Objetivo
Desenvolver a versão 2.0 do software ComunicaTupi, incorporando algoritmos de Machine Learning para aprimorar a precisão e a eficiência das traduções entre o Tupi Mondé e outras línguas, promovendo inclusão educacional, digital e cultural das comunidades indígenas.
Problema Solucionado
O problema solucionado pela tecnologia social ComunicaTupi é a exclusão linguística e educacional enfrentada por comunidades indígenas falantes da língua Tupi Mondé, especialmente em contextos escolares e institucionais onde o português é predominante. Essa barreira impedia a participação plena de estudantes indígenas em atividades educacionais, como cursos de robótica, dificultando o acesso ao conhecimento, à tecnologia e à cidadania. Além disso, a ausência de ferramentas tecnológicas adequadas para a tradução automática de línguas indígenas agravava a exclusão social e cultural. O ComunicaTupi rompe essas barreiras ao oferecer um tradutor digital bilíngue, desenvolvido com inteligência artificial e saberes tradicionais, promovendo inclusão, preservação linguística e valorização da identidade cultural dos povos originários.
Descrição
O ComunicaTupi foi desenvolvido na UFF, no PGCTIn, em parceria com o IFRO. A interação entre as instituições e as comunidades indígenas é contínua, sensível ao contexto cultural e baseada em práticas colaborativas. A mediação humanizada é realizada por meio de canais como WhatsApp e aulas síncronas via Google Meet, respeitando as limitações de conectividade e promovendo suporte individualizado. A Etnoinformática orienta a integração da tecnologia aos saberes tradicionais, fortalecendo a identidade cultural. A parceria com a OPIRON foi essencial para identificar demandas e garantir apoio local. A interação ocorre em ambientes virtuais (AVA Moodle) e presenciais, como no IFMaker, com atividades práticas de robótica e impressão 3D. O desenvolvimento do ComunicaTupi é um exemplo direto de como a tecnologia foi cocriada com a comunidade para superar barreiras linguísticas e promover inclusão. O impacto positivo é evidenciado por dados quantitativos, produtos tecnológicos e depoimentos. A segunda edição do curso contou com 62 participantes indígenas (13,4% do total), comparado a apenas 4 na edição piloto. O engajamento foi monitorado via Moodle Analytics, revelando aumento na participação e na qualidade da aprendizagem. A criação do ComunicaTupi, um tradutor bilíngue Tupi Mondé–Português, é uma solução concreta para a exclusão linguística. Educadores relataram mudanças significativas nas práticas pedagógicas, com uso de robótica, Minecraft e impressão 3D para integrar cultura e tecnologia. O projeto recebeu prêmios como o Destaque ABED 2023 e o Seymour Papert – Paulo Freire de Robótica Educacional. Depoimentos destacam o Glossário Tupi Mondé como essencial para compreensão dos conteúdos e a Wiki de Projetos como espaço de troca e fortalecimento comunitário. Metodologia e Procedimentos Adotados na Implantação do Processo A implantação do processo de formação de educadores indígenas em tecnologias computacionais e robótica educacional foi conduzida por meio de uma pesquisa-ação qualiquantitativa, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-graduação em Ciências, Tecnologias e Inclusão (PGCTIn) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO). Histórico das Instituições nos Trabalhos Sociais com a Comunidade UFF – PGCTIn: O PGCTIn tem como missão promover a inclusão social por meio da articulação entre ciência, tecnologia e práticas educacionais. O programa atua em projetos voltados à acessibilidade, educação inclusiva, tecnologias assistivas e valorização de saberes tradicionais. A tese de doutorado que originou o projeto ComunicaTupi é um exemplo dessa atuação, ao integrar saberes indígenas com tecnologias digitais para superar barreiras linguísticas e educacionais. IFRO: O Instituto Federal de Rondônia tem histórico consolidado de atuação em comunidades indígenas, especialmente por meio de ações de extensão, formação técnica e tecnológica, e programas de Educação a Distância (EAD). O IFRO tem promovido cursos voltados à inclusão digital, robótica educacional e formação de professores indígenas, com foco na valorização da cultura local e no fortalecimento da autonomia pedagógica das comunidades. A colaboração entre as duas instituições permitiu a criação de um curso FIC em Tecnologias Computacionais e Robótica Educacional, com foco em educadores indígenas da região amazônica. A reformulação do Projeto Político Pedagógico (PPC), a mediação humanizada, o uso da Etnoinformática e o desenvolvimento do ComunicaTupi são frutos dessa parceria, que se destaca como uma ação social transformadora e replicável.
