Objetivo
Promover processos educativos participativos que integrem arte, educação ambiental e território por meio do muralismo coletivo com tintas de terra, fortalecendo o vínculo das pessoas com o lugar onde vivem, valorizando saberes locais e estimulando a apropriação de tecnologias sustentáveis, de baixo custo e baixo impacto ambiental por escolas e comunidades.
Problema Solucionado
A Tecnologia Social foi criada para responder à demanda por práticas educativas participativas que utilizem materiais acessíveis e sustentáveis, promovam a conscientização socioambiental e fortaleçam o vínculo das pessoas com o território em que vivem. Em muitos contextos escolares e comunitários, especialmente em áreas rurais e em territórios de comunidades tradicionais, observa-se o distanciamento entre escola, comunidade e ambiente, a desvalorização dos saberes locais e a dependência de materiais industriais de alto custo e impacto ambiental. A experiência da instituição demonstra que a escola pode atuar como vetor de transformação social quando adota metodologias conectadas à cultura, à identidade e aos recursos disponíveis localmente. A ausência de tecnologias educativas de baixo custo, sistematizadas e reaplicáveis limita o acesso a processos formativos mais integradores. O Muralismo de Aprendizagem Coletiva com Tintas de Terra pode ser implantado em escolas e espaços culturais para enfrentar essas situações, promovendo o reconhecimento das cores da terra como expressão da identidade local, a valorização dos recursos naturais e a construção coletiva de conhecimentos.
Descrição
O Muralismo de Aprendizagem Coletiva com Tintas de Terra é uma tecnologia social que integra duas dimensões complementares: uma metodologia educacional participativa, baseada no muralismo como ferramenta de aprendizagem coletiva, e uma tecnologia técnica de produção de tintas naturais a partir de solos locais. Sua implantação articula arte, educação ambiental e território, promovendo processos formativos de baixo custo, baixo impacto ambiental e alta capacidade de reaplicação.
A tecnologia foi desenvolvida a partir da trajetória da proponente, artista e educadora ambiental que, desde 2015, atua em projetos sociais e educativos relacionados ao uso de pigmentos naturais e metodologias participativas em escolas, comunidades tradicionais e instituições públicas. Essa experiência foi sistematizada no projeto Cores da Terra, Contos do Mar, contando com a mediação institucional do Sesc Paraty, que possui histórico consolidado de atuação cultural, educativa e social no município.
Em Paraty, o Sesc já está presente há anos, desenvolvendo ações continuadas com escolas, artistas, educadores e comunidades locais. A implantação da tecnologia ocorreu em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, que identificou a demanda por práticas pedagógicas baseadas no uso de materiais sustentáveis e indicou a Escola Municipal Cilencina Rubem de Oliveira Mello como instituição parceira, por atender estudantes de comunidades caiçaras, quilombolas, indígenas e rurais.
A metodologia da tecnologia social está organizada em etapas claras, sequenciais e reaplicáveis:
1. Mobilização e escuta da comunidade escolar: realização de reuniões e rodas de conversa com direção, professores, estudantes e comunidade para apresentação da proposta, escuta de expectativas e definição conjunta dos objetivos do mural.
2. Investigação do território e coleta de solos: mapeamento coletivo dos locais de coleta, observação das cores e características dos solos, discussão sobre o território, o ambiente e as histórias locais.
3. Produção coletiva das tintas de terra: secagem, destorroamento, peneiramento e mistura dos solos com água e cola PVA, seguindo proporções simples e acessíveis. Essa etapa integra conhecimentos científicos e saberes tradicionais, promovendo aprendizagem prática.
4. Criação participativa do desenho do mural: oficinas de desenho e composição, escolha coletiva dos temas e símbolos que representam a identidade, a cultura e as memórias do território.
5. Pintura coletiva do mural: execução colaborativa do mural, com organização de grupos, uso das tintas produzidas e acompanhamento de artista-educador(a).
6. Registro, avaliação e socialização: documentação fotográfica e audiovisual, rodas de avaliação coletiva e compartilhamento dos resultados com a comunidade.
Todo o processo está sistematizado em cartilha metodológica, com ferramentas de planejamento, execução e avaliação, permitindo que escolas e instituições se apropriem da tecnologia de forma autônoma.
A participação da comunidade ocorre em todas as etapas. A direção escolar indicou professores para atuar diretamente no projeto; um artista local, servidor da própria escola, integrou o processo criativo; e lideranças comunitárias, como Dona Nieide, transmissora de saberes e memórias locais, participaram do diálogo com os estudantes. As decisões sobre temas, locais de coleta, desenho e execução do mural são tomadas coletivamente.
