Objetivo
Promover o empoderamento feminino por meio da sociobioeconomia.
Problema Solucionado
As comunidades indígenas e tradicionais da Amazônia sofrem ameaças as suas vidas e territórios. O isolamento geográfico e a falta de cadeias produtivas estruturadas favorecem atividades predatórias e a dependência de atravessadores. O machismo estrutural agrava a vulnerabilidade feminina, resultando na concentração da renda quase exclusivamente masculina, o que limita o poder de decisão das mulheres sobre o sustento familiar e a gestão territorial. Altos índices de gravidez na juventude, interrompem ciclos escolares e reduzem as oportunidades de inserção econômica. Observa-se muitas mães-solo que, sem rede de apoio financeiro ou infraestrutura para o beneficiamento de produtos da floresta, veem-se presas a ciclos de empobrecimento e vulnerabilidade. A falta de valorização aos saberes ancestrais das mulheres impede que sua produção se transforme em autonomia. O problema central, portanto, é uma exclusão socioeconômica de gênero que desvaloriza o papel da mulher indígena e extrativista, sobrecarregando mães solo e jovens sem perspectivas, enquanto a floresta sofre pressões externas por falta de alternativas de economia regenerativa lideradas pelos povos-florestas (mulheres e jovens).
Descrição
Metodologia e Procedimentos de Implantação:
1. Histórico e Contexto Institucional: A AMPRAVAT é uma associação intercomunitária fundada em 1994, atuando na Reserva Extrativista (RESEX) Tapajós-Arapiuns. Abrange 13 localidades (como as aldeias/comunidades Vista Alegre, Surucuá e Aldeia Muratuba), representando famílias indígenas e extrativistas. Sua história é marcada pela defesa do território e pela promoção da organização social e econômica. A partir de 2020, com a pandemia, a instituição intensificou o foco na soberania alimentar e no resgate da ancestralidade, culminando na criação de produtos inovadores como o "vinho" de mandioca (Mani-Oara) e o tucupi preto (Manibé), focando na autonomia das mulheres.
2. Procedimentos de Implantação: Passo 1 – Fortalecimento Organizacional e Humano: A implantação começa com oficinas voltadas aos coletivos de mulheres nas aldeias. O foco inicial não é apenas produtivo, mas subjetivo: abordam-se temas de autocuidado feminino e estruturação da organização social. Esse passo é crucial para romper ciclos de invisibilidade e fortalecer a rede de apoio entre mulheres indígenas e extrativistas; Passo 2 – Estruturação das Cadeias de Valor (Diálogo de Saberes): Nesta fase, realizam-se oficinas técnicas que integram o conhecimento acadêmico à prática ancestral. Abrange desde o preparo das roças agroecológicas até o beneficiamento final (geleias, tucupi preto e bebidas fermentadas). A metodologia foca na padronização da qualidade para mercado, mantendo a identidade cultural Tupinambá; Passo 3 – Comercialização Coletiva e Geração de Renda: A tecnologia social estabelece um modelo de economia solidária. As mulheres comercializam sua produção diretamente para a AMPRAVAT, que centraliza a logística e distribuição. Porém, além do consumo pelas famílias produtoras elas mesmas podem comercializar. Atualmente, os canais de venda incluem feiras locais, espaços de parceiros estratégicos e vendas institucionais via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
3. Interação com a Comunidade e Participação: A interação é mediada por ferramentas de gestão transparente (como descritas no "Caderno 5"). Editais de convocação e assembleias garantem que a comunidade participe das decisões. As unidades de beneficiamento (casa de farinha comunitárias e cozinhas familiares) funcionam como espaços de troca geracional, onde há a interação entre os saberes e fazeres ancestrais com os conhecimentos acadêmicos.
4. Indicadores e Evidências de Impacto: a) Impacto Econômico: Substituição da venda de commodities de baixo valor (farinha comum) por produtos de alto valor agregado, garantindo que a renda permaneça no território e especificamente nas mãos das mulheres; b) Evidências na Mídia: O sucesso da metodologia é comprovado pelo reconhecimento público em veículos como UOL, Brasil de Fato e Jornal do Commercio, que destacam a inovação do vinho de mandioca Mani-Oara; c) Impacto Social: Redução da dependência de atravessadores e fortalecimento da governança feminina, conforme os modelos de registros e controles sistematizados no material institucional da associação.
