Objetivo
Fortalecer as iniciativas de produção agroextrativista, visando o empoderamento comunitário para alcance de autonomia de gestão organizacional, segurança alimentar e senso crítico sobre a participação popular na implementação de politica publicas socioambientais.
Problema Solucionado
Ao longo dos últimos anos foi notável o enfraquecimento dos movimentos sociais e dos grupos organizados como um todo. Alguns fatores alvancaram essa situação, seja pela ausência dos organismos governamentais, como pela carência de lideranças, falta de projetos motivadores, falta ou inoperância de políticas públicas vigentes, dentre outros. As mudanças climáticas também agravaram situações criticas, impactando a produção de alimentos. Com as ações executadas, foi possível criar uma grande rede colaborativa entre grupos e comunidades existentes no território priorizado, compartilhando conhecimentos, oportunidades criativas e, acima de tudo, estimulando uma maior sensibilização para as questões ambientais, resgatando práticas sustentáveis e contribuindo para a conservação do patrimônio natural, social e cultural.
Descrição
TECNOLOGIA SOCIAL: A EXPERIÊNCIA DA REDE DE INICIATIVAS PRODUTIVAS SUSTENTENTÁVEIS – No ano de 2021, dados alarmantes sobre o avanço do desmatamento no bioma Cerrado, e as previsões dos impactos relacionados a mudanças climáticas se concretizaram em todo o mundo. Reagindo a esse contexto, a OD, atuante há 22 anos no Tocantins (https://www.oncadagua.org.br/) sentiu-se estimulada a novamente buscar soluções conjuntas na direção do apoio às comunidades rurais e agroextrativistas que, certamente, precisariam estar mais bem preparadas para o enfrentamento de um cenário adverso no qual a proteção e o uso sustentável do Cerrado se tornariam cada vez mais essenciais. Naquele ano, o mundo se reorganizava frente aos impactos da pandemia da Covid-19, que teve início em 2020. Por meio de novas formas de interação, especialmente na internet, dado os grandes avanços e melhorias tecnológicas, motivados também pelas necessidades de comunicação durante o isolamento imposto pela pandemia, percebeu-se uma grande oportunidade de comunicação e interação com e entre esses grupos, possibilitando um trabalho em rede muito mais efetivo, assim como a possibilidade de compartilhar conhecimento por meio de novos aprendizados, estimulando uma maior e melhor participação e interação com as diversas instituições, buscando dar visibilidade a esses grupos e aos seus processos produtivos, com grande potencial para alavancar a comercialização de seus produtos, um dos maiores gargalos enfrentados por pequenos produtores, agroextrativistas e artesãos. Foi com essa motivação que surgiu o projeto “Rede de Iniciativas Produtivas Sustentáveis em Áreas de Proteção Ambiental (APA) no Tocantins”, submetido e aprovado no Edital nº 29 do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com apoio do Fundo Amazônia, executado no período de outubro 2022 a dezembro de 2023. Construído a partir das discussões entre diversos grupos, de diferentes comunidades rurais, o projeto alimentava a esperança na possibilidade de criar uma grande rede colaborativa capaz de promover o compartilhamento de conhecimentos, criar oportunidades e estimular uma maior sensibilização para as questões socioambientais e, com isso, contribuir para a conservação do patrimônio natural, social e cultural dos territórios priorizados. Metodologia – A construção da proposta contou com a colaboração dos representantes da Associação dos Produtores Rurais do Vale do Maximiniano – APROVAMAX (Porto Alegre do TO); da UNITINS (Campus Dianópolis); da Vera do Sorvete, da Fazenda Teófilo; da Ednélia, do Sítio Dois Irmãos ( Almas – TO); da Associação Comunitária de Desenvolvimento Encantos do Rio – ACDRIO (Rio da Conceição – TO) e da Tiriba Ecoturismo (Aurora- TO), etapa em que foram levantadas as informações sobre os territórios e decidido sobre qual seria priorizado. Na prática, foram realizados: (i) planejamento e obtenção de anuência junto ao órgão ambiental estadual; (ii) mapeamento das iniciativas em cada território, registrando localização, tipo de atividade produtiva, estrutura organizacional e principais demandas de suporte (iii) reuniões com lideranças para validação dos planos de trabalho de acordo com demandas especificas; (iv) execução das atividades que envolveu capacitação, recuperação ambiental, fortalecimento das redes de agroextrativismo e promoção de práticas sustentáveis; (v) roda de conversa para construção coletiva da carta de propostas e compromissos, denominada “Flor da Sustentabilidade”, que se tornou o marco referencial para as práticas que seriam adotadas e incrementadas a partir do projeto; (vi) criação Rede de Diálogo, por meio de um grupo no WhatsApp comunicação contínua e troca de conhecimentos entre os beneficiários; (vii) encontro entre os grupos e associações, com o objetivo de promover a integração e o compartilhamento de experiências, como uma oportunidade estratégica para consolidar a rede de cooperação e promover o intercâmbio de boas práticas, inovação no manejo sustentável e fortalecimento das iniciativas produtivas sustentáveis. Os debates realizados durante os encontros ajudaram a criar oportunidades para articulações mais eficientes entre as comunidades, o poder público e os técnicos convidados, ampliando o impacto positivo das ações e promovendo um fortalecimento mútuo entre os participantes; (viii) registro de todas as atividades realizadas, em cada território, para posterior compartilhamento por meio da Rede de Diálogos e redes sociais.
