Objetivo
Validar e fortalecer um modelo replicável de quintal produtivo sustentável que integra produção de alimentos orgânicos, piscicultura e reaproveitamento energético de resíduos, visando assegurar a soberania alimentar, a autonomia econômica e o fortalecimento do protagonismo de mulheres em situação de vulnerabilidade social no município de Codó, Estado do Maranhão.
Objetivos específicos
• Implantar módulos integrados de piscicultura, agroecologia e biodigestão em ciclo fechado;
• Capacitar mulheres negras chefes de família em técnicas de manejo agroecológico;
• Transformar resíduos orgânicos em biogás para cocção e biofertilizante líquido;
• Promover o reúso de 80% da água da piscicultura para fertirrigação da horta;
• Sistematizar a metodologia da Unidade-Escola para facilitar a replicação territorial;
• Reduzir os custos domésticos com alimentação e energia (gás de cozinha) das famílias atendidas.
Problema Solucionado
Em Codó/MA, a insegurança alimentar e a gestão inadequada de resíduos agravam as desigualdades. Quintais residenciais permanecem ociosos por falta de conhecimento técnico e soluções integradas. Essa realidade impacta severamente mulheres negras chefes de família, que enfrentam sobrecarga econômica. A TS pode ser implantada em situações de:
1) Insegurança alimentar severa;
2) Ausência de saneamento básico local;
3) Alto custo de vida (dependência de gás e hortifrútis externos). O problema central é a fragmentação: as famílias não articulam a produção de alimentos com o manejo de resíduos e o uso racional da água. O Quintal do Gira resolve essa lacuna ao oferecer um modelo de "resíduo zero", onde o passivo ambiental vira ativo nutricional. A tecnologia combate o desperdício e reduz a dependência de insumos externos, promovendo resiliência climática e justiça social através da apropriação tecnológica por populações tradicionalmente excluídas.
Descrição
A Tecnologia Social Quintal do Gira: Modelo de Quintal Produtivo Sustentável, desenvolvida pelo Instituto Cultural Gira Social Sustentável em Codó/MA, é implantada por meio de uma metodologia participativa, sequencial e integrada, fundamentada nos princípios do desenvolvimento sustentável, da economia circular e da educação popular, articulando saberes tradicionais e conhecimentos técnico-científicos.
O processo inicia-se com o Diagnóstico Socioambiental, realizado de forma participativa junto às famílias e à comunidade. Nessa etapa são identificadas as condições do espaço físico, disponibilidade hídrica, tipos e volume de resíduos orgânicos gerados, biomassa disponível, interesses produtivos e necessidades socioeconômicas das famílias. Essas informações orientam o dimensionamento e a organização dos módulos produtivos, garantindo adequação à realidade local.
Em seguida, ocorre a Mobilização Comunitária e Educação Popular, por meio de reuniões abertas, rodas de conversa e oficinas formativas sobre economia circular, segurança alimentar, justiça socioambiental e Agenda 2030. Nessa fase, são apresentados os objetivos da tecnologia, a lógica de funcionamento em ciclo fechado e os compromissos coletivos necessários para sua implementação, fortalecendo o pertencimento comunitário e a corresponsabilidade.
A Implantação dos Módulos Produtivos acontece de forma coletiva, em regime de mutirão. A piscicultura é estruturada a partir da instalação de caixas d’água de 1.000 litros, manejadas de forma agroecológica. O sistema é planejado para permitir o reaproveitamento da água residual rica em nutrientes na irrigação dos canteiros produtivos, reduzindo o consumo hídrico e promovendo a fertilização natural do solo. O biodigestor, atualmente em fase de implantação, destina-se ao aproveitamento de resíduos orgânicos e dejetos para a produção de biogás e biofertilizante líquido, que será integrado aos módulos da horta e da piscicultura, ampliando o fechamento dos ciclos produtivos.
O Manejo e a Capacitação ocorrem de forma contínua, por meio da metodologia do “aprender fazendo”. As famílias participam ativamente do preparo dos canteiros, manejo da horta agroecológica, da piscicultura, da compostagem e do reaproveitamento hídrico, com capacitações sobre sementes crioulas, controle biológico de pragas e práticas sustentáveis. A participação majoritária de mulheres negras, muitas delas chefes de família, assegura avanços concretos em equidade racial e de gênero e fortalecimento da autonomia produtiva.
