Objetivo
Consolidar a Tecnologia Social ADEVIS/2025 como um modelo replicável de inclusão e reabilitação. Expandindo a atuação para a rede pública, priorizando os eixos de Educação e Assistência Social, por meio da capacitação de equipes escolares e sociais e da promoção da autonomia do deficiente visual. Promovendo acesso à cidadania e aos direitos com atendimento especializado e articulação de redes.
Objetivos específicos
- Sistematizar e validar o modelo "Autonomia e Inclusão em Rede" para garantir sua plena replicabilidade em novas locais.
- Promover a autonomia do usuário com capacitação em Orientação e Mobilidade (OM), Braille e o domínio das Tecnologias Assistivas (T.A.).
- Qualificar a rede public de serviços (Educação/Assistência) por meio de consultorias e vivências, combatendo o capacitismo nas instituições.
- Fortalecer a sustentabilidade e a infraestrutura da TS, buscando novos convênios e parcerias estratégicas para expansão.
Problema Solucionado
Tecnologia Social Conexões Multissensoriais: Autonomia e Inclusão em Rede (ADEVIS/2025) nasce para enfrentar o cenário de exclusão da pessoa com Deficiência Visual. Na região, mais de 30.000 pessoas vivem com cegueira ou baixa visão e enfrentam barreiras que impedem sua autonomia. O problema central não é a deficiência, mas sim a desconexão entre serviços e o capacitismo.
Os dados do Censo ilustram: na Educação, a alta taxa de analfabetismo reflete que um terço das escolas não possui recursos de acessibilidade, resultando em mais de 63% dos adultos com DV sem Ensino Fundamental completo. No Trabalho e Saúde, a carência de serviços especializados e articulados gera dependência e isolamento. Essa falta de acesso e serviços especializados foram os propulsores para a criação e a especialidade da T.S. Após a certificação na 12ª Edição, analisamos, embora com avanços e resultados sólidos, a demanda emergente é a capacitação e profissionalização da rede de serviços. Assim, a ADEVIS objetiva transformar o modelo de atendimento individual em uma solução sistêmica para as cidades de referência. A T.S ao capacitar a rede pública, promove autonomia, dignidade e plena cidadania.
Descrição
A Tecnologia Social Conexões Multissensoriais: Autonomia e Inclusão em Rede (ADEVIS/2025) é o resultado da sistematização e do aprimoramento de 37 anos de experiência da Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo. Reconhecida pela certificação na 12ª Edição do Prêmio, a metodologia evoluiu de um projeto de atendimento especializado para um modelo replicável de intervenção sistêmica, focado na inclusão da pessoa com Deficiência Visual através do fortalecimento e da capacitação da rede pública de serviços.
O histórico da ADEVIS é de atuação com referência regional, pautado por um olhar humanizado e acolhedor. Ao longo de mais de três décadas, a entidade se consolidou oferecendo serviços que eram historicamente negligenciados ou inexistentes na rede pública, como a Reabilitação Especializada (Treino de Orientação e Mobilidade – O.M., Alfabetização e Aprofundamento em Braille), Apoio Psicossocial (acompanhamento individual e familiar para fortalecimento de vínculos) e Tecnologia Assistiva (T.A.) (capacitação no uso de smartphones e softwares acessíveis). A certificação obtida consolidou a metodologia da ADEVIS como um saber social validado, impulsionando a necessidade de transformá-lo em um modelo de capacitação da rede, respondendo à demanda emergente de profissionalização técnica dos serviços públicos.
A metodologia de implantação da Técnologia Social está sistematizada em um modelo de fácil adoção, replicável por outras instituições ou municípios que desejam qualificar seus serviços de apoio à pessoa com deficiência, dividida em 4 fases interconectadas. A Fase 1: Estruturação e Articulação de Redes é o foco da versão 2025 e inclui o Diagnóstico da demanda local e a formalização com as Secretarias de Educação e Assistência Social, visando garantir o fluxo de encaminhamento e a integração da TS. Segue-se a Fase 2: Acolhimento e Desenvolvimento do Usuário, onde se inicia o Acolhimento Familiar e a inclusão dos usuarios nos serviços e atendimentos. Este define metas claras de autonomia nos três eixos (OM, Braille/T.A. e Psicossocial), orientando as intervenções especializadas e respeitando a singularidade de cada caso.
O grande diferencial da nova proposta é a Fase 3: Expansão da Inclusão e Capacitação em Rede. Nesta etapa, o conhecimento da ADEVIS é aplicado para dentro da rede pública através de Consultoria e Treinamento para equipes escolares (professores e educadores) sobre Braille, recursos de T.A. e estratégias pedagógicas inclusivas. São realizadas Vivências Realísticas e Palestras para alunos e comunidade, fomentando o enfrentamento ao capacitismo. Além disso, há articulação direta com a Assistência Social (CRAS/CREAS) para inserção em programas de qualificação profissional. Por fim, a Fase 4: Monitoramento e Sustentabilidade garante que o processo seja sistemático e contínuo, com monitoramento e avaliações que permitem o ajuste da metodologia e a contribuição para os indicadores, num ciclo completo de 12 meses.
