Resumo
"SEMENTES DA TRANSFORMAÇÃO, identidades, agroecologia e arte no sertão cearense".
A vivência identitária, manter viva a identidade social dos jovens quilombolas. Desenvolver o protagonismo juvenil, a herança cultural dos quilombolas no Sertão Cearense, região esquecida e estigmatizada, via fluxo permanente de aprendizado teórico prático em agroecologia e justiça étnico-racial, por meio da arte/educação, rodas de conversas, oficinas contra violências de gênero/racial e o trabalho coletivo na terra.
O cuidado com o meio ambiente e a produção do próprio alimento como uma ferramenta de redescoberta identitária faz com que a implantação de Quintais produtivos e Sistemas Agroflorestais, adaptados ao Bioma Caatinga, seja um marco social que proporciona segurança alimentar, empoderamento, geração de renda, proteção social e fortalecimento dos vínculos comunitários aos jovens e suas famílias.
Diferencial: Interligar a produção social, a ecologia em experiências dos quintais produtivos e SAF, como espaço de formação identitária e cultural com o empoderamento e resgate da ancestralidade quilombola por meio de processos ativos de aprendizado e com recursos didáticos da arte-educação.
Componentes principais:
Cartografia Social: mapeamento e registros históricos dos quilombolas da região: encontros com os membros da Associação Quilombola de São Roberto e Adjacência; pesquisa social quanti qualitativa sobre as condições de vida dos jovens (15 a 29 anos) que moram no Sertão Cearense; relatório-diagnóstico das potencialidades e problemas vivenciados pela juventude do Sertão Cearense.
Fluxo permanente de aprendizado teórico prático em agroecologia, justiça étnico-racial e modalidades artísticas: 42 horas de interação com conteúdo integrativo de direitos humanos (racismo/gênero, Lei 10.639), arte e agroecologia com metodologias ativas.
Oficinas de expressão artísticas (arte popular), com formação de grupo artístico com os jovens interessados. O tipo de expressão artística (teatro, dança, música, etc) será definido pelos participantes e culminará em apresentação pública para as comunidades locais integradas às campanhas socioeducativas.
Quintais produtivos/Sistemas Agroflorestais - SAF (30x30m): implantados de forma coletiva pelos jovens em consórcios entre árvores nativas, frutíferas e culturas rotativas. Colheita, manufatura de produtos alimentícios e produção de artesanato para consumo das famílias e venda em feiras solidárias e outros eventos.
Oficinas de Produção de material educativo (cartilha, manuais e folders) a partir das vivências e experiências dos participantes.
Campanhas socioeducativas em redes sociais, estações de radiodifusão e eventos das Comunidades.
Monitoramento participativo: questionários étnico-raciais + relatórios ODS 18. Elaboração de 02 relatórios avaliativos do processo ao ano.
Escalabilidade: 10 jovens multiplicadores para mais 05 comunidades. Produção de memorial descritivo, roteiro com detalhamento de conteúdo programático, cartilha agroecologia integrativa, folders digitais, dentre outros materiais.
Objetivos específicos
Objetivo Geral:
Fortalecer a autonomia e o exercício da cidadania de jovens quilombolas no sertão do Ceará através de formação integrada em agroecologia, direitos étnico-raciais e práticas artísticas, proporcionando segurança alimentar e a geração de oportunidades de trabalho e renda, como vias de superação das desigualdades socioeconômicas e étnico-raciais.
Objetivos Específicos:
Proporcionar um fluxo permanente de aprendizagem para 30 jovens (paridade gênero/étnica) de Comunidade Tradicional Quilombola em agroecologia adaptada à Caatinga, com foco em Agricultura Regenerativa, compostagem e produção de mudas/frutos nativos do Bioma Caatinga.
Promover formação em direitos étnico-raciais contra violências de gênero/racial, com metodologias ativas, como rodas de conversa, vivências, oficinas e empoderamento inspirado na Educação Popular de Paulo Freire.
Desenvolver práticas artísticas (como artesanato fibras Caatinga, comunicação digital identidade quilombola, teatro, música) para valorização cultural e comercialização.
Implantar 10 quintais produtivos/SAF (30x30m), para segurança alimentar e impulso da socio bioeconomia local.
Monitorar impactos para replicação, fortalecendo liderança juvenil e fixação rural.
Problema Solucionado
A juventude quilombola do sertão cearense encontra-se inserida em um contexto de múltiplas vulnerabilidades sociais, resultantes da combinação entre racismo estrutural, desigualdades territoriais, precariedade econômica, fragilidade das políticas públicas e impactos históricos da exclusão social no semiárido brasileiro.
O sertão cearense, região marcada por recorrentes ciclos de seca, baixos índices de desenvolvimento socioeconômico e limitado acesso a serviços públicos, apresenta condições ainda mais adversas para jovens pertencentes a comunidades quilombolas, que historicamente tiveram seus direitos territoriais, culturais, educacionais e econômicos negligenciados.
