Objetivo
Fortalecer empreendimentos comunitários do Careiro por meio de uma rede sociotécnica de comunicação e informação que integra formação, mobilização territorial, circulação de conteúdo e articulação de feiras, ampliando renda, visibilidade, autonomia e práticas sustentáveis.
Problema Solucionado
A Rede surge para enfrentar um problema estrutural: a falta de comunicação integrada e circulação de informação entre empreendimentos rurais, poder público, consumidores e comunidades. Essa ausência gera invisibilidade da produção local, baixa renda, dificuldades de organização coletiva e dependência de intermediários. As mulheres, maioria nos empreendimentos, lidam com dupla jornada, pouca valorização de seus saberes, escassez de acesso a ferramentas de comunicação e falta de canais para divulgar seus produtos e narrativas.
Sem comunicação estruturada, os empreendimentos atuam de forma isolada, as informações não chegam aos territórios e iniciativas que poderiam se fortalecer em rede permanecem fragmentadas.
A tecnologia social organiza esses fluxos, criando uma espinha dorsal de comunicação e informação que conecta territórios, gera visibilidade, amplia renda, mobiliza comunidades e fortalece a autonomia das mulheres. Com isso, transforma práticas produtivas dispersas em um ecossistema colaborativo, sustentável e reaplicável.
Descrição
A Rede Local de Economia Popular e Solidária de Careiro é uma tecnologia social sociotécnica construída a partir de um processo contínuo de comunicação comunitária, organização territorial e circulação de informação entre empreendimentos rurais, coletivos de mulheres, associações, feiras e lideranças comunitárias. A sistematização da iniciativa tem como eixo estruturante a comunicação, entendida não apenas como divulgação, mas como metodologia de formação, mobilização, tomada de decisão e fortalecimento da identidade territorial.
1. Origem e formação do modelo
A Rede nasce da necessidade de superar a fragmentação existente entre as iniciativas produtivas do município. As agricultoras, artesãs e empreendedoras atuavam de forma isolada, com pouca visibilidade e sem canais estruturados de troca de informação. A metodologia começa com um amplo processo de escuta comunitária, realizado em feiras, encontros territoriais, visitas técnicas e rodas de conversa. Nessas escutas, foram identificadas demandas comuns: falta de divulgação, dificuldade para acessar mercados, ausência de informações organizadas sobre produção, sazonalidade e preços, e necessidade de espaços de formação em comunicação e gestão da informação.
2. Mobilização inicial e construção da espinha dorsal
A partir desses diagnósticos, iniciou-se a organização da Rede articulando oito empreendimentos locais. A primeira etapa foi criar uma infraestrutura mínima de comunicação: grupos comunitários, boletins informativos, registros audiovisuais, mapeamento dos empreendimentos e um calendário unificado de eventos e feiras. Esse processo de mobilização gerou pertencimento e permitiu que a própria comunidade definisse prioridades e estratégias, consolidando a autogestão.
3. Metodologia de implementação
A tecnologia social estrutura-se em quatro pilares: a) Comunicação comunitária como ferramenta de gestão: São realizadas formações sobre produção de conteúdo, fotografia comunitária, vídeo de celular, identidade visual, linguagem simples, criação de cards, gestão de redes sociais e técnicas de storytelling amazônico. As próprias mulheres se tornam comunicadoras do território. Criam-se rotinas de circulação de informações: compartilhamento diário de oportunidades, editais, preços de produtos, chamadas de feira, agenda de eventos, necessidades de logística, contatos de compradores e alertas sobre mudanças climáticas que afetam produção.
b) Organização e fluxo de informação territorial: A Rede desenvolveu uma matriz sociotécnica: cada empreendimento registra dados de produção, preços médios, demandas, dificuldades, fotos, relatos e indicadores de participação. Esses dados alimentam um sistema comunitário, simples, mas funcional, que orienta feiras, formações, campanhas de divulgação e decisões coletivas. Ferramentas usadas: mapas colaborativos, grupo de difusão, planilhas comunitárias, banco de imagens, narrativas e memorial de atividades. c) Feiras como espaços de comunicação viva: As feiras deixaram de ser apenas pontos de venda e passaram a ser plataformas de informação. Em cada encontro, a Rede realiza: registro audiovisual; entrevistas com empreendedoras; testes de produtos; rodas de conversa com consumidoras; mapeamento de desafios; coleta de dados sobre vendas e público. Esses dados alimentam relatórios comunitários e orientam melhorias para as próximas edições. d) Educação para autonomia: A Rede realiza oficinas sobre comunicação popular, economia solidária, autoestima, direitos das mulheres, agroecologia, gestão da informação e incidência local. Cada oficina gera conteúdos compartilháveis (textos, cards, vídeos) produzidos pelas próprias participantes, fortalecendo a autonomia comunicativa.
