Objetivos específicos
Objetivo Geral:
A Metodologia de Formatação e Posicionamento de Mercado do Etno e Ecoturismo em Aldeias Indígenas objetiva estabelecer um compasso de ações construído empiricamente com 8 aldeias Haliti-Paresi, contribuindo com o fortalecimento do empreendedorismo dos povos originários, impulsionando negócios sustentáveis.
Objetivos Específicos:
Gerar protagonismo do indígena nas relações socioeconômicas; Melhorar a infraestrutura das aldeias; Fortalecer a cultura e avivar a história da etnia através da repetição dos costumes nas vivências com turistas; Manter as futuras gerações conhecedoras e engajadas na história, cultura e costumes; Ordenar o acesso de visitantes gerando uso sustentável dos recursos naturais; Oportunizar postos de trabalho e ganhos através do ecoturismo, pesca esportiva e etnoturismo; Gerar renda garantindo a repartição justa entre os atores das comunidades; Engajar os turistas nas causas indígenas e nas questões de sustentabilidade; Contribuir com uma sociedade mais justa.
Problema Solucionado
A experiência do Sebrae Mato Grosso na formatação de ofertas turísticas demonstrou que ações isoladas não são suficientes para estruturar produtos turísticos sustentáveis e competitivos em territórios de base comunitária. No contexto das aldeias indígenas, essa limitação é ainda mais sensível, pois os valores que orientam os povos aldeados estão fundamentados na ancestralidade, na coletividade e no bem comum.
A metodologia passou a enfrentar problemas recorrentes como a fragmentação das ações, o distanciamento entre planejamento e operação, a criação de expectativas irreais de geração de renda, a falta de preparo para a gestão da atividade turística e a implantação de experiências sem viabilidade real de mercado. Sem acompanhamento estratégico e contínuo, essas iniciativas tendem a não alcançar maturidade suficiente para atrair visitantes e gerar benefícios coletivos consistentes.
Outro desafio tratado foi o descompasso entre o tempo institucional e o tempo comunitário. A metodologia reconhece que cada aldeia possui seu próprio ritmo de compreensão e decisão, sendo essencial respeitar o processo gradual de construção da autonomia sobre o turismo. Paralelamente à elaboração participativa do Plano de Visitação Turística, conforme a Instrução Normativa Funai nº 3/2015, a metodologia atua na implantação prática das experiências, na capacitação das pessoas e na construção de uma linguagem empreendedora compatível com os valores comunitários, assegurando viabilidade turística, fortalecimento cultural e geração de renda coletiva; buscando sempre resultados com a participação ativa da comunidade indígena, construindo “com”, jamais fazendo “para”.
Descrição
APRESENTAÇÃO
A metodologia foi construída de forma empírica ao longo de três anos de atuação contínua junto a oito aldeias do povo Haliti-Paresi, no estado de Mato Grosso. Esse processo ocorreu no contexto do apoio do Sebrae Mato Grosso à elaboração dos Planos de Visitação Turística, conforme estabelecido pela Instrução Normativa nº 3/2015 da Funai, desenvolvidos de maneira concomitante a consultorias, instrutorias, missões técnicas e ações de benchmarking. Essa combinação de iniciativas permitiu estruturar uma cadência de atuação eficaz, aplicável a comunidades indígenas, respeitando as particularidades culturais, sociais e comportamentais de cada povo.
A metodologia promove a igualdade étnico-racial ao fortalecer a autonomia socioeconômica dos povos originários por meio do turismo, incentivando o empreendedorismo baseado no aprendizado contínuo e na valorização das relações coletivas que fundamentam a vida em aldeias. Ao reconhecer e respeitar os modos de organização social indígenas, o turismo passa a ser um instrumento de fortalecimento cultural, preservação territorial e geração de renda com equidade.
EIXOS DE ATUAÇÃO
De forma sistêmica, o Sebrae Mato Grosso estruturou sua atuação a partir de um fluxo metodológico integrado que se inicia com a aplicação das premissas de atuação. Uma vez confirmada a viabilidade, avançam-se as etapas de formatação dos produtos turísticos e posicionamento de mercado, realizadas de maneira concomitante à elaboração do Plano de Visitação Turística conforme a IN nº 3/2015 da Funai. Em paralelo, são desenvolvidas ações de planejamento, inventário da oferta, fortalecimento da governança comunitária e ordenamento da atividade, com acompanhamento contínuo por meio de monitoramento e aperfeiçoamento dos resultados.