Violência e Racismo Estrutural
O Ceará figura entre os estados com maiores taxas de homicídios de jovens no Brasil, especialmente entre a população negra, que apresenta risco significativamente maior de morte violenta quando comparada à população não negra. Dados do Atlas da Violência demonstram que jovens negros têm mais de duas vezes a probabilidade de serem vítimas de homicídio, realidade que se expressa de forma ainda mais intensa em áreas periféricas e rurais, como o sertão cearense.
Para jovens quilombolas, essa violência se manifesta de maneira interseccional, combinando fatores de raça/etnia, classe social, gênero e orientação sexual, ampliando a exposição a situações de violência física, simbólica, institucional e psicológica, além da atuação de organizações criminosas e do tráfico de drogas em territórios com baixa presença do Estado.
Emprego, Renda e Êxodo Juvenil
A precariedade das oportunidades de trabalho no sertão cearense impacta diretamente a juventude. Dados do IBGE indicam que a renda média nas regiões do semiárido nordestino é até 40% inferior à observada em áreas urbanas mais desenvolvidas, o que limita perspectivas de autonomia econômica e permanência no território.
Diante da escassez de emprego formal, muitos jovens quilombolas são levados ao êxodo rural, migrando para centros urbanos em busca de subsistência, onde frequentemente se inserem em subempregos informais, de baixa remuneração e sem proteção social, perpetuando ciclos de pobreza, instabilidade e exclusão.
Educação, Escolaridade e Abandono Escolar
A educação, elemento central para a emancipação juvenil, enfrenta obstáculos significativos no sertão cearense. O estado apresenta cerca 28,47% de jovens que não estudam nem trabalham no interior, um percentual mais alto em comparação à capital.
Entre jovens quilombolas, o abandono escolar também está relacionado à distância das unidades de ensino, à precariedade do transporte escolar, à falta de identificação com currículos descontextualizados e ao racismo institucional presente no ambiente educacional.
Cultura, Identidade e Vulnerabilidade Social
A fragilização das identidades culturais quilombolas, intensificada pela influência dos meios de comunicação de massa e pela ausência de políticas de valorização cultural, contribui para o afastamento dos jovens de suas tradições, histórias de resistência e organização comunitária.
Esse processo de aculturação, aliado à falta de perspectivas socioeconômicas, torna a juventude quilombola mais vulnerável à cooptação pelo tráfico de drogas, ao uso abusivo de substâncias lícitas e ilícitas, à dependência de jogos digitais e à reprodução de ciclos intergeracionais de pobreza e exclusão social.
Relevância da Proposta
Diante desse cenário, torna-se fundamental a implementação de ações estruturantes voltadas à juventude quilombola do sertão cearense, que promovam:
- A permanência e o sucesso escolar;
- A geração de oportunidades de trabalho e renda digna;
- A prevenção da violência e o fortalecimento da proteção social;
- A valorização da identidade, da cultura e da história quilombola;
- O fortalecimento dos vínculos comunitários e do protagonismo juvenil.
A tecnologia social "SEMENTES DA TRANSFORMAÇÃO: identidades, agroecologia e arte no sertão cearense " inova ao integrar agroecologia adaptada ao bioma Caatinga (implantação de Sistemas Agroflorestais e quintais produtivos) à formação em direitos humanos e igualdade étnico-racial, utilizando metodologias ativas de aprendizado, com recursos da arte-educação, contribuindo para a segurança alimentar, geração de renda, fortalecimento de vínculos sociais e indicadores ODS 18. Replicável em outras comunidades do semiárido, contribui para o compromisso FBB com igualdade racial. A presente proposta se justifica, portanto, como uma estratégia essencial para romper ciclos históricos de exclusão, promover justiça social e garantir os direitos fundamentais da juventude quilombola no sertão cearense.
Descrição
ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO DA TECNOLOGIA SOCIAL
0. Planejamento das Ações (Fase Preparatória): duração de um mes
Reuniões iniciais entre a Diretoria do Instituto Sementes da Caatinga e Diretoria da Associação Quilombola são Roberto e mais 05 jovens, representantes de grupos organizados, formalizando um colegiado gestor que estará presente em todo o processo. Nesta etapa irá definir:
- Processo de seleção de 30 jovens via edital público: critérios: residência quilombola, idade 15-29, interesse em agroecologia/arte; 70% das vagas para mulheres e negros.
- Escolha coletiva de 10 áreas de plantio (30x30m),odutos pelos jovens vinculados (03 jovens por área plantada). Priorizar terras pertencentes às famílias dos jovens selecionados
- Equipe:
01 coordenador geral: deve ter nível superior e experiência em execução de projetos. É o facilitador dos processos de planejamento e diagnóstico; responsável pela sistematização dos relatórios situacionais/operacionais e prestação de contas. Promoção a divulgação das ações, convocação de reuniões com o Colegiado Gestor e a Comunidade, aquisição dos insumos e pagamento dos honorários da equipe. Deve estar presente durante a formação, intermediando os processos.
01 facilitador das atividades teórico práticas: elaborar aulas, baseadas no programa da capacitação, preparar material didático, facilitar o processo de aprendizagem com metodologias ativas, supervisionar os momentos práticos e contribuir nos processos de acompanhamento e avaliação do projeto.
