Objetivo
O Objetivo da Base é fortalecer a luta por direitos e condições dignas de trabalho por meio da oferta de suporte e acolhimento a trabalhadores da economia popular, disponibilizando um lugar para atendimento das necessidades básicas desses trabalhadores, tais como espaço de descanso; alimentação; banheiros; internet; ponto de energia para carregar celulares; atendimento jurídico e psicossocial.
Objetivos específicos
1) Oferecer infraestrutura que garanta dignidade imediata, como descanso, água, alimentação, banheiro e internet;
2) Disponibilizar atendimento jurídico e psicossocial;
3) Transformar o espaço em um polo de mobilização, reunindo trabalhadores dispersos pela cidade, criando vínculos, fortalecendo a identidade coletiva e estimulando a organização política;
4) Atuar como ponto permanente de articulação para debates, formação, construção de cooperativas e planejamento de ações coletivas, ampliando a capacidade de luta por direitos.
Problema Solucionado
A BASE surge para enfrentar problemas estruturais que atingem trabalhadores da economia popular: ausência de direitos, falta de infraestrutura mínima e os impactos crescentes da crise climática sobre quem vive das ruas. Entregadores e motoristas por aplicativo, ambulantes, catadores e diaristas trabalham expostos ao calor extremo, chuvas, longas jornadas e violência urbana, sem acesso a água, banheiro, descanso, alimentação adequada, internet ou apoio jurídico e psicossocial. Mesmo sendo essenciais para a cidade, permanecem invisibilizados, dispersos e sem canais de organização.
A BASE responde a essa realidade criando um espaço seguro para alimentação, hidratação, descanso, recarregar celulares, usar internet, encontrar atendimento jurídico, psicológico e apoio coletivo. Essa tecnologia social pode ser implantada em territórios marcados pela precarização, pela ausência do Estado e pela intensificação dos eventos climáticos, servindo como ponto de proteção, articulação e fortalecimento político. Ao oferecer cuidado e estrutura, transforma a vulnerabilidade em mobilização e permite que esses trabalhadores se reconheçam como sujeitos de direitos e disputem políticas públicas.
Descrição
A implantação da BASE é resultado direto da trajetória do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (MTSD), organização criada para enfrentar a precarização crescente do trabalho informal, a ausência de direitos e o impacto das desigualdades estruturais, intensificadas pela crise climática, sobre trabalhadores que vivem da renda diária. Desde sua formação, o Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (MTSD) atua junto a entregadores e motoristas por app, ambulantes, catadores, diaristas e demais categorias invisibilizadas, desenvolvendo processos de escuta, mobilização, formação política e construção de soluções comunitárias de enfrentamento às vulnerabilidades.
A criação da BASE é fruto desse acúmulo. Antes de existir fisicamente, houve um período de mapeamento das necessidades concretas da comunidade trabalhadora: falta de água, sombra, banheiros, comida, local seguro para descanso, acesso à internet, proteção contra o calor extremo, apoio jurídico e psicossocial, além da necessidade de um espaço de organização coletiva capaz de romper o isolamento imposto pela lógica do trabalho por aplicativo. Esses diagnósticos foram feitos por meio de rodas de conversa, mutirões de escuta, visitas aos pontos de trabalho e articulação com grupos já organizados de trabalhadores da economia popular.
Metodologia de implantação:
A metodologia adotada combina três pilares: (1) escuta ativa e diagnóstico comunitário, (2) criação de infraestrutura de cuidado, e (3) organização e mobilização permanente.
A implantação seguiu etapas:
• Identificação do território: a região da Sé foi escolhida por concentrar um grande número de trabalhadores informais, fluxo intenso e ausência de políticas públicas de acolhimento.
• Levantamento das necessidades e riscos climáticos: mapeando locais sem sombra, pontos de calor extremo, áreas com recorrência de enchentes e falta de acesso à água.
• Definição da infraestrutura essencial: banheiro, água, micro-ondas, alimentação, descanso, internet, carregadores, atendimento jurídico e psicossocial.
• Criação de rotinas de acolhimento e cuidado: horários de funcionamento, plantões de apoio, escalas de atendimento, protocolos de acolhimento para casos de violência ou vulnerabilidade.
• Formação e articulação política: reuniões periódicas, assembleias abertas, encontros temáticos sobre clima, saúde, renda, direitos e organização.
• Integração com a Cozinha Solidária da Sé: garantindo alimentação gratuita e fortalecendo a rede de solidariedade já existente no território.
Participação da comunidade no processo:
A participação dos trabalhadores é central, não apenas como público atendido, mas como protagonistas. A comunidade participa:
• definindo prioridades de infraestrutura;
• organizando assembleias e reuniões de planejamento;
• construindo coletivamente os protocolos de uso do espaço;
• mobilizando novos trabalhadores para fortalecer a Base
• formando comissões de cuidado, recepção e orientação;
• trazendo relatos e evidências do impacto da crise climática no cotidiano.
A cada nova necessidade identificada, como ventiladores, itens de primeiros socorros, mediação de conflitos com forças de segurança ou ações de apoio emergencial durante ondas de calor, a própria comunidade orienta ajustes e ampliações na metodologia.
