lixo e que enfrentam dificuldades logísticas para a destinação adequada dos resíduos. É indicada também para territórios marcados por vulnerabilidade social e carência de políticas públicas eficazes de saneamento. Esta TS não se limita a amenizar um problema ambiental, mas promove uma solução integrada que fortalece a organização social, melhora as condições de saúde e gera alternativas econômicas sustentáveis.
Descrição
O Instituto de Desenvolvimento Ambiental Raimundo Irineu Serra (IDARIS) atua desde 1997 na Vila Céu do Mapiá, no município de Pauini (AM), promovendo o desenvolvimento socioambiental sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população local. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como referência em ações integradas que respeitam as características culturais, sociais e ambientais da Amazônia.
O instituto desenvolve projetos nas áreas de educação, saúde, saneamento, comunicação, economia solidária, agrofloresta, geração de renda, capacitação profissional e fortalecimento comunitário, buscando estimular a autonomia da comunidade por meio da formação, do acesso a serviços e da criação de oportunidades sustentáveis.
Entre suas principais realizações destacam-se a implantação de sistemas de água potável e energia comunitária, a construção e manutenção da escola, a Rádio Comunitária Jagube, o telecentro comunitário, a Casa de Ofícios, projetos agroflorestais, fortalecimento da cooperativa local (COOPERAR), a fábrica de doces comunitária e o Centro Medicina da Floresta (CMF), além do apoio contínuo a iniciativas nas áreas de infraestrutura, comunicação e produção.
A participação comunitária é eixo central da atuação do IDARIS, garantindo que os projetos sejam planejados e executados com envolvimento direto dos moradores. Como instrumentos de gestão participativa, utilizam-se o Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC), o Programa AmaGaia e a Avaliação da Sustentabilidade Comunitária (ASC), que orientam o planejamento e a avaliação das ações.
O instituto também atua na articulação com parceiros externos, como órgãos públicos, universidades e organizações, sendo responsável pela elaboração de projetos, captação de recursos, gestão administrativa e prestação de contas. O IDARIS acumula trajetória de atuação socioambiental, com foco em educação ambiental, sustentabilidade e fortalecimento de iniciativas comunitárias.
Entre as iniciativas apoiadas, destaca-se o Movimento Saúde Ambiental (MSA), voltado à gestão de resíduos sólidos. Em 2023, o IDARIS apoiou a construção de sua sede por meio de projeto aprovado no edital Floresta+ Amazônia, em parceria com o PNUD e o Ministério do Meio Ambiente.
A implantação do processo de gestão de resíduos na Vila Céu do Mapiá baseou-se em uma metodologia participativa, educativa e comunitária, iniciada em 1997 com ações simples de limpeza, campanhas de conscientização e mobilização social. A partir de 2004, o método foi sistematizado com base no Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC), elaborado pela WWF, que orientou a adoção da coleta seletiva, do armazenamento de resíduos recicláveis e do incentivo à compostagem de resíduos orgânicos.
Os procedimentos envolveram a separação domiciliar dos resíduos, a realização de mutirões semanais para coleta, triagem e armazenamento, a criação de oficinas educativas e de reciclagem, além da produção de materiais informativos. Como estratégia de adesão, foi implantado um sistema de incentivo social (“Lixo limpo vira leite em pó”), que estimulou a participação comunitária por meio da troca de recicláveis por alimentos, elevando a adesão para cerca de 85% das famílias.
A metodologia também incluiu parcerias com a escola local para ações de educação ambiental, produção de jornal comunitário e reaproveitamento criativo dos resíduos em oficinas artísticas. Todo o processo foi sustentado por trabalho voluntário e organização coletiva, sem financiamento formal. Atualmente, o movimento deu início à implantação de um novo espaço, com recuperação ambiental e construção de instalações a partir de materiais reciclados, visando retomar e ampliar as práticas sustentáveis.
