Objetivo
Promover a autonomia econômica, social e ambiental das mulheres extrativistas da Ilha do Combu por meio do manejo sustentável da andiroba e da produção coletiva de óleo e derivados, fortalecendo a organização comunitária, a valorização dos saberes tradicionais e a conservação da biodiversidade amazônica.
Problema Solucionado
A iniciativa surgiu a partir das dificuldades socioeconômicas e ambientais enfrentadas pelas comunidades ribeirinhas da Ilha do Combu, em Belém/PA. Apesar de a região possuir ampla riqueza natural — com espécies como a andiroba, açaí, cacau e outras matérias-primas da sociobiodiversidade amazônica — grande parte da população local vive em situação de vulnerabilidade social, com baixa geração de renda, acesso limitado a políticas públicas, precariedade de infraestrutura básica e poucas oportunidades de trabalho formal, sobretudo para mulheres. A economia local é fortemente dependente do extrativismo e da venda de matéria-prima, o que reduz significativamente o valor agregado dos produtos e a autonomia financeira das famílias. Essa realidade contribui para a manutenção de ciclos de pobreza e para a exploração predatória dos recursos naturais, muitas vezes sem práticas sustentáveis adequadas.
Descrição
A metodologia adotada pela AME COMBU para a implantação da Tecnologia Social baseia-se em uma abordagem participativa, comunitária e sustentável, que integra saberes tradicionais e conhecimentos técnicos, visando à valorização da sociobiodiversidade local e à geração de renda para as famílias ribeirinhas da Ilha do Combu.
O processo é organizado em cinco fases principais, interligadas e complementares:
1. Diagnóstico participativo e mobilização comunitária
A implantação iniciou-se com rodas de conversa, reuniões comunitárias e visitas domiciliares para compreender a realidade socioeconômica das famílias, mapear lideranças, identificar demandas, capacidades produtivas, principais dificuldades e potencialidades locais. Nessa etapa, foram levantadas informações sobre o uso tradicional da andiroba, as formas de coleta, armazenamento e comercialização já praticadas pelas famílias. A mobilização foi conduzida por lideranças da AME, com a participação ativa de mulheres, jovens e extrativistas.
2. Planejamento coletivo da unidade produtiva
Com base no diagnóstico, a comunidade, juntamente com a equipe da AME COMBU, definiu o modelo de unidade produtiva, o local de funcionamento, os produtos a serem desenvolvidos (óleo de andiroba, sabonetes, repelentes, pomadas e cosméticos naturais) e a divisão de tarefas entre os participantes. Também foram estabelecidas regras coletivas de funcionamento, como horários, rotinas de limpeza, organização do trabalho, divisão de renda e critérios para uso dos insumos.
3. Capacitação técnica e fortalecimento organizacional
Foram realizadas oficinas práticas e teóricas sobre:
4. Implantação da unidade produtiva e início da produção
Após as capacitações, foi implantada a unidade produtiva em espaço comunitário cedido pela associação. Foram organizados os equipamentos básicos (fogão, panelas, formas, bacias, prensas, bancadas, estantes e materiais de proteção individual). A produção iniciou-se de forma colaborativa, com divisão de funções: coleta, limpeza das sementes, cozimento, prensagem, armazenamento do óleo e produção dos derivados.
Cada etapa da produção foi registrada por meio de cadernos de controle, com anotações de quantidades produzidas, consumo de insumos, número de participantes envolvidos e destino dos produtos.
5. Monitoramento, avaliação e melhorias contínuas
O acompanhamento é realizado de forma contínua, por meio de reuniões mensais de avaliação, onde são discutidos resultados, dificuldades, aprendizados e propostas de melhoria. São avaliados indicadores como: quantidade produzida, aumento de renda familiar, participação das mulheres, impactos ambientais percebidos e nível de engajamento
Participação dos parceiros
Durante o processo de desenvolvimento da iniciativa, a AM contou com a colaboração de instituições parceiras, como a Universidade do Estado do Pará (UEPA) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), que contribuíram com apoio técnico-científico, orientação em boas práticas de manejo, análise dos produtos e realização de atividades educativas. Essas parcerias fortaleceram a iniciativa, garantindo maior rigor técnico, troca de saberes e ampliação do alcance socioeducativo do projeto.