Recursos Necessários
1. Serviços de terceiros (oficineiros; locação de veículos; serviços de manutenção/reparo de equipamentos; comunicação, etc)
2. Combustível
3. Material de consumo (papelaria, insumos para as oficinas)
4. Equipamentos (despolpadeiras para as oficinas de aproveitamento de frutos do Cerrado; projetor para reuniões e capacitações)
5. Despesas com alimentação, hospedagem e deslocamentos
Resultados Alcançados
A Onça D’água realizou um mapeamento que resultou em um cadastro com 54 iniciativas de produção agroextrativista, organizadas em diferentes formas: um grupo com 34 mulheres, 5 associações comunitárias, 1 cooperativa e 1 RPPN em 13 municípios de 3 regiões do estado (Jalapão, Serras Gerais e Cantão). Esse cadastro é base para a mobilização da rede agroextrativista do Tocantins. O projeto apoiou iniciativas por meio de capacitações, insumos e equipamentos para a produção, beneficiamento e comercialização, bem como, assessoria organizativa, atuando diretamente em 05 cadeias produtivas: produtos das abelhas (apicultura e meliponicultura), fava danta, jatobá, artesanato, mandioca e derivados. Envolveu diretamente em torno de 120 famílias nas atividades, mobilizando diretamente 310 pessoas. Um projeto foi aprovado junto ao Fundo Casa Socioambiental para dar continuidade às ações na região do Cantão e 02 novos projetos foram aprovados pelo ISPN. Foram comercializados 1.700 kg de fava danta, gerando uma renda de R$ 6.800,00 para as famílias do Jalapão. Forma produzidos 1.000 Kg de farinha de jatobá para consumo e comercialização na região do Cantão. Foram realizadas 15 capacitações, com a participação de 341 pessoas, sendo 91 jovens. Foram implantadas um total de 10 ha de áreas de produção agroecológica. Foram implantadas 06 unidades demonstrativas de apicultura e meliponicultura. Foram produzidos 12 vídeos e 15 textos elaborados para a produção de conteúdo para as redes sociais do projeto. Um site produzido foi criado com uma página sobre a sociobiodiversidade, contendo as iniciativas, e o blog possui relatos das atividades do projeto. Já no Instagram da Onça D’água o episódio “Fala Comunidade” possui quatorze depoimentos dos diversos beneficiários do Projeto Redes. Foi produzido também folderes eletrônicos para divuldação nos grupos de Whatsapp com as ações do projeto e também as reuniões virtuais. As ações do projeto relativas à fava d’anta foram divulgadas na página da internet da Associação Onça D’àgua, acessível no seguinte link: https://www.oncadagua.org.br/projeto-redes-de-iniciativas-produtivas-sustentaveis-no-jalapao. O projeto está sendo divulgado nas redes sociais através do Instagram https://www.instagram.com/aoncadagua/ e site da Associação Onça D’água https://www.oncadagua.org.br/. Um documentário sobre o Projeto Redes foi produzido e está disponibilizado no canal youtube da Onça D’água.
Público atendido
Agricultores Familiares
Assentados Rurais
Comentários