Objetivos específicos
Objetivo geral: promover autonomia energética e sustentabilidade socioambiental no Rio Negro por meio do Centro de Aprendizagem Indígena, integrando Ciência Indígena, MAI e sistemas fotovoltaicos para formar gestores locais, reduzir diesel e viabilizar serviços essenciais e bioeconomia.
Objetivos específicos: (1) alinhar a iniciativa aos PGTAs e à governança das cinco coordenadorias.
(2) implantar e operar, na Maloca da FOIRN, laboratório fotovoltaico com padrões de segurança e rotinas de operação e manutenção.
(3) formar e certificar agentes de energia com equidade de gênero e rede de multiplicadores.
(4) executar monitoramento e acompanhamento com registros e checklists, medindo disponibilidade, diesel evitado e autonomia de manutenção.
(5) energizar usos finais prioritários (água, refrigeração, iluminação e conectividade) e apoiar iniciativas de bioeconomia.
(6) sistematizar o passo a passo e materiais interculturais para reaplicação e escala.
Problema Solucionado
Apesar de avanços históricos em políticas de acesso à energia elétrica em territórios remotos (ex: Luz para Todos), o acesso por si só, seja por geração a diesel ou por sistemas fotovoltaicos, não garante capacidade local para operação, manutenção e gestão do sistema. Na prática, a ausência de educação/capacitação e de arranjos comunitários de governança tende a produzir: (i) riscos de acidentes (instalações improvisadas, manuseio inadequado), (ii) quebras recorrentes e indisponibilidade por falta de manutenção e reposição, (iii) redução da vida útil dos ativos por operação fora de especificação, e (iv) custos crescentes para O&M (logística, contratos, deslocamentos), pressionando o orçamento público e destas comunidades. O resultado frequente, no médio e longo prazo, é a descontinuidade do serviço, com sistemas “abandonados” ou subutilizados, comprometendo qualidade de vida e serviços críticos (água, refrigeração de alimentos/medicamentos, iluminação e atividades educacionais). Essa leitura do problema é coerente com a exigência do prêmio de demonstrar compreensão do problema e seus impactos na vida do público participante, com dados e evidências do território de atuação.
Descrição
A implementação do Centro de Aprendizagem Indígena do Rio Negro configura uma Tecnologia Social orientada à resolutividade da pobreza energética, com foco na continuidade do serviço energético, na redução de custos e riscos operacionais, e na geração de impactos socioambientais duradouros. A iniciativa parte do princípio de que acesso à energia não se sustenta apenas com a entrega de equipamentos. É necessário formar pessoas, estruturar governança local, padronizar rotinas de operação e manutenção e integrar a energia a usos finais que elevem qualidade de vida (água, refrigeração, iluminação, conectividade, educação e apoio à bioeconomia). Nesse sentido, a Metodologia Intercultural e a Ação Interdisciplinar (MAI) atua como eixo organizador, criando pontes entre conhecimentos acadêmico e tradicional, científico e espiritual, sem hierarquização, e traduzindo essas convergências em procedimentos práticos, replicáveis e verificáveis.
A metodologia e o procedimento se estruturam pela integração entre academia (CPTEn, Unicamp), governança indígena (FOIRN) e território (cinco coordenadorias e PGTAs), com um processo cíclico e dialógico organizado em quatro fases, cada uma com entregas objetivas e evidências registráveis.
Fase 1, pactuação e alinhamento político territorial. Esta etapa assegura legitimidade, aderência aos PGTAs e redução de risco de rejeição. Inclui imersão e escuta ativa com as cinco coordenadorias, definição compartilhada de prioridades de usos finais (saúde, educação, água, bioeconomia) e critérios para seleção de participantes. Como entrega, produz pactuação de escopo, cronograma e responsabilidades, além da institucionalização da Casa do Saber (Maloca da FOIRN) como sede técnica e política do Centro e espaço deliberativo de acompanhamento.