Interação da organização com a comunidade:
A BASE funciona como um ponto permanente de encontro, troca e pertencimento. Os trabalhadores retornam diariamente para descansar, se hidratar, carregar celular, participar de atendimentos ou apenas conversar. Essa rotina cria vínculos e fortalece a construção de identidade coletiva — algo fundamental para trabalhadores que historicamente atuam isolados e fragmentados.
A equipe do MTSD mantém presença constante, tanto na BASE quanto nos territórios: visitando pontos de entrega, praças, feiras, estações e locais de grande fluxo. Essa presença territorial amplia a confiança e transforma a BASE em referência de acolhimento e cuidado comunitário.
Dados, indicadores e evidências de impacto:
Embora ainda em expansão, já é possível observar impactos concretos:
• Fluxo diário de trabalhadores, especialmente entregadores e motoristas por app e ambulantes, utilizando a infraestrutura básica.
• Procura crescente por atendimento psicossocial, indicando que a BASE atua como importante polo de cuidado em saúde mental em um cenário de grande desgaste.
• Participação ampliada em reuniões e assembleias, demonstrando o fortalecimento do sentimento de pertencimento e da identidade coletiva.
• Relatos e depoimentos espontâneos evidenciam que o espaço reduz riscos relacionados à crise climática (como desidratação e exaustão térmica) e melhora a capacidade de trabalho diário.
• Aumento da participação em ações de mobilização, mostrando que o cuidado oferecido pela BASE gera confiança e engajamento político.
Recursos Necessários
A implementação de uma unidade da BASE exige um espaço físico simples, acessível e bem localizado, com áreas para convivência, descanso, atendimento individual e alimentação. O local deve possuir ventilação adequada, iluminação, banheiro funcional, pontos de energia e acesso à internet. Os recursos materiais essenciais incluem mesas, cadeiras, armários, geladeira, micro-ondas, filtro ou galão de água, utensílios básicos, ventiladores, computadores ou notebooks, roteador, carregadores coletivos de celular, materiais de escritório, kit de primeiros socorros, placas de identificação e quadro de avisos. Como a BASE apoia diretamente trabalhadores da economia popular, especialmente entregadores e motoristas por app e ambulantes, é necessário um bicicletário funcional, com suportes para estacionar bicicletas e ferramentas de reparo rápido (bombas de ar, chaves, lubrificante). Também é importante ter espaço seguro para guardar pertences e mochilas durante o uso do local. Para atividades de mobilização e formação, são recomendados materiais de engajamento como caixa de som portátil, impressora simples, cartazes, faixas e itens de identidade visual.
Em termos de recursos humanos, a BASE funciona com uma equipe mínima composta por: articulador territorial, responsável pelo diálogo e mobilização; facilitador de cuidado, que organiza acolhimento e atividades; apoio administrativo; e voluntários da comunidade.
Resultados Alcançados
A implantação da BASE como tecnologia social gerou resultados concretos e mensuráveis no território, tanto em dimensão quantitativa quanto qualitativa. No último ciclo de atuação, cerca de 420 pessoas foram atendidas diretamente pelas atividades regulares — rodas de conversa, mutirões de cuidado, oficinas de geração de renda, apoio socioemocional e acompanhamento territorial — e mais de 1.200 pessoas alcançadas indiretamente por meio das ações comunitárias ampliadas, campanhas de solidariedade e mobilizações locais.
Do ponto de vista quantitativo, registramos, desde a inaugução:
• 3 atendimentos individuais de escuta e apoio psicossocial e realização de 1 Roda de Terapia Coletiva.
• 96 pessoas participando de oficinas de trabalho e renda;
• 70 mulheres participando regularmente das rodas de fortalecimento;
• 32 jovens integrados em atividades de formação política e cuidado coletivo;
• 23 ações públicas (mutirões, mobilizações, campanhas), envolvendo moradores de diferentes faixas etárias.
No campo qualitativo, emergiram percepções consistentes sobre fortalecimento do pertencimento comunitário, aumento da autoestima e sensação ampliada de segurança emocional. Os participantes relatam que A BASE funciona como “um lugar que segura a gente”, “um ponto de respiro” e “um espaço onde o corpo e a cabeça ficam mais leves”. Também houve destaque para a diminuição do isolamento, fortalecimento da rede de confiança e maior disposição para participar das decisões da comunidade.
O monitoramento foi realizado por meio de:
• fichas de acolhimento e registros individuais;
• observação sistemática das equipes;
• relatórios mensais de atividades;
• questionários de percepção aplicados ao final de cada ciclo;
• mapeamento territorial contínuo, permitindo avaliar evolução de demandas e impactos.
Esses instrumentos permitem comprovar que A BASE não apenas atende, mas mobiliza, forma, cuida e reorganiza vínculos comunitários, gerando impactos diretos na saúde física e mental, na renda e na coesão social do território.
Público atendido
- Adulto
- Catadores de Material Reciclável
- Desempregados
- Empreendedores
- Famílias de Baixa Renda
- Lideranças Comunitárias
- Mulheres
- Trabalhadores Autônomos
- Jovens
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