Objetivo
Promover a transição agroecológica por meio de mutirões agroflorestais que integrem formação prática e comunitária, baseada em trocas entre participantes, organização coletiva e manutenção dos ecossistemas, fortalecendo a autonomia das pessoas envolvidas, ampliando a implantação de sistemas agroflorestais e inspirando a formação de novas redes.
Problema Solucionado
A tecnologia social dos mutirões agroflorestais surgiu diante da dificuldade de comunidades recuperarem áreas degradadas, especialmente em regiões como São Pedro de Alcântara, onde o alto custo de mão de obra e a falta de apoio técnico inviabilizam ações contínuas. Soma-se a isso a dependência de insumos externos na agricultura convencional, que encarece a produção, aumenta a vulnerabilidade econômica e dificulta práticas sustentáveis. Também há carência de espaços de formação prática acessível e de processos coletivos que garantam participação equitativa — inclusive de mulheres no uso de ferramentas e nas decisões.
Os mutirões respondem a esses problemas ao organizar força de trabalho compartilhada, reduzir custos, ampliar o acesso ao conhecimento e facilitar a implantação de agroflorestas como solução baseada na natureza e de baixo uso de insumos. A metodologia colaborativa cria redes locais de apoio, fortalece vínculos comunitários e multiplica capacidades. Assim, a tecnologia pode ser aplicada em territórios com limitações financeiras, desafios socioambientais, pouca assistência técnica ou baixa articulação comunitária.
Descrição
A tecnologia social dos mutirões agroflorestais nasce de um processo comunitário iniciado no final de 2022, quando moradores, pequenos produtores, estudantes e voluntários começaram a se reunir de forma espontânea no coletivo Rebrota. O grupo surgiu da necessidade compartilhada de encontrar soluções para o reflorestamento de áreas degradadas, fortalecer vínculos comunitários e ampliar o acesso a práticas agroflorestais de maneira aberta, prática e acessível.
Com o aumento da adesão, o Rebrota evoluiu para a Rede Agroflorestal, estruturando melhor calendários, registros e funções, até que, em janeiro de 2024, o processo se consolidou com a criação da Associação Agroflorestal Solo Vivo (ASSOVIO). A associação institucionaliza uma prática que já existia na comunidade, garantindo continuidade, articulação entre territórios e preservação de um modelo horizontal, colaborativo e aberto.
Metodologia e procedimentos adotados
Os mutirões seguem uma metodologia participativa e replicável, construída coletivamente e sistematizada em cadernos de campo e materiais formativos produzidos pela própria rede. A prática se organiza em cinco etapas principais:
Mobilização e escuta prévia: Identificação das demandas locais (como implantação de agroflorestas, manejo, plantio, capina ou recuperação de áreas degradadas). A mobilização ocorre via grupos comunitários, redes sociais, rádios locais e diálogo direto com famílias e núcleos locais.
Planejamento colaborativo: Definição de datas, funções e tarefas. Cada mutirão adota um “pré-roteiro” inspirado na cartilha em elaboração: checagem de ferramentas, seleção de mudas, preparo do ambiente, organização da acolhida e divisão de responsabilidades.
As agendas são construídas de forma coletiva com representantes de cada território — São Pedro de Alcântara, Antônio Carlos, Angelina, Imaruí, Paulo Lopes e Timbé.
Execução prática no campo: Os encontros — mensais ou quinzenais — reúnem de 20 a 30 participantes por atividade. A metodologia combina:
• capacitação prática (plantio adensado, manejo agroflorestal, produção de insumos biológicos);
• cooperação comunitária (trabalho partilhado para reduzir custos de mão de obra);
• trocas horizontais de saberes (cada participante ensina algo e aprende algo).
Sempre se enfatiza a inclusão de mulheres no uso de ferramentas, liderança de tarefas e participação nos processos decisórios.
Registro e sistematização: São utilizados cadernos de campo, listas de presença, registros fotográficos, vídeos e relatos. Essa documentação acompanha o desenvolvimento das áreas implantadas, facilita a replicação e fortalece a memória coletiva.
Avaliação e fortalecimento da rede: Após cada mutirão, o grupo realiza rodadas de feedback, ajusta a metodologia e mapeia novas demandas. Esses ciclos contínuos permitem que a tecnologia se aperfeiçoe pela prática.
Participação da comunidade
A participação é voluntária, aberta e multigeracional — envolvendo agricultores, moradores urbanos, jovens, crianças e pessoas recém-chegadas às práticas agroecológicas. As decisões são tomadas por consenso, estimulando corresponsabilidade. O envolvimento direto da comunidade reduz custos, amplia o acesso ao conhecimento, fortalece a autonomia e cria vínculos que permanecem para além dos mutirões.