Fase 2, convergência epistêmica e design intercultural (MAI). Nesta fase, a MAI operacionaliza a convergência entre Engenharia e Ciência Indígena por meio de oficinas de gestão do conhecimento, que traduzem conceitos técnicos para a cosmovisão local e incorporam princípios do Bem Viver ao desenho do processo formativo. São desenvolvidos materiais didáticos interculturais (linguagem acessível, adequação cultural, incentivo à equidade de gênero), além do desenho técnico dos sistemas que compõem o laboratório formativo. As entregas incluem guias de aprendizagem, procedimentos de segurança e planos de instalação orientados à manutenção e à vida útil dos equipamentos.
Fase 3, implantação técnica e formação de multiplicadores. Esta é a etapa de execução prática, em que o Centro se materializa como infraestrutura e como rede de pessoas capacitadas. São instalados, na Maloca da FOIRN, sistemas fotovoltaicos nos arranjos on grid e off grid, com padrões de segurança, documentação e rotinas de operação e manutenção. Em paralelo, ocorre o ciclo de formação inicial e continuada, centrado em montagem, diagnóstico, manutenção preventiva, gestão do sistema e uso seguro, com certificação e registro de evidências (listas de presença, checklists, registros fotográficos e memória técnica). A seleção de multiplicadores, homens e mulheres, garante a escala territorial do projeto por meio de replicações em comunidades, escolas e instalações locais.
Fase 4, consolidação de usos finais, bioeconomia e monitoramento. A energia é conectada a projetos piloto que demonstrem valor social e econômico, como refrigeração para saúde e alimentos, bombeamento e tratamento de água, iluminação e suporte a atividades educacionais e produtivas. A efetividade da Tecnologia Social é validada por acompanhamento com indicadores e evidências, incluindo economia de diesel, disponibilidade do serviço, autonomia de manutenção e impactos nos usos finais priorizados. O plano de replicabilidade consolida o passo a passo e os instrumentos de gestão, permitindo reaplicação em outros territórios indígenas, com adaptação cultural e territorial.
A execução já foi viabilizada por parcerias estratégicas, que demonstram capacidade de implementação e sustentabilidade: a FOIRN assegura governança, articulação territorial e alinhamento aos PGTAs; o Instituto ANABB aportou R$ 200 mil para aquisição de equipamentos, infraestrutura e capacitação da primeira turma (42 indígenas das cinco coordenadorias); e o Instituto Vidas da Amazônia aportou R$ 70 mil e executou a montagem técnica dos sistemas, incluindo adequações de infraestrutura, com experiência prévia em projetos solares em territórios indígenas. Esses elementos reforçam a abrangência do projeto e respondem, de forma direta, aos critérios de avaliação do edital, ao evidenciar entendimento do problema, qualidade da intervenção, interação comunitária, sistematização replicável, capacidade de execução e inovação social baseada em governança, formação e continuidade do serviço energético.
Resultados Alcançados
A iniciativa alcançou, como resultado inicial e verificável, a realização da primeira turma de formação do Centro de Aprendizagem Indígena do Rio Negro, com 42 participantes, sendo 12 mulheres indígenas, 29 homens indígenas e 1 participante não indígena indicado pelas lideranças da FOIRN. Este resultado reforça o protagonismo comunitário e contribui para as bonificações do edital relacionadas a povos tradicionais e igualdade de gênero, ao registrar participação feminina e estrutura de formação orientada à equidade, com evidências auditáveis (listas de presença, registros fotográficos, memória de atividades e certificação quando aplicável).
Além do número de participantes, o principal ganho foi a formação prática orientada à autonomia. A capacitação priorizou operação segura, manutenção preventiva, diagnóstico de falhas e gestão do sistema, com foco em reduzir a dependência de técnicos externos, diminuir riscos de acidentes e evitar o abandono de sistemas energéticos no médio e longo prazo. Como evidência de apropriação e reaplicação, parte dos(as) participantes já atua como multiplicadores, replicando rotinas de uso seguro e manutenção em comunidades, escolas e instalações locais, ampliando o alcance territorial por meio das coordenadorias e conforme as prioridades pactuadas nos PGTAs.
