Objetivo
Desenvolver e aplicar a metodologia Kangram nas ações educativas do Instituto Acesso Popular. O objetivo é estruturar pedagogicamente as oficinas de Cultura Maker e Hip Hop para promover o Letramento Científico e o Design Centrado no Planeta, capacitando jovens a criarem soluções sustentáveis e regenerativas (ODS 12) para seus territórios, validando seus saberes comunitários.
Problema Solucionado
A Tecnologia Social Kangram serve como "ponte metodológica" nas oficinas do Instituto. Ela organiza o processo criativo na interface das culturas Maker e Hip Hop (do Graffiti à Robótica de sucata), guiando os jovens a aplicarem o Design Centrado no Planeta para resolver problemas locais (ODS 12). O Hip Hop tem a potência ímpar de engajar e mobilizar jovens de comunidades periféricas, enquanto o Kangram transforma a oficina livre em um laboratório de inovação social, onde a cultura de rua e a ciência se fundem para regenerar o território.
Descrição
A sistematização da tecnologia social do Instituto Acesso Popular fundamenta-se no no Framework Kangram, integrando a potência criativa da Cultura Hip Hop com o rigor acadêmico do Design Thinking Centrado no Planeta e da Cultura Maker. Fundada em 2006, a instituição evoluiu de um núcleo de suporte jurídico para movimentos sociais para se tornar um polo produtor de cultura e políticas públicas, com histórico de 18 anos de atuação ininterrupta.
O Canvas Kangram organiza o processo criativo através de 3 Etapas × 3 Perguntas-Âncora:
ETAPA 1 - CRIAÇÃO (Empatia com Planeta e Comunidade)
1. O QUÊ? → Problema territorial a resolver (ex: descarte irregular de resíduos no bairro)
2. POR QUÊ? → Impacto socioambiental + validação de saberes locais
3. QUEM? → Personas da comunidade + ecossistema afetado
ETAPA 2 - ANÁLISE (Instrumentalização Maker)
4. SIMILARES → Pesquisa de projetos open-source (Instructables, Arduino Project Hub)
5. TECNOLOGIAS → Kits Maker low-tech + fabricação digital + plataformas digitais
6. ORÇAMENTO → Recursos disponíveis + economia solidária + upcycling
ETAPA 3 - APLICAÇÃO (Validação Social)
7. SUPORTE → Equipe + parceiros comunitários + mentorias
8. CRONOGRAMA → Planejamento reverso (começar pelo fim) + entregas iterativas
9. VALORES → Competências desenvolvidas + impacto regenerativo esperado
Metodologia e Procedimentos de Implantação: A implantação dos projetos segue um ciclo pedagógico de quatro fases (Diagnóstico, Planejamento, Ação, Avaliação). Inicialmente, realiza-se um Diagnóstico Territorial através de escuta ativa, mapeando as demandas específicas de cada bairro ou escola. O Planejamento (Design) utiliza ferramentas colaborativas para co-criar as atividades, inserindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como eixo transversal — uma abordagem de Planet-Centric Design que educa para a sustentabilidade e circularidade.
Ciclo Pedagógico Aplicado Design Centrado no Planeta + Kangram
Fase 1: DIAGNÓSTICO TERRITORIAL
Ferramentas: Escuta ativa com mapeamento de problemas locais via post-its no Canvas,
Questionários não-diretivos sobre saberes prévios
Identificação de ODS prioritários no território
Produtos:
Mapa colaborativo de demandas comunitárias
Seleção democrática do problema-âncora do projeto
Fase 2: PLANEJAMENTO/DESIGN
2.1 Rotinas de Pensamento Visível (Project Zero/Harvard)
Aplicadas em cada etapa do Canvas para metacognição:
"Vejo-Penso-Imagino" → na etapa CRIAÇÃO
"Conectar-Ampliar-Desafiar" → na etapa ANÁLISE
"Antes Pensava... Agora Penso" → na etapa APLICAÇÃO
2.2 Co-criação com Canvas Kangram
Sessões de brainstorm com post-its coloridos por módulo
Uso de stencil para transcrever plano de ação permanente (cartolina A3)
Integração com Trello/Miro para gestão digital colaborativa
2.3 Pesquisa de Similares
Navegação crítica em repositórios open-source
Análise de licenças Creative Commons
A execução (Ação) utiliza os quatro elementos do Hip Hop (DJ, Rap, Breaking, Graffiti) como "iscas pedagógicas" para o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais. Nas oficinas do projeto "Hip Hop Kids", por exemplo, a aprendizagem é mediada por Rotinas de Pensamento Visível (Project Zero/Harvard), onde os alunos são estimulados a documentar e refletir sobre seus processos criativos. A Documentação Pedagógica (fotos, vídeos) é tratada não como registro burocrático, mas como evidência de aprendizagem e ferramenta de autoestima, devolvida aos participantes em formato de produtos midiáticos.
