Objetivo
Contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Infantil nas redes públicas por meio de uma metodologia estruturada de diagnóstico, formação continuada, acompanhamento pedagógico e fortalecimento da gestão educacional, promovendo práticas qualificadas, ambientes de aprendizagem adequados e o desenvolvimento integral das crianças.
Problema Solucionado
A criação do Programa de Aprimoramento da Educação Infantil (PAEI) decorre da constatação de fragilidades estruturais e pedagógicas recorrentes nas redes públicas de Educação Infantil, evidenciadas a partir de diagnósticos realizados em municípios parceiros. Entre os principais problemas identificados estão a ausência de monitoramento sistemático da qualidade dos ambientes de aprendizagem, a fragilidade no acompanhamento das práticas pedagógicas, a insuficiência de processos estruturados de formação continuada e a falta de protocolos claros para gestão, infraestrutura e segurança das unidades educacionais. Observou-se também a dificuldade das redes em transformar avaliações pontuais em instrumentos de gestão pedagógica, bem como a escassez de dados organizados para subsidiar decisões estratégicas das Secretarias de Educação. Essas lacunas impactam diretamente a qualidade das interações, das práticas educativas e do desenvolvimento integral das crianças. Diante desse cenário, o PAEI foi desenvolvido como uma tecnologia social capaz de estruturar diagnósticos, orientar ações formativas, fortalecer a gestão educacional e promover melhorias contínuas e mensuráveis na Educação Infantil.
Descrição
Desenvolvida a partir da atuação continuada do Instituto Fefig junto a redes públicas municipais de Educação Infantil, a tecnologia social resulta de um trabalho histórico de cooperação com Secretarias de Educação, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, professores e famílias. Sua metodologia é construída de forma participativa, envolvendo a comunidade escolar nos processos de diagnóstico, análise dos resultados e definição de prioridades. A interação acontece por meio de observações em contexto real, entrevistas, escuta das famílias e devolutivas coletivas, promovendo a apropriação dos dados e o protagonismo dos atores locais. Evidências quantitativas e qualitativas demonstram impactos positivos, como avanços nas aprendizagens essenciais das crianças, fortalecimento da supervisão pedagógica, institucionalização de rotinas de acompanhamento e ampliação da capacidade técnica das redes públicas atendidas.
Fase 1 – Articulação institucional e planejamento
A implementação da tecnologia inicia-se com a articulação entre a instituição responsável e a Secretaria Municipal de Educação, envolvendo gestores, coordenadores pedagógicos e equipes técnicas. Nessa etapa, são pactuados objetivos, responsabilidades, cronograma e a definição das unidades educacionais participantes, assegurando o compromisso institucional e a adequação da metodologia ao contexto local.
Fase 2 – Diagnóstico da Educação Infantil
Realiza-se o diagnóstico da rede a partir da aplicação sistematizada de instrumentos avaliativos reconhecidos, como a Escala de Avaliação dos Ambientes de Aprendizagem dedicados à Primeira Infância (EAPI) e o Instrumento de Avaliação das Aprendizagens na Primeira Infância (INAPI). O processo envolve observações diretas das práticas pedagógicas, entrevistas com professores, gestores e coordenadores, além da escuta das famílias, produzindo um panorama detalhado sobre infraestrutura, segurança, currículo, interações, gestão, inclusão, alimentação e desenvolvimento das crianças.
Fase 3 – Sistematização e devolutiva dos dados
Os dados coletados são organizados e analisados, resultando em relatórios técnicos que evidenciam avanços, fragilidades e prioridades da rede. Esses resultados são apresentados às equipes das Secretarias de Educação e às unidades escolares, promovendo a apropriação coletiva das informações e subsidiando a tomada de decisão baseada em evidências.
Fase 4 – Formação continuada e fortalecimento das equipes
Com base no diagnóstico, o PAEI implementa ciclos de formação continuada direcionados a gestores, coordenadores pedagógicos e professores da Educação Infantil. As formações abordam temas como identidade da Educação Infantil, planejamento pedagógico, mediação, registro, supervisão da prática docente e uso dos instrumentos avaliativos. A metodologia prioriza a construção de capacidades locais, promovendo a formação de formadores e a autonomia progressiva das equipes da rede.
Fase 5 – Implementação de protocolos e rotinas de acompanhamento
São desenvolvidos e incorporados à rotina da rede protocolos de supervisão pedagógica, acompanhamento de infraestrutura e segurança, bem como rotinas de trabalho para gestores e coordenadores pedagógicos. Esses instrumentos orientam o acompanhamento diário, semanal, mensal e anual das unidades educacionais, fortalecendo a gestão pedagógica e institucional.