Recursos Necessários
Para a implantação da tecnologia social ComunicaTupi em duas instituições (UFF e IFRO), são necessários: Equipes técnicas duplicadas: 4 desenvolvedores de software (2 por instituição), 2 pesquisadores em linguística indígena, 4 tradutores nativos Tupi Mondé, 2 coordenadores pedagógicos, especialistas em acessibilidade e design instrucional (R$ 360.000). Infraestrutura duplicada: 10 notebooks, 4 smartphones, 2 projetores multimídia, 2 impressoras multifuncionais, kits de robótica educacional, servidores e periféricos (R$ 160.000). Infraestrutura digital: hospedagem, licenças, domínio, segurança de dados e manutenção para duas unidades (R$ 40.000). Passagens e diárias interinstitucionais: deslocamentos para oficinas, reuniões técnicas, coleta de dados e ações de extensão em comunidades indígenas (R$ 80.000). Materiais didáticos e pedagógicos: produção de cartilhas bilíngues, vídeos explicativos, guias de uso e conteúdos digitais acessíveis (R$ 60.000). Registro de software no INPI: taxas e documentação técnica (R$ 5.000). Publicações científicas e divulgação: artigos, apresentações em eventos, produção de conteúdo para redes e mídia especializada (R$ 25.000). Reserva técnica para reaplicação e ajustes locais: adaptação cultural e linguística em novas comunidades (R$ 130.000).
Resultados Alcançados
Resultados alcançados A implementação das tecnologias no curso de formação de educadores indígenas gerou impactos significativos, tanto quantitativos quanto qualitativos. A abordagem metodológica foi qualiquantitativa, com foco na pesquisa-ação e na mediação humanizada. Quantidade de pessoas atendidas: O curso FIC ofertou 300 vagas, mas recebeu 659 inscrições, sendo 259 de professores e licenciandos indígenas (39,3%). Na edição piloto, apenas 4 indígenas se inscreveram, sem concluir o curso. A nova edição demonstrou maior adesão e engajamento. Um grupo focal de 35 participantes foi acompanhado em profundidade. A taxa de desistência foi de 27,8%, influenciada por fatores como idade e carga horária. Resultados quantitativos: A avaliação pós-curso indicou uma melhoria de 35% nas competências digitais dos participantes. Antes da formação, 71,7% já apresentavam alto conforto com tecnologias. Dos 462 alunos ativos, 67,3% tinham formação em Licenciatura. O engajamento no AVA foi monitorado via Moodle Analytics, revelando intensa participação nos fóruns e atividades. Resultados qualitativos: Depoimentos destacaram a transformação das práticas pedagógicas com o uso da robótica e tecnologias digitais, consideradas um “divisor de águas”. O Glossário Tupi Mondé e o tradutor ComunicaTupi foram apontados como essenciais para a compreensão dos conteúdos técnicos, respeitando a língua e cultura indígena. A atividade com Minecraft para construção de aldeias digitais foi descrita como “divertida e educativa”. A Wiki de Projetos de Etnoinformática fortaleceu a colaboração entre educadores. A presença feminina na docência foi valorizada por participantes, promovendo inclusão de gênero. Houve também fortalecimento da autonomia dos educadores na adaptação das tecnologias ao contexto cultural. Acompanhamento: O monitoramento foi realizado por meio de pré e pós-testes de competências digitais (DigCompEdu), análise de portfólios e projetos finais. A mediação humanizada, via WhatsApp e Meet, em três turnos, garantiu suporte contínuo. A coleta de percepções envolveu entrevistas, observações e análise de fóruns e atividades colaborativas.
Público atendido
Povos Indígenas
Povos Tradicionais
Professores do Ensino Médio
Professores do Ensino Básico
Professores do Ensino Superior
População em Geral
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