Objetivo
Promover acesso contínuo, ético e supervisionado à psicoterapia para mulheres em vulnerabilidade socioeconômica e emocional, fortalecendo autonomia, bem-estar e proteção psicossocial. A metodologia busca reduzir barreiras históricas de acesso à saúde mental e ampliar oportunidades de atuação qualificada para psicólogas em início de carreira.
Problema Solucionado
Mulheres em vulnerabilidade enfrentam dificuldades estruturais para acessar psicoterapia contínua, segura e ética. Filas extensas na rede pública, atendimentos pontuais, falta de continuidade e ausência de suporte especializado fazem com que sofrimentos como ansiedade, depressão, violência de gênero, sobrecarga de trabalho, maternidade solo e impactos do racismo permaneçam sem cuidado adequado. Ao mesmo tempo, psicólogas recém-formadas têm pouca oportunidade de exercer a prática clínica com supervisão, recebendo baixa remuneração ou enfrentando informalidade.
A soma dessas lacunas impede que mulheres que mais necessitam de cuidado psicológico tenham acesso ao serviço.
A Metodologia Gilu resolve esse problema ao criar uma ponte estruturada, digital e de baixo custo entre mulheres de baixa renda e psicólogas em início de carreira. Oferece acolhimento, triagem, pareamento qualificado, psicoterapia contínua, supervisão técnica, prontuário eletrônico e acompanhamento, garantindo acesso regular à saúde mental e fortalecendo redes femininas de cuidado.
Descrição
A Metodologia Gilu de Acesso à Psicoterapia para Mulheres em Vulnerabilidade organiza o processo de cuidado em etapas claras e contínuas. Mulheres interessadas se inscrevem por formulário e passam por triagem socioeconômica e emocional, para checagem de critério financeiro (renda familiar per capta de 1 salário mínimo) e demanda. Paralelamente, psicólogas recém-formadas são selecionadas por análise curricular, comprovação profissional e entrevista, passando por onboarding com manual, código de ética e treinamento. Após essa preparação, ocorre o pareamento entre paciente e psicóloga, considerando perfis, temáticas e disponibilidade.
O atendimento é semanal, por videochamada, durante seis meses, renováveis por mais seis. Todas as sessões são registradas em prontuário eletrônico, que também contabiliza presenças, faltas, remarcações e continuidade. A responsável técnica oferece suporte diário às psicólogas, e há intervisões quinzenais para alinhamento ético, discussão de casos e fortalecimento profissional. As mulheres têm contato direto com a equipe por e-mail e pela ouvidoria. A finalização do acompanhamento é planejada, dialogada e, quando necessário, acompanhada de encaminhamento para serviços públicos como CAPS, CRAS, CREAS, Defensoria Pública ou Delegacia da Mulher.
A metodologia foi construída de forma colaborativa desde 2020, quando a Gilu nasceu a partir da escuta de psicólogas recém-formadas e de mulheres que enfrentavam sofrimento emocional, violência e dificuldades severas de acesso à saúde mental. A organização emergiu como resposta às filas no SUS, atendimentos pontuais e à dificuldade de continuidade em serviços públicos. Em seus primeiros anos, a Gilu atuou de forma independente e baseada na comunidade, consolidando fluxos, critérios de acesso, protocolos éticos, processos administrativos e instrumentos de triagem que foram sendo aperfeiçoados a partir da prática.
O histórico da instituição reflete sua vocação comunitária: desde 2020, mais de 250 mulheres foram atendidas por pelo menos 3 meses, mais de 5.000 a 6.000 sessões foram realizadas e 67 psicólogas participaram da rede, sendo 12 ativas atualmente. As transformações da metodologia como revisão de critérios, aprimoramento da triagem, política de faltas, linguagem mais acessível e ajustes no acolhimento, foram guiadas diretamente pelas necessidades percebidas e relatadas pela própria comunidade usuária.
A participação da comunidade ocorre de forma contínua. A ouvidoria é aberta e ativa, recebendo relatos, sugestões e devolutivas que orientam as mudanças. Formulários de avaliação permitem que mulheres expressem sua percepção de melhora, dificuldades e expectativas. As psicólogas são coautoras da metodologia: participam de intervisões quinzenais, discutem casos, levantam necessidades emergentes e colaboram nos ajustes internos. Esses espaços garantem que a metodologia seja viva, adaptável e construída coletivamente.
A interação da Gilu com a comunidade se dá também por meio de conteúdos educativos em saúde mental, apoio técnico constante, escuta ativa e orientação para acesso à rede pública de proteção. Essa atuação fortalece o exercício de direitos e o enfrentamento das desigualdades que atingem principalmente mulheres negras, mães solo e trabalhadoras precarizadas, alinhando-se principalmente às ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 10 (Redução das Desigualdades), ODS 16 (Instituições Eficazes) e ODS 18 (Igualdade Racial).
