Objetivos específicos
Objetivo Geral
Contribuir para a redução das desigualdades étnico-raciais e para o fortalecimento do direito à comunicação, em alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 10 (Redução das Desigualdades), 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), 4 (Educação de Qualidade) e 13 (Ação Climática), por meio da implantação de rádios digitais comunitárias articuladas em rede e da formação continuada de comunicadores indígenas e quilombolas, ampliando o acesso à informação confiável, à participação social e à incidência política.
Objetivos Específicos
- Implantar e fortalecer rádios digitais comunitárias indígenas e quilombolas, utilizando uma metodologia replicável de baixo custo, contribuindo para a redução das desigualdades no acesso à comunicação (ODS 10).
- Articular uma rede nacional de rádios comunitárias, promovendo o intercâmbio de conteúdos, saberes e experiências entre territórios, fortalecendo a participação social e a democracia comunicacional (ODS 16).
- Metodologia de formação jovens comunicadores indígenas e quilombolas por meio da Escola de Rádio e Clima, promovendo educação intercultural, formação crítica e aprendizagem prática em comunicação popular e jornalismo climático (ODS 4).
- Metodologia de treinamento em comunicação e clima feita por lideranças comunicacionais dos movimentos indígenas e quilombolas, ampliando sua capacidade de atuação em espaços de decisão política e incidência pública, nacionais e internacionais (ODS 16).
- Consolidar um laboratório e estúdio de rádio no âmbito do MESPT/UnB, como espaço permanente de formação, produção e extensão universitária voltado a povos e comunidades tradicionais (ODS 4 e 16).
- Ampliar a circulação de informações confiáveis sobre mudanças climáticas, direitos territoriais e políticas públicas, produzidas a partir dos territórios e saberes tradicionais (ODS 13).
- Fortalecer a sustentabilidade das iniciativas de comunicação comunitária surgidas durante a pandemia de COVID-19, garantindo continuidade institucional, formação e articulação em rede (ODS 10 e 16).
- Sistematizar e difundir uma tecnologia social reaplicável, passível de ser adotada por outros territórios, universidades e comunidades tradicionais (ODS 10 e 4).
Problema Solucionado
A pandemia de COVID-19 expôs e agravou desigualdades estruturais que afetam povos indígenas e quilombolas no Brasil. Essas populações sofreram altos índices de contágio e mortalidade, e enfrentaram a falta de políticas públicas de comunicação, educação em saúde e acesso a informações específicas para suas realidades. Durante a crise, a ausência do Estado na produção de informações adequadas em suas línguas e contextos culturais intensificou a circulação de desinformação e aumentou a vulnerabilidade socioeconômica dessas comunidades.
Nesse cenário, jovens comunicadores indígenas e quilombolas emergiram como protagonistas na produção e difusão de informações confiáveis, criando canais próprios, conteúdos educativos e estratégias de comunicação comunitária que preencheram lacunas deixadas pelo poder público. Essa ação coletiva foi crucial para disseminar orientações de saúde, cuidados territoriais e narrativas de resistência, reforçando a necessidade de fortalecer a comunicação autônoma.
A partir dessa experiência concreta, identificou-se a necessidade de consolidar soluções replicáveis que unam implantação de rádios digitais comunitárias e formação estruturada de comunicadores, capazes de atuar em contextos de ausência institucional, desinformação e vulnerabilidade. Essa foi a motivação para a criação da Rede de Rádios dos Povos e da Escola de Rádio e Clima — tecnologia social concebida por comunicadores indígenas e quilombolas para ampliar vozes historicamente marginalizadas e fortalecer autonomia comunicacional nos territórios.
Descrição
A Rede de Rádios dos Povos: Tecnologia Social para Implantação de Rádios Digitais Indígenas e Quilombolas é uma tecnologia social estruturada para fortalecer o direito à comunicação e a igualdade étnico-racial por meio de dois eixos integrados e replicáveis: a implantação de rádios digitais comunitárias articuladas em rede e a formação continuada de comunicadores indígenas e quilombolas por meio da Escola de Rádio e Clima. A metodologia foi desenvolvida a partir de experiências práticas acumuladas por comunicadores indígenas e quilombolas e sistematizada no âmbito do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT/UnB).
Fase 1 – Mobilização, escuta e diagnóstico territorial
O processo inicia com a mobilização de comunicadores, lideranças e jovens indígenas e quilombolas, em diálogo com organizações de base e redes já existentes. São realizadas rodas de conversa, reuniões de planejamento e escutas qualificadas para identificar demandas comunicacionais, temas prioritários, línguas faladas, riscos associados à desinformação e condições locais de infraestrutura. Essa etapa garante que a iniciativa responda às realidades específicas de cada território e fortalece o protagonismo comunitário desde o início.
