Objetivo
Promover uma educação antiracista/decolonial contra hegemônica, pautada na memória do legado bantu-indígena, sob a perspectiva teórico-metodológica da Pedagogia do Terreiro da Escola Caxuté, uma escola de terreiro do/no campo, onde se aprende a partir de um ensino pautado em pressupostos referenciais das realidades sociais dessa comunidade, um território de povos tradicionais negro-indígena.
Objetivos específicos
Construir ações pedagógicas de valorização de nosso patrimônio biocultural, contra o racismo ambiental, pessoal, institucional e religioso; Realizar atividades educativas- seminários, oficinas, mini-cursos, vivências, giras de saberes contribuindo com a aplicação da lei, 10,639/03 e 11.645/09, a partir da cosmovisões afro-bantu-indígena; Articular ações que estimulem à colaboração, criação, crítica, inclusão de pessoas com deficiência e LGBTQIA+ à reflexão sobre sua condição de sujeito; Sistematizar o conhecimento ancestral produzido por lugares plurisistemicos dos povos negros e indígenas.
Problema Solucionado
A Escola Caxuté surge como uma desobediência epistêmica no cenário educacional que ainda silencia e estigmatiza negros, indígenas e comunidades tradicionais, enquanto promove uma pedagogia que valoriza a ancestralidade e a cultura bantu-indígena em uma comunidade múltipla, tecendo formação e educação onde seus saberes são valorizados, quais sejam: Valorização a cultura bantu-indígena e sua experiência no Brasil, mostrando como a ancestralidade enreda-se ao cotidiano; Identificando o terreiro como um espaço de valorização, conservação e aprendizado no legado afro-brasileiro tendo a terra como princípio cosmológico; Rompendo a dicotomia entre cultura natureza; Afirmando a memória e a partilha entre os povos como principal fonte histórica negra, indígena e demais comunidades tradicionais; Tendo como os Pilares da Pedagogia do Terreiro da Escola Caxuté: Memória e cultura; Terra como princípio cosmológico para construção do território ancestral; Preservação da cosmologia bantu-indígena; Tradição e valorização dos antepassados; Educação antirracista e decolonial; Princípio feminino ancestral; Inclusão e valorização da diferença; E pensar desde o local.
Descrição
Nossa sistematização ocorre com base do Projeto Político Pedagógico Afro-indígena da Escola Caxuté - Primeira Escola de Religião e Cultura de Matriz Africana (afro-indígena) do Baixo Sul da Bahia (2020), escrito coletivamente pela comunidade e composto por pelos pressupostos de referência, marco filosófico ou doutrinal, princípios teóricos-metodológico, concepção de currículo, educação, filosofia, sociedade, diretrizes, e organização. Documento anexo no item 9. A proposta pedagógica da Escola Caxuté é embasada na Pedagogia do Terreiro e nas estratégias políticas de enfrentamento ao racismo no cotidiano das comunidades negras do Baixo Sul da Bahia. A raiz da nossa pedagogia são os valores ancestrais de matriz africana e indígena. Os saberes desses legados ancestrais são transmitidos em nossa comunidade pela mais velha, a Mam´etu, Kwa Nkisi do terreiro Caxuté. A educação de terreiro é um modelo de desenvolvimento da autoestima, das identidades, tradições e saberes bantu-indígena representada pelos ancestrais, uma vez que povos negros e indígenas, na maioria das vezes, não acessam suas histórias nas escolas formais. A Pedagogia do Terreiro é uma pedagogia que apresenta ações contra preconceitos, em especial o racismo estrutural, a intolerância religiosa e o padrão.
