Objetivo
Promover um espaço comunitário de cura, acolhimento e bem viver, integrando saberes ancestrais, práticas tradicionais de cuidado e fortalecimento das mulheres indígenas, de modo a valorizar a cultura, fortalecer vínculos e estimular a autonomia e a sustentabilidade sociocultural da comunidade.
Problema Solucionado
A criação da Casa Numia Kura – Tecnologia de Cura e Bem Viver surgiu diante da crescente fragilização do bem-estar físico, emocional, espiritual e cultural das mulheres e famílias indígenas, marcada por situações de vulnerabilidade social, violência de gênero, perda de vínculos comunitários, desvalorização dos saberes tradicionais e dificuldades de acesso a espaços seguros de cuidado. A ausência de ambientes acolhedores que integrem práticas ancestrais de cura, apoio emocional e fortalecimento cultural gerou a necessidade de uma iniciativa capaz de responder a essas demandas de forma coletiva e sensível às realidades locais.
A tecnologia social pode ser implantada em contextos onde há fragilidade de redes de apoio, desconexão cultural, sofrimentos emocionais não tratados, informalidade no cuidado comunitário, risco de violência e falta de espaços dedicados ao bem viver. Seu modelo é adequado para comunidades que buscam fortalecer identidades, recuperar práticas tradicionais de cura, proteger mulheres em situação de vulnerabilidade e criar ambientes coletivos de apoio, espiritualidade e revitalização cultural.
Descrição
Metodologia e Procedimentos de Implantação
A implantação da Casa Numia Kura – Tecnologia de Cura e Bem Viver segue uma metodologia baseada na participação comunitária, no resgate dos saberes ancestrais e na experiência acumulada da organização proponente em ações sociais, culturais e de cuidado no território.
1. Histórico da instituição e atuação na comunidade
A instituição responsável, formada por mulheres indígenas do Alto Rio Negro, atua há 38 anos no fortalecimento comunitário, promovendo ações de apoio às mulheres, iniciativas culturais, atividades de artesanato tradicional, ajuris, campanhas solidárias e processos de formação. Ao longo desse percurso, estruturou redes de colaboração, confiança e responsabilidade coletiva, fundamentais para a construção da Casa Numia Kura. Suas práticas sempre foram orientadas pelos princípios do bem viver, da espiritualidade e da defesa dos saberes tradicionais.
2. Participação da comunidade nos processos
A implantação da tecnologia social ocorre de forma participativa e colaborativa, envolvendo mulheres, lideranças, anciãs, jovens e famílias do território. As decisões sobre atividades, rituais, oficinas e formas de cuidado são tomadas em rodas de conversa, reuniões comunitárias e momentos de escuta coletiva. A comunidade contribui com conhecimento ancestral, mão de obra solidária (ajuri), monitoramento das necessidades locais e participação contínua nas práticas de cura e bem viver.
3. Interação da organização com a comunidade
A interação é permanente, construída pela presença cotidiana da instituição no território. A Casa funciona como espaço de acolhimento, diálogo e troca de saberes. A organização mantém comunicação constante, identifica demandas emergentes, acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade, articula apoio com outras entidades e promove ações culturais e espirituais abertas à comunidade. Esse vínculo direto garante confiança, respeito e legitimidade no processo.
4. Dados, indicadores e evidências de interação e impacto positivo
Embora inserida em um contexto comunitário e cultural, a tecnologia social demonstra resultados observáveis, tais como:
Número crescente de mulheres atendidas e acompanhadas em situações de vulnerabilidade ou sofrimento emocional;
Participação ampliada em rodas de conversa, oficinas e rituais, com registros de presença e relatos de beneficiárias;
Melhoria percebida no bem-estar emocional, espiritual e social das participantes, evidenciada por depoimentos e avaliações feitas em encontros coletivos;
Aumento da produção e circulação do artesanato tradicional, fortalecendo a autonomia financeira das mulheres;
Maior envolvimento de jovens e famílias nas atividades, indicando fortalecimento dos vínculos comunitários;
Adoção da Casa Numia Kura como referência local de cuidado, acolhimento e valorização cultural.
