Objetivo
O objetivo geral do CURA MACRO é regenerar territórios populares por meio da arte, fortalecendo vínculos comunitários, autoestima e inclusão cultural. A tecnologia social transforma arquitetura em obra coletiva, gera trabalho local e valoriza a paisagem urbana. Busca criar cidades mais justas e afetivas, onde moradores se reconhecem como protagonistas do próprio território.
Problema Solucionado
O CURA MACRO nasceu para enfrentar desafios estruturais comuns a territórios urbanos de baixa visibilidade: apagamento cultural, fragilização do tecido social, ausência de políticas de cuidado com o espaço público e desigualdade no acesso à arte e às oportunidades. A Vila São Luiz e os bairros adjacentes conviviam com estigmas históricos, sensação de abandono, baixa autoestima coletiva e falta de investimentos públicos consistentes. A paisagem degradada reforçava um ciclo de invisibilidade social, afetando segurança, mobilidade, economia local e o sentimento de pertencimento.
A Tecnologia Social busca solucionar esse conjunto de problemas articulando arte, participação comunitária, saberes indígenas e regeneração urbana. Ela pode ser aplicada em territórios marcados por vulnerabilidade social, desgaste estético, ausência de espaços culturais e pouca participação cidadã. Ao transformar casas em suportes artísticos e envolver moradores em todas as etapas, a tecnologia rompe o ciclo de invisibilidade, ativa redes comunitárias, fortalece a economia local, amplia o acesso à arte e reposiciona o território como referência cultural e afetiva.
Descrição
A metodologia do CURA Macro nasce da prática de arte-mobilização, eixo que orienta toda a atuação da Plataforma CURA desde 2017. A organização tem histórico de trabalho contínuo em comunidades urbanas por meio de arte pública, diálogo comunitário e formação de agentes culturais. Em Nova Lima, esse acúmulo foi adaptado para criar uma tecnologia social específica para o Macro-Mural, unindo participação social, mobilização afetiva, valorização territorial e curadoria indígena.
1. Arte-mobilização: a porta de entrada
A primeira etapa consiste na presença ativa da equipe em campo, criando vínculo com moradores por meio de conversas porta a porta, escuta comunitária e apresentação do projeto de forma acessível. Esse processo garante transparência, participação voluntária e construção de confiança. Foram realizadas cerca de 950 abordagens, registradas em planilhas e relatórios diários, indicando adesões, dúvidas, recusas e necessidades específicas de cada casa.
2. Formação e contratação de profissionais locais
A metodologia inclui a seleção de moradores da própria comunidade para integrar a equipe técnica. Eles recebem formação prática em pintura, operação de equipamentos, reboco e procedimentos de segurança. Esse processo amplia a renda local, reduz custos logísticos e cria novos agentes culturais. Mais de 60% da equipe foi composta por profissionais de Nova Lima, fortalecendo o vínculo entre obra, território e economia local.
3. Recuperação de fachadas e reboco
Antes da pintura, muitas casas passam por reboco e recuperação estética, etapa essencial para a qualidade e durabilidade da obra. Esse processo reduz poluição visual, melhora o ambiente urbano e gera impacto imediato na autoestima dos moradores. Todo o procedimento é realizado com tintas à base d'água e sem geração de resíduos de construção civil, reforçando o compromisso ambiental.
4. Curadoria indígena e processos simbólicos
A curadoria convidou o coletivo indígena MAHKU, reconhecido internacionalmente por transformar cantos sagrados em pintura. A presença dos povos da floresta em Nova Lima — também território indígena — fortalece a dimensão simbólica e ancestral da obra. A pintura traz fauna, flora e grafismos espirituais, convidando a cidade a refletir sobre preservação ambiental, memória e reparação histórica. Esse diálogo forma a base ética do projeto.
5. Mobilização contínua durante a pintura
Durante toda a execução, a equipe de mobilização permanece ativa no território, informando moradores sobre o andamento, negociando acessos, ajustando decisões estéticas junto às famílias e monitorando o impacto social diário. Relatórios contínuos registram percepções, conflitos, sugestões e situações de vulnerabilidade. Esse acompanhamento constante evita ruídos e fortalece o sentimento de pertencimento.
6. Interação institucional e comunitária
O projeto mantém diálogo permanente com lideranças locais, unidades públicas, coletivos de bairro e grupos culturais. As decisões de percurso são alinhadas com representantes comunitários, garantindo legitimidade. A presença do mirante oficial — um espaço cultural que agrega famílias, jovens e visitantes — amplia o acesso democrático ao resultado final.