Participação e Interação Comunitária: A participação da comunidade é o pilar de sustentação da metodologia. Ela ocorre em três níveis:
Gestão e Execução: A Semana do Hip Hop é realizada majoritariamente por voluntários da própria comunidade, que passam por capacitação técnica (ex: produção cultural e acessibilidade), gerando pertencimento e legado profissional.
Economia Solidária: A interação econômica é sistematizada através da "Perifeirinha", feira de economia criativa integrada aos eventos, que permite a circulação de renda entre artesãos locais, sem taxas de participação, fomentando a autonomia financeira das famílias.
Ocupação do Espaço Público: A metodologia prioriza a realização de atividades em praças e parques abertos (projeto "Ensaio"), ressignificando territórios estigmatizados e garantindo o Direito à Cidade.
Evidências de Interação e Impacto: A prova cabal da efetividade da interação é a institucionalização da Semana do Hip Hop como Lei Municipal (nº 6358/2013). A mobilização comunitária foi tão expressiva que pressionou o poder legislativo a reconhecer o evento como política pública de Estado, garantindo financiamento parcial perene. Além disso, a presença ativa do Instituto nos Conselhos Municipais (Cultura, Direitos Humanos, Juventude) e Estadual (CONDEPE) demonstra que a comunidade utiliza a organização como veículo de representação política qualificada.
Recursos Necessários
1 Coordenador Pedagógico: Responsável pela aplicação do framework Kangram e articulação com as escolas/comunidade.
2 Oficineiros/Arte-Educadores: Especialistas em cultura Hip Hop (Graffiti, DJ, MC ou Breaking) com vivência em cultura maker.
1 Produtor Local: Para logística e mobilização comunitária.
Infraestrutura e Equipamentos:
Espaço Físico: Sala multiuso (40m²) com mesas para trabalho colaborativo, acessível na comunidade (pode ser em escolas, associações ou CRAS).
Kit Maker Básico (Low-Tech): Ferramentas manuais (alicates, chaves, estiletes, cola quente), componentes eletrônicos básicos (kits Arduino iniciante, LEDs, motores de sucata), adesivos, peças de acrilico e materiais de papelaria criativa (post-its, cartolinas para os Canvas do Kangram).
Estação Digital: 1 Notebook para projeção e documentação, 1 projetor ou TV, e smartphones (dos próprios alunos/oficineiros) para registro midiático e pesquisa.
Insumos de Upcycling: Coleta local de resíduos (papelão, plástico, e-lixo) que servem como matéria-prima principal, reduzindo custos e reforçando o ODS 12.
Kit Hip Hop: 1 Caixa de som ativa, 1 mesa de som, 1 toca-discos, 2 microfones e materiais de pintura (sprays à base de água, látex) para a materialização artística dos projetos.
Resultados Alcançados
A implantação da tecnologia social gerou resultados robustos de escala e profundidade. No ciclo 2023-2024, as ações impactaram diretamente 16.608 pessoas através do "Circuito Paulista de Hip Hop" (Bauru, Barretos, Porto Feliz, Ourinhos) e da "Semana do Hip Hop". A edição 2024 da Semana em Bauru mobilizou um público estimado de 15.000 pessoas, com pico de 7.000 participantes no encerramento (dado oficial da PM).
No eixo educacional, o projeto "Hip Hop Kids" atendeu 3.000 alunos em 6 escolas públicas (2023) e 744 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em entidades socioassistenciais (2024), oferecendo oficinas profundas de arte e cidadania. Historicamente, estima-se mais de 300.000 atendimentos diretos em 12 anos de festival.
Resultados Qualitativos e Percepções:
Legitimação Política: A aprovação da Lei Municipal 6358/2013 é o maior indicador qualitativo, transformando cultura periférica em direito assegurado.
Inclusão Efetiva: Realização de atividades com acessibilidade arquitetônica total e oficinas de capacitação em inclusão, alterando a cultura dos produtores locais.
Validação Social e Midiática: A cobertura positiva pela grande mídia (TV TEM/Globo) e a alta adesão voluntária comprovam o sentimento de pertencimento e orgulho da comunidade, que percebe o Instituto como um espaço seguro de expressão e formação.
Monitoramento: O acompanhamento utilizou dados cruzados: contagem oficial de público (Polícia Militar), listas de presença em oficinas, registros audiovisuais sistemáticos (documentários disponíveis online como prova de execução) e feedback qualitativo em redes de governança.
Público atendido
Adolescentes
Alunos do Ensino Superior
Alunos do Ensino Médio
Organização Não Governamental
Lideranças Comunitárias
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