Objetivo
Geral: Promover conhecimento étnico-cultural, autoconhecimento, autodefinição de gênero e raça com emancipação e cidadania, estimulando a intelectualidade, a criatividade, a livre expressão e o pensar com pessoas em situações de opressão, vulnerabilidades sociais, mentais ou psicoemocionais através da corporeidade, da arte, do senso crítico e da escrita como ferramentas de resgate de memória e de
Problema Solucionado
O sistema prisional brasileiro, reproduz, aprofunda o racismo estrutural, a desigualdade de gênero e a aporofobia. Cerca de 65% das mulheres presas no Brasil são negras, chegando a 97% em estados do Norte como no Acre. Muitas são chefes de família, submetidas a condições desumanas, com acesso restrito à justiça e a programas de reabilitação efetivos. A LGBTfobia, o fundamentalismo e o racismo religioso agravam a situação de desumanização. A pena imposta é de privação de liberdade e, cumulativamente, de silenciamento e apagamento da subjetividade, da memória, agravamento das vulnerabilidades e injustiças especialmente com pessoas em situação de rua, saúde mental fragilizada e dependência química. Este cenário gera traumas profundos, dificultando a reintegração social. Dados do DEPEN apontam a alta reincidência e a falta de programas que abordem a questão racial e de gênero. A ausência de voz e o estigma são problemas sociais graves que a metodologia visa solucionar, transformando o local de opressão em um espaço de produção de saber e autoestima combatendo também o aniquilamento mental e intelectual causado pelas opressões, maus tratos, torturas e degradância da dignidade humana.
Descrição
A metodologia articula as teorias de Paulo Freire com o conceito de escrevivências, de Conceição Evaristo, valorizando saberes ancestrais e a diversidade negra e afroindígena. Integra o Teatro do Oprimido para desenvolver a consciência corporal e a Filosofia da Floresta (UFAC), que compreende a natureza como fonte de sabedoria. O objetivo é criar processos de identificação e autodefinição de raça e gênero, enfrentando opressões como o racismo, a misoginia e a LGBTfobia.
A "escrevivência" consiste na escrita do corpo negro, permitindo que os participantes narrem suas autobiografias para se enxergarem no "nós" da cultura coletiva. Através de círculos de cultura e dinâmicas não hierárquicas, a prática utiliza literatura e elementos de autoficção para transformar a dor das violências em resistência e força criativa. O processo busca superar estereótipos internalizados e o isolamento, devolvendo aos sujeitos a autonomia para contar suas próprias histórias e fortalecer seus vínculos com a ancestralidade e a identidade.
Com livros diversos priorizando biografias com linguagem acessíveis, ricos em imagens como a Coleção Black Power da Editora Mostarda que traz obras de/sobre autores e ativistas afro-brasileiros e afro-americanos cujas vidas e pensamentos são fontes de inspiração e reflexão.
Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Angela Davis, Laudelina de Campos Melo, Martin Luther King Jr, Rosa Parks, Dandara e Zumbi, Dandara e Zumbi, Nelson Mandela, Alice Walker, Laudelina de Campos Melo, Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis – Jarid Arraes, Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras – 180 novas escritoras, História em Quadrinhos Marielle Franco – Raízes, dentre outros textos, poesias e seleções incorporadas aos livretos autorais da metodologia.
A Integração Multidisciplinar:
Teatro do Oprimido (Augusto Boal): Utiliza jogos e movimentos para "desmecanizar" o corpo e despertar a consciência crítica sobre as raízes das opressões.
Filosofia da Floresta: No contexto da Amazônia acreana, concebe as plantas e a natureza como mestras e fontes de cura, integrando a sabedoria dos povos tradicionais ao processo educativo.
O foco principal é discutir o racismo e a LGBTfoobia, estimulando as subjetividades com reflexões sobre os preconceitos reprimidos por normas fundamentalistas, cisheteronormativas e religiosas. Utilizando personagens das leituras e outros de modo à evitar constrangimentos iniciais, favorecendo gradualmente a que as pessoas possam colocar suas dúvidas, vivências e experiências ou não. De forma a respeitar as individualidades sem pressões ou pressas, histórias ou questões fictícias podem ser incentivadas como alternativas para escritas individuais e/ou ampliar as reflexões.
Através de encontros semanais (2 a 4 horas), busca-se transformar a dor do racismo, da misoginia, da LGBTfobia, da discriminação e das opressões em força de resistência e luta por direitos.
São 4 fases, com um total de 20 encontros por ciclo, garantindo a replicabilidade.
Fase 1: Encontros de Acolhimento e Despertar da Memória (5 encontros)
Atividades: Rodas de conversa e escuta ativa das apresentações, podendo se utilizar de jogos ou dinâmicas descontraídas. Apresentação de obras de autoras negras (Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, etc).
Passo a Passo: 1) Apresentação do conceito Escrevivências. 2) Exercícios de respiração e escuta. 3) Geração de "palavras-chave" sobre as experiências de vida (infância, família).
Fase 2: Elaboração da Vivência (8 encontros)
Atividades: Oficinas de escrita criativa (poesia, prosa, cartas), focando em temas como racismo, maternidade, encarceramento. Utilização de disparadores artísticos (música, imagens, histórias lidas).