7. Monitoramento e evidências de impacto
Toda a implementação é acompanhada por:
• registros fotográficos diários;
• planilhas georreferenciadas das casas atendidas;
• indicadores de mobilização e autorizações;
• relatórios de campo com observações sociais e ambientais;
• documentação de horas de formação e contratação local;
• avaliação qualitativa por meio de conversas e devolutivas com moradores.
Os dados comprovam aumento de autoestima, percepção de segurança, melhoria da ambiência urbana, fortalecimento de vínculos comunitários e valorização identitária. Moradores relatam orgulho, cuidado com as fachadas e maior engajamento no cotidiano do bairro.
8. Síntese da tecnologia social
A metodologia integra arte, mobilização, reparação simbólica, memória ancestral, formação local e curadoria indígena em um processo replicável e escalável. O Macro-Mural transforma a comunidade não apenas visualmente, mas emocionalmente, fortalecendo pertencimento, inclusão e desenvolvimento social
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade do CURA Macro exige recursos integrados de infraestrutura, materiais artísticos e equipamentos de apoio comunitário. Em materiais, são necessárias tintas à base d’água, massas para reboco, seladores, pincéis, rolos, brochas, lonas, baldes, bandejas e EPIs completos (luvas, máscaras, óculos, botas,cintos e equipamentos de segurança em altura). Para intervenções em comunidades com topografia acidentada, utilizam-se andaimes, escadas, pranchões, cordas e, quando necessário, plataformas elevatórias.
Em equipamentos, incluem-se ferramentas de preparo e reparo de superfícies (lixas, desempenadeiras, espátulas, furadeiras, marteletes), materiais de limpeza e itens de proteção climática para a equipe (toldos, água, protetor solar).
Também são necessários dispositivos de documentação e comunicação, como câmeras, celulares, rádios, computadores e softwares de gestão.
Em termos de pessoal, a tecnologia demanda uma equipe multidisciplinar formada por: coordenação geral, coordenação artística, curadoria, equipe de mobilização comunitária, pintores profissionais, auxiliares de obra, profissionais locais em formação, fotógrafos e equipe de comunicação.
Esses recursos garantem a execução segura, participativa e qualificada, unindo arte, território e impacto social.
Resultados Alcançados
A implantação do CURA Macro gerou resultados diretos, mensuráveis e profundos na Vila São Luiz e nos bairros adjacentes. Foram mais de 100 famílias atendidas diretamente, com mais de 10.400 m² de pintura em fachadas, envolvendo autorizações voluntárias e acompanhamento contínuo. A equipe realizou cerca de 950 abordagens comunitárias, garantindo informação transparente, escuta ativa e participação efetiva da população.
A obra contou com a contratação de 16 profissionais locais, entre assistentes de pintura, mobilizadores e apoio de campo. Isso corresponde a mais de 60% da equipe total, fortalecendo a economia da região, desenvolvendo capacidades técnicas e criando novas oportunidades de geração de renda. Jovens que nunca haviam trabalhado com arte urbana foram formados e hoje se identificam como agentes culturais do território.
Qualitativamente, os impactos foram expressivos. Moradores relatam aumento de autoestima, orgulho territorial e sensação de valorização urbana. Muitas famílias destacam que “a rua ficou mais bonita, mais viva e mais segura” após a intervenção. O mural gerou melhoria imediata da ambiência, com fachadas recuperadas, redução de poluição visual e maior cuidado colectivo. A presença diária da equipe também fortaleceu laços comunitários e criou uma rede de confiança, especialmente entre jovens, que passaram a acompanhar o trabalho, ajudar na proteção das áreas recém-pintadas e compartilhar a obra nas redes sociais.
O projeto elevou a visibilidade de Nova Lima no cenário da arte pública nacional e internacional. Houve ampla repercussão na mídia, com fortalecimento da imagem do território como lugar de inovação cultural, o que reforça a autoestima dos moradores e atrai visitantes ao mirante oficial.
O acompanhamento dos resultados foi realizado por meio de:
• registros fotográficos diários, mapeando a evolução das fachadas;
• planilhas de mobilização, contabilizando conversas, adesões e recusas;
• relatórios de campo, com percepções qualitativas de moradores;
• documentação da formação e contratação local, com indicadores de horas trabalhadas e qualificação técnica;
• monitoramento pós-pintura, analisando manutenção, impactos no cotidiano e adesão comunitária.
Como efeito agregado, o CURA Macro transformou a paisagem, reconfigurou a relação entre moradores e seu território e consolidou uma tecnologia social capaz de unir arte, memória, pertencimento e regeneração urbana.
Público atendido
Empreendedores
Lideranças Comunitárias
Mulheres
População em Geral
Turistas
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