Fase 6 – Monitoramento e melhoria contínua
A tecnologia prevê o monitoramento periódico das práticas e dos resultados, com reaplicação dos instrumentos avaliativos e acompanhamento das ações formativas. Esse processo permite mensurar avanços no desenvolvimento das crianças, nas práticas pedagógicas e na organização da rede, promovendo ajustes contínuos e garantindo a sustentabilidade da iniciativa.
Interação com a comunidade e reaplicabilidade
Ao longo de todas as etapas, o PAEI envolve ativamente a comunidade escolar - gestores, educadores e famílias - no diagnóstico, na interpretação dos resultados e na implementação das melhorias. A tecnologia é sistematizada por meio de instrumentos, protocolos e rotinas documentadas, possibilitando sua reaplicação em diferentes municípios e contextos, respeitando as especificidades locais e fortalecendo políticas públicas de Educação Infantil.
Recursos Necessários
Entre os recursos materiais necessários para a implantação de uma unidade da Tecnologia Social estão:
Protocolos impressos ou digitais, incluindo:
- Protocolo de supervisão pedagógica baseado na observação da prática docente (conforme Conquistas 2025 - supervisão);
- Protocolo de acompanhamento de infraestrutura e segurança (ficha com itens de acompanhamento diário, semanal, mensal, semestral e anual).
Instrumentos avaliativos sistematizados, que estruturam a reaplicação da tecnologia:
- EAPI - Escala de Avaliação dos Ambientes de Aprendizagem dedicados à Primeira Infância (transferência de tecnologia e coleta pelos atores da rede);
- INAPI - Instrumento de Avaliação das Aprendizagens na Primeira Infância (formação para uso e aplicação nos municípios);
- INCARE – Protocolo de entrevistas para mapeamento e caracterização das responsabilidades educacionais das redes (utilizado no diagnóstico institucional).
Materiais de apoio à formação utilizados nos ciclos formativos (temas, módulos, conteúdos sistematizados), conforme os cronogramas e conteúdos apresentados nos anexos.
Documentos e relatórios estruturados, que fazem parte do processo de implantação e devolutivas (relatórios do INCARE, EAPI, INAPI, devolutivas gerais e por município, e documento final).
Infraestrutura mínima para execução das atividades: espaços para realização de formações, condições para impressão/uso dos protocolos e instrumentos e organização das rotinas de coordenadores e gestores.
Resultados Alcançados
Após a experiência em Patos, na Paraíba (PB) que atendeu mais de 2 mil crianças, a expansão e implantação da tecnologia social alcançou 17 municípios em Santa Catarina (SC), diretamente com gestores escolares, coordenadores pedagógicos, professores da Educação Infantil e equipes técnicas de Secretarias Municipais de Educação, com a participação direta de mais de 100 formadores, além de gestores e profissionais das unidades educacionais atendidas. Indiretamente, os resultados impactam crianças matriculadas na Educação Infantil dessas redes, beneficiadas pela qualificação das práticas pedagógicas e da gestão.
Entre os resultados quantitativos, destacam-se: a aplicação sistemática dos instrumentos EAPI e INAPI como base diagnóstica e de monitoramento; a construção e implementação de protocolos de supervisão pedagógica utilizados pelos coordenadores; de acompanhamento de infraestrutura e segurança, com rotinas definidas de verificação diária, semanal, mensal, semestral e anual; e o fortalecimento institucional das redes, evidenciado pela ampliação de equipes técnicas exclusivas de Educação Infantil e pela consolidação de Núcleos de Educação Infantil nas Secretarias Municipais.
Foram realizados ciclos estruturados de formação continuada, com foco na identidade da Educação Infantil, planejamento pedagógico, mediação, registro e uso de instrumentos avaliativos. Um resultado relevante foi a transferência progressiva da tecnologia formativa, permitindo que as próprias redes assumissem o planejamento e a condução das formações, fortalecendo a autonomia institucional e a sustentabilidade da iniciativa.
Os resultados qualitativos indicam mudanças consistentes nas práticas pedagógicas e de gestão. Gestores, coordenadores e professores relatam maior clareza sobre seus papéis profissionais, aumento da segurança no uso de dados para tomada de decisão, melhoria na supervisão e maior alinhamento entre práticas educativas e políticas públicas. Também foram observadas percepções positivas quanto à organização dos ambientes de aprendizagem e à intencionalidade das práticas voltadas ao desenvolvimento integral das crianças.
O acompanhamento dos resultados foi realizado por meio da reaplicação periódica dos instrumentos avaliativos, da análise comparativa dos dados produzidos, de relatórios técnicos, de devolutivas coletivas às redes e do registro sistemático das formações e protocolos implementados, garantindo o monitoramento contínuo e a mensuração dos impactos gerados.
Público atendido
Alunos do Ensino Básico
Crianças
Diretor de Escola
Gestores Públicos
Professores do Ensino Básico
Adulto
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