Fase 2 – Co-criação da metodologia e governança
Com base no diagnóstico, são definidos coletivamente o modelo de governança da rádio, os fluxos de decisão, as responsabilidades da equipe, a periodicidade da programação e os critérios editoriais. Essa fase inclui a pactuação entre universidade, movimentos sociais e comunicadores, assegurando uma governança compartilhada, realista e adaptada às agendas dos envolvidos. A construção da identidade da rádio — nome dos programas, formatos e linguagens — também ocorre de forma coletiva.
Fase 3 – Formação por meio da Escola de Rádio e Clima
A Escola de Rádio e Clima é o eixo formativo da tecnologia social e funciona como disciplina e programa replicável de formação. A metodologia combina aulas teóricas e práticas sobre comunicação popular, jornalismo climático, enfrentamento à desinformação, roteiro, locução, captação e edição de áudio, ética na comunicação e segurança digital. As atividades são ministradas por docentes do MESPT/UnB, comunicadores indígenas e quilombolas experientes e convidados externos. Os participantes produzem conteúdos reais que passam a integrar a programação da rádio, garantindo aprendizado prático e aplicação imediata.
Fase 4 – Implantação da rádio digital e do laboratório
Paralelamente à formação, ocorre a implantação da infraestrutura da rádio. A metodologia prioriza soluções de baixo custo e alta adaptabilidade, incluindo a adequação de uma sala de aula da UnB em estúdio de rádio, com tratamento acústico, climatização, equipamentos básicos e softwares acessíveis. Esse espaço funciona como laboratório permanente de comunicação, aberto ao uso dos estudantes do MESPT, dos movimentos sociais parceiros e dos comunicadores da rede.
Fase 5 – Produção colaborativa e articulação em rede
Com a rádio em funcionamento, iniciam-se as transmissões regulares de programas produzidos por comunicadores indígenas e quilombolas. A rádio nacional atua como articuladora de uma rede, incorporando conteúdos de rádios comunitárias locais e promovendo intercâmbio entre territórios. São realizadas coberturas colaborativas de eventos estratégicos, como conferências climáticas, fortalecendo a incidência política e a circulação de informações confiáveis.
Fase 6 – Monitoramento, avaliação e sistematização
A iniciativa prevê acompanhamento contínuo das atividades, com avaliação participativa dos resultados, desafios e aprendizados. São produzidos relatórios narrativos, registros audiovisuais e materiais pedagógicos que sistematizam a metodologia, garantindo sua reaplicação em novos territórios, universidades e contextos comunitários.
Parcerias
O MESPT/UnB atua como instituição proponente, responsável pela coordenação acadêmica, curricularização da Escola de Rádio e Clima e disponibilização da infraestrutura física. A APIB e a CONAQ participam da concepção política, da articulação de comunicadores e da definição de pautas estratégicas. Redes e rádios comunitárias indígenas e quilombolas contribuem com conteúdos, experiências e formação prática, fortalecendo o caráter coletivo e replicável da tecnologia social.
Resultados Alcançados
A implantação da Rede de Rádios dos Povos e da Escola de Rádio e Clima apresenta resultados consistentes, combinando indicadores quantitativos e qualitativos que evidenciam o impacto, a capilaridade e o potencial de expansão da tecnologia social.
Resultados Quantitativos
Desde a inauguração oficial do estúdio da Rádio Nacional dos Povos, em 01 de agosto, foram realizadas 14 edições do programa Estúdio Roça, com periodicidade semanal, produzidas e apresentadas por comunicadores indígenas e quilombolas. O programa se organiza a partir de um arranjo criativo de quadros fixos, como Fala Comigo, Parente, Mães em Movimento e Avós do Brasil, ampliando a diversidade de vozes, gerações e perspectivas na programação.
No âmbito da incidência internacional, a iniciativa realizou cobertura colaborativa da COP16 da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Cali, Colômbia, priorizando a tradução e amplificação de temas estratégicos para povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, como acesso a recursos genéticos, repartição de benefícios, financiamento da biodiversidade e reconhecimento de povos afrodescendentes no marco da Convenção. Durante essa cobertura, os conteúdos produzidos foram transmitidos digitalmente e retransmitidos por 25 rádios comunitárias na Colômbia, em colaboração com a Comisión Nacional de Territorios Indígenas (CNTI), ampliando o alcance territorial e fortalecendo a articulação internacional entre comunicadores indígenas.
