Objetivo
Fortalecer pessoas indígenas e comunidades indígenas para que sejam autores de livros, atuando como escritores, ilustradores, historiadores, antropólogos, fotógrafos e editores.
Promovendo a diversidade em diálogo, a valorização das culturas indígenas e a cultura de paz para todos.
Objetivos específicos
1)Promover a expressão autoral dos indígenas por meio da produção de livros e outras mídias, garantindo autonomia criativa e qualidade comunicacional.
2) Ampliar o alcance das mensagens indígenas, de modo que a sociedade reconheça, respeite e valorize as culturas e a diversidade viva como patrimônio comum da humanidade.
3) Estimular diálogos interculturais, projetando a Cultura de Paz e o Bem‑Viver para todos.
Problema Solucionado
Historicamente, a narrativa sobre os povos indígenas foi dominada por não indígenas, perpetuando estereótipos, preconceitos, exclusão e violências. Paradoxalmente, inclusive nas escolas das aldeias indígenas, os livros só traziam os indígenas no primeiro capítulo, tachando-os de primitivos e apresentando "o Descobrimento" como progresso que os extinguiria.
Em 2001, quando a Thydêwá lançou seu primeiro livro, era apenas o nono de autoria indígena publicado no Brasil, e o segundo colaborativo, evidenciando a escassa representatividade.
A falta de acesso a meios de produção e publicação literária resultou em representatividade mínima das culturas indígenas no cenário nacional. Os povos indígenas, quando não invisíveis, eram estigmatizados como atrasados, preguiçosos ou perigosos. A iniciativa vem quebrando esses preconceitos, provocando um reconhecimento crescente da ancestralidade e identidade indígena por brasileiros, curando feridas históricas e reavivando memórias coletivas.
A iniciativa Índios na Visão dos Índios foi criada para enfrentar essa lacuna, oferecendo formação e ferramentas para que indígenas publiquem e divulguem suas próprias histórias, saberes e visões de mundo.
Descrição
Índios na Visão dos Índios é uma tecnologia social que opera através de cinco etapas metodológicas, garantindo aos indígenas autonomia e protagonismo. Tudo acontece com transparência (inclusive respeitando a Convenção 169 da OIT, assegurando a Consulta Livre, Prévia e Informada), de forma colaborativa e por consenso; caso seja necessário, a última palavra é sempre dos indígenas. A metodologia valoriza vozes diversas, incluindo todas as idades, diferentes saberes, todos os gêneros e orientações, para uma cocriação plena e representativa.
FASE 1 – Mobilização e Cocriação Passo 1: Apresentação da proposta às lideranças e às comunidades. Passo 2: Formação de um grupo gestor indígena (mínimo de 3 pessoas, máximo de 7) que define o tema, o cronograma e o formato do processo — presencial, digital ou híbrido.
FASE 2 – Formação Colaborativa Passo 3: Oficinas práticas de produção de conteúdos (escrita, fotografia, ilustração e outras linguagens), bem como de apropriação de ferramentas digitais, preferencialmente livres e gratuitas (celular e aplicativos / computador e softwares + nuvem).
FASE 3 – Criação Coletiva Passo 4: Organização dos conteúdos autorais (textos, imagens e saberes) em curadoria compartilhada. Modelos: – Livros comunitários, com processo imersivo presencial (de 5 a 90 dias); – Livros temáticos pluriétnicos, em ciclos on-line ou híbridos (de 3 a 9 meses).
FASE 4 – Edição e Publicação (de 10 a 60 dias) Passo 5: Diagramação participativa (Canva ou outros programas) com revisão final de anciãos e lideranças. Passo 6: Publicação física (tiragens de 50 a 3.000 exemplares) e digital (para download). A Thydêwá prefere trabalhar com fruição livre e gratuita, mas em cada projeto o grupo gestor decide o melhor formato de acesso e distribuição. Se quer vender uma parte do impresso ou não, avalia e decide.
