Objetivo
Sensibilizar e capacitar para a formação de Educadores Comunitários Agroecológicos para que conscientizem a comunidade sobre a importância da preservação das abelhas nativas para a biodiversidade local.
Problema Solucionado
A região dos Distritos de Parelheiros e Marsilac, no extremo sul da cidade de São Paulo, é uma área de mananciais caracterizada pela extensa cobertura de Mata Atlântica, responsável por gerar parte do abastecimento de água da RMSP, que compõe a bacia do Guarapiranga. Nesses distritos, ao mesmo tempo que se observa uma significativa biodiversidade local e modo de vida predominantemente rural, prevalece um dos Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo de todo o município de São Paulo, além da enorme desigualdade social e escassas oportunidades de trabalho. Nesses distritos, a constante destruição das matas e a ocupação humana desordenada, seja ela decorrente do processo de urbanização natural de crescimento da metrópole de São Paulo ou ocasionada pelo surgimento de loteamentos clandestinos sobre as áreas periféricas de entorno (áreas florestadas, reservas e comunidades rurais) tem levado à extinção do ambiente natural de inúmeras abelhas sem ferrão. Diante desse quadro, é premente a necessidade de capacitação de pessoas que incentivem atividades econômicas sustentáveis e que protejam e conservem a biodiversidade local existente
Descrição
O Instituto Pedro Matajs acredita que o projeto Motirõ da Jataí, por meio da educação ambiental, contribui para as mudanças de atitudes e o despertar do ser humano para as ações positivas de preservação ambiental e da biodiversidade local. Para isso, o Instituto Pedro Matajs desenvolveu a metodologia utilizando as abelhas nativas sem ferrão como a ferramenta didática e uma estratégia de abordagem em campo, e a implementou neste projeto. Inicialmente, o grupo passa por um período de sensibilização e de capacitação sobre meliponicultora, agroecologia e de dinâmicas de campo aplicadas nos encontros quinzenais realizados na sede do Instituto Pedro Matajs. Nesses encontros, sob a orientação e acompanhamento pelos técnicos do projeto, o primeiro passo é aprender sobre a instalação do pasto apícola com plantas melíferas em suas propriedades para atraírem as abelhas nativas, preparando-as para se tornarem o modelo agroecológico a ser replicado, e abordando os temas: que por falta de conscientização ambiental, com o risco de reduzir as nascentes e com a degradação da Mata Atlântica, a extinção das abelhas nativas seria inevitável. O grupo debate com a equipe técnica e apresenta soluções para que o tema e as soluções possam ser abordados nas oficinas a serem realizadas mais adiante na comunidade, definindo itens de uma lista de valores, que é denominada “Valores do Motirõ da Jataí". No decorrer desses encontros quinzenais os educadores avaliam a necessidade de realizar palestras em UBSs, escolas e algumas associações. O que pode resultar em um ajuste, como ocorreu no nosso último projeto. Essa sugestão foi atendida e foram realizadas palestras em mais 43 parceiros que cederam seus espaços para os encontros na comunidade, de acordo com um cronograma previamente elaborado, atingindo aproximadamente 1.900 pessoas distribuídas entre jovens e adultos que assistiram as palestras e oficinas. Durante a realização das oficinas e palestras, os Educadores preenchem uma ficha de avaliação, da participação dos convidados e das sugestões apresentadas, para que nos encontros quinzenais seja possível realizar um monitoramento de forma participativa dos resultados obtidos, identificando principalmente as dificuldades que tiveram desde a visitação nas propriedades dos vizinhos e do acesso de locomoção dos convidados para as oficinas e palestras, por ser uma área rural sem disponibilidade de ônibus. Para a formação teórica o grupo conta com material didático elaborado pela equipe técnica passando pela revisão da coordenação pedagógica, além de diferentes dinâmicas presenciais e por meio de vídeos, material impresso e aulas EAD. A capacitação prática é realizada na sede do Instituto Pedro Matajs e no espaço cedido pelo parceiro Sitio Dourado, para a implantação do pasto apícola com plantas melíferas e da instalação da caixa racional com a colônia das abelhas nativas Jataí, compostagem e minhocário. O grupo elabora um mapa falante para a execução do espaço com as práticas agroecológicas numa atividade de mutirão assistido pela equipe técnica. Esse modelo implantado é a base para que o grupo prepare os pastos apícolas em suas propriedades e para a execução contam com as visitas dos técnicos do projeto para o devido planejamento. Após a formação do pasto apícola o grupo recebe as caixas com as abelhas nativas, com o acompanhamento da meliponicultora, que é a técnica responsável para orientar na prática os devidos cuidados de manejo das abelhas. E assim, o grupo de educadores está apto para a realização das atividades de campo na comunidade. O projeto Motirõ da Jataí, com duração de 18 meses, foi inscrito por várias mãos e mentes, mas visando ao mesmo objetivo: a valorização de ser humano conciliada com a conservação da biodiversidade local, de uma área de remanescente de Mata Atlântica no extremo sul da Cidade de São Paulo. Desde o lançamento do edital do FEMA a equipe do Instituto Pedro Matajs, já tinha em mente que era necessário elaborar e executar um projeto para que fosse possível incluir e dar continuidade das atividades para um grupo de agricultores familiares que detinham o conhecimento por meio do seu saber, obtido através de ancestralidade e de cursos sobre agroecologia em que haviam participado, denominado Grupo Cultivar. Eles já eram multiplicadores das práticas agroecológicas e precisavam passar por uma formação para que se transformassem em Educadores Comunitários Agroecológicos. Na reunião ocorrida em março de 2009, com a coordenação do Instituto Pedro Matajs, dos participantes do Grupo Cultivar, dos membros da ITCP/USP e da professora Valeria de Marcos/USP, foi apresentada a proposta que passou por avaliação, correções e sugestões e a escrita final ficou a cargo de um grupo de trabalho de definido na reunião e apresentada ao FEMA- Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável/SVMA/PMSP, que aprovou a proposta em 2011.