PREMISSAS DE ATUAÇÃO
As premissas que orientam a metodologia compreendem a clareza quanto aos demandantes e à anuência da comunidade indígena, a sondagem de viabilidade de mercado e a observância das legislações e normas aplicáveis. A confirmação da viabilidade resulta de uma análise técnica que permite identificar desafios, oportunidades e possíveis entraves à geração de resultados. Esse processo considera a disponibilidade de recursos humanos e financeiros e, quando necessário, conduz à conclusão pela inviabilidade da formatação turística, assegurando transparência nos compromissos assumidos pelo Sebrae e evitando expectativas irreais junto às comunidades.
FORMATAÇÃO DO PRODUTO
O Sebrae Mato Grosso adota uma abordagem aprofundada na formatação de produtos turísticos, superando práticas superficiais restritas a diagnósticos isolados. O processo exige acompanhamento contínuo e, em muitos casos, a atuação de especialistas diversos para promover as transformações necessárias. O tempo de formatação varia conforme a necessidade de adequações estruturais, resgate de referências históricas e culturais e qualificação das pessoas envolvidas.
As aldeias indígenas frequentemente ofertam atividades de ecoturismo em áreas naturais, como trilhas ecológicas, mirantes, áreas balneares, canoagem, rafting, flutuação, observação de aves e pesca esportiva. No etnoturismo, destacam-se vivências relacionadas à cultura e aos costumes, como experiências gastronômicas, danças e cânticos tradicionais, artesanato, rituais, visitas a moradias tradicionais, pinturas corporais, contação de histórias, práticas agrícolas e saberes tradicionais. Ressalta-se que determinados elementos culturais, por seu caráter sagrado, não são convertidos em produtos turísticos, sendo integralmente respeitados.
POSICIONAMENTO DE MERCADO
O posicionamento de mercado é tratado como etapa estratégica para diferenciar a oferta turística indígena, definindo públicos-alvo, polos emissores, jornada do consumidor e relações B2B e B2C. A metodologia assegura que o posicionamento seja realizado somente após a formatação consciente da oferta, garantindo coerência entre produto, público e comunicação.
FINALIZAÇÃO DO PLANO DE VISITAÇÃO
Como diferencial metodológico, o Plano de Visitação Turística é finalizado após a consolidação da formatação dos produtos e do posicionamento de mercado. Essa estratégia evita que o plano se torne apenas um documento formal, sem efetiva implementação. Ao construir o Plano em paralelo à prática do turismo, a metodologia assegura que a oferta esteja consolidada no momento da submissão à Funai, evidenciando a viabilidade real da atividade.
Resultados Alcançados
Anualmente, desde a etapa de aplicação das ações e construção participativa da metodologia, o Sebrae Mato Grosso elencou KPIs importantes para mensurar resultados.
A priori, tem o mapeamento de resultados das 8 aldeias que contribuíram com a formação da Metodologia, aquelas que hoje formam o Destino Parecis Etno & Ecoturismo. São elas: Quatro Cachoeiras, Wazare, Salto da Mulher, Rio Sacre, Chapada Azul, Otyahaliti, Sacre II – Salto Belo, e, Ponte de Pedra.
O acompanhamento é realizado por meio de entrevistas com lideranças locais, observação direta e consultas documentais, permitindo compreender de forma sistêmica a evolução dos empreendimentos turísticos e suas relações socioculturais, ambientais e econômicas. Até o momento, estão abaixo os resultados mensurados.
