Objetivo
Promover a recomposição de defasagens significativas em Língua Portuguesa e Matemática, referentes às habilidades fundamentais do 1º ao 3º ano, entre estudantes dos Anos Finais, enfrentando a alfabetização tardia - condição básica para o avanço das aprendizagens. A tecnologia busca evitar o abandono escolar, reduzir desigualdades e possibilitar o retorno ao currículo da série, sem estigmatização.
Problema Solucionado
Um dos maiores desafios educacionais do país é o elevado número de estudantes de Anos Finais sem o domínio das habilidades básicas de leitura, escrita e matemática. Em São Paulo, de acordo com a avaliação estadual Saresp (2024), 77% desses estudantes apresentaram desempenho insuficiente em Língua Portuguesa e 85% em Matemática. Sem compreensão de textos ou das quatro operações matemáticas, esses estudantes não conseguem acompanhar os conteúdos do currículo, acumulam dificuldades, têm sua autoestima comprometida e enfrentam maior risco de abandono e evasão escolar. Vale destacar que a transição dos Anos Iniciais para Anos Finais é particularmente crítica com a mudança para professores especialistas, a complexificação dos conteúdos e a ausência de atendimento às necessidades dos adolescentes para seu desenvolvimento integral. Esse quadro gera o aumento da distorção idade-série (diferença de dois ou mais anos na série escolar correspondente à sua idade) e o aprofundamento de desigualdades, estigmatizando estudantes com dificuldades de aprendizagem. O resultado é um ciclo persistente de fracasso escolar que limita o avanço acadêmico e reduz oportunidades futuras.
Descrição
A Coleção Horizonte é uma tecnologia social desenvolvida pela Parceiros da Educação para enfrentar um problema histórico da educação brasileira: a aprendizagem inadequada de estudantes nos Anos Finais do Ensino Fundamental. O material foi sistematizado a partir de estudos sobre recomposição de aprendizagens, experiências nacionais e internacionais, análise de dados estaduais e práticas de professores da rede pública, além de considerar medidas para evitar processos de estigmatização associados a intervenções que retiram o estudante da sala de aula.
A iniciativa nasce do histórico da Parceiros da Educação, que atua há 21 anos na promoção da excelência da educação pública paulista, com foco na formação integral e equitativa dos estudantes. A organização trabalha diretamente na ponta - em escolas, Unidades Regionais de Ensino e Redes Municipais - pilotando ações inovadoras e transformando aprendizados em políticas públicas. Seu trabalho percorre todo o ciclo, do advocacy à implementação de políticas educacionais baseadas em evidências, contribuindo para impactar os 7,5 milhões de estudantes da rede pública paulista.
Desde 2019, a organização intensificou iniciativas voltadas à alfabetização e recomposição das aprendizagens, especialmente após a pandemia, quando a defasagem aumentou significativamente. A Coleção Horizonte é resultado desse percurso, somado à demanda crescente das redes por materiais estruturados, acessíveis e replicáveis.
No estado de São Paulo, de acordo com o Censo Escolar 2024 e com os resultados do Saresp 2024, 1.298.020 estudantes frequentam os Anos Finais do Ensino Fundamental na rede estadual. Desses, cerca de 999 mil (77%) apresentam aprendizagem insuficiente em Língua Portuguesa e mais de 1,1 milhão (85%) em Matemática - o que equivale a quase 3 em cada 4 alunos na área de Língua Portuguesa e a mais de 4 em cada 5 na área de Matemática.
A metodologia da Coleção Horizonte organiza-se em dois volumes divididos em módulos e cenas que combinam narrativas (como HQs e personagens) com atividades de leitura, escrita e matemática. A abordagem se baseia em ensino no ritmo de cada aluno, com três níveis de complexidade (Vermelho, Amarelo e Verde), permitindo que cada estudante avance conforme seu domínio prévio.
Os conteúdos apresentam progressão gradual, garantindo que habilidades mais complexas sejam trabalhadas somente após a consolidação das anteriores. O material utiliza múltiplos formatos - textos, imagens, HQs e atividades práticas - para apoiar diferentes estilos de aprendizagem, conecta os conteúdos ao cotidiano dos estudantes e articula leitura, escrita e matemática a temas de História, Geografia e Ciências. A estrutura por cenas facilita o uso em sala de aula, apoia o acompanhamento dos níveis de proficiência e mantém os estudantes engajados.
A participação da comunidade escolar foi elemento central da sistematização. Professores, gestores, estudantes e equipes técnicas da Seduc-SP contribuíram com sugestões sobre linguagem, estrutura, níveis de dificuldade, formato das atividades e validação de módulos. O material passou por ciclos de teste e revisão, ajustado com base em evidências de aprendizagem, feedbacks dos educadores e observações em campo. Está alinhado à BNCC (Base Nacional Comum Curricular), às avaliações estaduais e nacionais e às políticas de recomposição das aprendizagens, garantindo aplicabilidade imediata.
