Objetivo
Fortalecer o protagonismo feminino de mulheres indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais da Amazônia Tocantinense, por meio da valorização cultural, da inclusão socioeconômica e da geração de renda sustentável, utilizando o artesanato, a bioeconomia e a economia criativa como instrumentos de transformação social.
Objetivos específicos
Identificar e mapear mulheres indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais empreendedoras na Amazônia Tocantinense.
Capacitar as participantes em empreendedorismo, bioeconomia, economia criativa e uso de ferramentas digitais.
Mapear mulheres indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais empreendedoras; capacitar as participantes em empreendedorismo, bioeconomia, economia criativa e ferramentas digitais; promover a comercialização direta e justa do artesanato por meio de plataforma digital colaborativa; incentivar a participação em feiras culturais; valorizar saberes tradicionais
Problema Solucionado
Mulheres indígenas e quilombolas da Amazônia enfrentam dificuldades históricas para garantir renda digna e reconhecimento de seus saberes tradicionais. Atuando majoritariamente no artesanato e na produção comunitária, elas lidam com barreiras como acesso limitado a mercados, dependência de atravessadores, baixa remuneração, falta de capacitação em gestão e tecnologia e invisibilidade cultural. Segundo o IBGE (PNAD Contínua, 2023), mulheres pretas e pardas recebem, em média, 40% menos que homens brancos no Brasil, desigualdade ainda mais acentuada em territórios rurais. No Tocantins, a pobreza atinge 33% da população quilombola e 47% das famílias indígenas (Censo 2022), comprometendo a autonomia econômica e perpetuando desigualdades de gênero e raça.
Descrição
A tecnologia social Mulheres Empreendedoras da Amazônia foi sistematizada a partir da experiência prática do Instituto Terra Dourada na atuação com cultura, empreendedorismo feminino e economia criativa em territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais do Tocantins. O processo combina metodologias participativas, uso de tecnologias digitais acessíveis e valorização dos saberes tradicionais, garantindo protagonismo comunitário e sustentabilidade social, econômica e cultural.
A sistematização está organizada em quatro etapas interdependentes, que podem ser aplicadas de forma gradual ou integrada, conforme a realidade de cada território:
1. Mobilização e mapeamento comunitário
A primeira etapa consiste na identificação e mobilização de mulheres indígenas, quilombolas e tradicionais que atuam com artesanato, bioeconomia e produção cultural. O mapeamento é realizado em diálogo com lideranças locais, associações comunitárias e coletivos culturais, respeitando a organização social e os saberes do território. São levantadas informações sobre perfil produtivo, técnicas tradicionais, necessidades formativas e potencial de mercado.
2. Formação e fortalecimento de capacidades
Na segunda etapa, as mulheres participam de capacitações em empreendedorismo comunitário, economia criativa, bioeconomia, precificação justa, organização produtiva e marketing digital. As formações utilizam linguagem acessível, metodologias colaborativas e exemplos práticos, considerando os contextos culturais e os níveis de acesso à tecnologia. O objetivo é ampliar a autonomia econômica e a capacidade de gestão dos próprios negócios.
3. Plataforma digital e comercialização direta
A terceira etapa envolve o uso da plataforma digital empreendedorasdaamazonia.com, desenvolvida como um e-commerce colaborativo e vitrine virtual. As participantes recebem apoio para cadastro, organização de produtos, definição de preços e divulgação. A comercialização direta elimina atravessadores, garante remuneração mais justa e amplia o acesso a mercados regionais e nacionais, promovendo inclusão digital e sustentabilidade econômica.
4. Valorização cultural, visibilidade e redes
A quarta etapa fortalece a dimensão cultural da tecnologia social por meio da participação em feiras culturais, eventos e da produção da websérie documental Mulheres Empreendedoras da Amazônia. O audiovisual registra histórias de vida, processos produtivos e saberes tradicionais, ampliando a visibilidade das mulheres, fortalecendo a identidade cultural e sensibilizando o público consumidor para o valor social e cultural dos produtos.
