Objetivo
Promover inclusão digital e ampliar o acesso de populações negras e periféricas às oportunidades do ecossistema de tecnologia, por meio de formação profissional em informática e trilhas integradas de qualificação, desenvolvendo competências essenciais para o exercício da cidadania digital e para a inserção no mercado de trabalho.
Problema Solucionado
A criação do Ponto Digital Fotografia Preta surge como resposta à profunda desigualdade digital que afeta populações negras, rurais e periféricas do município de Água Fria (BA). O território apresenta baixos índices de acesso a tecnologias da informação, limitada oferta de cursos profissionais e ausência de políticas contínuas de formação tecnológica, especialmente para juventudes negras, mulheres, quilombolas e comunidades rurais. Essa realidade restringe o acesso ao mercado de trabalho em tecnologia, gera barreiras educacionais e dificulta a inserção produtiva, ampliando ciclos de vulnerabilidade social. A tecnologia social atua diretamente nesses contextos, oferecendo formação estruturada em informática e TI, criando oportunidades onde antes inexistiam. Ela pode ser implantada em localidades com carência de infraestrutura educacional digital, baixa conectividade, ausência de cursos profissionalizantes e forte desigualdade racial. Ao promover qualificação técnica, autonomia digital e acesso ao trabalho, contribui para reduzir disparidades históricas e fortalecer o desenvolvimento sociotecnológico de Água Fria e territórios similares.
Descrição
A Casa de Cultura, Esporte e Cidadania Dona Joana, fundada em 2010 no município de Água Fria (BA), construiu ao longo de sua trajetória uma atuação sólida em processos formativos, culturais e sociotecnológicos voltados para populações em situação de vulnerabilidade. A instituição nasceu da articulação de lideranças comunitárias que identificaram a ausência de equipamentos públicos e políticas de inclusão capazes de atender juventudes, mulheres, povos tradicionais e assentados rurais. Desde então, consolidou-se como referência territorial em educação popular, inclusão digital, formação cidadã e mobilização social, participando ativamente de conselhos municipais, redes estaduais e iniciativas federais de fomento à cultura e tecnologia.
A implantação da tecnologia social Ponto Digital Fotografia Preta integra esse percurso histórico e responde diretamente aos desafios de desigualdade digital presentes em Água Fria e nas comunidades periurbanas e rurais do território. A metodologia adotada baseia-se em três pilares centrais: formação técnica, acesso à cidadania digital e participação comunitária. O processo inicia-se com o diagnóstico participativo, realizado com associações comunitárias, escolas, grupos culturais, assentamentos e comunidades quilombolas, que contribuem para a definição das demandas prioritárias e do perfil dos beneficiários.
A participação comunitária ocorre desde a etapa de mobilização, quando monitores locais, professores e lideranças convidam jovens e mulheres a integrarem os cursos. Essa presença territorial assegura que a tecnologia social não seja apenas um serviço ofertado, mas um processo construído coletivamente. A comunidade contribui com a seleção das turmas, acompanhamento dos estudantes, avaliação das oficinas e planejamento de novas atividades, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a corresponsabilidade pelo êxito das ações.
A metodologia envolve trilhas formativas articuladas, com duração média de três meses, combinando aulas práticas e teóricas. Para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, são ofertadas oficinas de informática básica, com foco em alfabetização digital, uso inicial do computador, navegação segura, produção simples de conteúdo e exercícios de criatividade tecnológica. Para jovens e adultos a partir de 16 anos, a tecnologia social oferta um conjunto de cursos profissionalizantes composto por: Informática para Iniciantes, Técnicas de Tecnologia da Informação, Curso de Inglês Instrumental e Pré-vestibular com reforço em leitura, redação e raciocínio lógico, ampliando as possibilidades de ingresso no mercado de trabalho e na educação superior.
As aulas utilizam metodologias ativas, estudos de caso e atividades colaborativas, valorizando o saber comunitário e as trajetórias dos estudantes. A presença de instrutores que conhecem o território favorece uma aprendizagem mais sensível, acolhedora e contextualizada. Cada módulo inclui avaliações formativas, práticas contextualizadas e acompanhamento individual para garantir a permanência dos participantes, principalmente mulheres responsáveis pelo cuidado familiar, agricultores, quilombolas, assentados e jovens trabalhadores.
A interação da organização com a comunidade é contínua e se manifesta no diálogo permanente com escolas públicas, associações culturais, movimentos sociais, terreiros, grupos de juventude e coletivos de mulheres. A Casa Dona Joana mantém espaços de escuta e devolutivas coletivas, garantindo que cada ciclo de formação resulte em aprimoramento da metodologia e ampliação da rede de apoio local. Essa integração territorial permite que a tecnologia social se adapte às condições reais do município, profundamente marcado por limitações de acesso à internet, baixa oferta de cursos profissionalizantes e histórico déficit de políticas públicas no campo tecnológico.