A implementação inclui formação inicial e apoio contínuo aos professores, com materiais complementares, tutoriais, guia de aplicabilidade e integração com uma plataforma digital para monitoramento das turmas. O material foi testado em diferentes contextos escolares, assegurando usabilidade, acessibilidade e adequação a realidades diversas. A tecnologia também incentiva a colaboração entre educadores por meio de um espaço comum de troca de práticas, registros e adaptações pedagógicas.
As evidências de impacto reforçam a efetividade da Coleção Horizonte, uma tecnologia social sistematizada e monitorada em larga escala na rede estadual de São Paulo. Em 2025, está presente em 741 escolas de 51 Diretorias de Ensino, alcançando mais de 250 mil estudantes dos Anos Finais, com apoio direto de cerca de 1.400 professores tutores. A implementação é acompanhada por avaliações diagnósticas de entrada e saída, monitoramento da progressão por níveis e devolutivas pedagógicas. Avaliação independente identificou ganhos de 0,3 desvio-padrão em Matemática e 0,19 em Língua Portuguesa, além de aumento de 8,8% na chance de estudantes atingirem nível adequado em Matemática na própria série, indicando efetividade e potencial de escala.
Recursos Necessários
Para a implantação de uma unidade da Tecnologia Social Coleção Horizonte - entendida como sua aplicação em uma escola ou conjunto de turmas dos Anos Finais - são necessários recursos materiais, humanos e de apoio pedagógico articulados de forma estruturada.
No campo dos recursos materiais, é necessária a disponibilização dos cadernos da Coleção Horizonte, em quantidade suficiente e nos diferentes níveis de complexidade (Vermelho, Amarelo e Verde), de acordo com o diagnóstico inicial dos estudantes. Também são necessários instrumentos de avaliação diagnóstica de entrada e de acompanhamento, que orientem a escolha dos percursos de aprendizagem e permitam o monitoramento da evolução ao longo do processo.
Quanto aos recursos humanos, a implementação requer professores responsáveis pela condução das atividades (professores tutores ou docentes da turma) e o envolvimento da gestão pedagógica da escola, garantindo organização do tempo, acompanhamento dos resultados e apoio às práticas de recomposição.
A formação inicial e o suporte pedagógico contínuo são condições centrais para a efetividade da tecnologia. Essa formação aborda os fundamentos pedagógicos da Coleção Horizonte, o uso dos dados diagnósticos para tomada de decisão, estratégias de diferenciação do ensino e organização da sala de aula, assegurando que o material seja utilizado de forma intencional, integrada e alinhada às necessidades dos estudantes.
Resultados Alcançados
A Coleção Horizonte está em expansão na rede estadual paulista e já apresenta resultados quantitativos e qualitativos expressivos. Em 2024, foi aplicada em 200 escolas de 20 Diretorias de Ensino; em 2025, alcança 741 escolas de 51 Diretorias, chegando a mais de 250 mil estudantes dos Anos Finais. O projeto apoia diretamente cerca de 1.400 professores tutores e beneficia indiretamente mais de 10 mil educadores.
Uma avaliação independente conduzida por Guilherme Lichand (Stanford University) mostrou avanços significativos na aprendizagem quando o material é utilizado dentro do projeto Professor Tutor Anos Finais. O estudo identificou ganhos de 0,3 desvio-padrão em Matemática e 0,19 em Língua Portuguesa - efeitos considerados robustos na literatura educacional (acima de 0,25 d.p.). Esses resultados equivalem a vários meses adicionais de aprendizagem e são especialmente relevantes dado o curto período de implementação do piloto, sinalizando o potencial da tecnologia quando aplicada ao longo de todo o ano.
A avaliação também demonstrou redução da defasagem entre série e nível de proficiência. Em Matemática, houve +8,8% de chance de o estudante atingir o nível adequado dentro da própria série, em comparação ao grupo de controle. Em Língua Portuguesa, ainda que os ganhos não tenham alcançado significância estatística, observou-se evolução dentro da série, indicando progresso consistente.
Os resultados qualitativos reforçam os achados quantitativos. Professores relatam maior engajamento dos alunos devido aos personagens e HQs; mais autonomia para personalizar intervenções; clareza para acompanhar níveis de aprendizagem; e fortalecimento das práticas de recomposição sem estigmatização.
Estudantes destacam maior facilidade para compreender textos e atividades, identificação com os personagens, motivação para avançar de nível, percepção de progresso real e ganhos de autoestima. Gestores observam melhor organização da recomposição, maior alinhamento pedagógico e facilidade no acompanhamento da evolução das turmas.
A implementação é monitorada pela Seduc-SP e pela Parceiros da Educação, que acompanham devolutivas dos professores tutores, evolução por módulos e níveis, indicadores de proficiência, engajamento e resultados das avaliações diagnósticas adaptativas de entrada e saída.
Esses resultados indicam não apenas avanço cognitivo, mas também fortalecimento da permanência escolar e da confiança dos estudantes em seu processo de aprendizagem.
Público atendido
Adolescentes
Alunos do Ensino Fundamental
Analfabetos
Professores do Ensino Fundamental
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