Objetivo
Preservar e fortalecer a tradição da pesca artesanal em Florianópolis por meio da formação prática e teórica em canoa a remo, compartilhando saberes dos mestres pescadores artesanais e mantendo viva essa expressão cultural típica da região.
Problema Solucionado
O Projeto Toca Rapazi, Toca Rapariga, enquanto tecnologia social, enfrenta e busca solucionar o seguinte problema central: A ameaça de descontinuidade da pesca artesanal em Florianópolis, causada pela perda progressiva dos saberes tradicionais, especialmente da remagem em canoa, habilidade dominada por poucos mestres pescadores e que não vinha sendo transmitida às novas gerações.
Desdobramentos do problema
• Envelhecimento dos mestres pescadores sem sucessores formados
• Falta de remeiros capacitados, comprometendo a prática da pesca artesanal
• Enfraquecimento da identidade cultural das comunidades pesqueiras
• Impactos negativos na economia local, no turismo cultural e na sustentabilidade socioambiental
Solução proposta pela tecnologia social
O projeto cria um processo estruturado de formação prática, baseado na troca direta entre mestres pescadores e aprendizes, garantindo:
• A transmissão intergeracional dos saberes tradicionais
• A formação de novos remeiros e pescadores artesanais
• A valorização da cultura pesqueira como patrimônio imaterial
• A continuidade da pesca artesanal como atividade cultural, social, econômica e sustentável
Descrição
O Projeto Toca Rapazi, Toca Rapariga, desenvolvido pelo Instituto Getúlio Manoel Inácio, fundamenta-se na valorização dos saberes tradicionais da pesca artesanal como estratégia de fortalecimento cultural, social e socioambiental das comunidades pesqueiras de Florianópolis. Sua metodologia nesse formato aplicada desde 2022, baseia-se na educação popular, no aprendizado teórico (material didático foi construindo por pescadores) e prático, na transmissão oral de saberes e na participação ativa da comunidade, configurando-se como uma tecnologia social de baixo custo, alto impacto e forte enraizamento territorial.
Histórico institucional e atuação social na comunidade
O Instituto Getúlio Manoel Inácio atua há mais de 5 anos junto às comunidades tradicionais de Florianópolis, com foco na preservação da pesca artesanal, na valorização dos mestres pescadores e na defesa do patrimônio cultural imaterial ligado ao mar. A instituição surgiu da necessidade de evitar o desaparecimento de práticas tradicionais, como a pesca de canoa a remo de um pau só (Garapuvu), diante do envelhecimento dos mestres e da ausência de processos formais de formação de novos praticantes. Ao longo de sua trajetória, o Instituto promoveu oficinas, encontros culturais, ações educativas e projetos de formação, sempre em diálogo direto com pescadores, famílias, jovens, adultos e idosos.
Metodologia do projeto
A metodologia do projeto é centrada no aprendizado vivencial, em que mestres pescadores artesanais atuam como educadores, transmitindo conhecimentos técnicos, culturais e simbólicos relacionados à remagem, à condução da canoa, à leitura do mar, aos ventos e às marés. O processo formativo ocorre diretamente no território, utilizando canoas tradicionais e respeitando os ritmos da natureza e dos participantes. O projeto conta nesse processo com a parceria da Floram - Fundação do Meio Ambiente da Prefeitura de Florianópolis.
O projeto estrutura-se em etapas progressivas:
Mobilização comunitária e seleção dos participantes, priorizando moradores das comunidades pesqueiras e pessoas interessadas na continuidade da tradição;
Aulas teóricas introdutórias, abordando a história da pesca artesanal, a importância cultural da canoa, normas de segurança e ética comunitária;
Formação prática intensiva em remagem, realizada no mar e Lagoa, sob orientação direta dos mestres;
Acompanhamento contínuo, permitindo que os participantes desenvolvam autonomia, resistência física, técnica e sensibilidade ambiental;
Avaliação final e certificação, reconhecendo formalmente os novos remeiros formados.
Participação da comunidade
A comunidade participa ativamente em todas as fases do projeto. Os mestres pescadores são protagonistas do processo, atuando como formadores e referências culturais. Os participantes não são apenas alunos, mas agentes multiplicadores, estimulados a compartilhar o aprendizado e a fortalecer a rede comunitária da pesca artesanal.
Interação da organização com a comunidade
A interação do Instituto com a comunidade ocorre de forma contínua, horizontal e baseada na confiança. As decisões do projeto são construídas coletivamente, envolvendo os pescadores do tradicional Rancho de Pesca SocioCultural Getúlio Manoel Inácio, da praia do Campeche (sul da Ilha da capital Catarinense), respeitando os saberes locais e as demandas do território. O Instituto atua como facilitador, garantindo recursos, organização e visibilidade, sem substituir o protagonismo dos pescadores artesanais. Essa relação fortalece o sentimento de pertencimento e garante a sustentabilidade do projeto ao longo do tempo.