A atuação dos parceiros não substitui o protagonismo comunitário, sendo a população local a principal responsável por todas as decisões, execução das atividades e gestão da tecnologia social implantada.
• coleta sustentável dos frutos de andiroba;
• boas práticas de higiene e manipulação de produtos naturais;
• técnicas de extração do óleo (métodos artesanal e semimecanizado);
• produção de sabonetes, hidratantes e repelentes naturais;
• noções de empreendedorismo solidário, gestão financeira, precificação e comercialização;
• educação ambiental e conservação das espécies florestais.
As capacitações priorizaram metodologias vivenciais, com aprendizado prático, demonstrações e acompanhamento direto, respeitando o ritmo e o conhecimento prévio da comunidade.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade de Tecnologia Social requer um conjunto articulado de recursos humanos, materiais e estruturais que garantem seu funcionamento eficiente e participativo. Inicialmente, é necessária uma equipe técnica composta por um coordenador responsável pela gestão e articulação institucional, além de facilitadores e técnicos especializados que executam as atividades práticas e acompanham os beneficiários. O apoio administrativo e o mobilizador comunitário também são essenciais para organizar registros, promover a integração com a comunidade e assegurar a participação contínua dos envolvidos.
Do ponto de vista material, a unidade demanda insumos compatíveis com a natureza da tecnologia, como materiais pedagógicos, equipamentos de proteção individual, itens de consumo e matéria-prima específica para as atividades produtivas ou formativas. A infraestrutura física deve incluir um espaço adequado para oficinas e reuniões, equipado com mesas, cadeiras, armários e pontos de água e energia. Equipamentos gerais, como ferramentas manuais, balanças, computadores e projetores, complementam as necessidades operacionais.
Resultados Alcançados
A tecnologia social desenvolvida e implantada pela AMECOMBU impacta diretamente as mulheres extrativistas da Ilha do Combu, tendo como público-alvo principal as associadas envolvidas na coleta, beneficiamento e comercialização do óleo de andiroba e derivados. Atualmente, 15 mulheres participam diretamente das ações, estando envolvidas em todas as etapas do processo: coleta do fruto, extração do óleo, produção de cosméticos naturais e artesanato sustentável, além da organização, gestão e comercialização dos produtos. De forma indireta, as atividades desenvolvidas pela associação beneficiam cerca de 20 famílias da comunidade, contribuindo para a melhoria das condições de vida, alimentação e acesso a recursos básicos.
Entre os resultados quantitativos alcançados, destaca-se o crescimento do número de associadas, que passou de 7 para 15 mulheres no período de dois anos, representando um aumento superior a 100% na participação feminina organizada. No âmbito econômico, foi identificado um aumento médio de aproximadamente 50% na renda mensal das participantes, resultado da ampliação da produção de óleo de andiroba, pomadas, sabonetes, óleos corporais, repelentes naturais e produtos artesanais. Além disso, foram realizadas diversas oficinas e capacitações, totalizando dezenas de horas de formação em boas práticas de manejo, beneficiamento, educação ambiental e empreendedorismo comunitário, ampliando o nível de conhecimento técnico e organizacional das participantes.
No que se refere aos resultados qualitativos, observam-se mudanças significativas no fortalecimento da autoestima, da autonomia e do protagonismo das mulheres extrativistas. As participantes relatam sentir-se mais valorizadas, confiantes e reconhecidas por seu trabalho, tanto dentro da comunidade quanto em espaços externos, como feiras, eventos e encontros institucionais. Também é perceptível o aumento do sentimento de pertencimento ao território e de responsabilidade coletiva pela preservação dos recursos naturais, bem como o resgate e a valorização dos saberes tradicionais repassados entre gerações. A formação de redes de apoio entre as mulheres e o fortalecimento dos vínculos comunitários também são apontados como ganhos importantes, contribuindo para maior organização social e capacidade de enfrentar desafios coletivamente.
O acompanhamento das ações foi realizado de forma contínua e participativa, por meio de reuniões periódicas de avaliação, registros em listas de presença, relatórios descritivos
Público atendido
Artesãos
Agricultores Familiares
Alunos do Ensino Médio
Alunos do Ensino Fundamental
Alunos do Ensino Básico
Alunos do Ensino Superior
Adulto
Jovens
Famílias de Baixa Renda
Mulheres
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