Objetivo
Ampliar oportunidades, aumentar renda e promover autonomia de nano e microempreendedores em situação de vulnerabilidade, a partir do apoio a negócios com potencial que historicamente não acessam recursos, investimento ou formação adequados. E, dessa forma, reduzir desigualdades sociais, raciais e de gênero por meio do fortalecimento de iniciativas locais.
Objetivos específicos
• identificar nano e microempreendedores em situação de vulnerabilidade com potencial de crescimento;
• formar e manter equipes de voluntariado especializadas para apoia-los;
• ampliar o acesso a conhecimento técnico, financeiro e comportamental;
• oferecer apoio psicológico para fortalecer o desenvolvimento pessoal e emocional;
• disponibilizar capital semente para remover barreiras imediatas ao negócio;
• oferecer mentorias para apoiar a aplicação prática do aprendizado;
• fortalecer redes comunitárias, promovendo autonomia e geração de renda sustentável.
Problema Solucionado
Mesmo com a redução histórica da pobreza — segundo o Ipea, em 2024, o país atingiu os menores níveis desde 1995 —, o Brasil ainda é profundamente desigual. O acesso a oportunidades segue limitado, e o mercado de trabalho torna-se cada vez mais excludente para pessoas com baixa qualificação. As classes D e E representam 49,9% da população, e mais de 6 milhões de pessoas permanecem desempregadas ao final do terceiro trimestre de 2025, segundo a PNAD Contínua. Esse cenário afeta de forma desproporcional as mulheres, especialmente pretas e pardas. Dados do IBGE de 2024 mostram que pessoas pretas e pardas representam 71,3% dos pobres do país e que a renda média das mulheres é cerca de 21% menor que a dos homens. Diante dessa realidade, o nano e o microempreendedorismo surgem como alternativa de geração de renda, sobretudo em territórios periféricos e para mulheres que conciliam trabalho e cuidado familiar. Contudo, os desafios são muitos e estruturais. A ausência de políticas e metodologias adaptadas à realidade desses territórios limita o potencial desses negócios, contexto no qual se insere a Tecnologia Social do Instituto Dom.
Descrição
O Instituto Dom nasceu a partir da trajetória de seu fundador, Karl Johnsson, empreendedor com atuação voluntária desde 1998. A partir da vivência em diferentes iniciativas sociais, tornou-se evidente um padrão recorrente: nano e microempreendedores em situação de vulnerabilidade apresentavam alto potencial, mas pouco acesso a recursos, conhecimento e redes capazes de impulsionar seus negócios. Em 2019, essa percepção levou à criação do Instituto Dom, com o objetivo de reduzir desigualdades sociais, raciais e de gênero por meio do fortalecimento de pequenos negócios em territórios vulneráveis.
Inicialmente, a atuação concentrou-se na oferta de bens materiais e capital semente. Em 2020, a doação de um equipamento essencial a uma microempreendedora validou o potencial transformador do apoio financeiro. No entanto, a experiência também revelou que o capital, isoladamente, não garantia sustentabilidade. A partir desse aprendizado, o Instituto passou a estruturar uma metodologia própria, fundamentada em pesquisas, literatura especializada e referências de organizações como Sebrae, Banco Mundial, IDIS e OIT.
Ao longo da implementação do resultado das investigações, o retorno da comunidade tornou-se central no aprimoramento do modelo. A escuta ativa dos microempreendedores revelou demandas emocionais, dificuldades educacionais, limitações de tempo, desafios organizacionais e particularidades territoriais. Esses retornos orientaram ajustes na linguagem, nos formatos das atividades, na logística dos projetos e na inclusão do apoio psicológico como elemento estruturante.
Com a repetição das experiências, consolidou-se uma tecnologia social baseada em quatro pilares integrados: capacitação técnica e psicológica, mentorias, capital semente e fortalecimento da comunidade. A capacitação utiliza linguagem simples, exercícios práticos e adapta métodos da OIT — como Gerar Ideias de Negócio (GIN) e Planear e Iniciar Negócio (PIN). As mentorias apoiam a aplicação prática do aprendizado, enquanto o capital semente remove barreiras imediatas. A comunidade promove troca, pertencimento e sustentabilidade dos resultados.
Atualmente, a interação com a comunidade ocorre desde o recrutamento dos beneficiários, realizado por meio de agentes locais, lideranças comunitárias e ações de divulgação direcionadas. Os critérios de seleção consideram vulnerabilidade, necessidade, potencial de crescimento e engajamento. A implementação dos projetos respeita as especificidades de cada território, fortalecendo a confiança mútua e a adesão das pessoas participantes.
