Objetivo
Promover a inclusão produtiva e a geração de trabalho e renda de populações em situação de vulnerabilidade, especialmente mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, por meio de uma metodologia de formação comunitária em construção civil, prática e acessível, que fortaleça a autonomia econômica, a melhoria das condições habitacionais e a redução das desigualdades sociais.
Problema Solucionado
A Tecnologia Social foi criada para enfrentar a exclusão produtiva e a dificuldade de acesso ao trabalho digno e à renda em territórios periféricos, especialmente entre mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, grupos historicamente afastados do setor da construção civil. Esse cenário é agravado por desigualdades educacionais, baixa escolaridade e barreiras estruturais de gênero, raça e identidade de gênero, que limitam o acesso a formações técnicas convencionais e ao mercado de trabalho formal. Paralelamente, observa-se a precariedade habitacional em comunidades vulneráveis, com moradias inadequadas e ausência de manutenção básica, o que compromete a qualidade de vida e a segurança das famílias.
A Metodologia ReforAMAR de Formação Comunitária em Construção Civil pode ser implantada em contextos marcados por desemprego, informalidade e déficit habitacional, onde existam demandas por qualificação profissional prática e por melhorias em moradias ou espaços coletivos. A tecnologia atua ao mesmo tempo na formação para o trabalho e na melhoria das condições habitacionais, utilizando a prática em ambientes reais como estratégia pedagógica e de impacto social.
Descrição
A ReforAMAR é uma associação sem fins lucrativos criada em 2018, no Rio Grande do Norte, a partir de uma experiência pessoal transformadora de sua fundadora, Fernanda. Inspirada por seu tio pedreiro e financiada por uma bolsa conquistada enquanto estudante do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Fernanda reformou sua própria casa em 2017, vivenciando diretamente o impacto que uma moradia digna exerce sobre a autoestima, a segurança e a qualidade de vida. Essa vivência evidenciou a construção civil como potente ferramenta de justiça social e motivou a criação de uma iniciativa coletiva voltada à democratização do acesso à moradia digna e à qualificação profissional.
Desde então, a ReforAMAR atua na promoção da dignidade por meio de reformas solidárias e capacitações profissionais, fomentando cultura local, sustentabilidade e voluntariado técnico. A organização desenvolve suas ações prioritariamente em territórios periféricos, com foco em famílias chefiadas por mulheres, populações negras, pessoas LGBTQIAPN+ e organizações comunitárias que prestam serviços essenciais. Ao longo de sua trajetória, já realizou mais de 68 reformas em lares e instituições sociais, impactando direta e indiretamente mais de 50 mil pessoas em todo o estado, além de promover mais de 25 cursos profissionalizantes na área da construção civil, capacitando cerca de 250 pessoas ao ano.
A Metodologia ReforAMAR de Formação Comunitária em Construção Civil foi sistematizada a partir dessa experiência acumulada no território e estruturada para ser acessível, reaplicável e adaptável a diferentes contextos. Sua implantação ocorre em etapas integradas. O processo inicia-se com a mobilização comunitária e a escuta ativa, por meio de reuniões com lideranças locais, associações de moradores e beneficiários, visando identificar demandas prioritárias, selecionar participantes e definir os espaços onde ocorrerão as práticas. Essa escuta orienta tanto os conteúdos formativos quanto as intervenções práticas, garantindo aderência à realidade local.
A metodologia combina formação teórica acessível com prática intensiva, adotando o princípio do aprender fazendo. Aproximadamente 70% da carga horária é destinada à prática aplicada em lares reais da comunidade ou em espaços coletivos, enquanto a teoria é trabalhada de forma contextualizada, com linguagem simples e materiais didáticos intuitivos e ilustrativos, permitindo a participação de pessoas com diferentes níveis de escolaridade, inclusive não alfabetizadas. A prática em ambientes reais fortalece a autonomia das participantes, pois permite que desenvolvam competências diretamente em contextos que refletem seu cotidiano e os desafios concretos do território.
A participação comunitária ocorre de forma contínua ao longo de todo o processo. Moradores acompanham as intervenções, contribuem com saberes locais, participam das decisões sobre prioridades e avaliam os resultados alcançados. A interação da organização com a comunidade se dá em regime de corresponsabilidade, por meio de canais permanentes de diálogo, como reuniões presenciais, grupos de comunicação e rodas de avaliação ao final de cada ciclo formativo. Esse modelo fortalece vínculos, promove pertencimento e amplia o impacto social da tecnologia.
