Objetivo
Estruturar a comercialização dos produtos do Sistema Agrícola Káali mediante a criação de associação e identidade própria de produtos para ampliar a participação da comunidade na participação em editais de chamamento público em aquisição local de alimentos para o fortalecimento socioeconômico e cultural do povo Baniwa.
Problema Solucionado
A Casa-Território Kalipana é um espaço que reconecta a comunidade Baniwa com seu ancestral e divindade Káali-ttairi, guardião dos ambientes florestais, das plantas, da fertilidade e da produtividade da terra. Este projeto tem como objetivo promover o reaprendizado sobre a relação com a floresta, o manejo sustentável e a produção orgânica de alimentos, incentivando o consumo consciente e a educação holística, ecossistêmica e comunitária. O foco central é fortalecer a soberania alimentar orgânica e resiliente, enfrentando os desafios das mudanças climáticas no território, e gerar oportunidades de renda para as famílias locais. Isso será alcançado por meio do aprimoramento e fortalecimento do beneficiamento da mandioca e de outros produtos do Sistema Agrícola Káali, ampliando também a participação nos programas PAA e PANE, com vistas a inclusão social e promovendo a sustentabilidade económica das famílias Baniwa.
Descrição
Introdução:
Desde 2015, a Casa-Território Kalipana tem se destacado como iniciativa central no desenvolvimento comunitário voltado para o bem viver, promovendo diálogo permanente com aldeias e associações de base. Realiza assembleias, encontros e seminários como estratégia de construção coletiva ao longo de uma década fundamenta a metodologia participativa e ativa adotada para a implantação das ações como meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) e ampliação do abastecimento de água, integrando educação, pesquisa e fortalecimento institucional.
Princípios Metodológicos
• Participação comunitária: Todos os processos são pautados pela intensa participação de anciãos, mulheres, jovens e lideranças, garantindo representatividade e legitimidade. Assembleias e oficinas temáticas são realizadas regularmente para reflexão, crítica e avaliação das iniciativas.
• Diálogo intercultural: O respeito às culturas locais e o envolvimento das diferentes gerações e setores da comunidade são essenciais para a construção de soluções adequadas ao contexto local.
• Educação como estratégia: A escola local atua como centro de formação, pesquisa e disseminação de conhecimento, fortalecendo o protagonismo comunitário e estimulando a sustentabilidade.
• Parcerias institucionais: A colaboração entre Casa-Território, FOIRN, ISA e técnicos especializados agrega credibilidade, recursos e saberes complementares, ampliando a capacidade de realização das ações.
Etapas dos Procedimentos
1. Diagnóstico participativo: Realizado por meio de encontros e consultas às famílias produtoras, anciãos e lideranças, identificando demandas, potenciais locais e saberes tradicionais relacionados à beneficiamento da mandioca, meliponicultura, manejo da água e cadeias produtivas florestais.
2. Planejamento coletivo: Oficinas comunitárias são organizadas para definir prioridades, traçar metas e elaborar planos de ação, envolvendo representantes de cada aldeia, técnicos e parceiros institucionais. Jovens e mulheres têm papel ativo nas discussões, fortalecendo a diversidade de perspectivas.
3. Formação e capacitação: São promovidos treinamentos práticos e teóricos sobre técnicas de beneficiamento de mandioca, meliponicultura, gestão hídrica, monitoramento ambiental e produção sustentável. Técnicos e assessores oferecem acompanhamento contínuo, estimulando o aprendizado colaborativo e o intercâmbio de experiências entre aldeias.
4. Implantação das ações: Construção da unidade de beneficiamento, instalação de sistemas de abastecimento de água e colmeias de abelhas sem ferrão é realizada de forma coletiva, com o envolvimento direto das famílias produtoras e lideranças. O processo inclui a seleção de locais estratégicos, construção de infraestruturas adequadas e distribuição de equipamentos e insumos.
5. Monitoramento e avaliação: O acompanhamento dos resultados é feito por meio de reuniões periódicas, registros escolares e relatórios comunitários. Indicadores como envolvimento de 07 aldeias no beneficiamento de mandioca, expansão do abastecimento de água (para 40 aldeias), criação de abelhas sem ferrão (em 12 aldeias) e formação de 30 produtores especializados são monitorados coletivamente, permitindo ajustes e aprimoramentos constantes.
6. Valorização da identidade local: Oficinas de definição de identidade visual dos produtos agrícolas são realizadas com a participação de jovens e lideranças, promovendo o reconhecimento e a valorização das ideias e saberes da comunidade, fortalecendo o vínculo entre produção local e cultura indígena.
Recursos Necessários
Recursos humanos: 1 Coordenador geral, 1 coordenador local, 5 pessoas envolvidas em atividades; mobilização comunitária e consultoria especializada externa;
Infraestrutura: Unidade de beneficiamento; 1 kit completo de sistema fotovoltaico, 1 forno elétrico, 1 ralador elétrico, 2 freezer, 1 kit completo de bomba água, 2 computador; 1 internet, 1 motor de popa 40hp; 1 canoa de alumínio;
Resultados Alcançados
Fortalecimento de produção e identidade local
Estruturação da unidades de beneficiamento da mandioca com envolvimento de 07 aldeias
Ampliação do sistema de abastecimento de água para 40 aldeias,
Expansão da meliponicultura para 12 aldeias
Capacitação e formação de cerca de 30 produtores especializados.
O processo fortalece a autonomia comunitária, incentiva práticas sustentáveis e integra educação, pesquisa e desenvolvimento sociobioeconômico, resultando em maior protagonismo local e bem viver para as comunidades indígenas da bacia do rio Içana.
Público atendido
Povos Indígenas
Mulheres
Jovens
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