Objetivo
O DECOLONEDU utiliza a gamificação e um repositório online inédito para tornar a educação antirracista prática e acessível. A tecnologia oferece jogos que engajam alunos e instrumentalizam professores. Seu objetivo final é combater o racismo estrutural na escola, fortalecendo identidades marginalizadas e formando estudantes críticos para a construção de uma sociedade mais justa e plural.
Problema Solucionado
O problema central que motivou a criação do DECOLONEDU é o abismo existente entre a legislação vigente (Leis nº 10.639/03 e 11.645/08), que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, e a sua prática no cotidiano escolar. Frequentemente, essas diretrizes são aplicadas de forma pontual e desconectada, perpetuando o racismo estrutural e a invisibilização de narrativas históricas de povos marginalizados.
Identificou-se também a carência de materiais didáticos engajadores e a dificuldade dos professores em traduzir teorias antirracistas para uma linguagem acessível aos jovens. Essa lacuna gera desinteresse nos estudantes e mantém o currículo eurocentrado. Ela pode ser implantada em qualquer escola pública ou privada que enfrente dificuldades na instrumentalização de docentes ou no engajamento de alunos em temas sensíveis. Ela soluciona a falta de recursos práticos ao oferecer jogos pedagógicos e um repositório online replicável, servindo como ferramenta direta para professores combaterem o preconceito, fortalecerem identidades e cumprirem a função social da escola de forma lúdica e efetiva.
Descrição
A metodologia adotada neste projeto é de natureza qualitativa, com caráter descritivo e exploratório, estruturada para intervir diretamente na cultura escolar do Colégio Estadual de Tempo Integral Rui Barbosa, localizado na zona rural de Boninal, Bahia. A instituição possui um histórico de atendimento a estudantes oriundos de comunidades rurais e grupos historicamente marginalizados, incluindo povos negros e quilombolas, o que demandou uma abordagem sensível às especificidades locais e focada na valorização dessas identidades. O projeto é um desdobramento maduro de uma pesquisa iniciada em 2023 sobre diversidade étnico-racial, que evoluiu para a criação de tecnologias sociais concretas.
O processo de implantação ocorreu em quatro etapas estratégicas. A primeira consistiu no aprofundamento teórico em obras de referência sobre decolonialidade e educação antirracista, fundamentando as bases pedagógicas da intervenção. A segunda etapa envolveu o planejamento e a confecção artesanal de jogos pedagógicos ("Trilha dos Saberes Negros" e "Roleta do Antirracismo"), traduzindo conceitos complexos para uma linguagem lúdica. A terceira etapa foi a aplicação dessas tecnologias em sala de aula e em momentos de formação docente, utilizando rodas de conversa como método de interação e escuta ativa da comunidade escolar. A quarta e mais recente etapa inova com a criação de um repositório online, sistematizando essas metodologias para acesso público e replicabilidade.
A participação da comunidade escolar acontece de forma ativa e colaborativa. Os estudantes não são apenas receptores, mas co-construtores do conhecimento: durante as jogadas, eles debatem situações reais de racismo, compartilham vivências e propõem soluções, transformando a sala de aula em um espaço de acolhimento e disputa de narrativas. A interação da organização (equipe do projeto) com a comunidade se dá através da mediação pedagógica e do incentivo ao protagonismo juvenil, articulando o saber acadêmico com a realidade sociocultural dos alunos.
Evidências do impacto positivo e da forte interação incluem a mudança perceptível no ambiente escolar, que se tornou mais aberto ao diálogo sobre diversidade, e o alto engajamento registrado durante as atividades. Indicadores de sucesso também são observados na projeção externa do trabalho, com credenciamento para eventos científicos nacionais e internacionais, validando a relevância social e acadêmica da metodologia desenvolvida na instituição.
Recursos Necessários
Para a implantação do DecolonEdu são necessários recursos acessíveis, priorizando materiais de baixo custo e fácil reposição no ambiente escolar.
Recursos Humanos:
Educador/Mediador: Responsável pelo planejamento, aplicação dos jogos e mediação das rodas de conversa.
Estudantes protagonistas: Podem atuar como monitores no auxílio aos colegas.
Materiais de Consumo e Confecção (Kit de Jogos):
Papelaria: Papel A4 e Papel Cartão/Couché (para impressão dos tabuleiros, cartas e regras ), cola, tesoura, fita adesiva e papel contact ou plastificação (para garantir a durabilidade das peças manuseadas).
Itens de Jogo: Dados (d6), pinos coloridos (podem ser adaptados com tampinhas recicláveis), marcadores de texto.
Equipamentos e Tecnologia:
Computador, Tablet ou Smartphone com acesso à internet: Essencial para acessar o repositório online, consultar os roteiros pedagógicos e baixar os arquivos para impressão.
Impressora (preferencialmente colorida): Para confecção dos materiais visuais.
Infraestrutura:
Espaço físico (sala de aula ou pátio) com mobiliário flexível que permita a organização das carteiras em grupos ou círculos para as rodas de conversa.
Resultados Alcançados
A implantação do DecolonEdu impactou diretamente a comunidade do ensino médio do Colégio Estadual de Tempo Integral Rui Barbosa, envolvendo estudantes e professores em uma dinâmica de aprendizado coletivo e transformador. Embora o foco seja qualitativo, a abrangência da iniciativa alcançou a maioria das turmas da unidade escolar, consolidando-se como uma prática pedagógica de referência na região.
Em termos qualitativos, os resultados foram expressivos. Observou-se, através da aplicação dos jogos, um aumento significativo no engajamento dos estudantes e na disposição para debater temas sensíveis. As avaliações dos participantes, coletadas em rodas de conversa, indicaram que a abordagem lúdica criou um ambiente acolhedor e seguro, permitindo que os alunos expressassem sentimentos de pertencimento e fortalecessem suas identidades negras e quilombolas. Professores relataram que os materiais facilitaram a abordagem de conteúdos obrigatórios pelas Leis 10.639/03 e 11.645/08, superando barreiras didáticas anteriores.
Quantitativamente, o sucesso da tecnologia é evidenciado pelo reconhecimento acadêmico externo. O projeto obteve destaque em feiras científicas, além de conquistar vários prêmios. A criação do repositório online amplia esses resultados, permitindo mensurar futuros acessos e downloads das metodologias.
O acompanhamento dos resultados foi realizado de forma contínua e sistemática através de um caderno de campo, onde foram registrados as observações das dinâmicas, as falas dos estudantes durante as rodas de conversa e os feedbacks dos docentes. Essa escuta ativa permitiu ajustes constantes na tecnologia, garantindo que ela permanecesse relevante e efetiva para o público-alvo.
Público atendido
Afrodescendentes
Alunos do Ensino Básico
Alunos do Ensino Fundamental
Alunos do Ensino Médio
Alunos do Ensino Superior
Diretor de Escola
Professores do Ensino Básico
Professores do Ensino Fundamental
Professores do Ensino Médio
Professores do Ensino Superior
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