Os dados e evidências coletados ao longo dos anos demonstram impacto positivo. As taxas de permanência são altas: a maioria das mulheres permanece em atendimento por mais de três meses, e muitas completam os ciclos de seis ou doze meses. Há melhora percebida em indicadores emocionais como ansiedade, humor, autoestima e capacidade de enfrentamento. Relatos apontam mudanças concretas: retomada do trabalho, reorganização da rotina, saída de relações abusivas, fortalecimento de redes de apoio e sensação de segurança emocional. A análise de prontuários e intervisões também indica redução de risco psicossocial, maior clareza sobre direitos e fortalecimento da autonomia.
Dessa forma, a Gilu consolidou uma metodologia digital, ética, de baixo custo e replicável, que combina rigor técnico, participação comunitária, empregabilidade e atenção psicossocial contínua. A interação permanente com a comunidade, somada à coleta sistemática de dados e à adaptação constante dos processos, sustenta a efetividade e a potência social da tecnologia.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da Metodologia Gilu de Acesso à Psicoterapia para Mulheres em Vulnerabilidade requer recursos humanos, materiais e operacionais de baixo custo, devido ao formato digital da tecnologia social. Todas as operações funcionam remotamente.
Pessoal essencial:
• Coordenadora geral para gestão da unidade;
• Responsável técnica (psicóloga) para supervisão clínica e suporte às profissionais;
• Assistente administrativa para triagem, organização de dados e comunicação com usuárias;
• Psicólogas parceiras responsáveis pelos atendimentos;
• Profissional de tecnologia ou suporte terceirizado para manutenção das ferramentas digitais.
Infraestrutura e equipamentos:
• Computadores ou notebooks para equipe administrativa e técnica;
• Telefone celular institucional ou chips de uso exclusivo para canal de comunicação com assistidas;
Ferramentas e sistemas digitais:
• Plataforma de videochamada (Google Meet ou equivalente);
• Sistema de prontuário eletrônico (já existente);
• Ferramentas de triagem, formulários e banco de dados;
• Plataforma de e-mail institucional;
• Armazenamento em nuvem para documentos internos;
• Ferramentas de comunicação com usuárias (e-mail, ouvidoria digital, canais de mensagem).
Materiais complementares:
• Guias, fluxos internos e manuais da metodologia;
• Materiais de divulgação digital (posts, formulários, instruções de acesso).
Resultados Alcançados
Desde 2020, a Metodologia Gilu de Acesso à Psicoterapia para Mulheres em Vulnerabilidade atendeu diretamente cerca de 250 mulheres por pelo menos 3 meses, totalizando entre 5.000 e 6.000 sessões de psicoterapia. Ao longo da trajetória, 67 psicólogas participaram da rede, são 12 atualmente ativas, garantindo atendimento contínuo, ético e supervisionado. As taxas de permanência são altas: a maioria das mulheres segue no processo por mais de três meses, e grande parte completa ciclos de seis a doze meses, o que demonstra vínculo, confiança e percepção de benefício.
Os resultados quantitativos monitorados incluem número de sessões por pessoa, frequência, faltas, remarcações e evolução do tempo de acompanhamento. Esses dados são acompanhados pelo prontuário eletrônico, que registra cada atendimento e permite análises de continuidade e engajamento.
Os resultados qualitativos são especialmente expressivos. A percepção das mulheres é registrada por meio da ouvidoria, avaliações internas e comentários espontâneos nas redes sociais, onde relatam acolhimento, sensação de segurança emocional e a possibilidade de compreender experiências antes naturalizadas. Muitas destacam que o processo terapêutico permitiu reconhecer situações de violência psicológica, relações abusivas, ambientes de trabalho tóxicos e dinâmicas de sobrecarga. Outras relatam melhorias na autoestima, organização da rotina, tomada de decisões e retomada de estudos ou trabalho.
A percepção das psicólogas, registrada em intervisões quinzenais e supervisões, reforça esse impacto. Elas observam que as mulheres desenvolvem autonomia emocional, capacidade de identificar limites e habilidades de enfrentamento. Há avanços importantes em psicoeducação: compreender e nomear situações de violência, machismo, racismo e LGBTQIA+fobia, o que amplia consciência crítica e vem possibilitando formas mais saudáveis de resposta. Muitas mulheres passam a reconhecer práticas discriminatórias antes normalizadas e, a partir disso, construir estratégias concretas para buscar proteção, exercer direitos e se afastar de contextos prejudiciais.
Esse conjunto de indicadores evidencia que a metodologia promove impacto consistente na proteção psicossocial, no fortalecimento da autonomia e na ampliação do acesso a direitos, consolidando a Gilu como uma tecnologia social transformadora para mulheres em vulnerabilidade.
Público atendido
Adulto
Afrodescendentes
Mulheres
População em Geral
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