Objetivo
Promover cuidado emocional, redução de sofrimento e fortalecimento psicossocial de crianças, crianças com deficiência, mulheres vítimas de violência, mulheres trabalhadoras e idosos por meio da Intervenção Assistida por Cães resgatados, consolidando o CRASANIMAL como espaço terapêutico seguro, integrado ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), à Saúde e à Educação.
Problema Solucionado
Crianças, crianças com deficiência, mulheres vítimas de violência, mulheres trabalhadoras e idosos em vulnerabilidade enfrentam sofrimento emocional contínuo, solidão, traumas, ansiedade, múltiplas jornadas e baixa autoestima. A maior parte desses públicos não possui acesso a espaços seguros de acolhimento psicossocial que ofereçam vínculo afetivo, expressão emocional e suporte integrado entre SUAS, Saúde e Educação. Crianças apresentam dificuldades de socialização; crianças com deficiência necessitam de estímulos sensoriais adequados; mulheres vítimas de violência convivem com medo e hipervigilância; mulheres trabalhadoras acumulam exaustão; idosos enfrentam isolamento e perda de vínculos.
Paralelamente, cães resgatados chegam ao CRASANIMAL com medo, estresse e baixa sociabilidade, o que reduz significativamente suas chances de adoção. Esses dois conjuntos de problemas coexistem no mesmo território, mas tradicionalmente são tratados de forma separada. Vivências espontâneas demonstraram efeitos imediatos de acolhimento, tranquilização e regulação emocional durante o contato com os cães, evidenciando a necessidade de um espaço terapêutico capaz de integrar cuidado humano e bem-estar
Descrição
Patas que Curam é uma tecnologia social implementada no CRASANIMAL que transforma um abrigo público de cães resgatados em um espaço terapêutico comunitário permanente, utilizando Intervenção Assistida por Cães (IAC) para promover cuidado emocional, redução de estresse e fortalecimento psicossocial. Atende crianças, crianças com necessidades especiais, mulheres vítimas de violência, mulheres trabalhadoras e idosos em vulnerabilidade, articulando proteção social, bem-estar animal e redes locais do SUAS, Saúde e Educação. A tecnologia surgiu de vivências espontâneas com escolas, idosos e grupos de mulheres, nas quais se observaram efeitos imediatos de tranquilização, expressão emocional e socialização mediada pelos cães. A partir dessas evidências, o método foi sistematizado com protocolos de segurança, avaliação e indicadores, alinhado às diretrizes do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), do Conselho Federal de Psicologia (CFP), às normas de zoonoses e aos padrões internacionais de Atividades Assistidas por Animais (AAA) e Terapia Assistida por Animais (AAT).
FASE 1: Vivências Coletivas de Sensibilização
Atende grupos maiores e cumpre três funções: mobilizar o território, criar vínculo inicial e permitir diagnóstico emocional. Envolve acolhida, apresentação do abrigo, explicação sobre cães resgatados, caminhada guiada, interação segura, atividades sensoriais e registro simples em escala Likert. Para os cães, amplia sociabilidade, confiança e adaptabilidade, aumentando chances de adoção responsável.
FASE 2: Sessões Terapêuticas Estruturadas
Realizadas com grupos de 4 a 8 pessoas. Incluem acolhida emocional, interação orientada com cães avaliados em sociabilidade, atividades sensoriais e de vínculo, roda de conversa e avaliação final em escalas de bem-estar humano e animal. A fase favorece comunicação infantil, regulação emocional de crianças com deficiência, redução de hipervigilância em mulheres vítimas de violência, alívio de estresse em mulheres trabalhadoras e diminuição de isolamento em idosos. A metodologia utiliza princípios de leitura corporal canina, reforço positivo e manejo ético para garantir segurança física e emocional durante toda a experiência.
EIXO DE CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
A tecnologia incorpora formação em cuidado animal para mulheres vítimas de violência, jovens em vulnerabilidade e mulheres trabalhadoras. São ofertados cursos de adestramento, auxiliar veterinário e banho e tosa, com enfoque em bem-estar animal e prática supervisionada no abrigo. O eixo fortalece empregabilidade, autonomia econômica e prevenção de revitimização, integrando-se ao PAIF, PAEFI, SCFV, escolas e Saúde Mental (CAPS/NASF). Além disso, amplia a capacidade do CRASANIMAL como centro de formação prática, impactando positivamente a rotina de manejo, socialização e preparo dos cães para adoção responsável.
ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE
A implantação envolve protetores, voluntários, famílias, escolas, CRAS/CREAS, equipes de saúde e instituições locais. A comunidade participa do planejamento, do manejo dos cães, do encaminhamento de participantes, da execução das atividades e da avaliação contínua. Mulheres atendidas tornam-se multiplicadoras, fortalecendo participação e pertencimento territorial. A iniciativa atua como ponte entre redes públicas, fortalecendo fluxos de encaminhamento e ampliando o acesso da população a cuidados socioemocionais e oportunidades formativas.