Dados, indicadores e evidências de impacto
Como evidências de impacto positivo, o projeto apresenta:
Formação de novos remeiros aptos a atuar na pesca artesanal ( em 2025 por exemplo foram 27 alunos e em 2024 23 participantes);
Ampliação do número de pessoas capacitadas em uma habilidade considerada rara e em risco de desaparecimento;
Fortalecimento da autoestima dos mestres pescadores, reconhecidos como detentores de conhecimento tradicional;
Engajamento crescente da comunidade nas atividades do projeto;
Realização de cerimônias públicas de formatura, reforçando o reconhecimento social da prática;
Contribuição para a preservação do patrimônio cultural imaterial e para a sustentabilidade socioambiental local.
O Projeto Toca Rapazi, Toca Rapariga consolida-se, assim, como uma tecnologia social eficaz, replicável e profundamente conectada à realidade das comunidades pesqueiras, garantindo a continuidade da pesca artesanal e de seus saberes tradicionais para as futuras gerações.
Recursos Necessários
1. Recursos Humanos (Pessoal)
Para a implantação de uma unidade da tecnologia social é necessária uma equipe enxuta:
3 Mestres pescadores artesanais
Responsáveis pela formação prática, transmissão dos saberes tradicionais e acompanhamento dos participantes.
1Coordenador/a do projeto
Responsável pela gestão geral, articulação institucional, cronograma, prestação de contas e acompanhamento das atividades.
1 Pescador para o Apoio operacional
Suporte logístico, manutenção dos equipamentos, organização dos espaços e segurança das atividades.
1. Apoio administrativo/comunicação
Registro das atividades, organização documental, produção de relatórios e comunicação institucional.
1 Fotógrafo/videomaker
Registro das atividades e produção de imagens e videos.
2. Recursos Materiais
Materiais básicos e de consumo necessários para o funcionamento da unidade:
• Materiais pedagógicos - apostilas e datashow
• Materiais impressos (listas de presença, certificados)
• Camisetas e ecocopos.
• Equipamentos de primeiros socorros
• Água potável e apoio básico de alimentação durante as atividades práticas
3. Equipamentos e Infraestrutura
Sobre os Equipamentos essenciais para a formação prática mencionamos aqui, porém já possuímos. Entre eles: Canoa(s) tradicional(is) de pesca artesanal, Remos, Coletes salva-vidas, apitos e boias. Temos o espaço ( o próprio rancho na praia do Campeche que é do Instituto) Espaço comunitário de apoio:
Resultados Alcançados
O Projeto Toca Rapazi, Toca Rapariga, desenvolvido pelo Instituto Getúlio Manoel Inácio, alcançou resultados significativos na preservação da pesca artesanal e na valorização dos saberes tradicionais das comunidades pesqueiras de Florianópolis. Entre os principais resultados, destacam-se:
Formação de novos remeiros capacitados na condução de canoas tradicionais a remo, suprindo uma lacuna crítica na continuidade da pesca artesanal. Em 2024 foram 23 alunos e em 2025 27 alunos.
Um aluno do primeiro ano de formação já se tornou titular na pesca artesanal da tainha na safra de 2025, enquanto 50% dos demais participantes do projeto atuaram, pela primeira vez, como ajudantes na safra mais tradicional do litoral catarinense.
Salvaguarda de conhecimentos tradicionais, com a transmissão direta dos saberes dos mestres pescadores para novas gerações, garantindo a preservação do patrimônio cultural imaterial.
Fortalecimento do protagonismo dos mestres pescadores, reconhecidos como educadores e detentores de conhecimento, promovendo valorização social e autoestima. Seis pescadores envolvidos diretamente com o projeto.
Engajamento comunitário ampliado, com participação ativa de pescadores, familiares, jovens e lideranças locais em todas as etapas do projeto. Projeto é amplamente divulgado na imprensa e redes sociais (nas edições implantadas superavam o número de interessados. Formava-se então lista de espera).
Formação de agentes multiplicadores, aptos a compartilhar os conhecimentos adquiridos e estimular a continuidade da tradição nas comunidades.
Impacto positivo na identidade cultural local, reforçando o vínculo das comunidades com o mar e suas práticas ancestrais.
Contribuição para a sustentabilidade socioambiental, ao fortalecer uma atividade de baixo impacto ambiental e relevante para a economia e o turismo cultural.
Reconhecimento público do projeto, evidenciado por eventos de formatura, visibilidade institucional e interesse de outras comunidades em replicar a metodologia.
Esses resultados demonstram a efetividade do projeto como tecnologia social, capaz de gerar impactos culturais, sociais, econômicos e ambientais de forma integrada e sustentável.
Público atendido
Adulto
Jovens
Mulheres
Pescadores
Povos Tradicionais
População em Geral
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