Passo a Passo: 1) Introdução a gêneros textuais. 2) Escrita guiada sobre um tema disparador. 3) Compartilhamento opcional dos textos produzidos. 4) Técnicas de reescrita e aprimoramento textual.
Fase 3: Coletivização e Articulação (5 encontros)
Atividades: Leitura e discussão dos textos em grupo para a produção de uma voz coletiva. Definição da narrativa a ser publicada ou apresentada.
Passo a Passo: 1) Edição colaborativa dos textos incluindo desenhos, poesias, frases de efeito conforme a criatividade do grupo. 2) Criação do "Memorial da Escrita" (nome dado à obra coletiva). 3) Discussão sobre a finalidade política e social dos textos.
Fase 4: Divulgação e Devolutiva (2 encontros)
Atividades: Lançamento interno e externo da obra coletiva. Devolutiva sobre o impacto da escrita.
Passo a Passo: 1) Evento de lançamento na unidade prisional. 2) Entrega dos exemplares às participantes. 3) Envio dos textos a parceiros (universidades, ONGs).
OBS: todos os encontros são iniciados com atividades de consciência corporal e ativação mental através de jogos do Teatro do Oprimido, dinâmicas de relaxamento e integração coletiva, dentre outras estratégias.
Recursos Necessários
Para uma turma de 10 a 20 pessoas precisamos de uma equipe de 6 a 8 pessoas qualificada, organizada e experiente na metodologia e necessidades organizacionais para o período de aplicação. Livros diversos para uso individual sendo 20 exemplares de cada título (utilizamos 10 títulos das publicações da Coleção Black Power da Editora Mostarda).
Para a produção dos livretos autorais e atividades de escrita precisamos de computador, impressora, material de papelaria e escritório para montar os livretos, atividades e organizar os processos de recolhimento, leitura e análise das produções para redirecionar atividades e o processo da publicação coletiva.
Elaboração dos formulários de inscrição, de acompanhamento, de avaliação, finalização, relatório final e organização da publicação final.
Organização dos registros e comunicações com fotos, vídeos, redes sociais e imprensa local.
Articulação em redes, espaços de controle social e incidência política pra visibilidade e valorização.
Resultados Alcançados
Com a implantação da metodologia nas Unidades Feminina e Masculina, uma turma com lideranças e pessoas da Sociedade Civil, mais algumas oficinas, palestras e eventos nacionais estimamos um alcance de mais de 5.000 pessoas.
Quantitativos: Mais de 100 pessoas atendidas diretamente, 250 com extensão na forma de multiplicadoras para cerca de mais 150 mulheres e 50 pessoas LGBTI+.
Produção de 8 livretos autorais do projeto, organização das escritas em material para publicação.
As participantes relataram uma profunda mudança na percepção de si mesmas, deixando de se verem apenas como "presas" e passando a se ver como "escritoras" e "agentes de memória". O projeto reduziu significativamente os indicadores de ansiedade e isolamento nas mulheres que participaram integralmente do ciclo. Frases como "Minha vida vale a pena ser contada" e "Eu não sabia que eu sabia tanto" são comuns nas avaliações qualitativas, indicando o resgate da autoestima e da capacidade crítica.
Premios, reconhecimentos nacionais e apoios:
- 2019/2020 - Rede MulherAções - Programa Marielle Franco Empoderamento Lideranças Femininas Negras - Fundo Baobá;
- 2021/2022 - Fundo Brasil Direitos Humanos Edital Justiça Criminal;
- 2022/2023 - Círculos de Cultura e Autorregulação Edital Elas em Movimentos Trans;
- 2022/2023 - Saberes Menstruais Casa Sueli Carneiro/Laboratório de Memórias Negras – Documentário;
- 2022/2023 - Fundo MulherAções Equidade - Fundação Ford – Campanha Nacional;
- 2022/2023 - Edital Penas Pecuniárias do Tribunal de Justiça do Estado do Acre;
- 2022 - Prêmio Instituto de Identidades do Brasil – ID_BR: Programa Professores pelo Sim à Igualdade Racial. Seleção nacional de práticas pedagógicas antirracistas;
- 2023 - Fundação Santillana – Educação e Relações Étnico-Raciais no Brasil - Práticas Pedagógicas Inovadoras na Região Norte – Podcast e troca com outras práticas pedagógicas.
- 2023 – Casa Sueli Carneiro – Grupos de Leitura – Ler o Brasil - 10 exemplares do livro “Becos da Memória” de Conceição Evaristo, apoio Pedagógico e estruturação de grupos de leitura.
- 2023 – Programa Malunga do Fundo Agbara – Embaixadoras Agbara 2023.
- 2024 - Premiação Nacional: 1º lugar na região Norte no Prêmio Cultura Viva Construção Nacional do Hip-Hop (eixo conhecimento).
- 2025 - Premiação Nacional Edital Mulheres no Hip Hop – Ministério das Mulheres e MINC.
- 2025 - Premiação Nacional com Organização Internacional: 9º Prêmio Viva Leitura – MEC, MINC e OEI
Público atendido
Adulto
Afrodescendentes
Catadores de Material Reciclável
Famílias de Baixa Renda
Gestantes
Mulheres
Idosos
População Carcerária
População em Situação de Rua
Outros
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