Recursos Necessários
1. Recursos de Pessoal (Equipe Necessária)
Para que a Tecnologia Social funcione, é necessária uma equipe multidisciplinar que combine saberes tradicionais e técnicos: Lideranças Comunitárias/Articuladoras (Mulheres): Pelo menos 2 a 3 mulheres por localidade para coordenar os grupos de trabalho e garantir o foco no autocuidado e organização socialç; Mestras de Saberes Tradicionais: Mulheres anciãs que detêm o conhecimento sobre fermentação da mandioca e conservação de frutos; Facilitadores de Oficinas Técnicas: Profissionais com conhecimento em boas práticas de fabricação (BPF) e engenharia de alimentos (podem ser parceiros acadêmicos); Gestor de Negócios/Comercial: 1 pessoa responsável por gerenciar o PAA, feiras e a logística de distribuição da AMPRAVAT; Equipe de Produção: As próprias famílias associadas (mão de obra coletiva).
2. Recursos Materiais e Infraestrutura: Unidade de processamento equipada: Espaço Físico: Sala de processamento azulejada, com telas de proteção e bancadas de inox; Equipamentos: Trituradores elétricos ou manuais, prensas, tachos de inox, fogões industriais e panelas de grande porte para a redução do tucupi; Materiais: Recipientes de grau alimentício para o vinho de mandioca e maturação do tucupi preto; Insumos para Oficina de Geleias: Balanças de precisão, termômetros, vidros para envase e seladoras; Materiais de Escritório: Livros de caixa, fichas de cadastro e acesso à internet/celular para para comercialização; Logística e transporte.
Resultados Alcançados
1. Quantidade de Pessoas Atendidas e Abrangência: A TS é implementada inicialmente em 13 localidades da RESEX Tapajós-Arapiuns. Atende diretamente cerca de 150 mulheres indígenas e extrativistas, 19 escolas indigenas e tradicionais impactando indiretamente mais de 4000 pessoas. O público-alvo prioritário são mulheres, jovens e mães solo, estudantes da etnia Tupinambá e populações tradicionais.
2. Resultados Quantitativos (Indicadores de Sucesso): Agregação de Valor: Elevação do valor do subproduto da mandioca em até 300%. Enquanto a farinha comum é comercializada como commodity, produtos como o tucupi preto (Manibé) e o vinho Mani-Oara alcançam nichos de mercado de alto valor (gastronomia e feiras nacionais); Diversificação de Portfólio: Criação de mais de 5 novos produtos (geleias, tucupi preto, tucupi tradicional, farinhas especiais e bebidas fermentadas); Escoamento da Produção: Acesso a mercados institucionais via PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e parcerias comerciais no eixo Pará-Rio de Janeiro-São Paulo; Sustentabilidade Ambiental: 100% da produção utiliza Manejo Agroecológico em quintais produtivos, sem uso de agrotóxicos ou desmatamento.
3. Resultados Qualitativos (Percepções e Transformação Social): Autonomia e Empoderamento: As participantes relatam uma mudança significativa na autoestima e no poder de decisão dentro de casa. O acesso à renda própria reduziu a dependência financeira dos maridos (rompendo ciclos de machismo estrutural); Resgate Ancestral: O projeto promoveu o que as lideranças chamam de "cura e resgate". Práticas de fermentação que estavam sendo esquecidas foram retomadas durante a pandemia como estratégia de resiliência e saúde; Protagonismo Jovem: Redução do sentimento de falta de perspectiva entre as jovens mães solo, que passaram a ver na bioeconomia uma alternativa viável de permanência no território com dignidade.
4. Acompanhamento e Monitoramento: É realizado através da sistemática de Registros e Controles desenvolvida pela AMPRAVAT (conforme detalhado no Caderno 5): Fichas de Cadastro e Produção: Monitoramento da quantidade colhida e processada por cada família; Gestão Financeira Coletiva: Uso de livros de caixa e prestação de contas em Assembleias Gerais, garantindo transparência no repasse dos valores; Escuta Ativa: Realização de círculos de conversa e oficinas de avaliação periódica, onde as mulheres compartilham suas percepções sobre o processo produtivo e o impacto em suas vidas.
Público atendido
Agricultores Familiares
Alunos do Ensino Fundamental
Mulheres
Famílias de Baixa Renda
Jovens
Povos Tradicionais
Povos Indígenas
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