4. Interação com a comunidade e governança
A gestão é 100% participativa. Decisões são tomadas em assembleias, grupos de WhatsApp e encontros presenciais. Cada empreendimento tem uma mulher referência responsável por circular informações e trazer retornos. A comunidade participa de todas as etapas: diagnóstico, planejamento, execução, formação, avaliação e adaptação.
A tecnologia é viva: evolui conforme surgem necessidades e feedbacks.
5. Evidências e monitoramento
A Rede utiliza registros contínuos: listas de participação, relatórios narrativos, pesquisas de satisfação, dados de vendas, número de feiras, engajamento em redes sociais, alcance de campanhas, indicadores de renda e relatos sobre autoestima e autonomia.
O processo se consolidou como uma metodologia replicável, pois utiliza ferramentas de comunicação de baixo custo, combinadas com processos organizativos comunitários.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da Rede Local de Economia Popular e Solidária de Careiro exige recursos materiais e serviços especializados voltados à comunicação comunitária, registro de informações e mobilização territorial. São necessários:
– Equipamentos básicos de comunicação (celulares com boa câmera, microfones simples, tripés, kits de iluminação portátil).
– Materiais de registro e organização da informação (cadernos de campo, pastas, HD externo, cartões de memória, planilhas digitais).
– Infraestrutura para formações (projetor, caixa de som, extensões, mesas, cadeiras, material gráfico e impressões de cartilhas).
– Itens para feiras e encontros comunitários (tendas, mesas, banners, faixas, lona, placas de identificação das empreendedoras).
– Materiais para mobilização visual (cartazes, lambe-lambes, papel fotográfico, tintas, adesivos, sinalização).
– Acesso à internet, dados móveis ou roteadores comunitários para circulação contínua de informações.
– Recursos de deslocamento para visitas territoriais e registro audiovisual.
– Insumos para ações educativas (papel, pincéis, pranchetas).
– Serviços especializados de designer, fundamentais para criar identidade visual comunitária, padronizar materiais de divulgação, desenvolver templates para redes sociais, produzir peças gráficas das feiras e organizar visualmente relatórios, sistematizações e bancos de informação.
Os materiais e serviços priorizam baixo custo, autonomia comunitária e alta replicabilidade.
Resultados Alcançados
A implementação da Rede de Economia Popular e Solidária com base na comunicação comunitária gerou resultados expressivos, tanto quantitativos quanto qualitativos, fortalecendo empreendimentos e ampliando a visibilidade das mulheres rurais.
1. Resultados quantitativos
– 8 empreendimentos integrados na estrutura da Rede (agricultores familiares, coletivos de mulheres, artesãs, produtores orgânicos, feiras comunitárias).
– Mais de 13 comunidades rurais mobilizadas, incluindo BR-319, Lago do Batata, Purupuru, Araçá, São João e comunidades adjacentes.
– Mais de 120 mulheres envolvidas diretamente nas ações de feiras, formações, campanhas e grupos de informação.
– Realização de feiras periódicas e agendas conjuntas, com aumento expressivo da circulação de produtos locais.
– Mais de 40 produções comunicacionais (vídeos, cards, entrevistas, lambe-lambes, reportagens, fotografias comunitárias).
– 07 empreendimentos liderados por mulheres.
2. Resultados qualitativos
– Aumento da autonomia das mulheres, que passaram a se reconhecer como comunicadoras do próprio território, fortalecendo autoestima e papel político.
– Fortalecimento da identidade amazônica, com narrativas produzidas pelas próprias comunidades.
– Ampliação da visibilidade dos produtos e da produção rural, gerando novos públicos e parcerias.
– Redução da fragmentação entre iniciativas locais: hoje os empreendimentos operam com calendário integrado, informações compartilhadas e decisões coletivas.
– Melhoria na renda das participantes graças à ampliação dos canais de divulgação, aumento do fluxo de consumidores e fortalecimento das feiras.
– Incidência política ampliada: a Rede foi convidada para eventos municipais, feiras regionais, debates sobre mulheres rurais, conferências de desenvolvimento e ações dos 16 dias de ativismo.
– Construção de uma metodologia própria que combina comunicação, educação popular e organização sociotécnica, reconhecida localmente como uma solução inovadora para territórios rurais amazônicos.
– Apropriação comunitária: a Rede segue ativa independentemente de projetos específicos, porque a comunicação gerou pertencimento, rotina e autonomia.
Esses resultados mostram que a espinha dorsal em comunicação e informação não apenas integrou os empreendimentos, mas transformou a forma como o território
Público atendido
Agricultores Familiares
Artesãos
Assentados Rurais
Lideranças Comunitárias
Mulheres
População Ribeirinha
Povos Tradicionais
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