EIXO OFERTA
Atrativos (experiências turísticas) ofertados. 2022: 16 atividades | 2023: 35 atividades | 2024: 37 atividades | 2025: 27 atividades
Infraestrutura de apoio ao turista. 2022: 34 estruturas | 2023: 94 estruturas | 2024: 98 estruturas | 2025: 102 estruturas
EIXO AMBIENTAL
Práticas sustentáveis. 2022: 03 iniciativas | 2023: 27 iniciativas | 2024: 22 iniciativas | 2025: 30 iniciativas
EIXO SÓCIO CULTURAL
Estruturas, benfeitorias, e qualquer contribuição para a comunidade da aldeia como um todo. Obs.: à disposição da comunidade, advindas do turismo. 2022: 01 edificação | 2023: 01 edificação | 2024: 04 edificações | 2025: 08 edificações
Indígenas em postos de trabalho, ocupação direta. 2022: 38 pessoas | 2023: 148 pessoas | 2024: 148 pessoas | 2025: 165 pessoas
Trabalhos e fornecimentos terceirizados por outras aldeias, ocupação indireta. 2022: 12 pessoas | 2023: 68 pessoas | 2024: 40 pessoas | 2025: 22 pessoas
Indígenas graduados em turismo. 2022: nenhum registro| 2023: 01 bacharel | 2024: 08 técnicos | 2025: nenhum registro
Indígenas retornados à vida na aldeia em decorrência das oportunidades geradas pelo turismo. 2022: nenhum registro| 2023: 03 indígenas | 2024: 09 indígenas | 2025: 11 indígenas
EIXO MERCADO
Fluxo médio anual. Obs.: quantidade de turistas. 2022: 2.570 turistas | 2023: 7.520 turistas | 2024: 8.920 turistas | 2025: 10.100 turistas
Fluxo turístico advindo de relações B2C. 2022: 75% dos negócios| 2023: 52% dos negócios | 2024: 65% dos negócios | 2025: 45% dos negócios
Fluxo turístico advindo de relações B2B. 2022: 25% dos negócios| 2023: 48% dos negócios | 2024: 35% dos negócios | 2025: 55% dos negócios
Mercado emissor. Interno (Regional) – do estado Externo (Nacional); de outros estados brasileiros; Estrangeiro (Internacional) – de outros países. 2022: maioria interno | 2023: maioria externo | 2024: maioria externo | 2025: maioria externo
Presença digital. Obs.: quantidade de canais de distribuição de oferta online. Ex.: mídias sociais, OTAs, meta buscadores, outros. 2022: 06 canais | 2023: 21 canais | 2024: 24 canais | 2025: 35 canais
Presença em eventos do setor. 2022: 02 participações | 2023: 05 participações | 2024: 08 participações | 2025: 05 participações
EIXO ECONÔMICO
Ticket médio / por pessoa / por dia.
2022: R$ 20,00 | 2023: R$ 250,00 | 2024: R$ 250,00 | 2025: R$ 280,00
Faturamento (8 aldeias)
2022: R$ 308.400,00 | 2023: R$ 1.504.000,00 | 2024: 1.784.000,00| 2025: R$ 2.020.000,00
A análise dos eixos estratégicos evidencia um crescimento consolidado e diversificado do turismo no Destino Parecis Etno & Ecoturismo, refletindo amadurecimento da oferta, expansão de mercado, avanço na organização comunitária e crescimento da maturidade empresarial.
Público atendido
- As demandas chegam ao Sebrae nos mais variados formatos. Entretanto
- nos casos do etnoturismo é importante uma atenção especial para identificar se a comunidade indígena aciona o Sebrae com a parceria do Poder Público Municipal ou Estadual
- se existe aderência da Funai regional
- ou qualquer outro viés de apoio paralelo.É necessário certificar se internamente no núcleo indígena demandante existe o entendimento coletivo sobre o turismo
- confirmar relacionamento amistoso com a sociedade não indígena
- entendimento da língua portuguesa
- enquadramento como uma etnia pacificada e até mesmo a presença de organização interna estabelecida em associação ou cooperativa para regular a responsabilidade civil da atividade turística.Feito isso
- apresenta-se o compasso de ações da formatação e posicionamento de mercado
- realizando esclarecimentos de que toda a jornada atende a Instrução Normativa nº3/2015 da Funai e terá registros de decisões coletivas no Plano de Visitação Turística que será colocado em apreciação da Funai para busca da anuência do referido órgão.Com a consciência de que a adesão à Metodologia gera necessária proatividade da comunidade indígena
- pactua-se em documento assinado pelo cacique
- lideranças e comunidade
- a agenda de trabalho de acordo com o compasso de ações do método.Então
- cada ação gera entendimento
- aprendizado e definições da aldeia trabalhada
- que por consequência segue constando no Plano de Visitação. Não se avança etapas sem exaurir dúvidas e constatar o avanço da comunidade na modelagem do produto
- na aplicação de gestão cooperada com intenções coletivas
- e
- na construção de visão de mercado que os torna empresários dos próprios negócios.Nesse ritmo
- o Sebrae ajusta cada atuação à realidade de cada comunidade indígena
- respeitando o tempo de maturidade empresarial de cada qual
- e a segurança necessária para gerar a autonomia para os povos indígenas.
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