Objetivo
Promover o acesso democrático à leitura como direito humano, por meio da “Mala de Leitura”, uma tecnologia social que leva o acervo e as atividades literárias da Biblioteca Professor Arlindo Corrêa da Silva a comunidades em situação de vulnerabilidade – creches, escolas e hospitais, estimulando o prazer da leitura, a inclusão social e o desenvolvimento humano e cultural.
Problema Solucionado
A “Mala de Leitura” surgiu diante da constatação de que muitas comunidades em situação de vulnerabilidade social não possuem acesso à leitura, seja por falta de bibliotecas, espaços culturais adequados ou condições financeiras para aquisição de livros. Essa ausência priva crianças, adolescentes e jovens de experiências fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social, comprometendo sua formação cidadã e perpetuando desigualdades educacionais.
Em regiões periféricas e rurais, como Vianópolis (Betim/MG), o problema se agrava pela escassez de equipamentos culturais e pela distância de centros urbanos. A “Mala de Leitura” atua como uma resposta social a esse cenário, levando a biblioteca até onde o público está, criando oportunidades de contato com a literatura, incentivo à leitura e inclusão social.
A tecnologia social pode ser implantada em qualquer comunidade sem biblioteca física ou com baixo acesso a atividades culturais, fortalecendo o direito humano à leitura e à educação de qualidade.
Descrição
O Instituto Ramacrisna, fundado em 1959 e sediado em Betim/MG, desenvolve ações de inclusão social, educacional e cultural voltadas à transformação de comunidades em situação de vulnerabilidade. Sua Biblioteca Professor Arlindo Corrêa da Silva, criada em 1974, é um dos pilares dessa atuação, promovendo o acesso ao conhecimento e à leitura como instrumentos de cidadania e desenvolvimento humano.
Em 2010, foi criada a tecnologia social “Mala de Leitura”, com o objetivo de democratizar o acesso à literatura e promover o hábito da leitura fora das dependências da biblioteca. A iniciativa nasceu da constatação de que muitas comunidades, especialmente nas zonas rurais e periféricas, carecem de espaços físicos e mobiliários adequados para abrigar bibliotecas. Assim, a “Mala” foi concebida como uma estante móvel, resistente e funcional, capaz de transportar até 40 livros, entre infantis, infantojuvenis e juvenis, garantindo sua integridade e mobilidade.
A metodologia combina teoria e prática, ação e reflexão. Após o planejamento das ações, a equipe realiza visitas às instituições parceiras (escolas, creches, abrigos e casas de acolhimento) para diagnóstico do público e do contexto local. A partir dessa análise, é composta uma “Mala de Leitura” personalizada, com livros adequados à faixa etária e interesse dos leitores. O momento da entrega é marcado por atividades literárias como contação de histórias, dramatizações, saraus, encontros com escritores e festivais de leitura.
A participação comunitária é central na metodologia. Professores, educadores e familiares são estimulados a atuar como mediadores de leitura e multiplicadores, assegurando a continuidade das práticas mesmo após o encerramento das atividades presenciais. As ações são adaptadas às especificidades de cada território, incorporando aspectos culturais locais e respeitando a diversidade de públicos.
A interação entre a organização e a comunidade é permanente e se dá por meio de escutas ativas, rodas de conversa, reuniões de acompanhamento e visitas técnicas. As instituições beneficiadas passam a integrar uma rede colaborativa de incentivo à leitura, que compartilha boas práticas e relatos de impacto.
A acessibilidade é um princípio essencial: todos os espaços de realização possuem rampas, banheiros adaptados e acessos ampliados. A Mala conta com narração audiodescritiva durante as apresentações e, sempre que necessário, são disponibilizados livros em braile e audiolivros, assegurando inclusão de pessoas com deficiência.
A sistematização e monitoramento do processo utilizam indicadores quantitativos e qualitativos. São coletados dados de participação (listas de presença, relatórios, vídeos e registros fotográficos) e relatos de percepção de alunos e educadores. Os resultados são analisados por meio de reuniões internas e relatórios baseados em métricas reconhecidas internacionalmente, como GRI, IRIS e os ODS da ONU.