A interação comunitária é horizontal e dialógica. O Instituto Cultural Gira Social Sustentável atua como facilitador técnico e social, oferecendo acompanhamento sistemático e processos formativos continuados, enquanto a comunidade contribui com saberes locais, trabalho coletivo e gestão cotidiana dos módulos. A unidade-escola do Instituto funciona como laboratório vivo, aberto à visitação, formação e troca de experiências, consolidando vínculos de confiança nos territórios onde atua.
O monitoramento e a avaliação da tecnologia são realizados por meio de indicadores quantitativos e qualitativos, coletados de forma simples e participativa. Entre os indicadores quantitativos destacam-se: volume de alimentos produzidos (kg/mês), número de famílias atendidas diretamente, percentual de participação feminina nos processos formativos, quantidade de resíduos orgânicos reaproveitados (kg/mês) e percentual de reúso hídrico. No período inicial de implantação, foram produzidos aproximadamente 150 kg de hortaliças em seis meses, com atendimento direto a 25 famílias, capacitação de 18 mulheres, com taxa de participação de 95%, e reaproveitamento médio de 40 kg mensais de resíduos orgânicos.
Os indicadores qualitativos são registrados por meio de relatos das participantes, reuniões de avaliação coletiva e observação direta, evidenciando melhorias na qualidade da alimentação, fortalecimento da autoestima, ampliação da autonomia produtiva e maior consciência ambiental. Esses resultados comprovam a efetiva interação entre o Instituto e a comunidade e o impacto social, ambiental e educativo positivo da Tecnologia Social Quintal do Gira, reafirmando seu caráter participativo, replicável e socialmente apropriável.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade do Quintal do Gira no Instituto Cultural Gira Social Sustentável integra materiais acessíveis e reutilizados em quatro módulos:
Piscicultura e Fertirrigação: 01 Caixa d’água (1.000L); 01 bomba de recirculação/oxigenação; tubos e conexões em PVC para drenagem de efluentes nutrientes para a horta.
Agroecologia e Farmácia Viva: Ferramentas manuais (enxadas, regadores); telas (sombrite); madeira de reflorestamento/reuso para canteiros; sementes crioulas e mudas medicinais.
Gestão de Resíduos: Bombonas plásticas (80L e 200L) para compostagem e biofábrica; minhocário plástico; pulverizador manual para caldas naturais.
Biodigestor (Implantação): Reservatório de fermentação (PEAD); kit de mangueiras, válvulas de segurança, manômetro e queimador adaptado para biogás.
Recursos Humanos:
01 Técnico em Agroecologia: Orientação do manejo biológico integrado (peixes/plantas).
01 Facilitador Social: Especialista em educação popular para oficinas com mulheres negras e famílias em Codó/MA.
Multiplicadores Comunitários: Lideranças locais capacitadas para monitoramento e sustentabilidade da TS no território.
Resultados Alcançados
Resultados Quantitativos
A implantação da Tecnologia Social Quintal do Gira gerou resultados mensuráveis e consistentes no período inicial de seis meses, destacando-se:
Produção de aproximadamente 150 kg de hortaliças agroecológicas, destinadas ao consumo e à melhoria da segurança alimentar de 25 famílias participantes;
Reúso estimado de 80% da água proveniente da piscicultura, incorporada ao sistema de irrigação dos canteiros produtivos, contribuindo para a eficiência hídrica e a redução do consumo de água potável;
Capacitação de 18 mulheres da comunidade, com taxa de participação e frequência de 95% nas atividades formativas e práticas;
Desvio médio de 40 kg mensais de resíduos orgânicos do descarte inadequado, direcionados à compostagem e ao reaproveitamento produtivo no sistema.
Resultados Qualitativos
Os resultados qualitativos foram registrados por meio de depoimentos das participantes, observação direta e espaços coletivos de escuta e avaliação. As falas indicam aumento da autoestima, fortalecimento do sentimento de pertencimento, maior percepção de segurança alimentar e empoderamento técnico, expresso na apropriação do conhecimento prático, frequentemente relatado como “um aprendizado que posso aplicar no meu próprio quintal”. As participantes também destacam a acessibilidade da tecnologia, a valorização dos saberes locais e a confiança na capacidade de replicação do modelo.
O acompanhamento e a avaliação da tecnologia são realizados de forma sistemática, por meio de fichas de monitoramento semanal, que registram produção, manejo e uso de insumos, e de reuniões periódicas de avaliação coletiva, garantindo transparência, correções de rota e aprimoramento contínuo do processo.
Público atendido
- Adolescentes
- Adulto
- Idosos
- População em Geral
- Famílias de Baixa Renda
- Jovens
- Lideranças Comunitárias
- Mulheres
- Afrodescendentes
- Crianças
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