Objetivo
Promover justiça climática e sustentabilidade urbana em territórios populares, articulando educação ambiental, tecnologias sociais e mobilização comunitária para fortalecer capacidades locais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Objetivos específicos
- Formar jovens da Maré como agentes climáticos comunitários.
- Produzir diagnóstico socioambiental participativo sobre vulnerabilidades e oportunidades.
- Implementar protótipos tecnológicos sustentáveis (composteira, telhado verde e biodigestor com wetland).
- Disseminar práticas de educação ambiental e economia circular em escolas e espaços públicos.
- Fortalecer redes locais de cooperação para políticas climáticas e urbanas inclusivas.
Problema Solucionado
A Maré, conjunto de 15 favelas do Rio de Janeiro, enfrenta graves vulnerabilidades socioambientais: saneamento precário, alagamentos, calor extremo e poluição. Diagnósticos do EcoClima apontam que 79% dos moradores têm problemas com esgoto, 75% enfrentam alagamentos e 72% relatam calor excessivo em casa; a temperatura local pode ser até 6°C mais alta que em áreas vizinhas. Esses problemas resultam da ausência de políticas públicas e da desigualdade estrutural que afeta territórios populares.
O EcoClima surge como resposta comunitária, articulando formação técnica, inovação social e infraestrutura verde para mitigar os impactos climáticos. A tecnologia pode ser aplicada em territórios urbanos vulneráveis, promovendo resiliência, bem-estar e protagonismo local.
Descrição
O EcoClima é uma metodologia integrada que combina educação, ciência cidadã e inovação ambiental. Implementado entre 2023 e 2025, com apoio da Petrobras e parceria da UFRJ, o projeto desenvolveu uma tecnologia social adaptável, baseada em pesquisa-ação participativa.
Etapas da Metodologia:
A) Formação de Agentes Climáticos
- 20 jovens da Maré capacitados durante 16 meses (600h).
- Conteúdos: mudanças climáticas, justiça ambiental, saneamento ecológico, economia circular e metodologias de pesquisa.
- Resultado: aumento médio de 89% no conhecimento técnico dos participantes.
B) Diagnóstico Socioambiental Participativo
- Aplicação de 1.371 questionários em quatro favelas (Nova Holanda, Rubens Vaz, Parque União e Nova Maré).
- Identificação de riscos ambientais, déficit de saneamento e oportunidades de mitigação.
- Validação participativa em 8 encontros com 118 lideranças comunitárias.
C) Prototipagem de Tecnologias Sustentáveis
- Composteira escolar: tratou 309 kg de resíduos orgânicos, gerando 200 kg de adubo, envolvendo 285 crianças e 47 funcionários.
- Biodigestor com wetland: tratou 700 L/dia de água, com 99,8% de remoção de coliformes, devolvendo água limpa à Baía de Guanabara.
- Telhado verde comunitário: reduziu em até 3,7°C a temperatura interna e produziu alimentos utilizados por moradoras para geração de renda.
D) Educação e Mobilização Comunitária
- Mais de 500 moradores mobilizados em 20 eventos.
- 19 rodas de conversa, 12 oficinas escolares e ações em dois Espaços de Desenvolvimento Infantil.
- Produção de 9.000 cartilhas e 3 manuais técnicos de replicação.
E) Participação comunitária:
- Desde o planejamento até o monitoramento, a comunidade esteve presente em todas as etapas. Jovens e moradores participaram da coleta de dados, construção dos protótipos e avaliação dos resultados. O projeto priorizou o protagonismo feminino e juvenil e consolidou 10 parcerias institucionais com universidades, ONGs e coletivos locais.
De maneira geral, as ações empregadas fazem com que a ação tenha:
- Inovação: adaptação inédita de tecnologias verdes ao contexto das favelas.
- Transformação social: redução de vulnerabilidades ambientais e fortalecimento da educação climática.
- Reaplicabilidade: metodologia documentada, com guias e materiais replicáveis em outros territórios.
- Participação comunitária: coautoria de moradores em todas as etapas do processo.
Recursos Necessários
- Estrutura física para composteira (bombonas, base de madeira, ferramentas simples).
- Materiais para telhado verde (estruturas modulares, substrato leve, mudas, manta bidim).
- Equipamentos para biodigestor (bombonas plásticas, tubulação, filtros, tanques).
- Materiais educativos: cartilhas, banners, vídeos e manuais.
- Espaço de apoio técnico e administrativo (sala multiuso, computador, acesso à internet).
Resultados Alcançados
- 20 jovens formados como agentes climáticos, com 89% de aumento no conhecimento.
- 1 diagnóstico socioambiental participativo com 1.371 moradores.
- 3 protótipos implementados, impactando 429 pessoas diretamente e 2.303 indiretamente.
- 309 kg de resíduos tratados, 200 kg de adubo e 10 L de biofertilizante produzidos.
700 L/dia de água tratada com 99,8% de purificação.
- Redução de 3,7°C na temperatura de lajes com telhado verde.
- Mais de 9.000 cartilhas distribuídas e valorização de saberes locais.
- Reconhecimento público: destaque em GloboNews – Cidades e Soluções (2024) e veículos como El País.
- ODS atendidos: 3, 4, 5, 6, 8, 10, 11, 12, 13 e 17.
Esses resultados demonstram impactos ambientais, sociais e pedagógicos duradouros, evidenciando o EcoClima como modelo replicável de justiça climática em territórios urbanos populares.
Público atendido
- Adolescentes
- Adulto
- Alunos do Ensino Fundamental
- Alunos do Ensino Médio
- Diretor de Escola
- Jovens
- Mulheres
- População em Geral
- Professores do Ensino Fundamental
- Lideranças Comunitárias
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