A participação comunitária e a interação com a organização são fundamentais. O foco e propulsão da interação são os próprios usuários e seus familiares, que são incentivados a se tornarem associados da entidade. O modelo de gestão da ADEVIS garante o Protagonismo Comunitário, permitindo que o público exerça cidadania e autonomia na gestão das decisões e na definição de prioridades. O Reconhecimento Regional da ADEVIS como local de acolhida, orientação e busca por direitos garante um fluxo orgânico e um aumento expressivo da demanda e do número de associados a cada ano, com a entidade mantendo-se de portas abertas a toda a comunidade e instituições da região. O impacto positivo da TS é comprovado por sua certificação na 12ª Edição e é mensurado por um conjunto de indicadores. A versão ADEVIS/2025 representa um incremento significativo na capacidade de capacitar a rede pública, multiplicando o impacto social. Os Indicadores Quantitativos demonstram que a TS atingiu mais de 100 usuários nos últimos 24 meses, articulando e capacitando em mais de 10 escolas e instituições públicas. Além disso, o projeto atende todos os publicos, mas majoritariamente 80% de mulheres e uns 50% de pessoas pretas ou pardas, contribuindo para os ODS de Gênero e Igualdade Racial. Os Indicadores Qualitativos são aferidos pelo acompanhamento, que comprova a evolução na autonomia do usuário (ex: uso de transporte público, retorno à escola, domínio de T.A.) e a redução do capacitismo nas instituições parceiras através de relatórios de satisfação e depoimentos.
Recursos Necessários
A implantação de uma unidade da Tecnologia Social requer o dimensionamento de recursos materiais estratégicos, complementando a equipe multidisciplinar especializada de Psicologia, Serviço Social, O.M./Braille e Educadores.
Para a Autonomia do Usuário:
Reabilitação e Orientação e Mobilidade: Kits completos de O.M., incluindo bengalas, óculos de baixa visão, vendas e óculos escuros para o treino e simulação. Materiais táteis (regletes, punções, papel Braille), e recursos de Atividades da Vida Diária (residencial) para treino de autonomia.
Tecnologia Assistiva: Smartphones e Tablets (Android/iOS) com fones de ouvido para capacitação em leitores de tela e uso de aplicativos acessíveis. Computadores/Notebooks com softwares de acessibilidade (ZoomText/NVDA) para oficinas de informática.
Para a Capacitação em Rede:
Infraestrutura de Difusão: Projetor, tela de projeção e sistema de som para palestras e treinamentos na rede pública. Impressora de alto volume e/ou Braille para produção do Manual de Sistematização e material didático inclusivo.
Vivências: Kits de simulação de deficiência (faixas, cadeiras de rodas, muletas) para as "Vivências Realísticas" e material sensorial/artístico para as oficinas expressivas (telas, tintas táteis).
Logística e Consumo: Veículo para transporte da equipe e suporte às consultorias e atendimentos externos. Material de escritório e consumo e itens de alimentação para as atividades de capacitação de equipes.
Resultados Alcançados
A Tecnologia Social Conexões Multissensoriais, apresenta a evolução para um modelo sistêmico e regionalizado, demonstrando significativa capacidade de intervenção e replicação.
Impacto Quantitativo e Expansão
Nos últimos 2 anos, a TS alcançou um impacto direto em mais de 200 usuários e indireto em mais de 1000 pessoas, entre familiares e profissionais da rede. Atualmente, mantém um acompanhamento cerca de 120 usuários inseridos em seus atendimentos. O avanço mais notável da versão ADEVIS/2025 é a expansão regional: a entidade articula ações e atende público de 10 cidades vizinhas do Vale do Rio dos Sinos, consolidando-se como referência regional. Para os indicadores do edital, 80% do público atendido é composto por mulheres, fortalecendo o foco no ODS 5 (Igualdade de Gênero). A intervenção também está inserida em comunidades de territórios mais vulneráveis e periféricos de Novo Hamburgo, reforçando o combate à desigualdade social e racial.
Impacto Qualitativo e Transformação da Rede
Os resultados qualitativos são mensurados nos relatórios de atendimentos, com evolução do usuário em três eixos, destacando-se pela atuação em duas frentes:
Ganhos do Usuário e Família
O trabalho focado em Orientação e Mobilidade (OM), Braille e Tecnologia Assistiva (T.A.) gerou avanços concretos na autonomia e inclusão em políticas públicas. Os usuários são inseridos em políticas de Saúde, Educação e Cultura, por meio de intervenções culturais (música, pinturas expressivas em tela) e oficinas de Braille. Essa ação direta resulta no fortalecimento da convivência familiar, na redução de situações de isolamento social e na diminuição da sobrecarga dos cuidadores. Há também ganhos em Proteção Social, com conhecimento e garantia dos direitos, e redução dos agravos decorrentes do capacitismo.
Capacitação e Transformação da Rede Pública
A metodologia promoveu a profissionalização dos serviços: Qualificação Profissional (conhecimento aprofundado sobre Políticas Públicas e direitos) e Combate ao Capacitismo (conhecimentos sólidos para enfrentamento da discriminação). O resultado final é a Melhora no Atendimento da rede: equipes escolares, de saúde e assistência social melhor orientadas para o manejo, referenciamento e inclusão social e educacional das pessoas com deficiência, impactando diretamente a melhora na escolarização e na frequência escolar. O acompanhamento é realizado por meio de relatórios de execução e avaliação junto ao público atendido, garantindo a transformação social.
Público atendido
- Portadores de Deficiência
- Adolescentes
- Alunos do Ensino Básico
- Alunos do Ensino Fundamental
- Alunos do Ensino Médio
- Crianças
- Famílias de Baixa Renda
- Professores do Ensino Fundamental
- Professores do Ensino Básico
- Professores do Ensino Médio
Comentários