Objetivo
Fortalecer o protagonismo comunitário por meio da metodologia JEITO, promovendo processos educativos participativos que integrem saberes populares, agroecologia e cuidado com o território, estimulando autonomia, pertencimento, redes solidárias e ações coletivas voltadas à justiça social, climática e alimentar, atuando nas periferias e nas escolas desses territórios.
Problema Solucionado
O JEITO nasceu da necessidade de fortalecer vínculos comunitários e criar processos educativos mais enraizados no território. Em 2018 a Kapiwara iniciou sua aplicação na favela de Entra Apulso, território de grande potencia dos saberes locais, mas com o desafio de mantê-los vivos diante da desigualdade, desarticulação entre organizações e impactos do racismo ambiental. Através do processo com o JEITO foi formado um novo coletivo local, que hoje protagoniza as ações socioambientais no território.
O JEITO foi criado como uma resposta prática: uma tecnologia social que organiza processos participativos, valoriza memórias, ativa redes locais e impulsiona soluções baseadas na natureza protagonizadas pelos próprios moradores.
A metodologia também tem sido aplicada com êxito em escolas públicas, onde implementamos sistemas agroecológicos, fortalecendo o vínculo entre estudantes, educadores e o território.
Pode ser implantado em contextos que enfrentam fragilidade comunitária, racismo ambiental, descontinuidade de políticas públicas, insegurança alimentar, baixa participação social e falta de espaços de protagonismo.
Descrição
A metodologia JEITO nasce da trajetória da Associação Kapi’wara em territórios periféricos da Região Metropolitana do Recife. Desde 2016, a instituição atua com educação ambiental, agroecologia, promoção da saúde e fortalecimento comunitário, sempre orientada pela Educação Popular e pelos saberes das populações tradicionais, negras e indígenas. Seu trabalho ganhou profundidade em 2018, quando iniciou uma atuação continuada na favela de Entra Apulso. Ali, a Kapi’wara identificou desafios estruturais, como desigualdades socioambientais, impactos do racismo ambiental, desarticulação de organizações locais, insegurança alimentar e ausência de processos educativos vinculados ao território. Ao mesmo tempo, encontrou grande potência: memória viva, práticas tradicionais de cuidado, vínculos afetivos e um forte senso de coletividade. Esses aprendizados motivaram a formulação da metodologia JEITO, concebida como um processo de construção coletiva que fortalece autonomia, identidade territorial e soluções baseadas na natureza.
Assim, a Kapi’wara consolidou, ao longo dos anos, uma atuação permanente que envolve oficinas, formações, rodas de memória, cine-debates, construção hortas e composteiras comunitárias e pedagógicas, ações de saúde popular e articulação com instituições públicas. Essa caminhada levou à criação do JEITO como um ciclo metodológico composto por cinco eixos: (1) diagnóstico participativo, (2) formação crítica e troca de saberes, (3) construção coletiva de soluções, (4) sistematização dos conhecimentos e (5) avaliação contínua. Seu desenho é flexível, adaptável à realidade do território e centrado na escuta ativa.
A participação comunitária é estruturante. Nos territórios, os processos começam com rodas de conversa e caminhadas pelo local, onde moradores levantam problemas, potências e memórias. A cada etapa, decisões são tomadas coletivamente, e as ações são conduzidas por lideranças locais, jovens e mulheres que assumem papéis centrais nas práticas de cuidado, organização e comunicação. Em Entra Apulso, o JEITO resultou na formação de um novo coletivo socioambiental, que hoje protagoniza ações de educação, agroecologia e mobilização política, demonstrando o impacto direto na autonomia comunitária.
A Kapi’wara atua como facilitadora, não como executora isolada. A interação funciona por meio de encontros agroecológicos, com mutirões, atividades pedagógicas, culturais e rodas de conversa. A equipe promove articulação entre coletivos, escolas, unidades de saúde e movimentos sociais, garantindo que as ações sejam sustentadas por redes locais. Essa relação estreita permitiu que o JEITO se tornasse uma ferramenta de fortalecimento identitário, cultural e ambiental dos territórios.
A metodologia também foi adaptada para o contexto escolar, ampliando seu alcance. O JEITO já foi implementado em oito instituições públicas de ensino, onde foram criados sistemas agroecológicos, com hortas, farmácias vivas e composteiras, que funcionam como laboratórios vivos para estudantes e educadores. Nessas escolas, o JEITO articula currículo, território e práticas ambientais, promovendo aprendizagem experiencial, educação alimentar e mobilização estudantil. A interação com as comunidades escolares acontece por meio de oficinas, mutirões, intercâmbios e produção de materiais pedagógicos.