A organização da proposta pedagógica da Escola Caxuté é alicerçada nas Leis 10.639 e 11.645 através das vivências, produção didática, pesquisa, autoconhecimento e teorização, promove e concretiza uma educação das relações étnico-raciais na Escola Caxuté. Desse modo, cada um pode ensinar e aprender com o outro, tecendo assim a nossa memória e história fortalecida nos ensinamentos de nossos minkisi e na relação com os elementos sagrados da natureza (SANTOS, 2019, p.39). Na escola Caxuté, a relação ensino-aprendizagem nasce da experiência do indivíduo, partilhada em giras de saberes entre os mais velhos e mais novos, construídas por Espaços de Experência e Conhecimento. Dentre algumas das organizações em nosso fazer cotidiano, estão:
GIRA DE SABERES: São encontros circulares que promovem diálogos inclusivos e reflexivos entre membros da comunidade, valorizando a oralidade e a ancestralidade. A metodologia se baseia na igualdade de conhecimento, onde todos têm a capacidade de ensinar e aprender, enfatizando a importância da experiência e das histórias compartilhadas em vez dos livros acadêmicos. COLETIVO KOIAKI SAKUMBI: Desde 2010, esse coletivo de estudo e pesquisa vem realizando atividades de estudos, pesquisas e cursos de formação para educação das relações étnico-raciais. Coletivo, composto por membros acadêmicos e não acadêmicos, realiza estudos sobre questões raciais, saberes africanos e indígenas, afro-brasileiros e do Candomblé, atuando na organização de cursos, formações e eventos. Eles também dialogam com diferentes tradições e comunidades, produzem conteúdos e se envolvem em atividades políticas, pedagógicas e comunitárias para fortalecer os saberes ancestrais e a autonomia das Comunidades de Terreiro. ESCRITA MEMORIAL: A Pedagogia do Terreiro empodera nossa comunidade negra e indígena a contar suas próprias histórias por meio de práticas educativas e memoriais orais e escritos. Promovendo a preservação de tradições e culturas. BIBLIOTECA DE RUA: Espaço do Terreiro Caxuté há mais de 15 anos, oferece um espaço de leituras “Barra da Saia” da matriarca e discussão para a comunidade e jovens locais, promovendo a acessibilidade a escritas afro-diaspóricas e indígenas, construindo laços comunitários. É um território pedagógico valioso e público, usado pela pedagogia do terreiro e pela comunidade em geral. MUSEU DA COSTA DO DENDÊ: É todo o espaço do Terreiro Caxuté, um espaço cultural ao ar livre que explora a cosmovisão bantu-indígena, conectando biodiversidade e diversidade cultural por meio de saberes ancestrais. A escola Caxuté desenvolve concomitantemente à sua ação educativa cotidiana, Projetos Especiais completamente articulados com sua concepção de educação, nos quais acontecem momentos formativos em que estão em destaque os saberes que vão girando, base de nossos princípios. São eles os projetos especiais anuais: Méa Kambuka; Março Mulher; Kizomba Maionga; Tabuleiro/Flor do Velho; Presentes das Águas Festa do Bakulo Mariana; Kizomba de Matamba ENAFRO – Encontro Afro-ecumênico Pisada de Caboclo; Vivência Internacional da Comunidade Caxuté.
Compreendemos a Escola Caxuté como uma escola do/no campo, isso quer dizer que ela acontece em um espaço sem muros, no Terreiro em meio à natureza, as águas, a terra, as matas. Estas são nossas salas referências. Entretanto, é necessário um espaço amplo com auditório, recursos tecnológicos e pedagógicos, mobília escolar, salas de cozinha e ateliê de costura&artesanato com máquinas profissionais, pois desejamos capacitar nossa comunidade profissionalmente. Os formadores da nossa Pedagogia são membros da nossa comunidade, pois aprendemos uns com os outros nas trocas de conhecimento.
Recursos Necessários
RECURSOS FINANCEIROS:
1) Se em local fixo (cedido pela comunidade): 400 mil
-Construção de auditório
-Recursos tecnológicos e pedagógicos
-Mobília escolar
-Sala de cozinha com máquinas profissionais
-Sala de ateliê de costura & artesanato com máquinas profissionais
-Recursos para auxiliar exposições do museu da costa do dendê: câmera profissional, expositores, iluminação, molduras
2) Para disseminar a Pedagogia do Terreiro de forma itinerante: 400 mil
2A)Micro ônibus adaptado para o Projeto Biblioteca de Rua e Museu, com recursos tecnológicos, pedagógicos e maquinários necessários para formações itinerantes.
ou
2B)Lancha/barco adaptado para o Projeto Biblioteca de Rua e Museu, com recursos tecnológicos, pedagógicos e maquinários necessários para formações itinerantes.
