Objetivo
Promover a formação socioambiental crítica de crianças e adolescentes periféricos, fortalecendo-os como agentes multiplicadores e protagonistas na transformação de seus territórios, por meio de práticas na natureza, tecnologias socioambientais de baixo custo e processos de construção coletiva com a comunidade.
Problema Solucionado
A EBCS nasce no bairro de Jundiapeba, Mogi das Cruzes–SP. Um território periférico urbano, marcado por alta vulnerabilidade social, precariedade de infraestrutura, áreas verdes insuficientes, enchentes recorrentes, esgoto a céu aberto e acúmulo de lixo em espaços públicos. Esses impactos não se distribuem de forma igual caracterizando um cenário de racismo ambiental.
Este território concentra cerca de 18% da população em extrema pobreza e 21% das pessoas em situação de pobreza do município. A agenda socioambiental é pautada no território de forma pontual pelas políticas públicas, sem impacto real, desconsiderando a articulação entre educação, proteção social, território e saberes comunitários.
Por se tratar de uma tecnologia que busca a incidência no racismo ambiental através da aprendizagem significativa, pode ser implantada em espaços de educação formal ou informal, em situações em que crianças e adolescentes vivem em territórios marcados por: (a) vulnerabilidade socioeconômica; (b) ausência ou degradação de áreas verdes; (c) baixa oferta de espaços socioambientais educativos de qualidade; (d) pouca participação comunitária nas decisões sobre o território.
Descrição
A Educação de Base Coletiva e Socioambiental (EBCS) é uma tecnologia social criada no Centro Educacional Jabuti, OSC que há 19 anos atua com assistência social e educação em Mogi das Cruzes–SP. O trabalho com educação socioambiental, realizado há 13 anos no Núcleo Socioambiental – espaço de referência da EBCS – é eixo estruturante da organização. A tecnologia sistematizada reorganiza esse trabalho a partir da educação socioambiental crítica, transformando o Núcleo em espaço de convivência, proteção, incidência comunitária, aprendizagem significativa e participação social, articulando a formação de crianças e adolescentes como agentes socioambientais no enfrentamento do racismo ambiental e das desigualdades no território.
Os princípios da EBCS fundamentam-se em: (1) educação socioambiental crítica, que promove a leitura da realidade local, nomeando pobreza, violência, racismo ambiental e desigualdade no acesso à natureza, indo além da mudança individual de “hábitos sustentáveis”; (2) base coletiva, em que construção, decisões, partilhas e processos são realizados em conjunto, com colaboração e valorização dos saberes comunitários e tradicionais; (3) tecnologias socioambientais de baixo custo, com soluções agroecológicas construídas com materiais acessíveis e processos coletivos que qualificam a convivência e o uso do espaço; (4) protagonismo e formação de agentes socioambientais, reconhecendo crianças e adolescentes como pesquisadores e multiplicadores da educação ambiental crítica em seus territórios, com foco na incidência sobre os problemas da comunidade.
A estrutura metodológica organiza as ações em quatro dimensões interligadas – indivíduo, grupo, espaço e território – que orientam planejamento, acompanhamento e avaliação: indivíduo (aprendizagem significativa, proteção social e acesso à renda); grupo (trabalho colaborativo e ampliação de perspectivas); espaço (transformação estrutural, integração de saberes comunitários e técnicos e construção coletiva); e território (tecnologias replicáveis e formação socioambiental).
A metodologia das oficinas articula as dimensões do indivíduo, do grupo e do espaço em fases, garantindo participação ativa, reflexão crítica e trabalho colaborativo. O processo inicia-se com (1) rodas de conversa conduzidas pelo educador ambiental, seguidas de (2) reflexão crítica; em seguida, (3) organizam-se prioridades e dividem-se tarefas; então ocorre a (4) construção das tecnologias socioambientais e a manutenção do espaço, (5) com vivências e trabalho coletivo; o ciclo se encerra com a (6) partilha dos aprendizados, acompanhada de fruta ou alimento in natura, articulando educação socioambiental e segurança alimentar. O investimento é de baixo custo, priorizando reutilização, reconstrução e restauração de materiais provenientes de pontos de descarte, cooperativas de reciclagem e ferro-velho, como madeiras de pallets, que participantes cortam, lixam, pregam, constroem e instalam no Núcleo Socioambiental.
Paralelamente, desenvolvem-se formações com educadoras e educadores por meio de vivências e capacitações internas e externas, viabilizadas por parcerias institucionais estratégicas, que ampliam o impacto pedagógico e consolidam o contato com a natureza no trabalho educacional. Essas parcerias asseguram continuidade e enraizamento das ações no território, com intercâmbio técnico, capacitação das equipes e desenvolvimento conjunto de soluções.