Recursos Necessários
Estimativa geral e ideal dos recursos necessários para implantar uma unidade da Tecnologia Social voltada à gestão comunitária de resíduos sólidos,
Recursos Humanos: 1 coordenador(a) do projeto/gestor comunitário, 1 educador(a) ambiental, 1 responsável pela operação dos equipamentos, 3 a 6 agentes comunitários/voluntários e 1 apoio administrativo.
Infraestrutura Física: Espaço físico coberto que tenha áreas para: recepção e armazenamento de resíduos, triagem e separação, transformação dos resíduos, espaço para oficinas e reuniões, banheiro e energia elétrica.
Equipamentos: para coleta e triagem, processamento (maquinários básicos e mais específicos) e artesanato e reaproveitamento
Materiais de Consumo: Luvas de proteção, máscaras, aventais e materiais de limpeza.
Materiais Educativos: Cartilhas, materiais de papelaria (canetas, papel, pastas), quadros brancos, projetor ou caixa de som portátil (opcional).
Logística e Transporte (conforme a região): Barco, carrinho, fretes, combustível (quando aplicável) e recipientes retornáveis para traslado.
Custos Operacionais Básicos: Manutenção de equipamentos, aquisição periódica de EPIs e reparos estruturais
A estrutura pode ser adaptada à realidade local. Comunidades menores podem iniciar com coleta, triagem e artesanato, e posteriormente incorporar máquinas como triturador e prensa. A proposta da Tecnologia Social é escalável e modular.
Resultados Alcançados
Com a implantação da tecnologia social de gestão de resíduos na Vila Céu do Mapiá, aproximadamente 500 moradores foram atendidos de forma indireta e cerca de 140 famílias de forma direta, sendo que, inicialmente, apenas 20 famílias aderiram à proposta, número que posteriormente alcançou cerca de 85% da comunidade com a consolidação das ações. Ao longo do período de funcionamento da campanha “Lixo limpo vira leite em pó”, foram evitados o descarte inadequado de cerca de 6.000 sacos de resíduos, ao mesmo tempo em que aproximadamente 6.000 pacotes de leite em pó foram distribuídos às famílias participantes, fortalecendo a adesão comunitária. Em média, eram recolhidos 35 sacos de resíduos por semana, o que correspondia a cerca de 140 pacotes de leite distribuídos por mês. Além disso, as oficinas educativas atenderam semanalmente entre 30 e 40 crianças, promovendo educação ambiental contínua, enquanto os mutirões envolveram moradores com idades entre 14 e 50 anos em atividades voluntárias de coleta, triagem, reciclagem e construção de estruturas com materiais reaproveitados.
Os resultados qualitativos foram percebidos no aumento da consciência ambiental, na mudança de comportamento em relação à separação e limpeza dos resíduos, no fortalecimento do sentimento de responsabilidade coletiva e na valorização do trabalho comunitário. As famílias passaram a demonstrar maior cuidado com o ambiente, orgulho pelas ações desenvolvidas e reconhecimento da reciclagem como prática cotidiana. As crianças e os jovens apresentaram maior interesse pelos temas ambientais, desenvolvimento da criatividade e senso de pertencimento, e as oficinas se tornaram espaços de convivência, aprendizagem e apoio social, especialmente para mães que podiam deixar seus filhos em um ambiente seguro.
O acompanhamento dos resultados foi realizado de forma sistemática e participativa, por meio do controle da quantidade de resíduos entregues semanalmente, do registro dos materiais trocados, da observação direta durante os mutirões, da avaliação informal da participação nas oficinas e reuniões comunitárias, além da divulgação das ações e conquistas no jornal local “A Folha Reciclada”, que também servia como instrumento de monitoramento, comunicação e retorno à comunidade sobre os avanços e desafios do projeto.
Público atendido
Agricultores Familiares
Artesãos
Crianças
Famílias de Baixa Renda
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
População Ribeirinha
Turistas
Idosos
Comentários