Objetivos específicos
Formar com consciência racial e fortalecer gestores escolares negros e antirracistas como agentes de transformação na educação pública, enfrentando o racismo estrutural por meio da metodologia de aquilombamento e de redes de comunidades de prática.
Problema Solucionado
O racismo estrutural na educação brasileira impacta diretamente a trajetória de estudantes negros, refletindo em desigualdades de acesso, permanência e desempenho escolar. Dados do IBGE e do Inep evidenciam que jovens negros apresentam maiores taxas de evasão e menores índices de conclusão no ensino médio. Além disso, gestores escolares carecem de formação específica para enfrentar práticas discriminatórias e implementar políticas antirracistas. Essa lacuna perpetua desigualdades e limita o potencial transformador da escola pública. O Quilombo Educacional surge para enfrentar esse cenário, oferecendo suporte metodológico e comunitário a gestores comprometidos com a equidade racial, criando espaços de aquilombamento que fortalecem práticas inclusivas e replicáveis em diferentes territórios. A necessidade deste projeto surgiu a partir dos dados analisados pelo Mapa Preto da Educação, que evidenciam o desafio do racismo estrutural nas escolas. Existem muitas ações e materiais voltados para professores, e isso é valioso, mas, mesmo após 20 anos de esforços, pouca coisa mudou de forma estrutural. Talvez seja hora de reconhecer que a transformação precisa vir também de cima.
Não adianta termos professores antirracistas enfrentando sozinhos os racismos. É fundamental que os gestores estejam comprometidos com essa luta. O antirracismo precisa atravessar todas as dimensões do ambiente escolar, da portaria e compra da merenda à sala de aula. Por isso, o gestor escolar deve assumir sua responsabilidade e um papel ativo, com postura organizada e articulada em redes de apoio, para que a escola como um todo se torne um espaço verdadeiramente antirracista. A tecnologia é mais uma das várias ações que colocam em prática as Leis 10.639/03 e 11.645/08. Ao treinar a alta liderança no ambiente escolar, criamos aliados e combatemos o racismo estrutural em sua essência durante a janela formativa de novas gerações.
Descrição
O Quilombo Educacional é uma tecnologia social fundamentada na articulação entre o conceito de aquilombamento e a metodologia de comunidades de prática, aplicada ao contexto da gestão escolar. Inspirado na tradição histórica dos quilombos como espaços de resistência e autonomia, e nas teorias contemporâneas de aprendizagem colaborativa, o projeto promove a formação de uma rede nacional de gestores escolares negros e antirracistas, que compartilham experiências, constroem soluções coletivas e fortalecem sua atuação contra o racismo estrutural na educação pública brasileira.
A iniciativa organiza-se em módulos temáticos que abordam letramento racial, liderança inclusiva, gestão escolar com foco na equidade racial, práticas pedagógicas para a inclusão, estratégias de combate ao racismo nas escolas, liderança compartilhada com professores e formação de alianças para promoção de ações antirracistas. Esses conteúdos emergem das próprias interações entre os gestores, garantindo que a formação seja responsiva às necessidades reais vividas nas escolas.
A metodologia combina encontros online síncronos, aulas presenciais, workshops temáticos, autoinstrução e apoio de facilitadores locais, totalizando 60 horas de formação. Cada etapa é estruturada para integrar teoria e prática, estimulando a reflexão crítica e a aplicação imediata dos conceitos aprendidos. Além disso, os participantes são incentivados a desenvolver e implementar projetos antirracistas em suas escolas, assegurando que o impacto da formação se traduza em mudanças concretas no cotidiano escolar.
O processo de aquilombamento, entendido como prática coletiva de resistência e fortalecimento comunitário, é o eixo central da iniciativa. Ele cria um espaço seguro e colaborativo onde gestores negros podem compartilhar vivências, enfrentar desafios comuns e construir estratégias coletivas de transformação. Essa rede de apoio fortalece a identidade e a liderança dos gestores, promovendo uma gestão escolar mais equitativa e inclusiva.
A avaliação de impacto é realizada por meio de diários semanais de atividades, checkpoints mensais, entrevistas presenciais e grandes avaliações de impacto antes, durante e após a formação. Essa sistematização permite monitorar o progresso dos participantes, adaptar continuamente a metodologia e mensurar os resultados em termos de práticas antirracistas implementadas nas escolas.
