Objetivo
Fortalecer a autonomia comunitária por meio da integração de práticas solidárias que promovem o desenvolvimento comunitário, lançando mão de metodologias reaplicáveis que articulam segurança alimentar, educação popular, cultura, agroecologia, geração de renda e gestão participativa.
Problema Solucionado
O Ciclo de Projetos Solidários surgiu para enfrentar as vulnerabilidades que afetam comunidades de Santa Maria do Pará, especialmente mulheres negras e pardas em situação de pobreza. A insegurança alimentar, o baixo acesso à educação formal, a ausência de renda estável e o descarte inadequado de resíduos orgânicos compunham um cenário de exclusão. A experiência da Cozinha Solidária nos mostrou que não bastava doar alimentos, pois era preciso criar um processo de emancipação sustentável, no qual alimentação, educação, agroecologia, renda e letramento socioambiental, por exemplo, estivessem conectados. Assim, a ADESC estruturou uma tecnologia social de autogestão em rede que integra práticas de segurança alimentar, formação cidadã, educação popular, sustentabilidade socioambiental e econômica. O biodigestor, por ex., converte resíduos orgânicos em biogás para o preparo das refeições, o biofertilizante é distribuído entre as famílias, fortalecendo quintais e hortas comunitárias; as oficinas de artesanato, leitura, alfabetização e letramento socioambiental ampliam o protagonismo e a autonomia especialmente das mulheres.
Descrição
Fundada em 1988, a ADESC/PA atua há quase quatro décadas promovendo o desenvolvimento comunitário, social e ambiental em diálogo com as comunidades do município de Santa Maria do Pará e da região nordeste paraense. Surgiu a partir da mobilização de lideranças locais que buscavam alternativas de enfrentamento às desigualdades e injustiças sociais. Desde então, realiza ações de fortalecimento comunitário, que se alia à educação, agroecologia, meio ambiente, economia solidária, cultura, entre outros eixos transversais, tendo como princípio orientador o protagonismo popular. O Ciclo de Projetos Solidários é a expressão atual dessa trajetória. Trata-se de uma tecnologia social em rede que organiza e conecta práticas de segurança alimentar, formação cidadã, educação popular, sustentabilidade socioambiental e econômica. O método despontou do entendimento de que a superação da fome e das desigualdades só é possível pela integração entre saberes e ações coletivas. Enquanto rede, essa tecnologia social foi gestada a partir da Cozinha Solidária Vida Saudável, criada em resposta à insegurança alimentar acentuada no período pós-pandêmico no município. O espaço da Cozinha, antes destinado apenas à oferta de refeições, transformou-se em lugar de formação cidadã e mobilização coletiva, dando origem a novas frentes de ação, nos projetos Balde Agroecológico, Escrevendo Novos Caminhos (alfabetização e letramento de mulheres beneficiárias), Mãos que Transformam (formação e geração de renda por meio do artesanato sustentável), Moara (projeto de leitura que integra literatura, arte e filosofia). A metodologia adota a lógica da autogestão em rede: cada projeto possui autonomia operacional, mas mantém integração com os demais, formando um sistema comunitário autogerido. As decisões são tomadas em assembleias e rodas de diálogo que envolvem beneficiários, lideranças e equipe técnica, garantindo corresponsabilidade e transparência. O núcleo gestor de projetos da ADESC/PA conta com representantes das comunidades, assegurando a circulação horizontal das informações e a presença efetiva da base social nos processos decisórios. A participação comunitária ocorre em todas as etapas — do diagnóstico e da projeção ao monitoramento — por meio de grupos de trabalho e encontros de formação. A coleta de informações é feita com o apoio das próprias beneficiárias, que registram dados sobre produção, consumo e reaproveitamento. Essa dinâmica favorece o sentimento de pertencimento e amplia a capacidade de gestão local. A interação entre organização e comunidade se dá em uma relação de cooperação e coautoria. A ADESC/PA oferece acompanhamento técnico e pedagógico, enquanto as famílias e grupos locais ajudam a definir estratégias de ação. O biodigestor comunitário exemplifica essa integração: os resíduos da Cozinha Solidária e aqueles produzidos nas próprias residências dos beneficiários são transformados em biogás para uso no preparo das refeições comunitárias e biofertilizante compartilhado com as famílias, fortalecendo quintais produtivos e hortas comunitárias. A sistematização das