A interação entre organização, escola e comunidade é horizontal, baseada na troca de saberes científicos e tradicionais e na valorização dos conhecimentos locais. A escola atua como vetor de transformação social, ampliando os impactos para além do ambiente escolar.
Como evidências de impacto positivo, participaram diretamente cerca de 40 estudantes, dois professores da escola, dois educadores de outras instituições, um artista local e uma liderança comunitária. Há registros e depoimentos que indicam fortalecimento do vínculo com o território, valorização dos recursos locais e engajamento dos participantes. Destacam-se ainda desdobramentos espontâneos, como a apropriação da tecnologia por três famílias de Paraty, que passaram a produzir e utilizar tintas de terra em suas casas, e pela Biblioteca Comunitária do Ponto de Cultura Caiçaras de Tarituba, que realizou de forma autônoma um mural com tintas de terra, comprovando a efetividade, a replicabilidade e o impacto social da tecnologia.
Recursos Necessários
Recursos humanos:
– 1 coordenador(a)/facilitador(a) do processo, responsável pelo planejamento, condução das oficinas, mediação comunitária e sistematização;
– 1 artista-educador(a), responsável pela criação coletiva do desenho e acompanhamento da pintura do mural;
– educadores da instituição parceira, que atuam como apoio pedagógico e articulação local ao longo do processo.
Recursos materiais:
Solos locais para produção das tintas (coleta no entorno, sem custo).
Água.
Cola branca PVA (aprox. 15% do volume de terra utilizada).
Baldes plásticos (5 L e 10 L).
Peneiras (malha fina, aprox. 2 mm).
Sacolas ou recipientes para coleta de terra.
Fita crepe.
Papelão ou lona para proteção do piso.
Potes plásticos (500 ml ou garrafas PET) para armazenamento das tintas.
Panos, esponjas e materiais de limpeza.
EPI simples (luvas, máscaras contra poeira, aventais).
Ferramentas e equipamentos
Enxada, enxadinha ou pá para coleta dos solos.
Soquetes de madeira ou pedras para destorroamento da terra.
Furadeira elétrica com haste de batedeira para mistura das tintas.
Extensão elétrica.
Pincéis de diferentes espessuras.
Rolos de pintura e bandejas (quando necessário).
Espátulas, escovas de aço e lixas para preparo da parede.
Escadas ou andaimes (quando for o caso).
Parede adequada para o mural.
Espaço ventilado para preparo das tintas.
Acesso à água e energia elétrica.
Local para armazenamento temoporário dos materiais.
Resultados Alcançados
Participaram diretamente do processo cerca de 40 estudantes do ensino fundamental, 2 professores da escola parceira, 2 educadores de instituições convidadas, 1 artista local e 1 liderança comunitária, totalizando aproximadamente 46 participantes diretos. Indiretamente, o projeto alcançou familiares, moradores do entorno e frequentadores da escola, ampliando o alcance social da tecnologia.
Como resultados quantitativos, foi realizada a produção coletiva de tintas naturais a partir de solos locais, a criação e execução de 1 mural coletivo em espaço escolar, a criação de uma cartilha sobre produção de tintas de terra por uma das turmas participantes e a formação prática dos participantes em todas as etapas da metodologia: coleta, preparo das tintas, criação do desenho e pintura. Destacam-se ainda 2 reaplicações espontâneas da tecnologia: três famílias de Paraty passaram a produzir e utilizar tintas de terra em suas próprias casas, e a Biblioteca Comunitária do Ponto de Cultura Caiçaras de Tarituba realizou, de forma autônoma, um mural com tintas de terra, evidenciando a capacidade de apropriação e replicabilidade da tecnologia.
Os resultados qualitativos incluem o fortalecimento do vínculo dos estudantes com o território, a valorização das cores da terra como expressão da identidade local e o reconhecimento dos saberes tradicionais, especialmente por meio do diálogo com lideranças comunitárias. Relatos de professores e estudantes indicam aumento do engajamento nas atividades escolares, maior interesse por temas ambientais e percepção ampliada sobre o uso consciente dos recursos naturais. A criação coletiva do mural foi percebida como experiência de cooperação, pertencimento e expressão cultural.
O acompanhamento dos resultados foi realizado por meio de registros fotográficos e audiovisuais, rodas de conversa avaliativas ao final do processo e coleta de depoimentos qualitativos da comunidade escolar. Esses instrumentos permitiram identificar mudanças de percepção, aprendizagens adquiridas e impactos sociais, servindo também como base para a sistematização da tecnologia e sua replicação em outros contextos.
Público atendido
Alunos do Ensino Fundamental
Lideranças Comunitárias
Povos Tradicionais
Professores do Ensino Fundamental
Adulto
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