Objetivo
Promover a autonomia, mobilidade e qualidade de vida de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida, por meio da manutenção e adaptação personalizada de cadeiras de rodas, garantindo atendimento humanizado, redução de barreiras de acesso, uso eficiente de recursos públicos, integração do serviço à política pública de saúde e, principalmente, inclusão social
Problema Solucionado
Pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida enfrentam barreiras significativas no acesso a cadeiras de rodas funcionais, especialmente no que se refere à manutenção e adaptação desses equipamentos. No âmbito da política pública, a inexistência de serviços especializados para ajustes, consertos e adequações posturais resulta no uso inadequado dos dispositivos, no descarte precoce de cadeiras ainda recuperáveis e na solicitação de novos equipamentos ao SUS. Esse cenário gera longas filas de espera, desperdício de recursos públicos, agravamento de condições de saúde e restrição da autonomia e da inclusão social dos usuários. Soma-se a isso o impacto ambiental decorrente do descarte inadequado de materiais reutilizáveis. A Oficina Locomover soluciona esse problema ao ofertar um serviço gratuito, humanizado e multiprofissional de manutenção e adaptação personalizada de cadeiras de rodas, integrado à política pública de saúde. A iniciativa transforma uma demanda historicamente invisibilizada em uma tecnologia social eficiente, sustentável e reaplicável, com impacto direto na qualidade de vida, na gestão pública e no meio ambiente.
Descrição
A Casa da Criança Paralítica de Campinas - CCP, existe há 71 anos possui uma trajetória de atuação social voltada à promoção dos direitos, da reabilitação e da inclusão social de pessoas com deficiência física. Com forte inserção comunitária e reconhecimento como instituição de referência na região, a CCP desenvolve serviços nas áreas de saúde, defesa e garantia de direitos, pautados na atenção integral, no atendimento humanizado e na articulação permanente com políticas públicas.
O projeto foi concebido a partir da identificação de uma demanda concreta da comunidade de pessoas com deficiência: a inexistência de serviços especializados para manutenção e adaptação de cadeiras de rodas, o que gerava fila de espera de até 4 anos no SUS, descarte precoce de equipamentos e prejuízos à autonomia e à saúde das pessoas com deficiência. Essa demanda emergiu da escuta qualificada de usuários, familiares e profissionais da rede pública, sendo o ponto de partida para a construção da solução.
A participação da comunidade ocorre de forma contínua. Usuários e familiares são envolvidos desde o acolhimento inicial, quando relatam suas dificuldades, expectativas e necessidades específicas, até a avaliação dos resultados das adaptações ou manuteções realizadas, por meio de conversas e instrumentais que foram desenvolvidos pela equipe. Esse diálogo permanente permite ajustes individualizados e garante que as soluções adotadas sejam adequadas à realidade de cada pessoa, fortalecendo o protagonismo dos usuários no cuidado com sua própria mobilidade.
A Oficina Locomover funciona a partir de fluxos integrados de encaminhamento, avaliação, intervenção e acompanhamento, fortalecendo a comunicação entre a CCP, os serviços públicos e as famílias. Essa interação também se expressa na troca de informações técnicas com profissionais da rede, no apoio aos processos de cuidado continuado e na construção conjunta de soluções para desafios recorrentes no atendimento à pessoa com deficiência.
A metodologia adotada na implantação do processo baseia-se em atendimento multiprofissional, individualizado e centrado no usuário. As ações integram saberes técnicos das áreas de mecânica, solda, tapeçaria, fisioterapia e terapia ocupacional, permitindo intervenções personalizadas que priorizam funcionalidade, conforto, segurança e prevenção de agravos à saúde. Os procedimentos incluem acolhimento, avaliação funcional, definição das intervenções necessárias, execução técnica das adaptações e acompanhamento dos resultados obtidos.
As decisões técnicas priorizam, sempre que possível, a manutenção e adaptação dos equipamentos existentes, reduzindo a necessidade de substituição por novas cadeiras. Essa diretriz contribui para o uso eficiente de recursos públicos, a redução do tempo de espera dos usuários e a sustentabilidade ambiental, ao evitar o descarte inadequado de cadeiras e componentes ainda utilizáveis.
A interação com a comunidade e o impacto positivo do projeto são evidenciados por dados e indicadores construídos ao longo de sua execução. Destacam-se 2.424 pessoas atendidas, 3.680 cadeiras de rodas recuperadas e adaptadas, a redução para até 1 ano por espera para acesso a cadeiras de rodas no SUS, melhoria da autonomia e da qualidade de vida relatada pelos usuários. Também são considerados indicadores ambientais, como o reaproveitamento de 85% equipamentos e a redução de resíduos gerados.
Como evidência institucional do impacto alcançado, destaca-se a incorporação da Oficina Locomover à política pública municipal de saúde, com financiamento regular. Esse reconhecimento decorre da demonstração consistente dos resultados sociais, econômicos e ambientais gerados pelo projeto e da sua aderência às normativas do SUS, assegurando sua continuidade e sustentabilidade.
Dessa forma, a Oficina Locomover consolida-se como uma tecnologia social construída em diálogo permanente com a comunidade, baseada na participação dos usuários, na articulação intersetorial e na utilização eficiente de recursos. Sua metodologia demonstra que a manutenção e adaptação de cadeiras de rodas, quando estruturadas como serviço público integrado, produzem impactos positivos duradouros e podem ser adaptadas e reaplicadas em outros territórios.
Recursos Necessários
São necessários: bancadas para organização, Painel de ferramentas ou carrinho de ferramentas, Prateleiras e estantes, Armários fechado, equipamentos de pneus e rodas, Furadeira com brocas variada, Parafusadeira elétrica, Lixadeira ou ferramentas rotativas (Dremel), Equipamento de soldagem, Prensas simples, ferramentas básicas, como: Conjuntos de chaves combinadas (incluindo 8 mm, 10 mm, 13 mm e 19 mm), Chaves Allen (hexagonais) em múltiplos tamanhos (preferencialmente com cabo T), Chaves de fenda Phillips e reta (diversos tamanhos)Alicate de ponta média, Chave ajustável, Soquetes e catraca (padrão métrico), Martelo de borracha (para ajustes delicados), Serra de arco (hacksaw) com lâminas de metal, Serra manual para madeira (para ajustes de suportes e adaptações), Limas metálicas (planas, meia-redonda e redonda), Trena ou régua métrica, Estilete e tesouras resistentes,Marcador fino para marcação de ajustes, Parafusos, porcas, arruelas e prisioneiros em diversas medidas
Materiais: Lubrificantes e sprays anti-corrosão, Fitas, braçadeiras e velcros industriais, Espumas e tecidos para estofamento, Peças de reposição comuns (rodas, pneus, manoplas, apoios, baterias para cadeiras elétricas). Notebbok, mesa de trabalho, cadeira, tablado.
Resultados Alcançados
Desde 2018, houve um total de 3.680 equipamentos reparados ou adaptados, destes 2.424 passaram por reparos e 1.256 foram adaptados
Um total de 2980 pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida foram atendidas na Oficina.
A oficina torna-se uma política pública municipal.
Público atendido
Portadores de Deficiência
Comentários