Chegou o momento de conhecermos mais uma história inspiradora de uma mulher que é exemplo de resistência, inovação socioeconômica e de defesa dos saberes tradicionais das águas. Navegante Maria dos Santos Mendonça, marisqueira de 54 anos, da comunidade Pernambuquinho (Grossos/RN), é a vencedora na categoria Pesca Artesanal Estuarina, na 3ª edição do Prêmio Mulheres das Águas.
Navegante é guardiã de saberes tradicionais da pesca artesanal, aprendidos com sua mãe. Sua trajetória transcende a atividade produtiva, tornando-se uma força catalisadora para o empoderamento coletivo.
Em 2007, cofundou a Associação de Mulheres Pescadoras e Artesãs de Grossos (AMPAG), organização referência no RN que reúne mulheres para melhorar condições de vida e renda.
Atualmente, como presidente da instituição, pôde articular parcerias fundamentais para a comunidade, como o projeto “Gente da Maré” com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), iniciativa focada em melhorar a qualidade de vida e a valorização socioeconômica de mais de 1.300 marisqueiras e pescadoras artesanais no Nordeste brasileiro.
“Como presidente e fundadora da AMPAG, mobilizei dezenas de mulheres, criando uma rede de apoio e geração de renda através da comercialização conjunta de mariscos e artesanato com conchas”, destaca Navegante.
Além de sustento para a família, Navegante transforma a mariscagem em instrumento de terapia, resistência cultural e afirmação feminina, promovendo inclusão, gestão comunitária e sustentabilidade. Recentemente, conquistou o reconhecimento de Utilidade Pública para a AMPAG, consolidando seu impacto social.
Algumas de suas conquistas incluem a parceria com o Centro Terra Viva e com a organização suíça Genève Tiers-Monde, para aprimoramento das técnicas de captura. A AMPAG também conseguiu construir uma sede própria e participar de intercâmbios nacionais e internacionais, focados em equidade de gênero, gestão sustentável e valorização da cadeia produtiva.
Reconhecimento
O trabalho da AMPAG, sob a gestão de Navegante, foi um dos finalistas do Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2015. O reconhecimento ajudou a dar visibilidade nacional à causa das marisqueiras da região.
O impacto do trabalho é o aumento da autonomia financeira das associadas, conservação dos manguezais por meio do repasse de boas práticas e o recente reconhecimento da associação como de utilidade pública.
Atualmente, Navegante lidera a busca por um selo artesanal, um marco para a legalização e ampliação mercadológica dos produtos da comunidade, assegurando a perpetuidade da atividade.
Para Navegante, ganhar o Mulheres das Águas representa o reconhecimento pela sua trajetória, que mistura a tradição ancestral com a inovação social. “Meu trabalho demonstra compromisso com a sustentabilidade ao aliar a mariscagem à conservação ambiental, ensinando práticas que garantem o recurso para futuras gerações”, ressaltou.
“O modelo associativo da AMPAG já inspirou outras comunidades, e eu mesma atuo como multiplicadora, compartilhando conhecimentos em redes pelo Nordeste. Ganhar este prêmio não é um reconhecimento apenas pessoal, mas de todas as marisqueiras, validando a força das mulheres das águas como agentes essenciais de desenvolvimento cultural, econômico e ambiental”, concluiu Navagante.
Sobre o Mulheres das Águas - O prêmio foi criado em 2023 para reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na pesca e aquicultura, promovendo práticas sustentáveis e, principalmente, o empoderamento das mulheres que vivem das águas. Esta edição será realizada no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília.
Para saber mais informações sobre esse Tecnologia Social disponível na Rede de Tecnologias Sociais Transforma, acesse aqui.
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