Objetivo
Fortalecendo uma cultura de participação desde a infância, o objetivo geral é apoiar as escolas na ressignificação de seus ambientes físico e cultural, promovendo a criação de espaços de brincar qualificados e integrados à natureza, articulados às práticas pedagógicas desenvolvidas, de modo a fortalecer a consciência ambiental, o aprendizado ao ar livre e o bem-estar da comunidade escolar.
Problema Solucionado
Grande parte das escolas brasileiras possui pátios impermeabilizados, pouco sombreados e com escassa vegetação. Esse ambiente predominantemente de concreto intensifica ilhas de calor, limita o brincar e o aprendizado ao ar livre e compromete a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento das crianças. Estudos indicam que a ausência de contato cotidiano com a natureza está associada ao aumento de ansiedade, sedentarismo, dificuldade de atenção e prejuízos ao desenvolvimento motor (SBP, 2024).
O problema é ainda mais grave em territórios vulneráveis: 65% das escolas localizadas em favelas não possuem áreas verdes (MapBiomas, 2025) e 52,4% das escolas públicas carecem de espaços naturais (Censo Escolar, 2022). Nessas regiões, crianças estão mais expostas a calor extremo, poluição, enchentes e falta de espaços seguros de convivência. Além disso, muitas escolas não contam com práticas pedagógicas integradas à sustentabilidade.
Diante das crises climáticas, as escolas — equipamentos públicos capilarizados no território — são espaços estratégicos que, verdejados, qualificam a vida cotidiana, criam refúgios climáticos acessíveis à toda a população e fortalecem uma cultura de participação.
Descrição
A CoCriança é uma OSC que, desde 2017, une arquitetura, educação e participação social para enfrentar desafios urbanos com centralidade nas crianças. Com a missão de cocriar novas possibilidades de mundo que valorizem as infâncias, a organização desenvolve metodologias e projetos de interesse público que promovam o direito à cidade, ao brincar livre e à natureza. Sua atuação, iniciada no contexto da FAU-USP, busca potencializar a interdisciplinaridade em soluções inovadoras, intergeracionais e que respondam às singularidades de cada contexto. Os projetos cocriados vão do diagnóstico à intervenção concreta, garantindo a participação plena das crianças e das comunidades, de modo a fortalecer o senso de pertencimento e responsabilidade com o lugar.
Atuando sempre em territórios vulnerabilizados, entre 2017 e 2025 realizamos projetos em diferentes estados e contextos (escolas, ruas e praças) com ênfase em Soluções Baseadas na Natureza, sempre articuladas à educação, à comunicação e aos trabalhos de base comunitária. Com parceria perene com a Universidade de São Paulo, somamos hoje mais 5 mil crianças e 200 educadores diretamente impactados, em 54 instituições e 42 territórios, com 16 editais vencidos, 3 emendas parlamentares celebradas.
O Verdejando Escolas, aqui apresentado, foi desenvolvido a partir dessa trajetória, em uma parceria com a Fundação FEAC, e sistematiza uma metodologia participativa de qualificação e naturalização de pátios escolares. Amplamente escalável, a tecnologia parte de dois princípios: 1) as escolas, por seu caráter onipresente e capilar nos territórios, são espaços estratégicos para alavancar mudanças sociais consistentes, e 2) as crianças são vetores de transformação, mobilizando redes de cuidados que existem ao redor de cada uma.
A metodologia de implantação tem 3 focos – crianças, espaços e comunidades – e se estrutura em 6 etapas interdependentes:
1) Formar: aproximação institucional e comunitária, com reuniões de alinhamento com a gestão escolar e atores do território, estabelecendo acordos de participação e corresponsabilidade. Formação continuada com educadoras ao longo do processo, apoiando a integração da natureza e dos novos espaços às práticas pedagógicas e ao cotidiano escolar.
2) Reconhecer: diagnóstico do espaço e do contexto de cada escola por meio da escuta ativa das crianças em oficinas, rodas de conversa, explorações e mapeamentos afetivos. Identificação de usos, potências e desafios de cada situação.
3) Cocriar: em oficinas lúdicas, as crianças se expressam por meio de múltiplas linguagens – desenhos, maquetes, teatros – para manifestar seus desejos e necessidades, propondo soluções coletivas de transformação do espaço.
4) Projetar: síntese do diagnóstico e da cocriação em projetos de adaptação dos pátios, priorizando o reaproveitamento das construções existentes, presença da natureza, baixo custo, segurança, potencial pedagógico e facilidade de manutenção. Validação das propostas com crianças e comunidade escolar.
5) Materializar: obras de intervenção nos pátios com acompanhamento técnico da equipe executora e realização de mutirões com as crianças, professoras e comunidade escolar, fortalecendo o pertencimento.
6) Sensibilizar: processo contínuo de sensibilização da comunidade escolar, com foco nas famílias das crianças, sobre o projeto e os benefícios do contato com a natureza.