MONITORAMENTO, AVALIAÇÃO E INDICADORES
As sessões são avaliadas por observações estruturadas, registros fotográficos, escalas Likert pré e pós-atividade, fichas comportamentais dos cães e indicadores por público. Já foram acompanhados mais de 1.500 participantes, permitindo medir evolução emocional, variação de humor, redução de ansiedade e aumento de socialização. Os cães têm evolução monitorada em sociabilidade, tolerância a estímulos, redução de comportamentos de medo e probabilidade de adoção. O conjunto de dados permite análises comparativas, ajustes de protocolo e padronização para replicação.
ESTRUTURA E IMPLANTAÇÃO POR ETAPAS
30 dias: organização do espaço, seleção dos cães, formação inicial da equipe.
3 meses: maturação das vivências coletivas e padronização dos protocolos.
6 meses: consolidação de dados, indicadores e ajustes metodológicos.
12 meses: impacto consolidado, aumento de adoções, fortalecimento das capacitações e integração plena ao território.
RISCOS OPERACIONAIS E PROTOCOLOS DE PREVENÇÃO
• Alergias/sensibilidades: triagem prévia e orientação.
• Estresse dos cães: avaliação contínua, pausas, rodízio e enriquecimento ambiental.
• Incidentes de manejo: protocolos de biossegurança, EPIs e equipe treinada em leitura corporal canina.
• Fragilidade emocional: acompanhamento técnico e fluxos para PAEFI/CREAS.
• Riscos sanitários: vacinação, controle parasitário, desinfecção e normas de zoonoses.
• Revitimização: consentimento informado, abordagem humanizada e sigilo.
• Evasão em cursos: apoio psicossocial, metodologia pratica.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade do Patas que Curam requer materiais acessíveis voltados às vivências terapêuticas e aos cursos de capacitação profissional na área pet, garantindo acolhimento, segurança e formação técnica.
1. Estrutura física e ambientação
Espaço seguro e arejado; área sombreada; tapetes e colchonetes; mesas de apoio; cadeiras; sinalização simples.
2. Materiais para atividades terapêuticas
Papéis, lápis, recursos lúdicos e sensoriais; itens para rodas de conversa; materiais de acolhida; pastas organizadoras.
3. Materiais destinados aos cães
Coleiras, guias, peitorais; recipientes de água; brinquedos adequados; petiscos; kits de higienização e limpeza.
4. Equipamentos para capacitação profissional
Tesouras, escovas, máquinas de tosa; secador e mesa de banho; itens para banho e tosa; kit básico de adestramento (guias longas, cones, brinquedos específicos); materiais de simulação para auxiliar veterinário (luvas, bandagens, gaze, instrumentos não invasivos).
5. Registro e documentação
Pranchetas, fichas de avaliação, pastas, celular/câmera para registro; certificados de participação.
6. Apoio logístico ao público
Kit lanche; água e copos; apoio ao transporte quando necessário; kit básico de primeiros socorros.
Todos os materiais são de baixo custo e permitem replicar a tecnologia em diferentes territórios.
Resultados Alcançados
A implantação do Patas que Curam no CRASANIMAL gerou resultados mensuráveis no bem-estar dos participantes e na evolução comportamental dos cães. O acompanhamento ocorreu por meio de observação participante, registros das vivências, fichas individuais dos animais, escalas de Likert antes e depois das sessões e relatos espontâneos dos beneficiários. Desde sua criação, o programa já atendeu mais de 1.500 pessoas, entre crianças, crianças com deficiência, mulheres vítimas de violência, mulheres trabalhadoras, jovens em vulnerabilidade e idosos, consolidando base expressiva de dados qualitativos e quantitativos sobre impacto emocional e social. Crianças e crianças com deficiência apresentaram avanços significativos na comunicação verbal, expressão emocional e socialização. Em escolas especiais, houve aumento de atenção, contato visual e resposta sensorial mediada pelos cães, com estimativas de 30% de melhora na comunicação espontânea e redução de irritabilidade e ansiedade. Mulheres vítimas de violência registraram diminuição de hipervigilância, ampliação da sensação de segurança e acolhimento. Mulheres trabalhadoras relataram alívio de tensão, relaxamento, melhora no humor e abertura emocional; escalas aplicadas indicaram redução média de 60–65% na ansiedade percebida. Idosos apresentaram ampliação de interações sociais, melhora do humor e redução de aproximadamente 50% na sensação de isolamento, aumentando disposição para caminhadas, conversas e participação comunitária. Os cães participantes demonstraram queda significativa nos indicadores de medo, aumento de confiança e estabilidade comportamental. As avaliações sugerem incremento de cerca de 40% na sociabilidade e taxa de adoção duas vezes maior que a dos demais. Institucionalmente, houve ampliação de voluntários, fortalecimento das parcerias com escolas e serviços socioassistenciais e reconhecimento do CRASANIMAL como espaço terapêutico do território. O abrigo realizou ainda 10.477 atendimentos clínicos, 7.154 castrações, 6.586 inscrições em cursos e 2.207 certificados emitidos, reforçando maturidade técnica e sustentabilidade da tecnologia. O Patas que Curam demonstra impacto consistente, reduzindo sofrimento emocional, fortalecendo vínculos, ampliando expressão afetiva e qualificando a sociabilidade dos cães, configurando tecnologia de dupla transformação — humana e animal — com evidências sólidas e capacidade de expansão territorial.
Público atendido
Adolescentes
Mulheres
Crianças
Idosos
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