experiências é permanente e os resultados são registrados em relatórios e acervos audiovisuais. Esses registros subsidiam a avaliação participativa, realizada periodicamente, e orientam os ajustes metodológicos. Entre os indicadores de impacto, destacam-se: Produção de mais de 10 mil refeições pela Cozinha Solidária Vida Saudável só em 2025, beneficiando cerca de 80 famílias em situação de vulnerabilidade (dados coletados até novembro de 2025); Alfabetização de 10 mulheres adultas e ampliação do letramento socioambiental de dezenas de famílias; Envolvimento de mais de 100 mulheres nas atividades de artesanato sustentável e geração de renda; Redução de aproximadamente 60% dos resíduos orgânicos produzidos pela Cozinha. Esses resultados são acompanhados por indicadores qualitativos, observados nas narrativas das participantes, que relatam melhorias na autoestima, no convívio comunitário e na segurança alimentar. A consolidação de redes locais de cooperação, formadas por mulheres e jovens, demonstra o impacto cultural e social do projeto, fortalecendo a economia solidária e o sentimento de pertencimento ao território. A simplicidade dos instrumentos e da metodologia, além do baixo custo das tecnologias permitem que o modelo seja reaplicável em comunidades urbanas ou rurais que enfrentem pobreza, insegurança alimentar e exclusão educacional, desde que haja organização social de base e disposição para a gestão solidária.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade parecida ao Ciclo de Projetos Solidários requer estrutura simples e integrada, baseada na autogestão em rede e em processos formativos contínuos. Aqui não queremos propor fotocopias, mas engajar instituições comunitárias comprometidas com o desenvolvimento local, dotadas de equipe qualificada e com sensibilidade social para articular educação, sustentabilidade, cultura, economia solidária, entre outros eixos transversais. Para isso, são necessários recursos humanos essenciais e em perene aprimoramento de habilidades, como coordenadores sensíveis e integrados à comunidade, educadores populares, pessoas com expertises técnicas e sustentáveis, facilitadores de economia solidária e monitores locais. A equipe, preferencialmente do território, atua de forma colaborativa, integrando saberes técnicos e suas experiências. A infraestrutura mínima inclui espaço comunitário multifuncional com área para reuniões, oficinas e preparo de alimentos, local para experimentações agroecológicas e equipamentos simples de registro (celular, câmera ou computador). Num modelo semelhante ao Ciclo, os materiais básicos compreendem utensílios coletivos, ferramentas agrícolas básicas, materiais didáticos e insumos recicláveis. O investimento médio inicial é cerca de R$ 40.000,00, com baixo custo de manutenção, sustentado por parcerias, produção local e comercialização solidária, considerando evidentemente os bens, as expertises da instituição e suas parcerias já existentes.
Resultados Alcançados
Dentre alguns dos resultados alcançados, destacamos: QUANTITATIVOS: No eixo da segurança alimentar, a Cozinha Solidária Vida Saudável já produziu mais de 10 mil refeições, beneficiando cerca de 80 famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica (dados de 2025). A introdução do biodigestor comunitário – com a implementação do Balde Agroecológico junto às famílias – tem reduzido o volume (cerca de 60%) de resíduos orgânicos destinados ao descarte e garantido a produção de biogás e biofertilizante para uso local, promovendo economia e sustentabilidade energética. No eixo educacional, o projeto Escrevendo Novos Caminhos tem alfabetizado 10 mulheres e ampliado o letramento socioambiental a todas as famílias cadastradas na ADESC/PA por meio de palestras e oficinas temáticas sobre alimentação saudável, agroecologia, direitos sociais, entre outros temas transversais. O projeto Mãos que Transformam tem atendido 100 mulheres chefes de família, instrumentalizando-as com o artesanato para a geração de renda complementar. Com o Projeto Moara, alcançamos centenas de pessoas com as atividades literárias da iniciativa, tanto em espaços formais, quanto não formais de educação. QUALITATIVOS: Fortalecimento do senso de pertencimento comunitário e a ampliação das redes de apoio. Protagonismo feminino. Constituição de uma cultura de cuidado com o meio ambiente. Sustentabilidade popular.
Público atendido
População em Geral
Mulheres
Idosos
Adolescentes
Crianças
Agricultores Familiares
Jovens
Analfabetos
Desempregados
Famílias de Baixa Renda
Comentários