1. Cartografia Social (Diagnóstico Inicial)
Mapeamento participativo das condições de vida e registros históricos a partir de relatos de 10 pessoas mais idosas e de 20 jovens da comunidade quilombola, pesquisa de documentos, escritos e registros fotográficos. Produzir texto descritivo dos resultados.
Promover 02 encontros com a participação da comunidade local, aplicando a Análise FOFA (SWOT)
Pesquisa quanti-qualitativa (entrevistas e questionários com 50 jovens). Relatório revela potencialidades e problemas, fornecendo base para planejamento coletivo.
2. Fluxo de Aprendizado Teórico-Prático (42 horas)
Fluxo permanente de aprendizado teórico prático, pelo período de 24 meses, em agroecologia, justiça étnico-racial e modalidades artísticas.Utilização de metodologias ativas de aprendizagem. As atividades envolvem Roda de Conversa, Vivências como caminhadas na mata, oficinas para produzir cartilhas sobre agroecologia e identidade étnico-racial, produtos e expressões artísticos e práticas agroecológicas.
Após esta etapa, os jovens serão divididos em 10 grupos para a implantação dos 10 quintais produtivos/SAF; Será feito um cronograma de acompanhamento do trabalho com meta para concluir os plantios com 20h de trabalho. Detalhamento do conteúdo programático e atividades está no ANEXO 2 do documento "Memorial da Tecnologia Social", anexado aos documentos.
3. Oficinas/vivências de Expressão Artística (Arte Popular)
formação de grupo artístico com os jovens interessados. O tipo de expressão artística (teatro, dança, música, etc) será definido pelos participantes e culminará em apresentação pública para as comunidades locais integradas às campanhas socioeducativas.
Vivência movimento e música africana: o que ressoa em mim?
Peça de teatro com a temática: como vejo o preconceito étnico-racial.
Produção de videodocumentário sobre gênero, raça e agroecologia inclusiva.
Apresentação resumida das diversas modalidades artísticas. O grupo escolhe uma delas para criar um espetáculo.
Apresentações artísticas em evento com a Comunidade
4. Quintais Produtivos e SAF (30x30m)
implantados de forma coletiva pelos jovens de 10 quintais produtivos/SAF, em consórcios entre árvores nativas, frutíferas e culturas rotativas. Colheita, manufatura de produtos alimentícios e produção de artesanato para consumo das famílias e venda em feiras solidárias e outros eventos.
5. Produção de Materiais Educativos
Acontecerá durante o processo de formação, elaborados pelos próprios jovens participantes, sob orientação do facilitador e monitores, com aprovação do Conselho Gestor.
Pelo menos 01 cartilha sobre agroecologia como resgate da cultura quilombola.
Videodocumentário sobre feiras solidárias.
Folders digitais para as campanhas educativas nas mídias sociais
Manuais de implantação dos espaços quintais produtivos/SAF a partir das vivências e experiências dos participante
6. Campanhas Socioeducativas
04 campanhas (uma por semestre); veiculadas nas mídias sociais, eventos comunitários e radiodifusão local.
7. Monitoramento Participativo
Reunião mensal do Conselho Gestor: avaliação e retomada de estratégias.
Aplicação de questionário étnico-raciais junto às famílias dos jovens beneficiados do projeto.
Elaboração de relatórios (ODS 18 - 02/ano)
8. Escalabilidade e Reaplicação
Seleção de 10 jovens multiplicadores da ação em mais 03 comunidades da região dos Inhamuns. Memorial descritivo, cartilhas, manuais técnicos construidos no processo serão ferramentas suporte.
Resultados Alcançados
Essa Tecnologia social é ainda um projeto para realizar mediante obtenção de apoio seja do premio fundação BB, seja de outros certames que participaremos. Assim não temos resultados a apresentar. No entando estamos atuando na área socioambiental desde novembro de 2020 e, embora pequenos temos tido algumas conquistas que vou apresentar aqui:
O impacto do Instituto já alcança mais de 1.500 pessoas, entre agricultores, jovens, mulheres, estudantes da rede pública e moradores da região. Entre os resultados concretos estão 5 hectares reflorestados, mais de 2.500 árvores catalogadas, oficinas para mais de 250 estudantes, 600 mudas distribuídas, mais de 20 Kg de sementes doadas a quatro municípios e múltiplas atividades formativas e culturais. Com esse prêmio poderemos potencializar nossas ações junto ao público jovem, fortalecendo seus saberes e tradições com arte, reflexão identitária e trabalho com a terra.
Público atendido
- Será constituido um Conselho Gestor formado pela paridade de membros da Diretoria do Instituto Sementes da Caatinga - ISC
- Associação Quilombola de São roberto e Adjacências e jovens representantes de grupos organizados da Comuidade.Este Conselho fará inicialmente a preparação e planejamento do processo de seleção dos jovens
- escolha da equipe e das áreas de plantios.Desde o início das atividades do ISC
- a Comunidade está inserida em nossos processos de planejamento e execução das ações
- organizando mutirões para plantio
- festas comunitárias e cursos ofertados pela escola socioambiental Sementes da Caatinga.
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