Um elemento central da metodologia é a formação de multiplicadores. Participantes que demonstram maior engajamento e domínio técnico são estimuladas a atuar como monitoras e, posteriormente, como instrutoras em novas turmas, criando oportunidades concretas de trabalho e assegurando a continuidade da tecnologia no território. Ao final dos ciclos, são integrados módulos de empreendedorismo, abordando organização do trabalho, precificação, gestão financeira e economia solidária, ampliando as possibilidades de geração de renda autônoma.
A tecnologia já foi aplicada em diferentes contextos, incluindo comunidades periféricas, unidades prisionais, centros socioeducativos e parcerias com organizações da sociedade civil e órgãos públicos, demonstrando sua flexibilidade e reaplicabilidade. Indicadores como taxas médias de presença superiores a 75%, altos índices de satisfação das participantes, relatos de inserção produtiva e melhoria das condições habitacionais servem como evidências do impacto positivo da metodologia. Esses dados são coletados por meio de listas de presença, questionários, rodas de feedback e acompanhamento pós-formação, assegurando monitoramento contínuo e aprimoramento da tecnologia social.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da Metodologia ReforAMAR de Formação Comunitária em Construção Civil demanda recursos materiais e humanos de baixo custo, sem comprometer a qualidade técnica e pedagógica. A tecnologia se estrutura a partir de parcerias com lojas de materiais de construção, construtoras, madeireiras, empreiteiras e pessoas físicas, que contribuem com doações de materiais novos ou em boas condições de uso, como tintas, pisos, revestimentos, louças, portas, janelas, madeira e ferragens, reduzindo custos e promovendo sustentabilidade.
Os recursos humanos incluem instrutores com experiência prática em construção civil, coordenação local, apoio pedagógico e monitoras formadas em ciclos anteriores, todas as funções devidamente remuneradas, assegurando trabalho digno e continuidade da tecnologia nos territórios.
A infraestrutura mínima contempla sala de aula confortável e acessível para atividades teóricas e práticas iniciais e um laboratório aberto para práticas assistidas, preparando as participantes para a atuação em campo. São necessários kits de ferramentas manuais, equipamentos de proteção individual, materiais didáticos ilustrativos e insumos de consumo.
A logística envolve transporte para deslocamento de materiais, ferramentas e das participantes, garantindo acesso, segurança e regularidade das atividades. Esse conjunto de recursos viabiliza a implantação da tecnologia com investimento reduzido, qualidade e potencial de reaplicação.
Resultados Alcançados
A implantação da Metodologia ReforAMAR de Formação Comunitária em Construção Civil apresenta resultados expressivos, quantitativos e qualitativos, evidenciando a efetividade da tecnologia social em diferentes contextos. Até o momento, mais de 500 pessoas foram capacitadas diretamente por meio de cursos e formações realizados em comunidades periféricas, unidades prisionais, centros socioeducativos e em parceria com organizações da sociedade civil e órgãos públicos. De forma indireta, estima-se que mais de 50 mil pessoas tenham sido impactadas pelas melhorias habitacionais e pelos efeitos da geração de renda nos territórios atendidos.
Entre os resultados quantitativos, destaca-se uma taxa média de presença de aproximadamente 78% ao longo dos ciclos formativos, indicador relevante diante das múltiplas vulnerabilidades do público atendido. As atividades práticas, eixo central da metodologia, alcançaram índice de aprovação superior a 90%, sendo avaliadas como dinâmicas, compreensíveis e aplicáveis ao cotidiano. Cerca de 80% das participantes relataram que a formação atendeu plenamente ou superou suas expectativas iniciais, especialmente quanto à autonomia para execução de reparos, prestação de serviços e geração de renda.
Os resultados qualitativos indicam impactos significativos na autoestima, na confiança profissional e no sentimento de pertencimento das participantes. Relatos apontam a superação do medo de atuar em um setor historicamente masculinizado, o reconhecimento das próprias capacidades técnicas e a valorização do aprendizado construído a partir da prática em ambientes reais. A aplicação dos conhecimentos em lares vulneráveis da própria comunidade foi destacada como elemento central para a aprendizagem e para a confiança no exercício profissional.
O acompanhamento dos resultados é realizado de forma sistemática e participativa, por meio de listas de presença, questionários de avaliação, rodas de feedback, registros fotográficos e monitoramento pós-formação. Esse processo inclui contato direto com as participantes para identificar inserção produtiva, atuação autônoma e participação como monitoras ou instrutoras em novos ciclos, assegurando avaliação contínua e aprimoramento da tecnologia social.
Público atendido
Mulheres
Afrodescendentes
Adulto
Analfabetos
Desempregados
Famílias de Baixa Renda
Jovens
Operários da Construção Civil
População Carcerária
Trabalhadores Autônomos
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