Os resultados alcançados evidenciam a eficácia da tecnologia social. Já foram qualificados mais de 140 beneficiários, com predominância de mulheres, comunidades quilombolas, assentados rurais e moradores de zonas periurbanas. Os dados demonstram um impacto significativo na ampliação da autonomia digital, no aumento do interesse por carreiras tecnológicas e na melhoria das perspectivas educacionais e profissionais dos participantes. Diversos estudantes ingressaram em cursos técnicos, programas de aprendizagem, iniciativas culturais e oportunidades de trabalho que exigem competências tecnológicas básicas.
Esses indicadores reforçam que o Ponto Digital Fotografia Preta se consolidou como uma solução efetiva para enfrentar a exclusão digital e fortalecer o protagonismo de populações historicamente marginalizadas. A tecnologia social demonstra capacidade de ser replicada em outros municípios com características semelhantes, oferecendo uma metodologia acessível, comunitária e transformadora, capaz de promover inclusão sociotecnológica, equidade racial e desenvolvimento territorial sustentável.
Recursos Necessários
O ambiente tem uma estrutura física adequada para receber as atividades formativas da tecnologia social Ponto Digital Fotografia Preta, garantindo conforto, acessibilidade e segurança. O espaço dispõe de mesas, cadeiras, quadro de apoio, boa iluminação, ventilação e pontos de energia, permitindo a acomodação de turmas entre 10 e 20 participantes. Essa infraestrutura já foi utilizada em ciclos anteriores, demonstrando eficiência no desenvolvimento das formações. O ambiente tem também condições para receber materiais pedagógicos essenciais, como apostilas, cadernos, fichas de acompanhamento e kits de estudo, que favorecem o progresso individual dos participantes. Para suporte didático, o local utiliza equipamentos auxiliares, como projetor multimídia e TV para apresentações, roteadores e repetidores de internet, estabilizadores, fones de ouvido e impressora multifuncional, além de materiais de consumo como papel, tinta e insumos diversos. O ambiente tem, ainda, uma equipe multidisciplinar que compõe o funcionamento da tecnologia social, incluindo instrutores responsáveis pelas oficinas, coordenação pedagógica para orientação metodológica, apoio administrativo e facilitadores comunitários que fortalecem o vínculo com o território. Essa estrutura integrada assegura o bom andamento das atividades e a replicação da tecnologia em novos contextos. Neste ano de 2025, tivemos a parceria da escola estadual que além da estrutura mais ampliada e tem o ambiente climatizado.
Resultados Alcançados
A implementação da tecnologia social Ponto Digital Fotografia Preta produziu resultados significativos em Água Fria (BA), fortalecendo a inclusão digital e ampliando oportunidades educacionais para populações negras, rurais e periféricas. Ao todo, mais de 140 pessoas foram atendidas diretamente, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos. O público majoritário é composto por mulheres (cerca de 65%), além de quilombolas, assentados rurais e estudantes da rede pública, evidenciando o alcance junto a grupos historicamente excluídos do acesso às tecnologias. Entre os resultados quantitativos, destaca-se que 90% dos participantes concluíram o curso de Informática para Iniciantes, adquirindo competências essenciais para uso de computadores, aplicativos e navegação segura. As oficinas de informática para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos registraram 100% de frequência média, com evolução plena em habilidades de manuseio de computadores e produção de conteúdos básicos. Entre jovens e adultos, os cursos profissionalizantes em TI, inglês instrumental e pré-vestibular alcançaram taxas de conclusão superiores a 75%, ampliando perspectivas de ingresso no mercado de trabalho e na educação formal. Quanto aos resultados qualitativos, os participantes relataram aumento da autoconfiança, autonomia digital e percepção de pertencimento aos espaços tecnológicos. Muitos afirmaram sentir-se capazes de realizar tarefas antes inacessíveis, como acessar serviços públicos online, elaborar currículos, participar de processos seletivos digitais e apoiar familiares nos estudos. A avaliação comunitária indicou forte sentimento de valorização e reconhecimento da iniciativa. O acompanhamento dos resultados ocorreu por meio de listas de presença, avaliações diagnósticas e finais, relatórios dos instrutores, rodas de conversa e formulários de devolutiva. Esse monitoramento permitiu ajustes contínuos da metodologia, garantindo permanência e aprendizagem efetiva, sobretudo para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Os indicadores demonstram que a tecnologia social produziu impacto real na vida dos beneficiários, contribuindo para a redução da desigualdade digital e para a ampliação das oportunidades educacionais e profissionais no território.
Público atendido
Adolescentes
Afrodescendentes
Agricultores Familiares
Alunos do Ensino Médio
Diretor de Escola
Famílias de Baixa Renda
Lideranças Comunitárias
Pequenos Produtores Rurais
Professores do Ensino Médio
Quilombolas
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