O Instituto Ramacrisna mantém a sustentabilidade do projeto por meio de parcerias (FIAT, Itaú Social, Criança Esperança, entre outros) e de sua autossustentabilidade financeira, garantida pela produção e venda de Cercas Ramacrisna, cujo lucro é integralmente revertido aos projetos sociais. Essa estratégia assegura continuidade e independência, mesmo diante de variações de financiamento externo.
Desde 2010, a ação já foi implementada em 109 instituições de cinco cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte — Betim, Belo Horizonte, Esmeraldas, Juatuba e Mateus Leme —, beneficiando 68.616 pessoas e promovendo a doação de 7.543 livros. O reconhecimento nacional veio com o Prêmio FNLIJ de Incentivo à Leitura (2013), que destacou o caráter inovador e transformador da iniciativa.
A “Mala de Leitura” comprova que o acesso à literatura é um direito humano e um caminho eficaz para o fortalecimento da cidadania, da autoestima e da identidade cultural das comunidades atendidas.
Recursos Necessários
Para a implantação de uma unidade da tecnologia social “Mala de Leitura”, são necessários os seguintes recursos:
Materiais:
• 1 Mala de Leitura confeccionada em tecido;
• 40 livros novos, selecionados conforme faixa etária e temática;
• Kits de fixação (ganchos, buchas e parafusos) para instalação da mala como estante;
• Equipamentos de apoio: microfone portátil, caixa de som, mesa dobrável, toalha e tapete para atividades externas;
• Materiais lúdicos e de ambientação (fantasias, fantoches, instrumentos musicais simples);
• Equipamentos audiovisuais (câmera, celular ou tablet para registro das atividades);
• Material de acessibilidade (livros em braile e audiodescritos).
Pessoal:
• 1 Contador de Histórias;
• 1 Intérprete de Libras.
Resultados Alcançados
Desde sua criação, a “Mala de Leitura” tem se destacado nacionalmente como uma iniciativa transformadora de promoção do acesso ao livro e à leitura. Em 2013, o projeto foi reconhecido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), no 18º Concurso FNLIJ, como um dos melhores programas de incentivo à leitura junto a crianças e jovens de todo o Brasil. Em 2023, recebeu o Prêmio Pontos de Leitura, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), que reconhece bibliotecas comunitárias e iniciativas que fortalecem o hábito da leitura em territórios diversos. Já em 2024, foi agraciado pelo edital Raízes de Minas – Premiação às Trajetórias Artísticas Culturais e Tradicionais, na categoria Boas Práticas em Museus Comunitários, Espaços de Memória, Pontos de Memória, Acervos, Bibliotecas Comunitárias e Espaços Tombados -
PNAB (Lei nº 14.399/2022), consolidando-se como referência em democratização da leitura.
Os resultados alcançados pela ação são expressivos. Já foram 68.616 pessoas beneficiadas diretamente, 7.543 livros doados e 196 instituições atendidas em cinco cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em 2018, em parceria com a FIAT, a ação alcançou 41 mil alunos de escolas municipais de Betim. No ano seguinte, com o apoio do Projeto Criança Esperança, beneficiou 5.267 crianças e jovens em 85 atividades literárias. Outras edições contaram com o patrocínio do Itaú Social e também com recursos via Lei Rouanet, permitindo atingir mais de 14 mil atendimentos adicionais.
Os impactos qualitativos incluem o fortalecimento do vínculo com a leitura, ampliação do repertório literário, melhora na expressão oral e escrita e estímulo à criatividade e à empatia. Professores e mediadores relatam mudanças significativas no comportamento e desempenho escolar dos participantes, com maior interesse pelos livros e pela produção textual.
Além dos ganhos educacionais, a “Mala de Leitura” promoveu impactos sociais e culturais duradouros, incentivando a convivência, o sentimento de pertencimento e a criação de espaços permanentes de leitura em diversas instituições beneficiadas.
O projeto realiza monitoramento contínuo e avaliações de desempenho e impacto, utilizando listas de presença, registros audiovisuais, relatórios e reuniões de equipe. Os resultados são integrados aos relatórios anuais do Instituto Ramacrisna, elaborados conforme metodologias GRI, IRIS e ODS, o que garante precisão e transparência na mensuração dos resultados.
Público atendido
Crianças
Adolescentes
Alunos do Ensino Básico
Professores do Ensino Básico
Diretor de Escola
Comentários