Objetivo
Transformar espaços públicos subutilizados em ecossistemas vivos de aprendizagem por meio de uma metodologia integrada de agrofloresta urbana, arte pública e educação comunitária, promovendo segurança alimentar, regeneração ambiental, pertencimento e formação socioambiental de jovens, moradores e lideranças locais.
Problema Solucionado
A falta de áreas verdes produtivas, a baixa oferta de formação socioambiental prática e o distanciamento da comunidade em relação ao cuidado com o território são desafios presentes em muitas cidades brasileiras. Terrenos públicos ficam ociosos ou degradados, jovens carecem de oportunidades de aprendizado relacionado à economia verde, e comunidades enfrentam dificuldades de acesso a alimentação saudável e espaços de convivência segura.
A tecnologia social Jardins Comestíveis surge para responder a esse conjunto de problemas ao transformar áreas subutilizadas em agroflorestas urbanas produtivas, que funcionam simultaneamente como espaços educativos, culturais e ambientais. Sua metodologia participativa fortalece vínculos comunitários, cria oportunidades de formação, melhora o ambiente urbano, amplia a segurança alimentar, gera pertencimento e ativa redes de cuidado.
A tecnologia pode ser aplicada em escolas, praças, parques, centros comunitários, áreas públicas degradadas e territórios vulneráveis, oferecendo uma solução integrada de regeneração ambiental, educação e mobilização social, com resultados de curto e longo prazo.
Descrição
A metodologia Jardins Comestíveis nasce da experiência acumulada da Dia da Terra Brasil na integração entre agroecologia, arte pública, cultura comunitária e regeneração urbana. A ONG atua desde 2021 em territórios vulneráveis, desenvolvendo formações, intervenções urbanas e ações de mobilização socioambiental em parceria com prefeituras, escolas, coletivos locais e organizações culturais. Projetos já realizados em Itaquaquecetuba, Caxias do Sul e São Paulo, em duas diferentes regiões, consolidaram um conjunto de práticas que evoluíram para uma tecnologia social replicável, com resultados consistentes.
A metodologia parte de um diagnóstico participativo realizado com a comunidade local, envolvendo moradores, educadores, cozinheiras, lideranças, equipamentos públicos e jovens. Esse diagnóstico identifica vocações do território, histórias afetivas, saberes tradicionais, desafios socioambientais, demandas culturais e potenciais produtivos. O processo é conduzido por meio de rodas de conversa, caminhadas exploratórias, entrevistas e encontros abertos. Essa etapa garante que o jardim responda a necessidades reais e seja apropriado pela população desde o início.
Com base nesse diagnóstico, inicia-se a coconcepção do jardim, uma etapa-chave da tecnologia. Comunidade, equipe técnica e artistas definem juntos o desenho da agrofloresta, as espécies alimentares, medicinais e ornamentais, e o formato estético da obra de Land Art, criada pelo artista franco-tunisiano Jean Paul Ganem. Toda a construção simbólica e visual é pensada para fortalecer pertencimento, identidade territorial e cultura alimentar local.
A implantação ocorre através de mutirões formativos, onde se aprende coletivamente a plantar, manejar, podar, compostar, restaurar solo, interpretar o desenho artístico e entender as dinâmicas ecológicas da agrofloresta. Jovens, mulheres, cozinheiras, educadores e famílias participam ativamente desta etapa, transformando o plantio em um processo educativo, afetivo e mobilizador.
Depois da implantação, inicia-se a etapa de educação socioambiental continuada, composta por oficinas, vivências, trilhas formativas e ações culturais. Os temas incluem: agroecologia, alimentação saudável, gastronomia regenerativa, compostagem, clima, biodiversidade, saúde e cultura alimentar. A ecocozinheira Cássia Cazita conduz atividades de integração entre produção do jardim e alimentação do território, fortalecendo autonomia e bem-estar.
A participação comunitária se mantém por meio da governança local, criada com moradores e instituições. Grupos comunitários assumem tarefas leves de cuidado, criando rotinas de manutenção compartilhada. A ONG atua como facilitadora e suporte técnico, garantindo sustentação e autonomia coletiva.
A interação da ONG com a comunidade é constante e horizontal. As decisões são compartilhadas e as informações, transparentes. A escuta ativa é parte fundamental do processo e orienta cada escolha metodológica.
