Objetivo
Promover e ampliar o diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil por meio de uma plataforma de teleinterconsulta e apoio continuado. Ajudando a reduzir atrasos no diagnóstico do câncer infantojuvenil por meio do TeleOncoped, conectando profissionais da Atenção Básica a especialistas do ICIA, oferecendo orientação imediata e fluxos de encaminhamento eficiente.
Problema Solucionado
O TeleOncoPed ICIA surgiu diante do atraso recorrente na identificação e no encaminhamento de crianças e adolescentes com suspeita de câncer, um público que exige diagnóstico ágil, pois o câncer infantojuvenil evolui rapidamente e o tempo até o início do tratamento impacta diretamente as chances de cura. Nos municípios do interior, esse atraso é ainda maior devido à escassez de especialistas, à dificuldade de reconhecer sinais precoces e à baixa capacitação da Atenção Primária. Além disso, muitas famílias enfrentam desigualdades de acesso ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente em regiões afastadas dos centros oncológicos. Diante desse cenário, a tecnologia social pode ser implantada em situações em que os profissionais de saúde têm dificuldade para identificar sinais de alerta, necessitam de suporte especializado imediato ou atuam em localidades com acesso limitado à oncologia pediátrica. Nessas realidades, o Tele OncoPed reduz desigualdades, orienta condutas, padroniza encaminhamentos e agiliza o acesso ao tratamento, garantindo que nenhum caso suspeito seja prejudicado pela falta de orientação ou pelo isolamento geográfico.
Descrição
A implantação do TeleOncoPed ICIA baseia-se na trajetória do Instituto do Câncer Infantil do Agreste (ICIA), instituição que há mais de duas décadas atua na promoção do diagnóstico precoce, assistência humanizada e apoio psicossocial a crianças e adolescentes com câncer no interior de Pernambuco.
Ao longo dos anos, o ICIA consolidou forte presença comunitária por meio de campanhas educativas, capacitações presenciais, visitas técnicas e articulação constante com gestores municipais e profissionais da Atenção Primária. A metodologia do TeleOncoPed parte dessa experiência acumulada. O processo inicia-se com a adesão voluntária dos municípios, seguida do mapeamento do fluxo local de atendimento e da apresentação da tecnologia social às equipes de saúde. As capacitações são realizadas de forma continuada, com vídeos online disponíveis na plataforma, materiais técnicos, protocolos de sinais de alerta e acompanhamento ativo das equipes, garantindo que profissionais da ponta se sintam corresponsáveis pelo processo.
A participação da comunidade ocorre tanto por meio do engajamento das equipes municipais de saúde, que são o primeiro contato das famílias, quanto pela orientação direta às famílias durante consultas teleassistidas ou interconsultas. Esse vínculo promove confiança, reduz inseguranças diagnósticas e fortalece a rede local. A interação entre o ICIA e os municípios acontece diariamente por meio da plataforma de teleassistência, que permite compartilhamento de casos suspeitos, análise de exames, orientação de condutas e definição de encaminhamentos prioritários.
O processo é colaborativo, buscando reduzir deslocamentos desnecessários e garantindo que somente casos com real indicação sejam referenciados ao serviço especializado. Os resultados já observados reforçam o impacto social da iniciativa. Municípios participantes relatam maior rapidez na identificação de sinais de alerta, redução de encaminhamentos tardios, melhora na qualidade das suspeitas enviadas e fortalecimento do vínculo entre Atenção Primária e serviço de referência.
Indicadores preliminares incluem aumento no número de casos avaliados em tempo oportuno, redução do tempo médio entre suspeita e consulta especializada e ampliação da cobertura territorial de orientação oncológica pediátrica. Com essa metodologia estruturada, o TeleOncoPed ICIA consolida-se como uma tecnologia social capaz de transformar fluxos, qualificar equipes e reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil.
Recursos Necessários
Para a implantação de uma unidade da Tecnologia Social, são necessários recursos materiais, tecnológicos e humanos que assegurem a execução adequada das atividades assistenciais, de triagem e de acompanhamento dos usuários. No campo dos recursos tecnológicos e materiais, a unidade requer uma plataforma de teleatendimento estruturada, capaz de viabilizar interconsultas, registros de informações e comunicação entre os profissionais envolvidos. A infraestrutura mínima inclui computador de mesa e notebook, destinados ao gerenciamento de dados, realização dos atendimentos remotos e apoio às atividades administrativas. Também são utilizados materiais de apoio visual, como banners de Classificação de Risco, fundamentais para orientar os fluxos de atendimento e auxiliar na organização dos processos de triagem.
Em relação aos recursos humanos, a Tecnologia Social conta com equipe multiprofissional composta por Enfermeiro Sanitarista ou Coordenador Epidemiológico, responsável pela coordenação técnica; Enfermeiro(a) de Triagem, encarregado(a) da avaliação inicial e classificação de risco; e Médico(a) Oncopediatra, responsável pelas interconsultas especializadas, gravação dos vídeos de apoio e suporte clínico. A atuação integrada da equipe assegura a qualidade dos atendimentos e a efetividade da Tecnologia Social.
Resultados Alcançados
O TeleOncoPed ICIA foi implantado de forma estratégica em municípios do Agreste e regiões circunvizinhas, consolidando-se como uma inovação em oncologia pediátrica. Até outubro de 2025, o programa está presente em Caruaru, Bonito, Brejo da Madre de Deus, Barra de Guabiraba, Bezerros, Paranatama, Panelas, Toritama e Ibirajuba, fortalecendo a rede de cuidado e ampliando o acesso à assistência especializada. Atualmente, alcança cerca de 150 mil crianças e adolescentes dependentes do SUS, dos quais 90% são usuários exclusivos, totalizando 164.200 pessoas diretamente beneficiadas.
O monitoramento é realizado pela própria plataforma do TeleOncoPed, que reúne indicadores epidemiológicos, registra teleinterconsultas e orienta ações conforme o perfil de cada município. O programa se estrutura em três eixos: educação em saúde, com divulgação de informações sobre sinais de alerta e importância do diagnóstico precoce; capacitação profissional, por meio de aulas on-line com oncologistas pediátricos; e teleinterconsulta especializada, disponível via canal 0800, de segunda a sexta-feira, apoiando equipes municipais e agilizando o acesso à avaliação especializada.
A relevância do diagnóstico precoce é reforçada por diretrizes do INCA e da Sociedade Brasileira de Pediatria, que apontam aumento das chances de cura para até 80% quando o câncer infantojuvenil é identificado precocemente. Nesse contexto, o TELEONCOPED reduz barreiras geográficas, fortalece a regionalização do cuidado e amplia o acesso à oncologia pediátrica especializada em Pernambuco.
Além dos resultados quantitativos, também foram observados impactos qualitativos importantes. Profissionais da Atenção Primária relatam maior segurança na identificação de sinais de alerta e melhor compreensão dos fluxos de encaminhamento. Gestores municipais destacam a agilidade na tomada de decisão clínica e a redução de inseguranças diagnósticas. Famílias atendidas expressam satisfação com o atendimento remoto, sobretudo pela diminuição de deslocamentos e pelo acesso rápido às orientações especializadas.
O acompanhamento dos resultados ocorre de forma contínua pela plataforma, que consolida dados, acompanha o fluxo dos casos suspeitos e monitora tempos entre suspeita, avaliação e encaminhamento. Essas informações são analisadas periodicamente pelo ICIA em conjunto com os municípios parceiros, garantindo aprimoramento constante do processo.
Público atendido
Crianças
Adolescentes
Famílias de Baixa Renda
Profissionais da Saúde
Comentários