O Quilombo Educacional conta com a parceria de instituições como o Instituto Unibanco e secretarias estaduais de educação, que oferecem suporte financeiro, logístico e institucional. O Instituto GUETTO, proponente da iniciativa, coordena o processo formativo, sistematiza as práticas e promove a disseminação dos resultados por meio de materiais como o e-book de boas práticas elaborado pelos gestores participantes.
Em síntese, o Quilombo Educacional é uma tecnologia inovadora que integra saberes ancestrais e metodologias contemporâneas para formar gestores escolares capazes de enfrentar o racismo estrutural e promover a equidade racial na educação pública. Sua força está na combinação entre teoria e prática, na construção coletiva de conhecimento e na criação de uma rede nacional de gestores comprometidos com a transformação social.
Resultados Alcançados
O Quilombo Educacional em sua aplicação piloto já alcançou resultados significativos tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, consolidando-se como uma tecnologia social de impacto na educação pública.
Resultados quantitativos:
Foram diretamente envolvidos 54 gestores escolares negros e antirracistas, distribuídos da seguinte forma:
- Sergipe (SE) – 16 gestores
- Alagoas (AL) – 26 gestores
- Maranhão (MA) – 12 gestores
A iniciativa também realizou um intercâmbio presencial no Rio de Janeiro (RJ), reunindo 21 gestores de SE, AL, MA, MG, SP, ES e RJ, fortalecendo vínculos, ampliando a rede e aprofundando a troca de saberes entre pares.
Além disso, o evento de lançamento do e-book de boas práticas reuniu mais de 100 profissionais da educação, incluindo representantes das secretarias estaduais, gestores escolares e convidados.
O impacto indireto da iniciativa alcançou mais de 33 mil pessoas, considerando:
- 12 mil alunos das escolas participantes;
- 860 professores envolvidos no cotidiano escolar;
- aproximadamente 20,4 mil familiares, estimados com base no tamanho médio dos domicílios brasileiros (2,7 pessoas por domicílio, segundo o IBGE).
Resultados qualitativos:
Fortalecimento da identidade e da liderança de gestores negros, que relataram maior segurança para identificar situações de racismo em suas escolas.
Ampliação da consciência crítica e da capacidade de implementar práticas pedagógicas inclusivas e antirracistas.
Criação de vínculos duradouros entre gestores de diferentes estados, consolidando uma rede nacional de apoio e troca de saberes.
Produção de um e-book de boas práticas, elaborado por nove gestores, sistematizando experiências e garantindo replicabilidade da metodologia.
Parcerias institucionais: Os resultados foram possíveis graças às parcerias com as Secretarias de Educação de Alagoas, Maranhão e Sergipe, além da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos de Alagoas e da Secretaria de Igualdade Racial do Maranhão, que ofereceram apoio institucional. O Instituto Unibanco contribuiu com financiamento e suporte técnico, fortalecendo a viabilidade da iniciativa. O Instituto GOL contribuiu com apoio logístico para deslocamentos e encontros presenciais. E do Instituto GUETTO por ter executado e operacionalizado toda essa tecnologia piloto.
Em síntese, o Quilombo Educacional não apenas formou gestores, mas também consolidou uma rede de resistência e transformação, ampliando o alcance da educação antirracista e fortalecendo políticas públicas de equidade racial.
Público atendido
- O Quilombo Educacional envolve a comunidade escolar em todas as etapas de sua implementação
- fundamentando-se na metodologia de aquilombamento em comunidades de prática. Desde o planejamento
- gestores escolares e secretarias de educação participam da definição de prioridades. Durante a execução
- os encontros síncronos
- workshops e atividades presenciais são construídos de forma colaborativa
- permitindo que os conteúdos emergentes reflitam as necessidades reais vividas nas escolas por esses gestores. A comunidade participa ativamente por meio de trocas de saberes entre pares
- relatos de experiências e construção coletiva de soluções para os desafios da gestão escolar. Esse processo cria um espaço seguro e de resistência
- onde gestores negros fortalecem sua identidade e liderança
- e professores são integrados em práticas de liderança compartilhada. O monitoramento e avaliação também são participativos: os gestores registram suas atividades em diários semanais
- participam de entrevistas e checkpoints mensais
- e colaboram na sistematização de boas práticas. Essa interação contínua garante que a iniciativa seja enraizada nas demandas locais e que a comunidade tenha voz ativa nas decisões
- consolidando o caráter coletivo e emancipador da tecnologia social.
Comentários