Em termos de institucionalização, avançou-se na estruturação do Centro de Aprendizagem Indígena para a Transição Energética Justa, sediado na Casa do Saber (Maloca da FOIRN), em São Gabriel da Cachoeira (AM), consolidando um hub permanente para pactuação comunitária, formação inicial e continuada e demonstração tecnológica. Esta etapa também foi viabilizada por parcerias que demonstram capacidade de execução e sustentabilidade: a FOIRN assegura governança e alinhamento territorial; o Instituto ANABB aportou R$ 200 mil para aquisição de equipamentos, infraestrutura e formação; e o Instituto Vidas da Amazônia aportou R$ 70 mil e executou a montagem técnica do laboratório fotovoltaico com arranjos on-grid e off-grid, incluindo adequações de infraestrutura na Maloca.
Como próximos marcos já planejados, a fase em curso prevê capacitar mais 30 indígenas até o encerramento do ciclo e consolidar o laboratório on-grid e off-grid como ambiente formativo contínuo, com acompanhamento por registros e instrumentos padronizados (checklists, registros fotográficos e evidências de replicação). A iniciativa também estruturará indicadores para mensurar continuidade e impacto, incluindo, por exemplo, número de agentes formados (com recorte de gênero), número de replicações locais, disponibilidade do serviço energético, autonomia de manutenção e redução do uso de diesel, fortalecendo a aderência aos critérios de avaliação do edital (entendimento do problema, qualidade da intervenção, interação comunitária, sistematização replicável e inovação social).
Público atendido
- A interação com a comunidade é o eixo estruturante do Centro de Aprendizagem Indígena do Rio Negro e atende ao que o edital valoriza no Desafio
- isto é
- participação efetiva
- protagonismo comunitário
- corresponsabilização e evidências do processo de cocriação. Em vez de uma consulta pontual
- a comunidade participa de todo o ciclo decisório
- desde a definição do problema e das prioridades de uso final (saúde
- educação
- água
- conectividade e bioeconomia) até a validação das soluções técnicas
- o acompanhamento e a replicação.A governança é exercida por instâncias legítimas do território. As decisões são alinhadas aos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) e às cinco coordenadorias da FOIRN
- garantindo aderência a prioridades políticas e ambientais já pactuadas. A Casa do Saber (Maloca da FOIRN) opera como espaço deliberativo para reuniões
- pactuação de objetivos
- seleção de participantes
- validação da finalidade social de cada aplicação e definição de responsabilidades locais de operação e manutenção. Esse arranjo reduz risco de rejeição
- evita intervenções isoladas e assegura legitimidade para expansão.A universidade atua como suporte técnico e metodológico
- e a ponte intercultural é fortalecida pela participação de estudantes indígenas da Unicamp
- que trazem demandas reais do território para o processo formativo e devolvem conhecimento técnico em linguagem e práticas apropriadas. A liderança indígena de referência no projeto (Arlindo Baré
- idealizador do embrião Sollar Rio Negro) assume papel de gestão do conhecimento
- articulando mentoria acadêmica
- princípios do Bem Viver e decisões comunitárias
- para que a tecnologia não seja imposta
- mas construída com o território.A MAI organiza o fluxo de trabalho e a aprendizagem cooperativa
- definindo rotinas e instrumentos que o edital espera ver como evidência de interação e sistematização
- por exemplo
- agendas de encontros
- registros fotográficos
- listas de presença
- checklists de segurança e de operação e manutenção
- devolutivas e ajustes após cada ciclo de formação. A interação também incorpora equidade de gênero na mobilização e na formação
- fortalecendo a rede de multiplicadores e a capacidade de replicação em comunidades
- escolas e instalações locais
- com autonomia e continuidade do serviço energético.
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