A sistematização integra monitoramento contínuo, com acompanhamento das participantes, avaliação dos resultados econômicos e sociais e ajustes metodológicos conforme os aprendizados do processo. O modelo é simples, de baixo custo, participativo e reaplicável, podendo ser adaptado a outros territórios da Amazônia Legal e do Brasil, respeitando as especificidades culturais e o protagonismo comunitário.
Essa tecnologia social contribui para a geração de renda, inclusão digital, valorização cultural, fortalecimento de redes solidárias e redução das desigualdades de gênero e raça, consolidando-se como uma estratégia sustentável de desenvolvimento territorial.
Recursos Necessários
Para a implantação de uma unidade da tecnologia social Mulheres Empreendedoras da Amazônia, são necessários recursos humanos, materiais e equipamentos adequados à realidade de territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, garantindo acessibilidade, participação comunitária e reaplicabilidade.
Recursos humanos: coordenação geral do projeto; articulador(a) comunitário(a) local; facilitador(a) de formação em empreendedorismo, bioeconomia e economia criativa; oficineiros(as) especializados(as) em artesanato, saberes tradicionais, marketing digital e audiovisual; filmmaker para gravação e edição dos episódios da websérie documental; assessoria técnica especializada para manutenção, suporte e melhorias contínuas da plataforma digital empreendedorasdaamazonia.com; apoio técnico em comunicação e gestão da plataforma; apoio administrativo e logístico.
Materiais e insumos: materiais pedagógicos para oficinas (papelaria, cartilhas e impressos); materiais para exposições e feiras culturais (banners, mesas, expositores e sinalização); insumos para organização e valorização da produção artesanal (embalagens e etiquetas); alimentação (lanches ou refeições) para encontros formativos e atividades presenciais.
Equipamentos e logística: computador ou notebook para gestão e atualização da plataforma; câmera digital ou smartphone; equipamentos básicos de áudio e iluminação para gravações; acesso à internet; projetor multimídia (opcional); equipamentos de som para eventos e feiras
Resultados Alcançados
O projeto Mulheres Empreendedoras da Amazônia já apresenta resultados concretos, mesmo estando em fase de consolidação. Foram mapeadas e mobilizadas 40 mulheres indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais atuantes no artesanato e na bioeconomia em diferentes territórios do Tocantins, fortalecendo o protagonismo feminino e a organização produtiva local.
As participantes passaram por processos de formação em empreendedorismo, economia criativa, precificação e uso de ferramentas digitais, ampliando seus conhecimentos sobre gestão, comercialização e valorização dos produtos. Como resultado, observou-se maior autonomia na definição de preços, melhoria na apresentação dos produtos e fortalecimento da identidade dos empreendimentos.
A plataforma digital empreendedorasdaamazonia.com encontra-se ativa e em fase de testes, com empreendedoras já cadastradas e produtos divulgados, possibilitando a comercialização direta, reduzindo a dependência de atravessadores e ampliando o acesso a mercados regionais e nacionais. O lançamento oficial da plataforma ocorreu em 09 de dezembro, consolidando o eixo tecnológico da iniciativa.
Na mesma data, foi realizada a Primeira Feira Cultural de Artesanato Mulheres Empreendedoras da Amazônia, dentro da Assembleia Legislativa do Tocantins, espaço institucional estratégico que ampliou a visibilidade das mulheres indígenas, quilombolas e tradicionais, fortaleceu redes de cooperação, gerou oportunidades reais de renda e promoveu intercâmbio cultural entre comunidades e consumidores.
Outro resultado relevante é a produção da websérie documental Mulheres Empreendedoras da Amazônia, que registra e divulga histórias de vida, práticas culturais e processos produtivos das participantes, fortalecendo a autoestima coletiva, a identidade cultural e o reconhecimento público dos saberes tradicionais.
De forma integrada, os resultados alcançados indicam avanços na geração de renda, inclusão digital, valorização cultural e fortalecimento de redes solidárias, demonstrando o potencial da tecnologia social para a redução das desigualdades de gênero e raça e sua reaplicabilidade em outros territórios.
Público atendido
- Artesãos
- Mulheres
- Povos Indígenas
- Quilombolas
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