Essas evidências reforçam que a metodologia, baseada em saberes ancestrais, participação social e práticas integradas de cuidado, gera impacto positivo e sustentável no bem viver da comunidade.
Recursos Necessários
Recursos Humanos (equipe mínima)
- 1 Coordenadora Comunitária – gestão, articulação e acompanhamento das atividades.
- 1 Facilitadora de Cuidado Tradicional (benzedeira, pajé, mestre(a) de saberes).
- 1 Assistente de Apoio Comunitário – organização do espaço, logística e atendimento.
- 1 Artesã/facilitadora – oficinas de artesanato e fortalecimento cultural.
- 1 Agente de articulação local – mobilização das famílias e comunicação comunitária.
Colaboradores voluntários para ajuris, rituais e manutenção, conforme a prática cultural.
2. Equipamentos e Materiais
- Materiais para artesanato (fibras, tintas naturais, linhas, ferramentas)
- Materiais para oficinas diversas (papéis, tecidos, tintas, instrumentos simples)
- Kits de cuidado tradicional (ervas, plantas medicinais, cuias, recipientes)
- Material para rituais (instrumentos culturais, maracás, bancos tradicionais)
3. Materiais administrativos:
- Cadernos de registro, pastas, fichas, canetas, papel A4
- Computador simples ou notebook (opcional, mas recomendado)
- Impressora
- Maquina fotográfica
4. Materiais de Consumo
- Alimentação para oficinas e encontros (frutas, café, lanche, itens tradicionais)
- Produtos de higiene e limpeza
5. Custos Operacionais (estimáveis)
-Transporte para equipes e participantes
-Aquisição e manejo de plantas medicinais
-Manutenção da estrutura física
-Ajuda de custo para facilitadoras tradicionais
-Comunicação
Resultados Alcançados
A implantação da Casa Numia Kura – Tecnologia de Cura e Bem Viver resultou em impactos significativos para as mulheres e famílias da comunidade, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.
1. Resultados Quantitativos 210 pessoas atendidas diretamente no primeiro ano, entre mulheres, jovens e famílias.
120 mulheres participaram regularmente das rodas de conversa, rituais e práticas de cuidado.
80 atendimentos individuais de escuta, acolhimento emocional e orientação espiritual.
35 oficinas formativas realizadas (artesanato, cura tradicional, memória cultural e saúde integrativa).
Crescimento de 40% na participação de jovens e lideranças comunitárias nas atividades da Casa.
Aumento de 30% na renda das artesãs envolvidas, devido à revitalização das práticas tradicionais.
25 ajuris realizados para apoio, cuidado e manutenção do espaço comunitário.
2. Resultados Qualitativos
Os impactos qualitativos foram observados a partir de relatos, escutas e avaliações coletivas:
Melhora no bem-estar emocional e espiritual relatada pela maioria das participantes, que destacam a Casa como espaço de tranquilidade, força e cura.
Fortalecimento da autoestima e do protagonismo feminino, especialmente entre mulheres que viviam situações de vulnerabilidade.
Resgate de práticas tradicionais antes pouco valorizadas, como benzimentos, cantos, rituais e alimentação ancestral.
Reforço dos laços comunitários, promovendo união, solidariedade e cooperação entre famílias.
Sensação ampliada de segurança e pertencimento, com muitas mulheres descrevendo a Casa como “porto seguro”, “lugar de apoio” e “espaço de renascimento”.
Reconhecimento comunitário da Casa Numia Kura como referência de cuidado, cultura e bem viver no território.
3. Como foi realizado o acompanhamento
O monitoramento dos resultados foi conduzido por meio de:
Registros de presença em rodas, oficinas e rituais;
Diário de campo das lideranças e facilitadoras;
Rodas de avaliação participativa, abertas a mulheres, anciãs, jovens e famílias;
Relatos espontâneos coletados durante encontros e atendimentos;
Observação direta das mudanças comportamentais, emocionais e culturais;
Mapeamento da produção de artesanato e comercialização;
Documentação comunitária dos ajuris e atividades coletivas.
Público atendido
Agricultores
Artesãos
Crianças
Desempregados
Empreendedores
Jovens
Lideranças Comunitárias
Mulheres
Povos Indígenas
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