Indicadores e evidências colhidos em projetos já implantados mostram impacto direto:
• mais de 800 pessoas beneficiadas diretamente;
• participação majoritária de mulheres e jovens;
• aumento da produção de alimentos em até 100 kg/mês (Guaratiba);
• regeneração completa de solos degradados;
• aumento da biodiversidade local;
• melhoria da sociabilidade e redução de conflitos em áreas públicas;
• fortalecimento da autoestima e do pertencimento;
• formação de multiplicadores locais;
• continuidade autônoma dos jardins após implantação.
A sistematização contínua inclui relatórios, registros fotográficos, vídeos, mapeamentos e ferramentas participativas. Cada nova implantação aprimora a metodologia, garantindo sua replicação em múltiplos contextos. A tecnologia já demonstrou ser simples, de baixo custo relativo, fortemente mobilizadora e altamente efetiva em territórios urbanos.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da Tecnologia Social Jardins Comestíveis exige um conjunto de recursos materiais, humanos e operacionais que garantem a criação, ativação e consolidação do jardim agroflorestal em espaço urbano. Entre os recursos materiais estão: ferramentas agrícolas (pás, enxadas, ancinhos, carrinhos de mão), equipamentos de irrigação, mangueiras, bombas e caixas d’água; insumos para regeneração do solo (composto, biomassa, adubação orgânica, cobertura morta); mudas alimentares, medicinais e ornamentais; sementes crioulas; infraestrutura leve (tutorias, madeira tratada, cordas, placas de sinalização, QR Codes, lambi-lambi educativo); material gráfico e pedagógico para oficinas; e equipamentos de registro audiovisual.
Do ponto de vista de equipe, são necessários profissionais como: coordenação geral, agrofloresteiros/permacultores, arte-educadores, educadores ambientais, ecocozinheira para atividades de cultura alimentar, designer/diagramador, facilitadores de participação comunitária, equipe de logística e de comunicação. A participação comunitária em mutirões é parte fundamental da metodologia, reduzindo custos e aumentando engajamento.
Também são necessários recursos para formações, eventos de mobilização, deslocamentos, reuniões comunitárias, produção de conteúdo e materiais de comunicação, além de seguros, EPIs e suporte operacional.
Resultados Alcançados
A implantação dos Jardins Comestíveis em diferentes territórios produziu resultados sociais, ambientais e educativos comprovados. Ao todo, mais de 800 pessoas foram beneficiadas diretamente, entre jovens, educadores, cozinheiras, famílias, agricultores urbanos e lideranças comunitárias. Indiretamente, estima-se um alcance superior a 5.000 pessoas em atividades abertas, eventos, circulação no território e ações educativas.
Nos indicadores quantitativos:
• implantação de agroflorestas entre 300 m² e 3.000 m² em territórios urbanos;
• produção média crescente de alimentos (entre 40 kg e 100 kg/mês após estabilização do sistema);
• participação média de 40 pessoas por mutirão;
• realização de mais de 40 oficinas, rodas de conversa e vivências;
• engajamento de 10 a 25 jovens por território em trilhas formativas;
• formação de cozinheiras locais em gastronomia regenerativa;
• regeneração de áreas degradadas com aumento visível de biodiversidade.
Nos resultados qualitativos — altamente valorizados pela Fundação BB — foram observados:
• fortalecimento do pertencimento e da autoestima comunitária;
• melhoria do vínculo entre moradores e o espaço público;
• valorização de saberes locais e cultura alimentar;
• envolvimento significativo de mulheres em lideranças e cuidados;
• percepção de melhora da segurança e convivência no entorno;
• redução de conflitos pelo uso do território;
• maior interesse de escolas e jovens por temas ambientais;
• sensação de "renascimento do bairro" relatada por moradores.
O acompanhamento é feito por meio de:
• listas de presença;
• entrevistas e relatos qualitativos;
• fotos georreferenciadas;
• registros em vídeo;
• medição de produção agrícola;
• monitoramento da participação comunitária;
• avaliações coletivas ao final de cada ciclo.
Os resultados mostram que a tecnologia é eficaz, mobilizadora, replicável e capaz de transformar não apenas o espaço físico, mas também as relações, narrativas e vínculos de comunidades inteiras.
Público atendido
Adulto
Adolescentes
Afrodescendentes
Agricultores Familiares
Alunos do Ensino Básico
Alunos do Ensino Fundamental
Alunos do Ensino Médio
Alunos do Ensino Superior
Crianças
Desempregados
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