Na dimensão do território, concretiza-se a interação com a comunidade. A partir da aprendizagem significativa proporcionada pela EBCS, crianças e adolescentes tornam-se Agentes Multiplicadores, organizando visitas de outras instituições ao Núcleo Socioambiental. Nesses encontros, elaboram roteiros educativos com percursos de apresentação das tecnologias e de seus impactos no meio ambiente, atuando como facilitadores. Essa dinâmica fortalece seu protagonismo, amplia a disseminação das possibilidades de incidência socioambiental nos pequenos espaços institucionais das organizações visitantes e estimula a replicação das tecnologias socioambientais e da própria EBCS. A parceria com outros equipamentos do território também articula a ida direta das crianças e adolescentes a esses espaços, fomentando a multiplicação da EBCS; exemplo disso é a conexão dos Agentes Multiplicadores com o CRAS, aproximando saberes de crianças, adolescentes e pessoas idosas para a implantação de uma horta comunitária.
Realizam-se eventos coletivos de celebração do realizado, como o Festival de Agrofloresta de 2023, que promoveu o plantio de 40 árvores frutíferas em escola de Educação Infantil. Valorizam-se vivências externas em espaços de referência em educação socioambiental, como o Parque das Neblinas, que ampliam o repertório das crianças e adolescentes. As atividades se potencializam por meio de decisões e ações coletivas, organizadas colaborativamente entre crianças, equipe e comunidade em assembleias, rodas de conversa e reuniões com os envolvidos.
Recursos Necessários
Para implantar uma unidade da EBCS em território sem estrutura prévia são necessários, no mínimo:
a) Profissional com capacidade técnico-operativa em educação socioambiental crítica, de preferência com experiência em trabalho com crianças, adolescentes e comunidades;
b) Ferramentas básicas de agricultura;
c) Espaço físico com área de terra disponível para utilização. Todas as tecnologias ambientais que propomos podem ser reorganizadas em tamanho e extensão, sendo flexíveis e adaptáveis aos contextos do espaço.
d) Materiais para tecnologias socioambientais: varia de acordo com a tecnologia que se quer implementar.
O que estamos considerando para o levantamento do custo estimado:
1 Profissional com capacidade técnico-operativa;
Ferramentas básicas para horta - Enxada, Regador, Pá de jardim, Ancinho/Rastelo;
1 sistema de captação de chuva com cisterna de 1.100 litros;
1 canteiro educativo de policultivo (2m x 6m) - blocos de cimento, cimento, terra;
1 meliponário educativo - Materiais do Canteiro da Horta, Comercialização de abelhas, Madeiras, Cedrinho, Materiais diversos Meliponário, Paisagismo;
1 composteira com capacidade de processar 1,5 tonelada de resíduos - paletes e telha de PVC;
1 Minhocário - Caixas plásticas com tampa 70 litros, Minhocas e 100 Litros de Serragem para minhocário;
1 painel educativo socioambientai (2m x 2m) - tintas, pincéis, spray
1 Viveiro de mudas (6m x 2x) - Caibros, Plastico para viveiro, Mouroes tratados, Sombrite, etc;
Resultados Alcançados
A EBCS se consolidou em dois blocos de resultados ao longo dos anos: impactos estruturais e socioeducacionais.
Impactos estruturais foram observados diretamente na organização e no espaço do Núcleo Socioambiental, que hoje conta com: 1 sistema de captação de chuva com cisterna de 1.100 litros; 10 canteiros educativos de policultivo em altura montessoriana; 1 meliponário educativo com 6 caixas de abelhas nativas de 4 espécies diferentes; 1 sistema agroflorestal integrado a um espaço de farmácia viva; 1 composteira com capacidade de processar 1,5 tonelada de resíduos orgânicos; 1 minhocário; 5 painéis educativos socioambientais produzidos por crianças e adolescentes em oficinas de arte urbana; além de 40 árvores frutíferas plantadas coletivamente no Festival de Agrofloresta, que contou com a participação de 60 pessoas da comunidade.
Impactos socioeducacionais são monitorados de forma sistemática desde janeiro de 2021, por meio de registros próprios, prontuário eletrônico municipal e acompanhamento de projetos. No período de (04/01/2021 a 21/08/2025) foram realizadas mais de 900 horas de formação das crianças e adolescentes através de oficinas de educação socioambiental (1h cada, 4 por dia, 1 vez por semana). Um total de 281 crianças e adolescentes (6 a 17 anos) frequentaram as oficinas de forma contínua, com permanência média de 2 anos.
Além disso, em 2023 foram aplicadas 192 horas de vivências que integraram 288 crianças na primeira infância e 38 profissionais da educação infantil. Foram ofertados ao menos 2 encontros formativos em OTE’s sobre educação socioambiental na educação infantil no ano.
Formaram-se 3 educadoras com vivência no Núcleo Socioambinetal que hoje atuam como professoras da educação infantil e replicam os saberes apreendidos.
Outros resultados incluem ainda a conquista de 2 projetos na área socioambiental; 1 na área de segurança alimentar; e a inserção internacional de 5 crianças e adolescentes no Programa Sino-Brasileiro de Educação e Natureza do Instituto Ecofuturo, buscando o intercâmbio dos saberes e práticas socioambientais.
Além disso, está em execução: uma parceria com uma Escola Pública de educação fundamental do território, que já contou com a visita educacional ao Núcleo Socioambiental; e a parceria com um CRAS para implementação de uma horta comunitária, integrando as crianças e adolescentes que praticam a EBCS ao grupo das pessoas idosas do equipamento.
Público atendido
Crianças
Adolescentes
Comentários