DO INVESTIMENTO EM PESSOAL: 60 mil
Formação técnica profissional para membros da Comunidade Caxuté nas seguintes áreas a fim capacitar ainda mais nossos professores para replicar essas formações da Escola Caxuté em comunidade quilombolas, ribeirinhas, indígenas e de povos tradicionais:
* costura afro-brasileira e indígena
* artesanato negro e indígena
* museologia
* criação de galinhas
* alimentãção e nutrição
* agroecologia
*agricultura familiar
* feminismo negro e indígenas
* formação para o trabalho com a lei 10639/06 e a lei 11645/08
* associativismo
* gestão administrativa
* escrita de projetos para editais
* audiovisual para produção de curtas/ exposições fotográficas/ mídias sociais
SERVIÇOS: 40 mil
Contador
Vídeo-maker
Fotografo
Resultados Alcançados
LIVRO: Pedagogia do Terreiro: Experiências na Primeira Escola de Religião e Cultura de Matriz Africana do Baixo Sul da Bahia" de Maria Balbina dos Santos.
PRÊMIOS: a) Prêmio de Patrimônio Cultural IPHAM para terreiros tombados e não tombados na linha de ações educativas voltadas à promoção e valorização do patrimônio cultural. Premiação referente "A Primeira Escola de Religião e Cultura de Matrizes Africanas do Baixo Sul da Bahia – Escola Caxuté (2015). b) Prêmio Culturas Afro-brasileiras 2014 - Fundação Cultural Palmares.
TRABALHOS ACADÊMICOS: a)Terreiro Caxuté: um Caminho na minha vida, autoria Gilberto Magalhães, UNEB, 2011. b)Mapeamento dos Espaços de Religião de Matriz Africana do Baixo Sul da Bahia, pela SEPROMI. c)Mãe Mira: a Estrela Negra da Costa do Dendê. De Taata Luangomina para título de Bacharel em Humanidades (UNILAB). d)Candomblé Bantu-Indígena da Bahia: Organização Sociorreligiosa e Relação Global da Comunidade Caxuté na Costa do Dendê. Dissertação de Taata Luangomina para título de Mestre em Ciências Sociais (UFRB). e)Conversadores de aroeira. Dissertação de Jaqueline de Souza Barreto Santos para título de mestre em Educação do Campo (UFRB). f)A pedagogia dos corpos e culturas no terreiro de candomblé caxuté, v1, Valença-ba: trânsitos, ancestralidades, valorização de patrimônio identidades. Santos et.al. no Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros (2018). g)A Pedagogia de Terreiro na Luta por Direitos. Dissertação de Taata Kabondu, Magonleji, para título de Mestre em Ensino e Relações Étnico-raciais (UFSB); entre outras dezenas de pesquisas que tem como objeto/locus/aporte teórico a Pedagogia do Terreiro.
LEI MUNICIPAL Nº 2.707 DE 29 DE SETEMBRO DE 2021.Institui no Calendário Oficial de Festas e Eventos do Município de Valença a Festividade Tradicional em Homenagem ao Nkisi Tempo “Kizoomba Maionga” que ocorre anualmente durante a Vivência Internancional da Comunidade Caxuté.
A Escola Caxuté estende sua concepção de educação para outros municípios da Bahia, criando conexões políticas e culturais, promovendo os direitos dos povos negros e indígenas. As extensões da raiz Caxuté é destacada no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola na página 117, onde lista suas extensões. (em anexo no item 9 da inscrição).
Público atendido
- Afrodescendentes
- População Ribeirinha
- Povos Tradicionais
- Povos Indígenas
- Mulheres
- Quilombolas
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