FASE 5 – Circulação e Retroalimentação Passo 7: Lançamentos em territórios indígenas e, depois, em centros urbanos (Rodas de Conversa entre autores indígenas e jovens de uma escola, entrevistas em rádios, jornais e TVs…), com distribuição estratégica para escolas, bibliotecas, universidades, secretarias e Pontos de Cultura. Passo 8: Rodas de celebração e avaliação qualitativa (presencial, online ou híbridas), que retroalimentam as pessoas e aperfeiçoam continuamente a tecnologia social.
INTERAÇÃO COM A COMUNIDADE E PARTICIPAÇÃO NOS PROCESSOS
A Thydêwá possui histórico de 24 anos trabalhando com povos indígenas. A interação é horizontal, transparente e fundamentada na autonomia comunitária. Cada projeto começa com apresentação pública às lideranças, professores e comunidade, que decidem se querem participar. Em caso positivo, formam um grupo gestor indígena que assume, junto à Thydêwá, todas as decisões — desde escolha do tema até design gráfico final.
Durante todas as etapas (planejamento, execução, monitoramento e avaliação), a comunicação é constante por reuniões presenciais ou virtuais, relatórios colaborativos e trocas via WhatsApp. As decisões são tomadas por consenso; em caso de divergência, a palavra final é sempre dos autores indígenas. A Thydêwá atua como facilitadora técnica, oferecendo apoio em mediação, registro audiovisual, edição e capacitação tecnológica — mas sem retirar a voz dos participantes.
A validação da replicabilidade ocorreu em 2007, quando o povo Guarani Nhandewa de Ywy Porã (PR) produziu um livro coletivo usando a metodologia, sem apoio direto da Thydêwá. O projeto foi executado com uma OSC local, comprovando que a tecnologia social funciona autonomamente.
IMPACTOS PARA PÚBLICOS ESPECÍFICOS:
1) Mulheres indígenas: Participam ativamente desde 2001. Em 2014, lançamos "Pelas Mulheres Indígenas" (mais de 30 autoras de 8 etnias), enfrentando a dupla invisibilidade (ser mulher + ser indígena). Esse trabalho recebeu o Prêmio Direitos Humanos — Promoção da Autonomia das Mulheres (SEDH/PR, 2015). Mayá Tupinambá Pataxó Hãhãhãe, coautora do oitavo livro (2007), tornou-se Mestra em Notório Saber (UFMG, 2020) e, desde 2024, leciona na UFBA como Professora Visitante.
2) Jovens indígenas: A metodologia trabalha intergeracionalidade, principalmente entre anciãos (60+) e jovens (13-21). No primeiro livro Tupinambá (2002), participou um menino de 10 anos que, em 2008 (aos 16), liderou o segundo livro Tupinambá. Jovens apropriam-se de tecnologias digitais (celular, IA generativa) e tornam-se multiplicadores. Muitos são hoje lideranças que replicam os aprendizados em suas comunidades.
3) Pessoas LGBTQIAP+: A Thydêwá celebra toda diversidade. Várias edições incluem autores não-binários, dois-espíritos, transexuais e homossexuais, que escrevem explicitamente sobre suas identidades.
4) Anciãos: Guardiões da memória, têm voz prioritária nas revisões finais. Seus saberes estruturam os livros como patrimônio imaterial vivo.
5) Os indígenas fazem visitas às escolas dos não indígenas - ODS 18.
ANEXAMOS 06 documentos com provas. O Anexo 3 é o Manual Prático que detalha como replicar a tecnologia social.