Interação da organização com a comunidade
A ASSOVIO atua como articuladora, oferecendo suporte metodológico, facilitando agendas e conectando núcleos territoriais. A interação se dá por meio de grupos de comunicação comunitária, visitas às famílias, rodas de conversa, escutas coletivas e acompanhamento dos sistemas implantados. Não há barreiras de acesso ou exigência financeira, reforçando o caráter público, comunitário e inclusivo da tecnologia.
Dados, indicadores e evidências de impacto
• Mais de dois anos de realização contínua de mutirões desde o início do Rebrota (2022).
• Atuação em seis municípios: São Pedro de Alcântara, Antônio Carlos, Angelina, Imaruí, Paulo Lopes e Timbé.
• Encontros com 20–30 participantes por mutirão, com presença crescente de mulheres liderando etapas.
• Implantação e manejo de diversas áreas agroflorestais, com registro sistemático via fotos, vídeos, cadernos de campo e listas de presença.
• Redução significativa de custos para famílias e grupos, substituindo contratação de mão de obra por força colaborativa.
• Ampliação da autonomia local no uso de ferramentas, na produção de insumos e no planejamento agroflorestal.
• Consolidação de uma rede territorial ativa, que continua se expandindo e inspirando a criação de novos núcleos.
A tecnologia resulta, assim, de um processo vivo, comunitário e contínuo, baseado na cooperação, na manutenção dos ecossistemas e na construção de autonomia e bem viver.
Recursos Necessários
Recursos materiais necessários
Infraestrutura básica: disponibilidade de água potável para consumo dos participantes e água operacional para atividades de campo (lavação de utensílios, higienização de materiais, preparo de insumos e limpeza geral).
Ferramentas manuais: enxadas, pás, cavadeiras, tesouras de poda, facões, baldes, regadores e ancinhos.
Materiais de plantio: mudas, sementes, substratos, compostos, estercos e insumos agroflorestais.
Equipamentos de apoio: lona, cordas, estacas, etiquetas, caixas organizadoras, EPIs (luvas, chapéus, protetor solar).
Estrutura logística: mesas de apoio, bancos, toldos ou barracas para sombra, utensílios de cozinha para preparo de lanches quando necessário.
Resultados Alcançados
RESULTADOS ALCANÇADOS
Desde a formação espontânea do coletivo Rebrota em 2022 e a criação da ASSOVIO em 2024, os mutirões agroflorestais se consolidaram como uma prática contínua de trabalho comunitário. Hoje, a Rede Agroflorestal Rebrota articula famílias, sítios, voluntários e pequenos produtores em seis municípios (São Pedro de Alcântara, Antônio Carlos, Angelina, Imaruí, Paulo Lopes e Timbé), com apoio institucional da ASSOVIO e do Projeto Solo Vivo na produção de materiais educativos, viveirismo e acompanhamento técnico.
Resultados quantitativos
• Participação direta de cerca de 120 a 150 pessoas, entre famílias rurais, aprendizes e voluntários.
• Aproximadamente 40 a 60 mutirões realizados desde 2022, com média de 10 a 20 participantes por encontro.
• Envolvimento ativo de 20 a 25 sítios na Rede Rebrota.
• Implantação e manejo de cerca de 25 hectares em diferentes estágios de agrofloresta e hortas consorciadas.
• Produção anual estimada de 8 mil a 12 mil mudas nos viveiros comunitários.
• Cerca de 80 a 100 pessoas formadas diretamente em práticas agroflorestais e organização comunitária.
• Realização de reuniões online periódicas (com atas) e encontros presenciais, com taxa de continuidade dos sítios acima de 90%.
Resultados qualitativos
Os mutirões fortaleceram vínculos entre sítios que antes atuavam isoladamente, formando uma rede de apoio contínuo. Participantes relatam maior autonomia para manejar suas áreas, maior segurança para tomar decisões e compreensão mais profunda dos princípios agroflorestais. Os cadernos de campo mostram melhoria da cobertura do solo, retorno da biodiversidade, aumento da infiltração de água e redução da dependência de insumos.
Há destaque para o protagonismo feminino, com mulheres atuando na facilitação, no uso de ferramentas, na gestão dos viveiros e nas decisões coletivas. Jovens também assumiram papel ativo na condução das atividades. O clima dos mutirões é marcado por cooperação, acolhimento e sensação de pertencimento, reforçando valores de bem viver e cuidado com o território.
Formas de acompanhamento
O monitoramento é coletivo e contínuo: atas das reuniões online, registros fotográficos, vídeos, cadernos de campo, avaliações ao final de cada mutirão e um encontro anual de todos os sítios para revisar o ciclo e planejar o ano seguinte. Esse conjunto permite acompanhar a evolução das áreas, a participação e os impactos sociais, ambientais e formativos da rede.
Público atendido
Adulto
Agricultores Familiares
Desempregados
Empreendedores
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
População em Geral
Pequenos Produtores Rurais
Trabalhadores Rurais
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