Objetivo
A Despolpadeira de Fruto Baru e Jatobá é uma tecnologia que se propõe a transformar a forma como os frutos nativos do Cerrado são processados pelas comunidades extrativistas. Seu propósito central é superar o processamento manual, historicamente penoso, lento e ineficiente, substituindo-o por um método acessível, seguro e de alta produtividade, adequado à realidade social, econômica e cultu
Problema Solucionado
O baru (Dipteryx alata) é um fruto nativo do Cerrado com alto valor nutricional e potencial de mercado. No entanto, o aproveitamento do fruto é limitado pela dificuldade no processamento, especialmente na retirada da polpa.
Problema Central
A retirada manual da polpa do fruto do baru é lenta, pesada, ineficiente e insalubre, o que gera:
1. Problemas Operacionais
Alto esforço físico e repetitivo
Baixa produtividade (poucos quilos/dia)
Risco de acidentes e lesões (cortes, LER/DOR)
Perda significativa de polpa
2. Problemas Sociais
Trabalho penoso, geralmente realizado por mulheres
Baixa remuneração pelo tempo de trabalho
Desestímulo à atividade extrativista
Exclusão de idosos e pessoas com menor força física
3. Problemas Econômicos
Dificuldade de escalar a produção
Baixa agregação de valor ao fruto
Limitação de acesso a mercados formais
Dependência da venda do fruto in natura ou da castanha apenas
4. Problemas Ambientais
Subaproveitamento do fruto inteiro
Redução do incentivo à conservação do Cerrado
Perda de renda associada à floresta em pé
A Despolpadeira do fruto do Baru, como tecnologia, foi desenvolvida para imitigar e resollver os problemas acima citados.
Descrição
A tecnologia social Despolpadeira de Mesocarpo do fruto baru (Dipteryx alata) e frutos secos, como o jatobá, foi desenvolvida com base em princípios de simplicidade, baixo custo, segurança operacional e adequação à realidade das comunidades extrativistas do Cerrado. Seu objetivo central é viabilizar o aproveitamento integral do fruto, com foco no mesocarpo, ampliando a geração de renda, a segurança alimentar e o uso sustentável dos recursos naturais.
Metodologia Utilizada
A metodologia adotada é participativa e adaptativa, estruturada em quatro etapas principais:
(i) diagnóstico comunitário produtivo e alimentar;
(ii) cocriação e adequação do equipamento às condições locais;
(iii) capacitação prática dos usuários;
(iv) acompanhamento e ajustes operacionais.
O processo valoriza o conhecimento tradicional, integrando saberes locais com soluções técnicas simples, garantindo apropriação da tecnologia pela comunidade.
Procedimentos de Implantação da Tecnologia
A implantação inicia-se com a seleção de grupos comunitários organizados (associações, cooperativas ou grupos informais). Em seguida, ocorre a instalação da despolpadeira em espaço coletivo, respeitando normas básicas de higiene e segurança. São realizados treinamentos práticos sobre operação, limpeza, manutenção e boas práticas de processamento. A gestão do uso do equipamento é definida coletivamente, com regras claras de acesso, divisão da produção e comercialização.
Descrição e Resultados da Tecnologia
A despolpadeira permite a remoção eficiente do mesocarpo do baru e de frutos secos, reduzindo drasticamente o esforço físico e o tempo de processamento. Como resultados observados destacam-se:
aumento significativo da produtividade;
padronização da matéria-prima;
redução de perdas;
inclusão produtiva de mulheres, idosos e jovens;
ampliação do portfólio de produtos alimentares e subprodutos.
1. Participação da Comunidade nos Processos
A comunidade participa desde o diagnóstico até a operação cotidiana da tecnologia. Os usuários contribuem com ajustes no equipamento, definição dos fluxos de trabalho, formas de uso do mesocarpo e estratégias de comercialização. Essa participação garante sentimento de pertencimento, autonomia e sustentabilidade da iniciativa.
2 e 3. Interação da Organização com a Comunidade
A organização responsável atua como facilitadora, promovendo diálogo contínuo, apoio técnico, capacitações e articulação com parceiros institucionais. A interação ocorre por meio de oficinas, reuniões periódicas, acompanhamento em campo e avaliação conjunta dos resultados, respeitando a governança local e fortalecendo a organização comunitária.
4. Segurança Alimentar e Uso do Mesocarpo na Alimentação Humana
O mesocarpo do baru, rico em fibras e nutrientes, passa a ser utilizado na preparação de bolos, pães, massas e outros alimentos, ampliando a diversidade alimentar e melhorando a qualidade nutricional das refeições. O uso local do mesocarpo contribui diretamente para a segurança alimentar e para a valorização da cultura alimentar regional.