Recursos Necessários
Os recursos necessários para a implantação da Tecnologia Social estão divididos em:
1- Recursos Humanos para a equipe técnica formada por: Coordenadora executiva é a responsável pela implantação da metodologia, monitoramento e avaliação dos resultados; Coordenadora Pedagógica é a responsável pela elaboração e revisão de todo material didático implantado; Técnico agroecológico é o responsável pelas aulas teóricas, das atividades de campo e a implantação dos pastos apícolas, Técnica em meliponicultura é a responsável pelas aulas teóricas e a implantação e manejo das caixas racionais com as abelhas nativas sem ferrão nas propriedades; Facilitadora para a elaboração e aplicação das dinâmicas de sensibilização. De 10 Educadores Comunitários Agroecológicos, que após a formação da capacitação teórica e prática, irão atuar em campo com a comunidade do seu entorno para a realização das oficinas e receberão uma ajuda de custo mensal
2- Recursos materiais:
a) São necessários os insumos para a implantação de 10 pastos apícolas: substrato, húmus de minhoca, sementes e mudas melíferas, caixas racionais e colônias de abelhas nativas formadas.
b) Material didático para uso nas aulas teóricas, nas oficinas e atividades em campo: apostilas, papel sulfite e impressos em geral.
c) Material de divulgação: Elaboração dos folders, convites, banner e placas de identificação
d) Locomoção necessária para as visitações e oficinas, refeições e lanches da equipe e educadores
Resultados Alcançados
A proposta inicial previa o envolvimento de 150 pessoas no total. Mas, nas visitações pelos educadores na comunidade e a divulgação do projeto, houve a possibilidade de envolver em torno de 1.900 pessoas de diferentes faixas etárias, diferentes classes sociais e culturais, que compareceram nas oficinas e palestras realizadas nos 43 parceiros. Não foi possível precisar corretamente de forma quantitativa, pois apesar das fotos, vídeos e dos participantes assinarem a lista de presença, muitos não o fizeram pois deparamos com pessoas que não sabiam escrever, mas estavam atentos ao tema desenvolvido nos encontros
Sabemos que mais que quantidade, vale a qualidade, por isso, nos atentamos a esse fator. Ao final das oficinas fazíamos uma avaliação para destacarmos falhas e resultados e assim aprimorar o que fosse necessário e registrar os pontos e estratégias que repercutiram num resultado positivo. Houve um momento em que ficamos desanimados? Sim, ocorreu uma oficina que saímos frustrados, pois percebemos que nesse local e para esse público-alvo não conseguiríamos dar continuidade ao trabalho; não por falta de vontade da equipe, mas por falta de comprometimento do público. O motivo? Queriam que implantássemos o pasto apícola e déssemos a manutenção.O que fazer diante do ocorrido? Lançar a semente e aguardar germinar. E foi o que aconteceu, algumas pessoas procuraram o educador e solicitaram informações para aplicarem em suas residências.
Temos depoimentos de vários participantes ao término das oficinas, citamos alguns: A esposa de Sr. Edmundo D. Dalva disse: “Este foi o projeto que mais gostei e vi resultado. Mudou até o Edmundo, pois ele não arranca mais as minhas plantinhas, que antes eu ficava triste com ele; agora é diferente”. No Sponchiado, o Sr. Pedro disse: “Mas se hoje não estive aqui morreria, sem saber a importância das abelhas”. Na Mara, o marido da Sra. Lourdes, comentou com a Leila “Que dia lindo!” E Leila respondeu: “É mesmo. Estamos indo embora e o sol ainda nos acompanha” E ele então disse: “Não é isso, e sim o que hoje aprendi.”
Na oficina realizada na Aldeia Tenondê Porã, houve uma troca profunda de conhecimentos e valorização da cultura indígena com seus saberes em relação a cuidar da mata, mas também da nossa mente e do nosso interior
E, o principal foi o depoimento do antes e do depois da participação de cada educador no projeto registrado na publicação do livro Motirõ da Jataí – De Multiplicadores a Educadores Comunitários Agroecológicos
Público atendido
Agricultores Familiares
Adulto
Alunos do Ensino Fundamental
Lideranças Comunitárias
Trabalhadores Rurais
Comentários