Ao longo da implantação da metodologia, alguns dados evidenciam seu impacto, como a formação de novos coletivo socioambiental ativo em seus territórios (Chié do Entra, CESAV - Centro de Saúde Alternativa da Várzea, CSAu Várzea do Capibaribe e Várzea Composta); o engajamento contínuo de mais de 200 moradores em ações comunitárias; Participação de mais de 600 estudantes em atividades pedagógicas vinculadas aos sistemas agroecológicos nas escolas; Implementação de 8 sistemas agroecológicos escolares, utilizados como ferramenta pedagógica para educação ambiental, alimentação saudável e integração com famílias; Produção de publicações, vídeos, podcasts e materiais de sistematização que registram e devolvem para o território os saberes produzidos coletivamente; Ampliação da articulação local com unidades de saúde, coletivos culturais, movimentos de agricultura urbana e secretarias públicas.
A sistematização do JEITO demonstra que a tecnologia social opera como um processo integral: fortalece vínculos, ativa potências do território, mobiliza jovens, valoriza saberes tradicionais, cria soluções baseadas na natureza e gera impactos positivos tanto nas escolas quanto nas favelas. É uma ferramenta que articula cuidado, educação, memória e sustentabilidade, sempre guiada pela participação ativa dos sujeitos e pelo respeito às realidades locais.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da metodologia JEITO requer um conjunto simples de materiais, equipamentos e recursos humanos, pois se baseia em processos participativos, tecnologias leves e uso de estruturas existentes no território.
Recursos humanos essenciais:
– 1 a 2 facilitadores(as) com experiência em educação popular, agroecologia e mobilização comunitária;
– Lideranças e moradores do território como co-facilitadores(as) do processo;
– Educadores(as) ou representantes das escolas/parceiros locais.
Materiais pedagógicos:
– Cadernos, cartolinas, papéis grandes, canetas coloridas, fitas adesivas;
– Materiais para diagnósticos participativos (mapas, impressões, pranchetas);
– Equipamento simples de registro (celular ou câmera, gravador, fichas de campo).
Materiais agroecológicos (para implementação de tecnologias sociais agroecológicas, como hortas/composteiras):
– Ferramentas básicas: enxada, pá, tesoura de poda, regadores;
– Mudas, sementes crioulas, composto e adubos orgânicos;
– Materiais para canteiros e cercamentos simples (madeira, estacas);
– Baldes ou bombonas para compostagem e captação de água.
Infraestrutura mínima:
– Espaço comunitário ou escolar para encontros e rodas;
– Área externa para implantação do sistema agroecológico (mesmo pequena);
– Acesso à água.
Equipamentos de apoio (opcionais):
– Projetor e caixa de som para devolutivas e formações;
– Mesas e bancos para oficinas práticas.
Resultados Alcançados
O JEITO tem produzido resultados significativos em territórios periféricos e escolas públicas da Região Metropolitana do Recife. Aproximadamente 1.200 pessoas já foram atendidas diretamente, incluindo jovens, educadores, agentes culturais, agricultores urbanos e estudantes e professores das oito escolas onde o JEITO foi aplicado.
Nos territórios, os resultados quantitativos incluem:
– Formação de 4 organizações comunitárias surgidas a partir dos processos do JEITO: Coletivo Chié do Entra, CESAV, CSAu Várzea do Capibaribe e Várzea Composta, reunindo juntas cerca de 80 moradores e jovens envolvidos regularmente;
– Mais de 80 atividades comunitárias realizadas, entre rodas de conversa, mutirões, caminhadas territoriais, oficinas, cine-clubes e encontros de saberes;
– Mapeamento de 40 detentoras/es de saberes locais;
– Implantação de 15 espaços produtivos territoriais, incluindo hortas comunitárias, farmácias vivas e composteiras.
– 8 escolas públicas atendidas, envolvendo diretamente cerca de 600 estudantes;
– Implementação de 8 sistemas agroecológicos escolares como laboratórios vivos;
– Formação de mais de 80 educadores em práticas agroecológicas, metodologias participativas e educação popular.
Como impactos qualitativos, moradores relatam fortalecimento do pertencimento, resgate das memórias e valorização dos saberes tradicionais. As quatro organizações formadas expressam maior autonomia, capacidade de mobilização e protagonismo comunitário. Jovens envolvidos destacam que o JEITO ampliou sua visão sobre o território, despertando senso de responsabilidade e possibilidade de futuro. Nas escolas, estudantes demonstram maior interesse pelas atividades pedagógicas e maior conexão com o território. Educadores avaliam que a metodologia aproxima teoria e prática, incentiva o trabalho interdisciplinar e qualifica a relação entre escola e comunidade.
O acompanhamento dos resultados é realizado por meio de observação participante, registro sistemático das atividades, formulários de avaliação, rodas de devolutiva com moradores e educadores, e monitoramento dos sistemas agroecológicos (produção, manutenção, uso pedagógico e participação). Esse conjunto de evidências reforça a força do JEITO como tecnologia social capaz de promover autonomia, redes comunitárias e educação territorial viva e transformadora.
Público atendido
Adulto
Agricultores
Alunos do Ensino Fundamental
Alunos do Ensino Médio
Crianças
Desempregados
Idosos
Lideranças Comunitárias
Jovens
Professores do Ensino Fundamental
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