A comunidade escolar é, portanto, protagonista do processo, tendo o acompanhamento técnico e a sistematização feitas pela equipe executora, que monitora e avalia a tecnologia por meio de registros audiovisuais, observação do uso dos espaços, relatos das educadoras, escutas com as crianças, formulários e reuniões de devolutiva com a comunidade escolar.
Com um conjunto de indicadores já consolidados, o monitoramento e avaliação vão além de métricas quantitativas como número de pessoas impactadas, metros quadrados transformados e mudas plantadas. São considerados, entre outros aspectos, a média semanal de horas que as crianças passam ao ar livre durante o período escolar; o percentual de educadoras que avaliam que o novo espaço apoia suas práticas pedagógicas; o percentual de crianças que se percebem pertencentes à natureza; e o nível de aprovação do espaço construído por crianças e famílias. Esses dados são detalhados e sistematizados em relatórios, evidenciando o sucesso e os aprendizados de cada aplicação do projeto.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade do Verdejando Escolas envolve 4 frentes integradas – recursos humanos, materiais, custos operacionais e obras –, articuladas ao longo de cerca de 8 meses de execução.
1) Recursos humanos (≈30%): coordenação geral; coordenação técnica (arquitetura/paisagismo); coordenação pedagógica; articulação comunitária; comunicação e sensibilização com cuidadoras; formação de professoras e equipes; facilitadores das oficinas com crianças e demais públicos; equipe administrativa e suporte operacional.
2) Materiais e insumos (≈10%): materiais pedagógicos para oficinas (papelaria, materiais artísticos, jogos, elementos naturais); insumos para mobilização com famílias (dinâmicas, encontros, mutirões); materiais gráficos e de comunicação (impressos, sinalização, kits de divulgação); insumos para jardinagem/plantio (substrato, mudas/sementes, ferramentas simples e EPIs para mutirões).
3) Custos operacionais (≈20%): transporte de equipe e materiais; alimentação em dias de campo; locação/aquisição de equipamentos quando necessário (ex.: som/projeção, registro audiovisual); impostos, taxas e despesas administrativas.
4) Obras e requalificação do pátio (≈40%): materiais e mão de obra das intervenções físicas; empreiteiros, mestres de obras, pedreiros; infraestrutura (elétrica, hidráulica, adequações de solo, drenagem e acessibilidade); aquisição e instalação de equipamentos; elementos de brincar naturalizados e educativos.
Resultados Alcançados
Hoje em sua segunda edição, o Verdejando Escolas já transformou 9 escolas, envolvendo diretamente 926 crianças, 164 educadoras e mais de 800 famílias, com impactos que se estendem à comunidade do entorno. As intervenções resultaram na qualificação de pátios escolares por meio da criação de áreas verdes, permeáveis e integradas à natureza, com jardins, canteiros, hortas, espaços de brincar naturalizados e dispositivos de sombreamento.
Os resultados da segunda edição – que está atuando com 6 escolas – ainda estão sendo apurados, mas, na primeira edição – que atuou com 3 escolas –, foram 548 m² transformados, sendo 263 m² (48%) verdejados, 671 mudas plantadas e 36 novos equipamentos instalados. A média semanal de horas que as crianças passam ao ar livre durante o período escolar aumentou cerca de 4h, o sentimento de pertencimento das crianças à natureza aumentou de 66% para 88%, e sua autopercepção de potência transformadora foi de 26% para 72%. Do ponto de vista pedagógico, 82% das educadoras afirmaram que os novos espaços passaram a apoiar suas práticas pedagógicas, e 73% relataram que, após o projeto, passaram a propor mais atividades que favorecem o contato das crianças com a natureza.
Estes resultados são complementados por uma série de depoimentos coletados como o de uma professora que disse: “Depois que iniciamos o Verdejando Escolas, as crianças começaram a falar com mais frequência da importância da natureza, dos direitos que elas têm de ir à escola, dos direitos das sombras das árvores e de cuidar do meio ambiente, pois as árvores fornecem as sombras que nos refrescam”. Ou a mãe de uma criança que falou “Magnífico. Meu filho ficou mais apaixonado pela creche. É um espaço onde ficam livres, brincam. O fato de ter natureza em volta ajuda a compreender e aprender mais sobre ela”.
Sobre o acompanhamento dos resultados, no início do projeto é traçada uma linha de base dos indicadores, que será comparada com a avaliação final. Já ao longo do processo, há um registro e monitoramento contínuo da escuta com as crianças, das percepções das professoras – que respondem formulários após cada oficina –, e de devolutivas das famílias, além de um monitoramento interno da condução do projeto, levando a ajustes necessários. Todos os dados coletados, quantitativos e qualitativos, são sistematizados e analisados, sendo apresentados em relatórios, permitindo observar repetições e singularidades de cada aplicação e subsidiando a reaplicação da tecnologia em novos context
Público atendido
Crianças
Alunos do Ensino Básico
Professores do Ensino Básico
Famílias de Baixa Renda
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