Recursos Necessários
A tecnologia social utiliza predominantemente recursos já disponíveis nas comunidades (celulares pessoais, internet básica, materiais de escrita). A Thydêwá oferece infraestrutura digital (site para hospedar livros, Zoom para "fogueiras" online, Canva para ONGs), reduzindo custos e viabilizando três modelos de implantação:
1) MODELO MÍNIMO – DIGITAL (R$ 12.500):
Livro temático multiétnico
Plataforma digital (Zoom, WhatsApp, e-mail)
Ferramentas de edição colaborativa (Canva PRO, Google Drive)
Hospedagem digital para distribuição gratuita
7-21 autores indígenas participantes
Duração: 4 meses
2) MODELO INTERMEDIÁRIO – HÍBRIDO (R$ 25.000):
Livro temático ou comunitário
Todos os recursos do modelo mínimo +
Impressão de 100-200 exemplares físicos
Estrutura para 2-3 lançamentos presenciais (escolas, universidades, secretarias)
Duração: 6 meses
3) MODELO COMPLETO – PRESENCIAL (R$ 50.000):
Livro comunitário (uma etnia)
Todos os recursos anteriores +
Espaço físico para oficina imersiva na aldeia (5-15 dias) – custo zero
Materiais didáticos básicos (cadernos, lápis, aquarelas, chips de internet): R$ 200-400
Impressão de 1.000-2.000 exemplares
Lançamentos presenciais ampliados
Duração: 6-9 meses
Recursos comuns aos três modelos:
Celulares dos participantes (já disponíveis)
Conexão à internet (Wi-Fi comunitário ou dados móveis)
Materiais locais de registro (papel, canetas)
Thydewa tem parceria com Googlee CANVA, tem canal no Youtube e conta Zoom.
Resultados Alcançados
Em 24 anos, Índios na Visão dos Índios formou 389 autores de 44 etnias, em 13 estados brasileiros e 8 países de Abya Yala resultando em **33 livros e e‑books autorais e colaborativos. Foram produzidos 42 mil exemplares em português e 2 mil em francês, todos com versões digitais gratuitas e livres para download.
Cada título atinge em média 10 mil pessoas diretamente – entre autores, leitores e participantes de lançamentos –, gerando aproximadamente 300 mil impactos diretos ao longo da trajetória. Dos 33 livros, 32 já foram lançados e o 33º tem lançamento previsto para janeiro de 2025.
De 2001 a 2008, publicaram‑se nove livros comunitários monoétnicos (Kariri‑Xocó, Pankararu, Fulni‑ô, Tumbalalá, Truká, Kiriri, Tupinambá e Potiguara). A partir de 2007, a coleção evoluiu para volumes multiétnicos temáticos, entre eles a série Abya Yala (um livro em 2022, dois em 2023 e dois em 2024).
Os resultados qualitativos demonstram fortalecimento identitário, autoestima coletiva e protagonismo cultural. Muitos autores tornaram‑se professores indígenas, formadores culturais ou gestores públicos, ampliando os impactos humanos e educacionais da iniciativa. Os livros também servem como materiais paradidáticos que viabilizam a Lei 11.645/2008, inserindo a visão autêntica dos povos originários no ensino formal.
Uma marca da replicabilidade é o caso do povo Guarani Nhandewa de Ywy Porã (PR), que em 2007 produziu um livro coletivo usando a metodologia da Thydêwá, sem apoio direto da organização. O projeto foi executado com uma OSC local, validando a autossustentação da tecnologia social e sua reprodutibilidade autônoma.
O acompanhamento das edições ocorre por meio de reuniões e retornos coletivos com os autores, retroalimentando o método e mantendo a aprendizagem em espiral. A iniciativa recebeu reconhecimentos como os Prêmios Rodrigo Melo Franco de Andrade (2004 – IPHAN), Direitos Humanos (2007 – SEDH), Somos Patrimônio (2008 – Convênio Andrés Bello), Memórias Brasileiras (2012 – IBRAM), Tecnologia Social (2014 – FINEP), Boas Práticas de Salvaguarda (2015 – IPHAN) e Direitos Humanos "Autonomia das Mulheres" (2015 - SDH/PR).
Dois livros republicados em Frances e 4 turnes pela França, 3 turnes pelo Reino Unido, um projeto em parceria com Alemanha, um com o Vaticano; faz com que Thydewa receba o STARTS PRIZE 19 da Comissão Europeia em 2019, mesmo ano que no Brasil recebemos o Prêmio Culturas Populares (MinC).
Nossa tecnologia contou com o apoio da UNESCO e do IBERCULTURURA VIVA
Público atendido
- Povos Indígenas
- População em Geral
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