Durante a COP30, a iniciativa estruturou e operou um estúdio móvel como centro de produção e transmissão, realizando 8 edições ao vivo do Jornal da COP, 6 programas internacionais ao vivo em parceria com mídias latino-americanas e a produção de reportagens, boletins e entradas ao vivo diretamente dos espaços oficiais e paralelos da conferência.
Em fases anteriores, destacam-se ainda a realização de 4 programas piloto ao vivo e 5 episódios de podcast, mais de 1.000 downloads do episódio piloto “Medo e Delírio dos Parentes em Brasília” e a criação de um grupo de WhatsApp com cerca de 300 participantes, fortalecendo a interação comunitária.
A iniciativa consolidou presença digital contínua por meio do site institucional, do Instagram e do canal oficial no YouTube, que funciona como plataforma complementar de transmissão e repositório audiovisual dos conteúdos produzidos, ampliando o acesso assíncrono e preservando a memória comunicacional.
No eixo formativo, a Escola de Rádio e Clima realizou 2 módulos da disciplina de pós-graduação, com a participação de 20 professores, comunicadores e especialistas convidados, integrando formação acadêmica, prática radiofônica e produção real de conteúdos.
Ao todo, a iniciativa envolveu 66 pessoas, entre comunicadores, produtores, técnicos, formadores e colaboradores, sendo 56% com marco étnico (indígenas, quilombolas, pessoas negras ou de comunidades tradicionais).
Resultados Qualitativos
Os resultados qualitativos incluem o fortalecimento do protagonismo comunicacional indígena e quilombola, o reconhecimento da rádio como espaço legítimo de comunicação dos movimentos sociais, o aumento da confiança das comunidades nas informações produzidas e a valorização da memória ancestral por meio de conteúdos intergeracionais.
Acompanhamento e Avaliação
O acompanhamento é realizado por meio de relatórios narrativos e financeiros, registros audiovisuais, decupagem dos programas, monitoramento de engajamento nas plataformas digitais e avaliações qualitativas com comunicadores, parceiros e comunidades, orientando ajustes contínuos e a expansão da tecnologia social.
Público atendido
- A Rede de Rádios dos Povos adota um modelo de interação comunitária estruturado
- contínuo e transversal a todas as etapas da iniciativa
- assegurando a participação efetiva de comunicadores indígenas e quilombolas nos processos de planejamento
- execução
- monitoramento e avaliação da tecnologia social. A comunidade é parte estruturante do desenho criativo
- da produção de conteúdos e do arranjo operacional e de governança.Na etapa de planejamento
- a interação ocorre por meio de reuniões periódicas de organização editorial e definição de escalas de participação. Comunicadores indígenas e quilombolas participam da construção coletiva das pautas
- da definição de prioridades temáticas
- dos formatos dos programas e da articulação das agendas institucionais do MESPT/UnB
- da APIB e da CONAQ. Esse processo garante alinhamento entre demandas territoriais
- agendas políticas e objetivos formativos da iniciativa.Durante a execução
- a comunidade participa diretamente da produção e apresentação dos programas
- da elaboração de roteiros
- da definição dos quadros e da condução das transmissões ao vivo. A interação com ouvintes é sistematizada por meio de canais digitais
- especialmente grupos de WhatsApp
- mensagens de áudio e participação em tempo real
- permitindo diálogo direto
- escuta ativa e incorporação de contribuições do público comunitário.O monitoramento é realizado a partir de procedimentos técnicos
- como a decupagem integral dos programas
- análise de engajamento
- registro de temas recorrentes e organização dos conteúdos derivados. As reações da audiência
- o retorno das rádios parceiras e as demandas dos territórios são sistematicamente observados e utilizados para ajustes editoriais e operacionais.Na avaliação
- a iniciativa incorpora mecanismos progressivos de análise coletiva
- com foco na fase de expansão da tecnologia social. Estão previstos momentos de avaliação participativa envolvendo comunicadores
- parceiros institucionais e representantes comunitários
- com o objetivo de revisar fluxos de produção
- governança
- qualidade dos conteúdos e impacto da iniciativa.Esse modelo de interação assegura transparência
- corresponsabilidade e adaptação contínua da tecnologia social
- permitindo que a metodologia seja replicada em novos territórios indígenas e quilombolas
- respeitando suas especificidades socioculturais e fortalecendo o direito coletivo à comunicação.
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