Internamente, a metodologia é viabilizada por uma rede de voluntariado especializado, que atua de forma colaborativa em áreas como gestão, formação, captação de recursos, comunicação e mentorias. Esse modelo garante suporte qualificado e acessível aos microempreendedores, ao mesmo tempo em que promove desenvolvimento técnico e propósito para as pessoas voluntárias.
Os impactos positivos são evidenciados pela recorrência dos resultados observados: evolução dos negócios apoiados, aumento de renda, fortalecimento da autonomia e ampliação das redes locais. A consolidação dos quatro pilares, aliada à escuta contínua e à adaptação territorial, comprova a efetividade da tecnologia social do Instituto Dom na geração de impacto social sustentável.
Em nosso portfólio oficial, contamos com 8 projetos. Em sua maioria, na Comunidade da Rocinha. No entanto, também tivemos atuações no Parque da Cidade, Dona Marta, Tabajaras e Cidade de Deus. Além, claro, de desenvolver atividades virtualmente. Em todos eles, a metodologia segue a seguinte sistematização:
• captação de recursos + reunião com os parceiros dos Instituto (a ordem depende de cada projeto);
• mapeamento e convite para outras organizações, coletivos e lideranças da comunidade a participarem da rede do projeto;
• seleção e capacitação dos voluntários (mentores, psicólogos);
• evento presencial de lançamento: convite para a comunidade participar com amostra do programa;
• abertura de inscrições: quando os programas são presenciais, as representantes do Idom são apenas ponte e as inscrições são realizadas junto à associação de moradores;
• aplicação de avaliação de impacto socioemocional e de análise de perfil microempreendedor em 3 fases;
• consolidação dos cursos, das oficinas, das ações assistenciais e/ou dos acompanhamentos psicológicos;
• formação de comunidade;
• mentorias individuais;
• capital semente;
• acompanhamentos.
Recursos Necessários
Os recursos são concebidos para serem flexíveis e adaptáveis, priorizando o uso do que as comunidades já possuem ou podem acessar de forma simples e econômica:
• pessoas-chave da equipe e da comunidade: equipe de coordenação, educadores e mentores, além de lideranças comunitárias e empreendedores locais capacitados como multiplicadores. Sempre que possível, profissionais ou voluntários com formação em assistência social ou psicologia participam de rodas de apoio e mentorias coletivas, fortalecendo o cuidado com o bem-estar;
• espaços físicos comunitários: utilização de locais acessíveis para oficinas, palestras e encontros, como associações de moradores, escolas e igrejas;
• ferramentas digitais acessíveis e gratuitas: plataformas de ensino a distância de baixo custo para organização de conteúdos e avaliações; ferramentas gratuitas de videoconferência para aulas e mentorias; formulários online para registro e acompanhamento de dados; aplicativos de mensagens para comunicação cotidiana; e instrumentos simples de controle, como planilhas digitais ou cadernos de registro;
• materiais de apoio documentados: guias práticos para mentores e multiplicadores, roteiros de oficinas e modelos de livro-caixa físico e digital, incluindo conteúdos sobre autocuidado e gestão do estresse;
• recursos financeiros: destinados a materiais básicos, prêmios simbólicos, capiral semente e, quando possível, ao apoio aos multiplicadores, viabilizados por parcerias com empresas, fundações e apoiadores.
Resultados Alcançados
Até julho de 2025, conseguimos beneficiar diretamente 451 pessoas.
Os resultados variam por projeto, mas, na maioria dos casos, observamos:
• aumento de renda em pelo menos 20% das participantes (chegando a 65%)
• crescimento superior a 50% no uso de ferramentas de autogestão
• avaliações NPS (Net Promoter Score) mantidas acima de 9,5 em diversos questionários anônimos aplicados.
• índice de satisfação dos microempreendedores foi de 8,83 em 10
• avaliações de impacto positivo concedido pelo Núcleo de Estudos sobre Microempreendedorismo (NUME), da Escola de Negócios da PUC-Rio, reforçando a credibilidade e a relevância da metodologia.
Idealmente, as avaliações internas (realizadas pelo Idom) são realizadas em 3 momentos:
• T0: avaliação basal, realizada no ato da inscrição das participantes no projeto;
• T1: avaliação intermediária, prevista para ocorrer na metade do período de intervenção;
• T2: avaliação final, conduzida ao término das atividades.
Nessas avaliações coletamos dados socioemocionais, de renda e avaliamos o nível de educação financeira de cada participante.
Seguem anexados nesta inscrição documentos comprobatórios com vídeos de depoimentos e algumas pesquisas que realizamos.
Público atendido
- Mulheres
- Empreendedores
- Famílias de Baixa Renda
- Jovens
- Trabalhadores Autônomos
- Adulto
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