5. Aproveitamento do Mesocarpo na Alimentação Animal
Além do consumo humano, o mesocarpo é aproveitado na ração de aves, bovinos, suínos, galinhas e cães, reduzindo custos com alimentação animal e agregando valor a um subproduto antes descartado. Esse uso fortalece sistemas produtivos integrados e melhora a eficiência econômica das famílias.
Recursos Necessários
Material despolpadeira:
1 chapa inox 304 4mm 1.350mm x 400mm perfurada tipo tela moeda com furos de 15mm
1 chapa de inox 304 400mm X 400mm
1 chapa de inox 304 2mm 700 mmX 1.000mm
1 chapa de inox 304 de 1mm 1.200mm X 3.000mm
12mts cantoneira inox 304 1 1/2 ×3/16
12mts cantoneira inox 304 1/2 × 1/8
8mts cantoneira inox 304 1x 1/8
1mt barra chata inox 304 1x1/8
1 exo inox 304 35mm X 40mm
Arame para solda em inox 304
Argonio
Parafusos inox 304:
10 m10x40
12 m10x30
40 m10x25
10 m10 X 20 além conico
75 porcas m10 com trava
2 m10x50
30 m6x25
30 m6x15
60 porcas m6 com trava
20 m8x25
20 porcas m8 com trava
130 arruelas 10
120 arrelas 6
40 arruelas 8
Material aço carbono:
12 mts cantoneira 1 1/2 × 3/16
24 mts cantoneira 1x 1/8
13 mts metalom 50x50 #14
6 mts metaom 50x30 #14
2 mts brra redonda 16mm
1 kit basculante para betoneira engrenagens e volante
Arame mig 1mm
Co2
2 rolamentos f 207 com mancais 4 furos de parede
1 rolamento p 210 2 furos em pé
1 rolamento p 207 2 furos em pé
4 travas de pressão
8 mts de borracha
2 colas
1 mola
4 buchas de nylon
1 eixo 35mm X 400mm
2 chapas 5/16 200 mm× 300mm
1 polia dupla A 450mm
1 polia dupla A 80mm
120mm chaveta 8mm
10 mts cabo pp 2.5x3
1 motor blindado 1.750 rpm
2 correias A
Uma contadora
1 inversor de frequencia para motor 3 cv
Parafusos de aço carbono:
30 m10 X 30
10 m10 X 40
40 p0rcas m10 com trava
80 arruelas 10mm
10 m8 X 30
Pessoal Necessario para uma Unidade da Tecnologia
Resultados Alcançados
A implantação da tecnologia atendeu diretamente 60 pessoas, integrantes de associações e grupos extrativistas comunitários do Cerrado, distribuídas da seguinte forma:
65% mulheres (39 participantes), responsáveis majoritariamente pelo processamento dos frutos;
20% jovens (18 a 29 anos), envolvidos na operação do equipamento e comercialização;
15% idosos, incluídos no processo produtivo em razão da redução do esforço físico proporcionada pela tecnologia.
Indiretamente, estima-se o impacto sobre aproximadamente 240 pessoas, considerando os membros das famílias beneficiadas e consumidores locais dos produtos derivados.
Resultados Quantitativos
Os principais resultados mensuráveis observados após a implantação foram:
Aumento da produtividade do processamento do mesocarpo em aproximadamente 300%, quando comparado ao método manual;
Redução de até 70% do esforço físico e do tempo de trabalho por unidade processada;
Aproveitamento integral do fruto, com redução de perdas estimada em 80%;
Ampliação do portfólio produtivo, com a criação de 5 a 8 novos produtos alimentares, como farinhas, bolos, pães e massas;
Redução de custos com ração animal em cerca de 25% a 40%, mediante uso do mesocarpo na alimentação de aves, bovinos, suínos e cães;
Aumento médio da renda familiar entre 20% e 35%, decorrente da venda de produtos processados e da economia com insumos.
Resultados Qualitativos
Os resultados qualitativos foram identificados a partir das percepções e avaliações dos participantes, destacando-se:
Maior satisfação e autoestima dos usuários, especialmente das mulheres, pela valorização do trabalho e do conhecimento tradicional;
Sensação de alívio físico e melhoria das condições de trabalho, reduzindo dores, cansaço e riscos de lesões;
Fortalecimento da organização comunitária, com maior cooperação e tomada de decisões coletivas;
Reconhecimento do valor do Cerrado em pé, reforçando o sentimento de pertencimento e responsabilidade ambiental;
Melhoria percebida na alimentação familiar, com maior diversidade e qualidade nutricional.
Público atendido
Agricultores Familiares
Comentários