Objetivo
Promover o direito à leitura e à cultura por meio de uma metodologia de biblioteca comunitária territorializada, que fortaleça os vínculos sociais, fomente a autonomia de crianças e jovens e potencialize o protagonismo comunitário como ferramenta de transformação social.
Problema Solucionado
A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024, apontou a redução de 6,7 milhões de leitores no país. Pela primeira vez na série histórica, o número de não leitores superou o de leitores. Já a PNAD Contínua 2023 (IBGE) revelou que o Rio de Janeiro tem o quarto maior Índice de Gini do país (0,540), acima da média nacional (0,518), evidenciando a desigualdade no acesso a direitos. Nesse contexto, bibliotecas comunitárias têm se afirmado como respostas concretas à exclusão cultural e informacional.
A Biblioteca Comunitária A Casa Amarela, criada em 2022 em Anchieta e replicada em Ricardo de Albuquerque, Parque Anchieta e Máriopolis, Zona Norte do Rio de Janeiro, onstitui um metodologia de inovação social, ao reconfigurar a biblioteca como um laboratório vivo de aprendizagem, cuidado e convivência. A territorialidade é o norte para essa metodologia — ouvir os ritmos, dores e potências do território — que busca transformar demandas em ações de leitura e convivência. A equipe realiza mapeamentos, conversas e parcerias com escolas, coletivos e lideranças, compondo um diagnóstico que orienta suas ações.
Descrição
A Biblioteca Comunitária A Casa Amarela é uma tecnologia social de base comunitária e caráter territorial, voltada para a democratização do acesso à leitura, à produção cultural e à cidadania. Sua metodologia é estruturada em cinco eixos articulados, que orientam desde a implantação até o funcionamento cotidiano do espaço.
O Eixo I – Território, Acesso e Leitura Viva promove a implantação da biblioteca a partir da escuta ativa e do mapeamento comunitário. Adota a filosofia da “biblioteca sem muros”, integrando o espaço físico ao território por meio de mutirões, rodas de escuta, visitas domiciliares e ações como o Livro de Rua, que leva acervos móveis para praças, escolas e áreas públicas.
O Eixo II – Mediação, Afeto, Cuidado e Infância desenvolve ações voltadas à promoção do desenvolvimento humano integral, com práticas de biblioterapia comunitária, rodas sensíveis, oficinas com crianças, contação de histórias e espaços de acolhimento emocional. A leitura é trabalhada como experiência de vínculo, escuta e cuidado.
O Eixo III – Protagonismo Feminino e Economia Criativa potencializa saberes e práticas de mulheres do território, por meio de formações, rodas de escuta, produção coletiva de conteúdos, feiras de economia criativa e oficinas que articulam memória, ancestralidade, empreendedorismo e fortalecimento de redes solidárias.
O Eixo IV – Inclusão Digital, Letramento 60+ e Cidadania Digital transforma a biblioteca em polo de conectividade e formação digital, promovendo o acesso da população idosa e de outros grupos ao uso de ferramentas digitais. São realizadas oficinas de letramento digital, introdução ao uso de celulares e navegação segura, com apoio intergeracional.
O Eixo V – Governança Comunitária e Sustentabilidade da Tecnologia Social estrutura a gestão da biblioteca por meio de colegiados, assembleias e escutas permanentes. Cria mecanismos de registro, acompanhamento e documentação, como diários de bordo, reuniões abertas, formulários participativos e relatórios que sustentam a memória da experiência.
A implantação da Casa Amarela ocorre por meio de quatro fases metodológicas, comuns a todos os eixos, garantindo enraizamento territorial, coerência e continuidade das ações:
Fase 1 – Imersão territorial e escuta ativa: envolve diagnóstico comunitário participativo, visitas domiciliares, levantamento de dados sociais e culturais, rodas de escuta com famílias, crianças, jovens, educadores e lideranças locais. O território é compreendido como espaço pedagógico, cultural e político.
Fase 2 – Mobilização e cocriação comunitária: a partir das escutas, são formados Grupos de Mobilização Comunitária compostos por moradores, mães, artistas e educadores. O planejamento do espaço é participativo, com definição coletiva da ambientação e das regras de uso da biblioteca. Realizam-se mutirões, oficinas de cuidado do espaço, pintura, instalação e sinalização.
Fase 3 – Programação cultural, social e educativa: com a biblioteca ativa, inicia-se a programação regular com mediações literárias, oficinas temáticas, clubes do livro, rodas culturais, encontros intergeracionais, cineclubes e atividades voltadas a meninas e mulheres. São também oferecidas formações para mediadores locais e ações de integração com escolas públicas do território.
Fase 4 – Gestão participativa, avaliação e sistematização: a gestão é coletiva, com reuniões abertas, escutas permanentes e acompanhamento das atividades por meio de instrumentos como formulários, diários de bordo e registros audiovisuais. A metodologia é sistematizada em e-books, vídeos, relatórios e cadernos, ampliando sua capacidade de reaplicação.
A replicabilidade é um dos pilares mais potentes da Casa Amarela. A tecnologia foi concebida para ser aberta, adaptável e transferível, sem que isso comprometa sua essência. Sua metodologia já foi reaplicada com êxito em diferentes territórios da Zona Norte do Rio de Janeiro, como Ricardo de Albuquerque, Mariópolis e Parque Anchieta. Esse processo é sustentado por materiais sistematizados — como e-books, vídeos, cadernos metodológicos e roteiros operacionais — que oferecem orientação técnica para novas implantações. A replicação envolve apoio formativo do Instituto Ciclos do Brasil, escuta ativa nos novos territórios, mobilização comunitária e gestão compartilhada desde a origem. Cada implantação conta com instrumentos próprios de monitoramento, avaliação e produção de memória, o que assegura fidelidade aos princípios da tecnologia, ao mesmo tempo em que respeita a diversidade dos contextos locais.
O processo é fortalecido por parcerias com universidades, escolas públicas, redes de bibliotecas comunitárias e coletivos culturais, garantindo articulação, qualificação e sustentabilidade. A Casa Amarela comprova, assim, sua capacidade de gerar transformação social em diferentes realidades, com baixo custo, alta eficácia e profundo enraizamento comunitário.
Recursos Necessários
Os custos anuais de pessoal e materiais da Biblioteca A Casa Amarela totalizam R$ 219.600,00, garantindo o funcionamento contínuo do espaço e a execução das atividades culturais, educativas e sociais ao longo do ano. A equipe fixa representa um investimento mensal de R$ 12.800,00, incluindo coordenação executiva (R$ 2.000), bibliotecário (R$ 2.000), produção cultural (R$ 1.500), social media (R$ 1.500), oficineiro (R$ 1.500), mediador cultural (R$ 1.500), auxiliar de serviços gerais (R$ 1.500) e estagiário de biblioteconomia (R$ 800), totalizando R$ 153.600,00 por ano. As despesas operacionais mensais somam R$ 5.500,00, contemplando recursos de alimentação (R$ 1.000), limpeza (R$ 500), papelaria e escritório (R$ 500), decoração (R$ 300), aluguel (R$ 2.000), contas fixas (R$ 1.000), internet (R$ 100), transporte (R$ 500) e outros recursos e emergências (R$ 500), o que corresponde a R$ 66.000,00 anuais. Esses investimentos asseguram a manutenção da estrutura, o atendimento ao público, a realização de oficinas, mediações culturais e ações comunitárias, fortalecendo o papel da Biblioteca A Casa Amarela como equipamento cultural de referência no território.
Resultados Alcançados
Indicadores consolidados entre 2022 e 2025 apontam uma trajetória de crescimento contínuo: 30.000 visitantes, entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, com sua programação cultural e social diversificada entre rodas de conversa, atendimento psicológico gratuito, oficinas diversas, mediações de leitura, cineclubes, saraus e cursos profissionalizantes.
A biblioteca tem sido reconhecida pela comunidade como espaço seguro, afetivo e transformador, principalmente para crianças, mulheres, população negra e pessoas LGBTQIAPN+, que relataram se sentir acolhidas e representadas nas ações. Jovens envolvidos nas atividades passaram a atuar como multiplicadores, organizando atividades e conduzindo formações, o que reforça a autonomia e o protagonismo local. Famílias relatam melhora no rendimento escolar de crianças envolvidas nas ações de incentivo à leitura, e os relatos de moradores indicam aumento do sentimento de pertencimento ao território.
O acompanhamento dos resultados é feito por meio de registros contínuos de participação, relatos orais, pesquisas de avaliação, entrevistas com moradores e observação direta. São aplicados formulários simples com participantes, buscando captar mudanças de comportamento, envolvimento comunitário e percepção de impacto individual e coletivo. Esses dados alimentam relatórios periódicos, que orientam a readequação das ações conforme as necessidades de cada território.
A Casa Amarela se consolidou como referência em tecnologia social voltada à leitura e à convivência comunitária, sendo reconhecida como espaço permanente de transformação cultural e social nos territórios onde atua.
Público atendido
Adolescentes
Adulto
Crianças
Idosos
Famílias de Baixa Renda
Jovens
População em Geral
Mulheres
Comentários